sábado, 2 de agosto de 2008

Entrevista com Kneeldown


A propósito da edição de Volcano, Mau, baterista dos Kneeldown, concedeu uma entrevista a Via Nocturna. Confiram já a seguir.


Via Nocturna (VN): Em primeiro lugar quando surgiu o projecto Kneeldown e com que objectivos.
Kneeldown (KD):
Se contarmos a partir da data de 10 de Abril de 1999 (primeiro ensaio), já lá vai quase uma década, embora o nome KNEELDOWN tenha surgido apenas em 2001, devido ao facto de uma outra banda já existir sob o nome TRUST NO ONE, que foi o seu primeiro ID. Quanto a objectivos... eram os mesmos de quaisquer putos que se juntem para tocar... fazer barulho! Não havia nada definido na altura... queríamos apenas tocar.

VN: Qual a vossa formação, actualmente?
KD:
Neste momento, estou eu na Bateria, o Phur na Voz e o Nã na guitarra.

VN: Volcano surge cerca de cinco anos após a edição de 06:51AM. Quais foram os motivos?
KD:
O principal motivo era mostrar que somos persistentes, e tentar mostrar a quem dizia que estávamos "mortos" que afinal ainda existem os KNEELDOWN... renovados, cheios de energia, ideias novas e esperança. Claro que além disto, está o tal bichinho que é alimentado pelo que fazemos... e como o gajo andava cheio de fome... lá lhe demos um vulcão para ele se calar!

VN: Essa vossa primeira gravação resultou de um prémio num concurso, certo? Falem-nos dessa experiência.
KD:
Sim, é verdade. O 06:51AM resultou de um prémio que ganhámos no concurso Musicbox, realizado pelo IPJ, que aconteceu em Portalegre. Passámos 3 eliminatórias e vencemos a final com 3 prémios: "Banda revelação", "Melhor presença em palco" e "1º Lugar". Por ironia do destino... ou não... este foi um facto negativo em muitos aspectos... a gravação do EP foi feita num estúdio profissional (escolhido pela organização), mas comandado por além muito pouco competente na área (Metal). Era a primeira vez que estávamos em estúdio e não percebíamos patavina daquilo. Para teres noção de como as coisas correram, o estúdio não tinha microfones suficientes para micar a minha bateria, as guitarras nem foram dobradas, e ainda tivemos que largar do nosso bolso 120 contos (na altura) para podermos ter o EP nas mãos. Além disto, o dinheiro dos outros prémios nunca nos foi atribuído, nem o concerto na Festa do Avante foi realizado. Como vês, até as coisas boas nas mãos dos KNEELDOWN se transformam em coisas más (risos). Não somos nenhuns "coitadinhos", mas é certo que as cenas tendem em não nos correr bem.

VN: Após a edição de 06:51AM, vocês passaram por um período muito conturbado. De que forma essas vivências afectaram o estado de espírito da banda e se reflectem na vossa sonoridade?
KD:
Depois da gravação do 06:51AM, perdemos a sala de ensaios... O Skumalha, o Heich e o Duart (excepto eu) saíram da banda por motivos pessoais, e foi difícil continuar com a banda... mas lá arranjei uma nova sala de ensaios e a banda recompôs-se com novos elementos. Voltamos a ensaiar... a ganhar pica... mas acabamos por perder a sala de ensaios outra vez.

VN: Volcano foi gravado na vossa sala de ensaios e auto produzido. Porque não apostaram em termos mais profissionais?
KD:
Dinheiro é coisa que não abunda nas nossas carteiras, e como deves ter noção, um estúdio é demasiado caro para podermos gravar as cenas em condições... Então, quando te vês sem mais opções, só tens duas hipóteses: ou acabas com a banda e não te preocupas mais com isso, ou tentas "desenrascar-te" com o que tens. Foi o que os KNEELDOWN fizeram... comprámos um computador a um amigo, uma placa de som já mais profissional, pedimos uns micros emprestados, e depois foi aprender a trabalhar com o programa de gravação. Volcano não é um EP profissional, mas já vi e ouvi coisas bem piores com budgets bastante elevados... Estamos satisfeitos e orgulhosos com o Volcano porque é algo que saiu totalmente do nosso suor e força de vontade.

