quarta-feira, 30 de maio de 2007

Review: After Forever (After Forever)


E ao quinto álbum de originais, os After Forever atingem aquilo que já se esperava: editam o seu trabalho pela gigantesca Nuclear Blast. E já se adivinhava porque o trajecto crescente da banda holandesa deixava antever que a independente holandesa Transmission Records já se tornara demasiado pequena para as ambições do colectivo. Neste álbum homónimo, os holandeses voltam a mostrar os seus atributos principais: mistura de metal gótico, sinfónico e progressivo, com este último a ganhar cada vez mais destaque como se comprova no longo épico Dreamflight. Em termos vocais, Floor Jansen está ao seu melhor nível, assumindo-se como uma das melhores vocalistas da actualidade. Da lista de convidados sobressai o guitarrista Jeff Waters (Annihilator) que em De-Energizer destila um solo soberbo naquele que é o tema mais forte do álbum com Sander Gommans a assumir uma posição cada vez mais rara nas composições do colectivo: as vocalizações extremas. Outro destaque, em termos de convidados, vai para a participação de Doro Pesch, num dueto com Jansen em Who I Am. De resto, os After Forever fazem aquilo a que já nos habituaram de uma forma um pouco melhor em relação ao último Remagine, mas, simultaneamente, sem atingirem o brilhantismo dos dois primeiros trabalhos, Decipher e Prison Of Desire. Todos os ingredientes estão lá, é certo, mas a sua mistura é que não funciona muito bem, em alguns temas. Destaques para o trio composto por Energize Me, Equallly Destructive e Withering Time, naquela que é a melhor sequência do álbum, para a balada Cry With A Smile, com uma das mais brilhantes prestações de Floor Jansen e para o encerramento com Empty Memories e o coro final de arrepiar. Pelo meio uma meia dúzia de temas (incluindo Dreamflight, que chega a parecer uma manta de retalhos) que não ultrapassam a categoria de interessantes.


Nota VN: 15,00 (49º)

Review: A Good Day To Die (The Dogma)


Os italianos The Dogma são um quinteto composto por Daniele (vocais), Cosimo (guitarra), Stefano (teclados), Masso (baixo) e Marco (bateria) que com A Good Day To Die nos apresentam o seu segundo trabalho. E este é um álbum de metal melódico bem ao jeito do que se fazia na dourada era dos anos 80. Aliás, temas como In The Name Of Rock e Bitches Street atiram-nos, descaradamente, para os seminais Twisted Sister. Mas os The Dogma apresentam-nos algo mais: o seu som não parece datado nem ultrapassado. Muito pelo contrário: está perfeitamente actualizado, mercê de uma produção cuidada, limpa e poderosa. Mas não só. Os teclados de inspiração gótica e os coros operáticos dispersos um pouco por todo o álbum vão criado a energia e a diversidade suficiente para nos manterem atentos. De resto, nota-se neste trabalho um cuidado extremo no alinhamento dos temas. Quando o álbum começa a descambar para a monotonia (ali entre as faixas 7, a perfeitamente dispensável balada Autumn Tears e 9 –Angel In Cage), eis que surge uma nova áurea e o colectivo parece renascer com temas soberbos como Back From Hell (um ritmo ironmaideniano com melodias helloweenescas, apimentado com apontamentos progressivos e coros de ópera), Feel My Pain (com ambiências e sentimentos góticos), Bullet In My Soul (verdadeiro power metal melódico cruzado com ópera) e Christine Closed Her Eyes (apenas com um ensemble de cordas que não destoaria em nenhum álbum dos Lacrimosa). Pelo exposto, também se nota que originalidade não será o forte destes transalpinos. Mas isso não importa, quando o que se faz é bem feito.

Nota VN: 16,00 (24º)

terça-feira, 22 de maio de 2007

Review: Trinity (Visions Of Atlantis)


Ao terceiro álbum, a banda austríaca que dá pelo nome de Visions Of Atlantis (VOA), parece querer emancipar-se, apesar das semelhanças com Nightwish (do tempo de Tarja Turunen) saírem reforçadas com a presença da nova vocalista, a soprano norte-americana Melissa Ferlack. Com uma base rítmica muito forte capaz de criar uma parede sonora assinalável, as melodias vão deslizando suavemente, muito por culpa da excelente prestação da nova vocalista que, de facto, imprime uma alma nova a um colectivo que parecia pré-destinado ao fracasso. Mario Plank continua a dividir as prestações vocais, mas agora deixa mais espaço para a Sra. Melissa. Compreende-se porque. No fundo, os VOA estão mais próximos que nunca de Nightwish, mas ao mesmo tempo cresceram em termos de composição, apresentando um álbum que não sendo fundamental em qualquer discografia, é um marco na carreira do colectivo e será bem recebido pelos apreciadores do género. Temas como The Secret, Passing Dead End, The Poem ou a sensacional balada Return ToYou (soberba a prestação vocal de Melissa Ferlack) não serão facilmente esquecidas.

