segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Review: Scarsick (Pain Of Salvation)

Scarsick (Pain Of Salvation)
(2006, Metal Blade/Inside Out)

Há quem diga q os Pain Of Salvation (POS) são, actualmente, a melhor banda de metal progressivo. Se isso corresponde à verdade é discutivel. O que não se discute é a qualidade do seu novo trabalho Scarsick. Nesta obra, os suecos presenteiam-nos com momentos poderosos e subtis, sérios e humorísticos, agressivos e melódicos, sempre bem condimentado com muito sarcasmo. Musicalmente, podemos encontrar de tudo: metal moderno, heavy metal old school, rock sinfónico, funk, hip-hop, country e até disco (nem a vozinha apaneleirada à Bee Gees falta!). Uma miscelânea tão surpreendente como superiormente conseguida. Para além disso, não faltam pormenores de composição deliciosos: crescendos, diminuendos, quebras de ritmo, mudanças de tempo, por aí fora... Tecnicamente, os músicos são irrepreensíveis e apresentam-nos situações só ao alcance de predestinados. Então o que falta para que Scarsick seja, de facto, transcendental? Homogeneidade no decurso do álbum. Nota-se que os últimos quatro temas não estão à altura dos antecedentes. São maus temas? Evidentemente que não! Mas depois de escutarmos America, Disco Queen ou Kingdom Of Loss tudo o que vem a seguir tem de ser de outra galáxia sob pena de nos decepcionar. É o que acontece.
NotaVN: 17,33 (2º)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Review: All Doves Have Been Killed (Hills Have Eyes)

ALL DOVES HAVE BEEN KILLED (HILLS HAVE EYES)(2006, Punk Nation Rec./I Scream Rec/Recital)

All Doves Have Been Killed é o trabalho de estreia dos sadinos Hills Have Eyes (HHE), um colectivo que se movimenta por terrenos situados algures entre o punk e o metal, bebendo influências ora num ora noutro. De facto, All Doves Have Been Killed é um trabalho da moda. Da moda porque segue as pisadas dos conterrâneos More That A Thousand (que estão em alta!) e da moda porque seguem as regras estabelecidas por colectivos norte-americanos de sonoridade semelhante. Este trabalho composto por cinco temas (não contando com as pequenas Intro e Interlude), mostra-nos um grupo competente no desempenho da sua função, criando canções curtas (nenhuma atinge os 4 minutos) com linhas estruturais, melódicas e vocais extremamente básicas, sem nunca complicar muito. São melodias simples e lineares mas que não cativam. É a secção rítmica enérgica e certinha mas que raramente surpreende. O ponto alto são mesmo as guitarras que demonstram uma técnica raramente vista neste tipo de sonoridade (influência de Estocolmo?) Na ausência quase total de solos verdadeiramente ditos, o trabalho de guitarra brinda-nos com alguns pormenores verdadeiramente deliciosos. Outro ponto saliente dos HHE são os vocais. Embora longe de serem tecnicamente perfeitos (bem notório ao nível da amplitude) o vocalista tem um timbre agradável, doseando bem a dicotomia melodia vs agressividade, não se limitando a berrar ou a grunhir, mas cantando na verdadeira acepção da palavra. E é da conjunção do bom trabalho de guitarras e da voz que os temas dos setubalenses se tornam agradáveis à audição, embora, como se disse atrás, sem cativar, talvez porque a falta de diversidade origine que eles não se diferenciem muito uns dos outros. Com excepção de Tombstone, todos os outros acabam por se esquecer passado algum tempo.
Nota VN: 12,38

