
Ouvir Haven Denied, o álbum, é uma das mais excitantes e emocionantes experiências sonoras que há memória no que diz respeito a estreias nacionais. Os bracarenses conhecem na perfeição a sua enorme capacidade técnica, sabem bem os terrenos que pisam e não tem qualquer problema em explorar novas sonoridades. Depois de uma breve introdução (The Escape) com um cariz sinfónico que os colocaria, eventualmente, próximo de uns Therion, mas com uma carga de suspense que mais parece retirada de um thriller, segue-se Sacred Words e aqui começa, verdadeiramente, uma alucinante viagem ao mundo da qualidade e da classe. Os vocais, bem graves, são, à primeira vista algo estranhos. Aquela sensação do primeiro estranha-se e depois entranha-se. Percebem? É que passados alguns minutos já estamos tão viciados na voz de Luís Cerqueira que já não se quer outra coisa. Mas este tema de abertura serve, também, para localizar toda a destreza técnica do colectivo, com toques progressivos e um soberbo solo de guitarra com um cheiro arábico. Depois inicia-se aquela que será, porventura, a melhor série não só do álbum, mas de muitos anos do metal nacional. Knight, Jesus Child e Therina têm tudo para colocar os Haven Denied no topo do mundo (editoras, andam a dormir?). Deliciosas melodias, ora de telados, ora de violinos, ora de guitarra, ora vocais transportam o ouvinte para uma dimensão raramente vista no nosso país. E atenção porque aqui se fala de melodias principais e, capacidade fantástica do quinteto na criação de arranjos, de melodias associadas à criação de segundas vozes. Simplesmente genial. E se Knight nos transporta numa viagem guerreira, ao estilo de Turisas, Jesus Child surpreende por uma dinâmica fantástica, plena de crescendos e diminuendos, quebras, paragens, arranques, travagens e acelarações. E Therina? Pois, não deve haver ninguém com um coração a bater dentro do seu peito que não se emocione com o tema! O épico Haven’t e Misery continuam a demonstração de fulgor com a inclusão de coros e de uma assinalável componente sinfónica. Até ao final, tempo, ainda, para uma incursão no industrial em You Are What You Give e uma fantástica balada com a voz feminina e o piano a criarem paisagens sonoras magnificas (em Coldest Rain). A questão que se coloca é: se a estreia demonstra todos estes predicados, o que virá aí a seguir? A finalizar, uma palavra para as convidadas, que neste caso, são, realmente, uma mais valia: Catarina Caldas nas vozes e Joana Gonçalves no violino ajudam a a tornar mais emocionante esta aventura.
Lineup: Luis Cerqueira (Vocais), Ricardo Caldas (bateria), Ricardo Cotrim (teclados), Henrique Pinto (guitarra), Simão Vilaverde (baixo)
Website: http://www.havendenied.com/
Tracklisting:
The Escape (intro)
Sacred Words
Knight
Jesus Child
Therina
Haven’t
Misery
You Are What You Give
Coldest Rain
Auguries Of Innocense
The Lord Of His Own Destiny
Nota VN: 17,67 (1º)
Lineup: Luis Cerqueira (Vocais), Ricardo Caldas (bateria), Ricardo Cotrim (teclados), Henrique Pinto (guitarra), Simão Vilaverde (baixo)
Website: http://www.havendenied.com/
Tracklisting:
The Escape (intro)
Sacred Words
Knight
Jesus Child
Therina
Haven’t
Misery
You Are What You Give
Coldest Rain
Auguries Of Innocense
The Lord Of His Own Destiny
Nota VN: 17,67 (1º)