Nota VN: 16,00 (17º)

Review: Det Vilde Kor (Lumsk)


Depois de, em 2005, os Lumsk terem conseguido musicar, de forma superior, as histórias escritas por Birger e Kristin Sivertsen que versavam sobre o folclore e as tradições norueguesas, parecia impossível que o septeto se conseguisse superar. Para este novo álbum a ideia era, ainda, mais ambiciosa: musicar uma colecção de poemas que Knut Hamsun (1859-1952) havia escrito há mais de um século, mais concretamente em 1904, com o nome de Det Vilde Kor (O Coro Selvagem). Lançaram mãos à obra e o resultado é verdadeiramente impressionante: um álbum de classe pura! Cada vez mais próximos do folk e mais longe do metal, o colectivo prima por um extremo bom gosto na abordagem das composições, onde a produção permite que todos os instrumentos, sejam eles mais folk ou mais rock, brilhem de igual modo e intensidade. Complexo e simultaneamente subtil, belo e simultaneamente triste, Det Vilde Kor será a expressão máxima da arte, a verdadeira obra-prima, capaz de nos fazer chorar com um violino ou um clarinete triste (como em Diset Kvaeld ou Om Hundrede Aar Er Alting Glemt) ou capaz de nos fazer sorrir com acordeão travesso (como nas quatro partes que constituem a Svend Herlufsens Ord). De surpresa em surpresa, de pormenor em pormenor, os Lumsk vão misturando, de forma inteligente, o muito peculiar jeito para o folk com o muito intenso e criativo metal de cariz progressivo. Para o final fica guardado Skaergaardso, onde o septeto explora de forma brilhante a capacidade vocal, criando um efeito polifónico assinalável.

Nota VN: 19,67 (1º)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Review: Requiem - Mezzo Forte (Virgin Black)


Quatro anos se passaram desde que os australianos Virgin Black editaram Elegant… And Dying, na altura considerado uma obra-prima do doom metal. Refira-se, aliás, que independentemente da qualidade que o quinteto tem demonstrado, os longos períodos entre lançamentos tem sido uma constante, já que entre o citado álbum e o seu antecessor, Sombre Romantic, já tinham decorrido três anos. O que nem se justifica muito atendendo a que o seu line-up se tem mantido estável. Talvez a procura da perfeição seja a justificação. Ultrapassado o hiato surge-nos a notícia do lançamento não de um mas de… três (!!) álbuns. Requiem – Mezzo Forte, o primeiro a ver a luz do dia, é o segundo duma trilogia onde se incluem, ainda, Requiem – Pianíssimo e Requiem – Fortíssimo. Não sendo tão pesados como alguns dos seus pares, os Virgin Black possuem uma carga sentimental e uma intensidade dramática que faz com cada tema seja uma autêntica marcha fúnebre. E para isso muito contribui a fenomenal capacidade vocal de Rowan London, no seu estilo muito peculiar de colocar a voz. Ele que, neste álbum, volta a apostar (como já o tinha feito nos anteriores) pontualmente em vocais mais agressivos como acontece em Domine, eventualmente o tema mais forte do álbum, em alguns momentos próximo dos nossos Desire. Por outro lado as melodias tristes que saem da guitarra de Samantha Escarbe, como nas longas e deprimentemente belas … And I Am Suffering e Lacrimosa (I Am Blind With Weeping) fazem com que a dor sentida atinja os limites do humano. Como se isso não bastasse, os Virgin Black adicionam-lhe, ainda mais uma dose de melancolia, dor e sofrimento: o superior trabalho da Orquestra Sinfónica de Adelaide, acompanhada pela não menos soberba prestação vocal (quer em coro quer como solista) que durante longos momentos do álbum assumem as despesas sozinhos. Tudo isto transporta a sonoridade do colectivo a um patamar de intensidade nunca antes atingido. Provavelmente só comparado a um… requiem!

