quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Review: Haven Denied (Haven Denied)


Ouvir Haven Denied, o álbum, é uma das mais excitantes e emocionantes experiências sonoras que há memória no que diz respeito a estreias nacionais. Os bracarenses conhecem na perfeição a sua enorme capacidade técnica, sabem bem os terrenos que pisam e não tem qualquer problema em explorar novas sonoridades. Depois de uma breve introdução (The Escape) com um cariz sinfónico que os colocaria, eventualmente, próximo de uns Therion, mas com uma carga de suspense que mais parece retirada de um thriller, segue-se Sacred Words e aqui começa, verdadeiramente, uma alucinante viagem ao mundo da qualidade e da classe. Os vocais, bem graves, são, à primeira vista algo estranhos. Aquela sensação do primeiro estranha-se e depois entranha-se. Percebem? É que passados alguns minutos já estamos tão viciados na voz de Luís Cerqueira que já não se quer outra coisa. Mas este tema de abertura serve, também, para localizar toda a destreza técnica do colectivo, com toques progressivos e um soberbo solo de guitarra com um cheiro arábico. Depois inicia-se aquela que será, porventura, a melhor série não só do álbum, mas de muitos anos do metal nacional. Knight, Jesus Child e Therina têm tudo para colocar os Haven Denied no topo do mundo (editoras, andam a dormir?). Deliciosas melodias, ora de telados, ora de violinos, ora de guitarra, ora vocais transportam o ouvinte para uma dimensão raramente vista no nosso país. E atenção porque aqui se fala de melodias principais e, capacidade fantástica do quinteto na criação de arranjos, de melodias associadas à criação de segundas vozes. Simplesmente genial. E se Knight nos transporta numa viagem guerreira, ao estilo de Turisas, Jesus Child surpreende por uma dinâmica fantástica, plena de crescendos e diminuendos, quebras, paragens, arranques, travagens e acelarações. E Therina? Pois, não deve haver ninguém com um coração a bater dentro do seu peito que não se emocione com o tema! O épico Haven’t e Misery continuam a demonstração de fulgor com a inclusão de coros e de uma assinalável componente sinfónica. Até ao final, tempo, ainda, para uma incursão no industrial em You Are What You Give e uma fantástica balada com a voz feminina e o piano a criarem paisagens sonoras magnificas (em Coldest Rain). A questão que se coloca é: se a estreia demonstra todos estes predicados, o que virá aí a seguir? A finalizar, uma palavra para as convidadas, que neste caso, são, realmente, uma mais valia: Catarina Caldas nas vozes e Joana Gonçalves no violino ajudam a a tornar mais emocionante esta aventura.

Lineup: Luis Cerqueira (Vocais), Ricardo Caldas (bateria), Ricardo Cotrim (teclados), Henrique Pinto (guitarra), Simão Vilaverde (baixo)

Website: http://www.havendenied.com/

Tracklisting:
The Escape (intro)
Sacred Words
Knight
Jesus Child
Therina
Haven’t
Misery
You Are What You Give
Coldest Rain
Auguries Of Innocense
The Lord Of His Own Destiny

Nota VN: 17,67 (1º)

Review: Continua a Acreditar (Last Hope)


Quinze anos de existência, cinco trabalhos já editados, dos quais dois em formato álbum, um curriculum invejável nos meandros do Hardcore. Assim, de forma, simplista, se pode descrever este quinteto oriundo de Almada. E após 15 anos, eis que surge a primeira gravação em português. E o que esperar? Hardcore, claro está ao mais perfeito estilo definido pelo movimento. São dezassete temas curtos, rápidos, directos, incisivos. Com alguns solos (de excelente recorte técnico) pelo meio, o colectivo baseia a sua prestação na força e velocidade das guitarras. Cantando sempre de forma limpa, Marco Dilone, assume-se como um dos mais competentes vocalista do género optando por uma postura, por vezes mais cantada e menos berrada como é o caso de Herói Perdido, o melhor tema do álbum (conjuntamente com a faixa que dá nome ao trabalho) onde por momentos parece que estamos a ouvir Xutos & Pontapés dos primórdios. Depois há uma costela hip-hop (em Sentindo o Futuro) e muita revolta. Uma premissa habitual neste tipo de sonoridade que aqui é muito bem tratada. Em Já Sangrei, chegamos a ouvir já sangrei mas não me calarei e em Sentindo o Futuro volta a temática da rebelião. Um destaque especial para o verdadeiro manifesto social do Portugal real que é Campos Dourados. E que nos toca a nós, Via Nocturna porque também somos deste interior esquecido e ostracizado.

Lineup: Marco Dilone (voz), Paulo Ventura (guitarra), Ricardo Fonseca (guitarra), Guilherme Simões (bateria) e João Cláudio (baixo)

Website: http://www.lasthope.biz/

Tracklisting:
Estás Acabado!
Algo que Cresce
A Minha Pura Lealdade
Já Sangrei
Sul ou Norte
Só Agora Sei Quem Sou
Sentindo o Futuro
Não te Vou Mais Julgar
Amigo Passado
Agora é a Doer
Herói perdido
Espelho da Realidade
Campos Dourados
Nossa Culpa
Juventude Mórbida
A tua Dor, o Meu Desprezo
Continuar a Acreditar

Nota VN: 13,67 (18º)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Review: My Winter Storm (Tarja)


