segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Review: The Divine Conspiracy (Epica)


Quando há cerca de cinco anos Mark Jansen abandonou os After Forever após a edição de duas obras-primas, Prison Of Desire e Decipher, muita gente terá posto em causa a sanidade mental do vocalista/guitarrista. Agora, o tempo parece dar razão ao Sr. Jansen. Desde 2003 que as duas bandas têm trilhado um percurso deveras semelhante: ambas lançaram dois álbuns e um não-álbum (o EP Exordium no caso dos After Forever, a banda sonora The Score, no caso dos Epica), e ambas entram em 2007 com a mudança da Trasmission para a Nuclear Blast e com novo álbum em mãos. E o que se pode dizer é que os Epica ganham, claramente, por 3-1, só perdendo no caso dos não-álbuns! Ou seja, Mark Jansen parecia adivinhar o que ia acontecer. Ou então a sua influência era tanta que a sua banda inicial não aguentou a sua ausência. Tudo isto para dizer que, de facto, os Epica voltam a superar os After Forever (grupo) e The Divine Conspiracy é mais valioso que After Forever (álbum). Todos os argumentos que fizeram de The Phantom Agony e Consign To Oblivion marcas de glória de um género, claramente em saturação, voltam a estar presentes. Os Epica misturam como ninguém partes orquestrais, coros, metal gótico, metal progressivo, sublimes vocais femininos, agonizantes vocais masculinos escapando incólumes à tal saturação a que se fazia referência. Índigo, a curta e fabulosa introdução dá o mote para setenta e cinco minutos de música ora poderosa ora calma, ora liderada pelos grunhidos de Mark Jansen, ora adocicada pela subtil melodia de Simone Simons, ora guindada a um patamar inimaginável por coros majestosos. Se se quiser procurar um ponto de comparação, pode afirmar-se que The Divine Conspiracy estará mais próximo de The Phantom Agony pela potência imprimida pelas guitarras e pela bateria e pelo desempenho em grande escala de Jansen, ao contrário do que acontecia em Consign To Oblivion onde os temas eram mais melódicos e onde as despesas das vocalizações estavam quase todas concentradas em Simone Simons. De resto, volta a saga The Embrace That Smothers, com mais três partes (já a 7ª, 8ª e 9ª) que havia começado ainda no tempo dos After Forever com o prólogo e as primeiras três partes a poderem ser ouvidas em Prison Of Desire.


Nota VN: 17,67 (10º)

Review: Dark Passion Play (Nightwish)


A perda de uma vocalista é sempre um dos momentos mais marcantes de qualquer banda. E quando essa vocalista possui a qualidade e carisma de Tarja Turunen, tudo fica um pouco mais complexo. Após um longo período de procura de uma substituta para lugar deixado vago pelo despedimento de Tarja, os Nightwish escolheram uma senhora sueca completamente desconhecida chamada Annette Olzon. E com ela a comandar começam com Dark Passion Play uma nova era. A introdução do longo épico que abre o disco, The Poet And The Pendulum, serve para a Sra. Olzon mostrar os seus atributos e para conquistar os fãs da anterior vocalista. De facto Annette Olzon é tecnicamente perfeita mas não consegue fazer esquecer Tarja Turunen. Falta-lhe alguma confiança e aquele carisma que se falava há pouco. Seguramente isso ganhar-se-á com o tempo e com a habituação. Não nos podemos esquecer que foram muitos anos a conviver com Tarja! Bem, e musicalmente o que nos reserva esta nova rodela do colectivo finlandês? A resposta é simples: uma sequência lógica daquilo que já havia sido feito em Once. Temas mais melódicos e orquestrais alternando com outros mais pesados e directos, teclados de Tuomas Holopainen cada vez mais disfarçados nas guitarras de Empuu Vuorinen, excepção feita a algumas belíssimas passagens de piano, orquestrações e coros majestosos e Marco Hietala a aplicar em alguns momentos a sua potente voz. No fundo, The Poet And The Pendulum deixa antever, claramente, o que se vai seguir nos doze temas seguintes, funcionando como se de um índice se tratasse, sendo que, sobra ainda espaço para alguma inovação. E esta surge nos temas The Islander e Last Of The Wilds com o quinteto a introduzir uma componente étnica/folk assinalável. No mais, os Nightwish continua a mostrar-se exímios criadores de temas belíssimos, capazes de nos fazer sonhar.

Nota VN: 18,67 (3º)

Review: Prominence & Demise (Winds)