Nota VN: 17,00 (9º)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Review: Formless (Aghora)


2º trabalho de originais (não contando com a colecção de demos do período compreendido entre 1997 e 1999) e que foi editado, originalmente nos EUA nos finais de 2006. Como já havia sucedido com a estreia homónima, que só chegou à Europa um ano depois, o mesmo sucede com este Formless, que só em 2007 vê o velho continente pelas mãos da Season Of Mist. O colectivo é composto por Diana Serra na voz, Santiago Dobles na guitarra, Alan Goldstein no baixo e Giann Rubio na bateria contando, ainda, com a participação de Sean Reinert, que foi membro dos Aghora e que depois passou pelos Death, Cynic ou Gordian Knot, na bateria como convidado especial. Apresentações feitas, passemos à análise de Formless. E para o fazer, teremos que dividir o trabalho em duas partes: a instrumental e a vocal. A primeira é composta por temas soberbos onde uma guitarra potente lidera um grupo de instrumentos capazes de criar um ambiente sonoro de uma grande densidade, ao mesmo tempo que permite que esses mesmos instrumentos, individualmente, possam dispor do seu espaço próprio de brilhantismo. É, de facto, genial, a capacidade criativa do colectivo, construindo um metal progressivo na verdadeira acepção da palavra. Pelo meio tem, ainda, tempo para passagens orientais, trechos hispânicos, acordes dissonantes, quebras de ritmo, ambientes esquizofrénicos, momentos étnico-tribais entre outros ruídos tudo menos convencionais. Infelizmente tanta genialidade instrumental não é acompanhada pela mesma genialidade vocal. Diana Serra pode até não cantar mal (que não canta!) mas limita a sua prestação ao mesmo registo durante quase todo o álbum. São raros os momentos em ela se liberta das amarras e se solta para criar melodias e harmonias (que deveriam ser criadas por ela, atendendo à potencia e técnica do instrumental), para imprimir cor e sentimento num quadro todo ele brilhante. No fundo Diana Serra tem uma performance contida, fria, seguramente bem em termos técnicos, mas sem chama e sem alma. Vão valendo, então os temas instrumentais (dois) e os longos períodos em que os instrumentos, sozinhos, travam uma batalha memorável em termos de virtuosimos.

Nota VN: 17,17 (7º)

Review: Beauty & Brutality (The Dead Poets)


Samurai (baixo), Zé Santos (guitarra), Chaves (voz), Gomez (teclados) e Carvalho (bateria), foramam os The Dead Poets (TDP), um colectivo que começou em 2003 como The Dead Poets Society, terminou as actividades em 2004 e reapareceu (esperemos que para ficar) como TDP em 2005. A primeira produção remonta a esse ano pela Necrosymphonic Entertainment e tratou-se do e-single Forever que era parte da Banda Sonora do filme Mandatory Overtime. Este Beauty & Brutality é um e-EP editado em Março deste ano pela mesma editora que pode, a semelhança do anterior, ser descarregado livremente do site da Necrosymphonic. Nele os TDP, assumem-se como um dos mais refrescantes projectos da música pesada nacional. Navegando por um rock/metal de inspiração gótica, bem à maneira finlandesa, o quinteto destila desilusão, sofrimento e dor em cada nota colocada na voz de Chaves. Por vezes, nomes com Sentenced, HIM ou The 69 Eyes, vem-nos à memória. Mas os TDP suplantam-nos em muitos pontos: mais audazes na exploração de outras sonoridades como a guitarra acústica, por exemplo; maior capacidade ao nível vocal, com Chaves a criar harmonias fantásticas onde os falsetes chegam a arrepiar; maior criatividade na criação dos temas preenchendo todos os espaços com alguns pormenores que tocam o progressivo; e, acima de tudo, solos melhor elaborados e estruturados. O EP começa com uma pequena mas bem interessante intro (Beauty & Brutality) dando mote para todo o sentimento que vai crescendo ao longo do álbum com as batidas de um coração. Segue-se, então, o primeiro tema propriamente dito, Like Fallen Angels, que coloca a fasquia bem alta. Ao segundo tema, Película Divina, cantado na língua de Camões, os TDP, conseguem elevar, ainda mais, a fasquia. Nesta altura já o critico e os ouvintes estão conquistados. Seguem-se Aside e Lost Memories (este gravado ao vivo), num patamar ligeiramente inferior, mas, ainda assim, extremamente interessantes. O trabalho termina com a versão editada para rádio de Película Divina e uma outro curta, mas fabulosa. O sabor amargo na boca fica devido ao escasso tempo… apenas 20 minutos! Ficamos, ansiosamente, a aguardar o álbum.


Nota VN: 16,67 (1º)