Ora aí está o primeiro trabalho a sério de Tarja Turunen após o seu afastamento dos Nightwish. E dizemos a sério, porque a soprano já havia editado, em 2004, dois singles e um EP com canções de Natal, proeza que repetiu no Natal do ano transacto com o lançamento do álbum Henkays Ikusuudesta. Foram, no total, quatro gravações, três delas ainda como vocalista dos mestres finlandeses e a última já como despedida, sendo que todos estes lançamentos incluíam apenas versões. Por isso, esta era a prova de fogo para aquela que é considerada (inclusive por nós) como a melhor vocalista de metal da actualidade. E para a sua prova de fogo, a soprano finlandesa escolheu o mesmo campo onde tem sido rainha nos últimos anos: o campo dos Nightwish. Aliás, é inevitável a comparação dos dois trabalhos das duas bandas: My Winter Storm e Dark Passion Play. E as semelhanças são tantas que até aqui encontramos um Oasis em resposta ao Sahara dos Nightwish. E o que se pode dizer dessa comparação é que à primeira vista se verifica um empate técnico. Em alguns pontos Tarja supera Nightwish, noutros os segundos superam a primeira. Ora vejamos cada um de per si: em termos vocais, My Winter Storm está claramente à frente de Dark Passion Play porque, quer se queira quer não, Annete Olzon está a anos-luz da sua antecessora. E Tarja volta a demonstrar (se é que era preciso!) que se trata de uma vocalista perfeita em qualquer sub-género. Seja no metal, seja no gótico, seja na ópera, a sua prestação é simplesmente soberba. No campo orquestral, de facto My Winter Storm presenteia-nos com um trabalho portentoso mas que se pode considerar equiparado ao do trabalho da antiga banda da vocalista. Ora, onde este trabalho perde é mesmo na qualidade dos temas. De um modo geral são agradáveis mas falta aquele toque de Midas que só um génio como Tuomas Holopainen consegue dar. E este génio já cá não está. Além disso alguns interlúdios desnecessários e uma perfeitamente dispensável (independentemente do soberbo solo de violoncelo) versão de Poison (de Alice Cooper) acabam por contribuir para a baixa da classificação. Ainda assim, temas como I Walk Alone, The Reign, Die Alive, Oasis ou Minor Heaven ficarão, certamente, como dos melhores do ano. Mas considerando este último item como o mais importante dos três avaliados, conclui-se que no prolongamento, o empata referido transforma-se em derrota de Tarja Turunen que assim perde o primeiro round com a sua ex-banda.

Line-up: Tarja Turunen (vocais), Doug Wimbish (baixo), Alex Scholpp (guitarra), Mike Terrana (bateria), Maria Ilmoniemi (teclados), Max Slija (violoncelo), Markus Hohti (violoncelo), Toni Turunen (guitarra)


Website: http://www.tarjaturunen.com/


Tracklisting:
01.Ite, missa est
02.I Walk Alone
03.Lost Northern Star
04.Seeking for The Reign
05.The Reign
06.The escape of the Doll
07.My Little Phoenix
08. Die Alive
09.Boy and the ghost
10.Sing for me
11.Oasis
12.Poison (Alice Cooper Cover)
13.Our Great Divide
14.Sunset
15.Damned and Divine
16.Ciaran’s Well
17.Minor Heaven
18.Calling Grace
19.Damned Vampire & Gothic Divine (Bonus)
20.I Walk Alone (Artist Version, Bonus)
21.I Walk Alone (In Extremo Remix, Bonus)


Edição: Universal Music (www.universal-music.de/inhalt/musik/)

Nota VN: 16,83 (20º)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Review: Rapid Eye Movement (Riverside)


Se há dois anos atrás Second Life Syndrome, o segundo trabalho destes polacos, nos havia revelado uma banda de inegável classe, a confirmação surge nesta terceira pérola da carreira dos Riverside. O álbum encontra-se dividido em duas partes, Fearless e Fearland, nas quais o quarteto desenvolve a sua maturidade sem nunca esquecer e deixando sempre bem presente as suas principais influências. E se em Beyond The Eyelids nos pode indicar uma tendência progressiva mais próxima de uns Dream Theater pelas superiores dinâmicas de bateria e teclados, aos poucos a costela melancólica de uns Anathema ou Opeth acaba por vir ao de cima. Estranhamente, há outros sons conhecidos no meio do álbum. Por exemplo Rainbow Box parece saída directamente de Seattle, numa cena post-grunge, tais as semelhanças com Alice In Chains, enquanto que Schizophrenic Prayer, uma das melhores composições do álbum, apresenta aqueles pormenores de guitarra que só os Amorphis sabem fazer. Todavia, a sua principal referência ainda não foi citada: Porcupine Tree. Bom, então estes senhores polacos pouco ou nada apresentam de originalidade? Também não será essa uma leitura muito correcta. O que eles fazem, realmente, é conseguir apanhar cada pormenor interessante do que quer que seja e misturá-lo de forma a ser… Riverside! A segunda parte do trabalho inicia-se de forma um pouco mais melancólica e introspectiva com dois temas acústicos (Through The Other Side e Embryonic) para depois se ir elevando em intensidade até fechar o álbum de forma grandiosa com o épico Ultimate Trip.


Lineup: Mariusz Duda (vocais, baixo, guitarra acústica), Piotr Grudzinski (guitarras), Piotr Kozieradzki (bateria), Michal Lapaj (teclados)

Website: http://www.riverside.art.pl/

Tracklisting:
Beyond The Eyelids
Rainbow Box
02 Panic Room
Schizophrenic Prayer
Parasomnia
Through The Other Side
Embryonic
Cibernetic Pillow
Ultimate Trip

Edição: InsideOut (http://www.insideout.de/)

Nota VN: 16,83 (19º)