sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Review: Silent Waters (Amorphis)


Detentores de uma carreira invejável, onde álbuns como Tales From The Thousand Lakes, Elegy ou Am Universum, cada qual no seu estilo, se tornaram marcos indeléveis da história do metal, os finlandeses Amorphis continuam, todavia, a pautar a sua forma de abordarem as suas obras sem qualquer tipo de restrição ou fronteira. Foi isso, aliás que lhes permitiu manter sempre no topo ao longo de uma carreira de cerca de duas décadas. A entrada no novo milénio deu-se com a contratação de um novo vocalista, Tomi Joutsen de seu nome que veio emprestar ao colectivo uma nova dinâmica muito por culpa da sua versatilidade. A estreia em Eclipse fez com que o nome Amorphis voltasse a andar (se é que alguma vez tivesse deixado) nas bocas do mundo metaleiro. Agora, surge-nos Silent Waters, a nova proposta do colectivo que é, na realidade, mais uma pérola de melodia, melancolia, técnica combinada com uma agressividade perfeitamente controlada do sexteto. E se os dois primeiros temas (Weaving The Incantation e A Servant) nos levam a pensar que vamos assistir a um claro regresso aos tempos mais extremos da banda, mais nos seus primórdios, lentamente nos apercebemos que isso não vai, de todo, acontecer. À medida que vamos avançando no álbum as águas vão ficando cada vez mais calmas com temas onde se poderão apreciar belíssimas texturas de piano e guitarra acústica, sem, todavia, deixarem de se notar, no desenvolvimento dos temas, as influências mais agressivas, como acontece, por exemplo em The White Swan. No fundo, os Amorphis fazem aquilo que já fizeram muitas vezes: baralham e dão de novo. Num segundo parece que vão regressar a Tales Of The Thousand Lakes para no segundo seguinte piscarem o olho a Am Universum e no seguinte já não soarem a nada conhecido… Os pianos em I Of Crimson Blood e Black River são do mais belo jamais construído pelo colectivo; o refrão de Her Alone na sua combinação de melodia, solo de guitarra e piano é de arrepiar. Por outro lado, Enigma é, como o próprio nome indica um verdadeiro enigma no seio do álbum já que se trata de uma peça totalmente acústica. Silent Waters é, pois, composto por diferentes correntes que no seu seu conjunto criam (mais) uma belissíma obra a descobrir.


Nota VN: 18,00 (8º)

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