Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Review: Recent Delay (Sigma)

Recent Delay (Sigma)
2007, Recital Records

Desde sempre o Alentejo respirou musicalidade. No campo da música ligeira/popular portuguesa são inúmeros os exemplos de qualidade e sucesso. Felizmente, parece que a inspiração da planície se virou, também, para o metal, tal o número crescente de novos valores emergentes. A par de grupos como Mythus, Karseron ou Process Of Guilt, os Sigma são outra das criações da cidade de Évora. Recent Delay, a estreia do quarteto, foi, todavia, gravada nos nossos vizinhos estúdios de Tarouca, tendo como produtor o nosso conterrâneo e amigo Miguel Cristo que chega a emprestar a sua voz no tema Void. Feita esta introdução, que esperar, então, desta rodela que, apesar de trazer a inscrição 2006, apenas em 2007 viu a luz do dia? Basicamente tudo. E antes de mais, devemos afirmar que, em termos de produção nacional o novo ano começa muito bem. Os Sigma apresentam-nos um trabalho pejado de criatividade, envolvência, dinâmica, energia e força. O colectivo consegue tocar no metalcore, no pós-grunge, no metal, no stoner e até, pontualmente, em vocais death metal. E tudo isto com uma fluidez estonteante e uma identidade muito própria. E é em Void e Blister onde se nota mais essa tendência alternativa e essa individualidade. Momentaneamente, a sonoridade de Recent Delay, remete-nos de forma subtil para uns Tool, Jane’s Addiction ou até mesmo System Of A Down, se bem que nem sempre essas referências sejam muito óbvias. Destaque, ainda, para a existência de três temas extra que, ao contrário do que geralmente acontece, seguem perfeitamente a linha de rumo definida pelos Sigma, ainda lhe acrescentando algumas pitadas de qualidade. Em resumo: um álbum e uma banda a descobrir.

Nota VN: 15,17 (1º)

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Review: Gothic Kabbalah (Therion)

Gothic Kabbalah (Therion)
2007, Nuclear Blast

Há quase duas dezenas de anos que os Therion tem vindo a revolucionar o mundo do Metal. De álbum para álbum sempre arriscaram dar um passo. Em alguns trabalhos esse passo foi, se não para trás, pelo menos para o lado. Mas no mesmo sitio nunca ficaram. E de novo isso volta a acontecer em Gothic Kabbalah. Menos majestoso em termos sinfónicos e menos gloriosos em termos corais, o novo trabalho dos Therion poderá, à primeira vista, desagradar aos fãs da banda. Mas, depois de bem digerido, chega-se à conclusão que, afinal, até lá há pérolas ao nível do melhor que o grupo sueco já nos ofereceu. Em termos instrumentais, há mais espaço para os instrumentos, digamos, tradicionais do metal: solos de guitarra fabulosos, órgão hammond delicioso, bateria e baixo com uma técnica a roçar o progressivo. Na verdade, estando menos operáticos e menos sinfónicos, os Therion estão mais técnicos e precisos. E em termos vocais, o trabalho atinge a perfeição, partindo das diversas tonalidades criadas pela utilização de seis vocalistas diferentes, todos eles (e elas) detentores (as) de uma capacidade técnica superior. Depois há sempre aquele toque Therion que faz com que qualquer tema, por mais diferente que seja, soe à Therion. De facto, este álbum é nos pormaiores inovador, mas nos pormenores remete-nos, em muitas alturas, para Theli. A única falha em Gothic Kabbalah é o número exagerado de temas. Quinze temas distribuidos por dois discos não seria problema. Mas, quando três ou quatro desses quinze ficam, claramente, abaixo da média, então teria sido bom retirá-los. Isso não foi feito e a nota final ressente-se.
Nota VN: 17,67 (2º)