Entrevista com Hills Have Eyes

Em primeiro lugar, expliquem como, quando e onde tudo começou.
Os Hills Have Eyes surgiram dum anterior projecto que alguns membros tinham que se chamava Skapula. Após algumas alterações no lineup da banda, as direcções começaram a ser um pouco diferentes das que tinhamos traçado para os Skapula. Além disso, o próprio tempo nos fez pensar de um modo um pouco diferente. Como já não havia identificação com o projecto anterior e a formação da banda já estava consideravelmente mudada, resolvemos criar os HHE.
Uma das curiosidades que mais salta à vista é o vosso nome. Tem algum significado especial?
Bem, tem uma conotação um bocado intíma para nós. Mas posso-te dizer que está relacionada como o facto de hoje em dia, apesar de às vezes não parecer, toda a gente estar bem atenta aquilo que fazes.
Como surgiu a hipótese de participação do Vasco Ramos (More Than A Thousand) no tema Tombstone?
Surgiu naturalmente uma vez que o Vasco é um bom amigo nosso. Ele estava cá em Portugal e foi connosco ao estúdio enquanto estavamos a gravar e ele gostou muito da música e deu-se a oportunidade de ele gravar umas vozes. Gostamos do resultado final e ficou.
O Line Up actual não é propriamente o mesmo que gravou o CD. Podem esclarecer?
Sim, é verdade. O guitarrista Luís Claro chegou a gravar o EP mas uns tempos depois, tivemos uma conversa com ele chegamos à conclusão que não estavamos com os mesmos objectivos em termos do que queriamos fazer. Ele saiu mas continuamos todos a ser bons amigos. São situações normais que acontecem hoje em dia com inúmeras bandas. Agora somos apenas 4 elementos mas ao vivo continuamos a tocar com duas guitarras com um elemento convidado até acharmos alguém para integrarmos na banda a 100%.
Voces praticam uma sonoridade não muito comum no catálogo da Recital. Como vêm essa situação e como surgiu o contacto com a editora de Sto. Tirso?
Surgiu já numa fase final de gravação do All Doves Have Been Killed. Nós inicialmente estavamos a apostar mais na gravação dos temas para "introdução" da banda no meio musical, uma vez que começamos do zero. Mas no fim ficamos bastante satisfeitos com a gravação e achamos que tinha condições para ser editado.Enquanto Skapula participamos no Além Rock, um concurso em Beja e fomos a final onde tocaram os Prime, uma banda da Recital. Tive uma conversa com o vocalista e ele falou-me da editora deles. Foi a 1º editora que abordei e eles gostaram do nosso trabalho. De facto, provavelmente, a banda mais parecida connosco são mesmo os Prime, mas o mais importante é o trabalho realizado connosco e nesta fase inicial estamos satisfeitos.Existem bastantes boas bandas em Portugal dentro de variados estilos e acho também importante as editoras terem um leque variado de opções, além do mais há condições para qualquer banda lutar pelo seu espaço. Qualidade não falta.
Na vossa opinião, os HHE enquadram-se mais em que campo: punk ou metal?
Apesar de considerarmos esses dois estilos entre os três que nos influenciam mais, o campo principal que consideramos nos enquadrar é o rock. Agora como tu disseste temos bastantes influências do punk e do metal, que juntamente com o rock geram os HHE.
Analisando o álbum, acham que ficou 100% como voces queriam, ou se fosse agora, mudariam algo?
Há sempre aquele pormenor que talvez mudasses se pudesses voltar atrás, mas de uma maneira geral consideramos que ficou bastante positivo este trabalho.Também tivemos muitos problemas de atrasos enquanto gravamos os temas, o que nos permitiu também ponderar e estudar melhor o que iriamos fazer. Teve o seu lado negativo que atrasou em muito o lançamento, mas também teve o seu lado positivo.
Em relação ao estilo que voces prativam, parece-me que as guitarras e os vocais são um pouco mais técnicos que o usual. Qual é a vossa opinião acerca disso? Concordam? E em caso afirmativo, foi natural ou foi planeado?
Acho que isso parte bastante das características individuais de cada um, mas é bom que tenhas essa opinião. De qualquer maneira dentro das nossas limitações tentamos pormenorizar e fazer o melhor possível em todos os instrumentos, mas não foi nada planeado exactamente.
Em termos liricos, quais são os conteúdos abordados nos vossos temas?
Este trabalho aborda de uma maneira geral o tema amizade/cinismo. Foram escritos com base em experiências que vivemos enquanto banda e também de uma maneira pessoal. É também uma mensagem que, se queremos alguma coisa, temos que lutar por ela e preocupar-nos mais connosco do que com os outros.
Num mercado tão encharcado de lançamentos do género, que argumentos apresentam os HHE que possam fazer a diferença?
Penso que o mercado está encharcado de lançamentos de todos os géneros, não só do nosso... Mas talvez várias bandas do estilo tenham mais mediatização do que de outros géneros. De qualquer maneira, nós fazemos o que gostamos e isso é o mais importante. Há-de haver sempre quem não goste, mas a nossa preocupação vai para quem gosta. E é a esses que nós temos que agradecer o apoio e incentivo. Não estamos preocupados em fazer a diferença mas sim em continuar a fazer o que gostamos.
É certo que o álbum ainda é recente, mas qual tem sido o feed-back por parte do público e da imprensa?
Muito boa e isso deixa-nos muito contentes. Mas como dizes ainda é cedo e procuramos continuar a promover o trabalho o mais possível.
E em termos de espectáculos, como tem corrido as coisas?
Fizemos a primeira parte da tour em Portugal dos More Than a Thousand que foi muito bom, concertos com muito público o que nos deu a hipótese de nos mostrarmos para muita gente. Fizemos também alguns concertos de apresentação do EP juntamente com os nossos amigos One Hundred Steps que também lançaram agora o seu EP The Eyes Of Laura Mars. Em principio vamos continuar estes concertos, mas agora mais a norte e sul do país uma vez que tocamos mais na zona da grande Lisboa.
Finalmente, projectos para o ano que agora se inicia?
A edição internacional do EP em Março/Abril pela Punk Nation Records e depois uma tour europeia talvez em Maio. Queremos também tocar o mais possível em Portugal e para Setembro/Outubro gravar um álbum que pensamos lançar no final do ano.
Obrigado pela entrevista e um abraço!