O selo The End Records é, actualmente, um dos mais ecléticos e um dos que mais aposta na liberdade criativa e artística dos seus grupos. Nomes como Stradasphere, Unexpected ou Sleeptime Gorilla Museum são alguns dos exemplos de colectivos, no mínimo, pouco convencionais. Embora não tão estranhos como alguns dos seus pares (nomeadamente os nomes citados), os Winds são, ainda assim, uma agradável proposta plena de ideias frescas. Ao quarto trabalho de originais, os noruegueses compostos por Lars E. Si, Carl August Tidemann, Jan Axel von Blomberg e Andy Winter que aparecem acompanhados por uma série de convidados de renome como Dan Swano, Agnete M. Kirkevaag, Lars A. Nedland e Oystein Moe, bem como um enseble de cordas da Oslo Philharmonic Orchestra, parecem terem, definitivamente, atingido a maturidade artística. A base da sonoridade deste colectivo situa-se numa área progressiva assentando em virtuosos solos de piano e guitarra (ouça-se a abertura do álbum com Universal Creation Array e confirmem-no) e numa base rítmica forte. Os vocais de cariz algo teatral são um dos aspectos que distancia este projecto de outros na mesma área. É, aliás, nos vocais que se nota mais aquela citada estranheza pelo facto de serem, realmente, efectuados de uma forma habitualmente pouco escutada dentro do género. O trabalho do ensemble de cordas, apesar de subtil, é magnífico demonstrando ora fragilidade ora imponência e ajudando de forma perspicaz a preencher os temas. O frequente recurso a guitarras acústicas, a par dos pianos, cria, por sua vez, atmosferas de rara beleza. O final com The Last Line resume na perfeição a essência dos Winds: abertura soberba com cordas, riff de eleição ao longo do tema, trabalho polifónico ao nível vocal, guitarra acústica a criar um momento de introspecção a meio do tema. Pena que entre a abertura e o final alguns temas não atinjam o brilhantismo dos citados. Ainda assim, vale a pena descobrir este álbum.


Nota VN: 16,33 (23º)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Review: Silent Waters (Amorphis)


Detentores de uma carreira invejável, onde álbuns como Tales From The Thousand Lakes, Elegy ou Am Universum, cada qual no seu estilo, se tornaram marcos indeléveis da história do metal, os finlandeses Amorphis continuam, todavia, a pautar a sua forma de abordarem as suas obras sem qualquer tipo de restrição ou fronteira. Foi isso, aliás que lhes permitiu manter sempre no topo ao longo de uma carreira de cerca de duas décadas. A entrada no novo milénio deu-se com a contratação de um novo vocalista, Tomi Joutsen de seu nome que veio emprestar ao colectivo uma nova dinâmica muito por culpa da sua versatilidade. A estreia em Eclipse fez com que o nome Amorphis voltasse a andar (se é que alguma vez tivesse deixado) nas bocas do mundo metaleiro. Agora, surge-nos Silent Waters, a nova proposta do colectivo que é, na realidade, mais uma pérola de melodia, melancolia, técnica combinada com uma agressividade perfeitamente controlada do sexteto. E se os dois primeiros temas (Weaving The Incantation e A Servant) nos levam a pensar que vamos assistir a um claro regresso aos tempos mais extremos da banda, mais nos seus primórdios, lentamente nos apercebemos que isso não vai, de todo, acontecer. À medida que vamos avançando no álbum as águas vão ficando cada vez mais calmas com temas onde se poderão apreciar belíssimas texturas de piano e guitarra acústica, sem, todavia, deixarem de se notar, no desenvolvimento dos temas, as influências mais agressivas, como acontece, por exemplo em The White Swan. No fundo, os Amorphis fazem aquilo que já fizeram muitas vezes: baralham e dão de novo. Num segundo parece que vão regressar a Tales Of The Thousand Lakes para no segundo seguinte piscarem o olho a Am Universum e no seguinte já não soarem a nada conhecido… Os pianos em I Of Crimson Blood e Black River são do mais belo jamais construído pelo colectivo; o refrão de Her Alone na sua combinação de melodia, solo de guitarra e piano é de arrepiar. Por outro lado, Enigma é, como o próprio nome indica um verdadeiro enigma no seio do álbum já que se trata de uma peça totalmente acústica. Silent Waters é, pois, composto por diferentes correntes que no seu seu conjunto criam (mais) uma belissíma obra a descobrir.


Nota VN: 18,00 (8º)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Review: The Varangian Way (Turisas)


Auto-proclamando-se como sendo praticantes de Battle Metal, os finlandeses Turisas apresentam-nos o seu segundo trabalho, The Varangian Way, que vem confirmar as boas indicações deixadas há três anos atrás com a edição da estreia Battle Metal. Importa esclarecer que os Turisas praticam uma sonoridade onde misturam elementos intrínsecos e extrínsecos ao metal, nomeadamente, power metal, death/black metal e apontamentos folk/étnicos. E fazem-no de uma forma que deixa pouco espaço para a concorrência (leia-se Korpiklaani ou Ensiferum) se manifestar. De facto, os Turisas têm mais e melhores melodias, mais poder, melhores orquestrações, melhores composições e mais criatividade que os seus pares. E voltam a demonstrar isso nesta colecção de oito temas plenos de força, melodia, orquestrações, coros de guerra, trombetas a convocarem-nos para mil e uma batalhas, vocalizações limpas e guturais, solos de violino, muita atitude e muito battle metal… Desde a abertura com To Holmgard And Beyond, uma faixa próxima do power metal melódico, quase sempre com vocalizações limpas, até ao final com o épico Miklagard Overture, respira-se aqui muito da tradição viking. Pelo meio a folk In The Court Of Jarisleif, onde o violino é rei, o folk extremo em Cursed Be Iron, com as tradições finlandesas a cruzarem o black metal, ou os coros fantásticos em Five Hundred And One ou The Dnieper Rapids, tudo associado ao facto de todos os solos serem executados em violino fazem da audição deste The Varangian Way uma experiência única e transcendental.

Nota VN: 16,50 (16º)