VN: Ainda assim, a mistura e masterização foi efectuada por Nexion K (dos Re:Aktor). Como chegaram até ele e de que forma analisam o seu trabalho.
KD:
O Nexion é uma peça fundamental no Volcano. Tive o prazer de trabalhar com ele na More Agency (empresa de audio-visuais) e de tocar com ele - num espectáculo a convite - em Re:Aktor e foi a partir dessa situação que lhe pedi que ajudasse os KNEELDOWN a conseguirem um EP mais sólido e consistente. Passei-lhe os projectos... ele ouviu e aos poucos foi-nos ajudando. Se existem falhas na masterização/mistura, a culpa é totalmente minha, porque não percebo nada de som, e gravei os temas à minha maneira... sem regras ou conhecimentos de estúdio. Ainda assim, o Nexion conseguiu dar uma nova vida e power aos temas... Sem ele, acredita que o Volcano não tinha a aceitação que está a ter.

VN: Como têm sido as reacções a Volcano, quer por parte da imprensa quer do público?
KD:
As reacções têm-nos surpreendido. Ainda não ouvi uma crítica negativa, tirando o facto do EP poder soar mais profissional (infelizmente não foi possível devido aos factos que já disse na questão anterior). Mas no geral, todas as pessoas nos dão os parabéns e estão contentes com o que ouvem... até pessoas que não gostam deste tipo de som já nos disseram que estão surpreendidas com o que fizemos. E claro, compararem-nos a bandas como Mnemic, Tool ou Meshuggah é sempre uma honra!

VN: Uma das características que parece afectar os Kneeldown, parecem ser as constantes mudanças de formação. De que forma, positiva ou negativa isso tem contribuído para o crescimento do grupo?
KD: Esse parece ser o facto mais destrutivo da história da banda. É necessária uma força de vontade gigante, para recrutar novos elementos e ter de passar pela fase de aprendizagem dos temas, vezes e vezes sem conta. Isso destrói-nos a esperança, mas fortalece-nos o ego e dá-nos vontade de não desistir, e de querermos ser mais teimosos que o destino.

VN: Ainda agora andam à procura de um novo baixista, certo? Já encontraram a pessoa adequada?
KD: Este é um grande problema. O facto de não termos ainda uma sala para ensaiar, não nos dá credibilidade suficiente como banda para abordarmos um baixista para integrar nos KNEELDOWN. É a mesma coisa que dizer "tens sede mas não tenho bebida para ti... ainda assim, queres dar um gole?" Não faz sentido! É necessário haver um espaço físico para ensaiarmos de modo a podermos voltar a ser uma banda "real". É muito frustrante teres um trabalho nas mãos, e não poderes divulgá-lo ao vivo devido ao facto de não existir uma sala de ensaios.

VN: Curiosamente, muitos dos vossos recrutamentos tem sido feito na vossa base de fãs. Algum motivo especial para tal?
KD:
Talvez o facto de vivermos num meio relativamente pequeno contribua bastante para isso... Não existem muitos músicos nesta zona do país, e os que existem não estão muito virados para a área do Metal... pelo que a abordagem à nossa base de fans seja uma das nossas primeiras opções. O Nã, o Phur, o Znet e o Duart faziam parte dessa base, pelo que não foi muito difícil a integração na banda... claro que havia sempre as ameaças de rapto de elementos da família e cenas assim caso não quisessem entrar para a banda (risos).

VN: Como estamos em termos de concertos?
KD:
Zero... é o algarismo negro!!! Não temos condições para tal... infelizmente.

VN: Para quem estiver interessado, onde poderão adquirir o vosso trabalho?
KD:
Podem adquiri-lo através do endereço http://shop.kneeldown.net (ainda há t-shirts) ou http://www.etherealsoundworks.com/store/?p=productsMore&iProduct=57 ou enviando um email para band@kneeldown.net

VN: O vosso site está com um grafismo fantástico. Quem é o responsável?
KD:
Obrigadinho (risos). Fui eu quem fez o site através da minha pseudo-empresa... BAD THISeyeNZ (http://badthiseyenz.netpita.com).

VN: A terminar, gostaria que me dissessem o que os Kneeldown estão a fazer neste momento.
KD:
Neste momento estamos a fazer o mesmo que estávamos a fazer há um ano atrás... que é nada mais que ... procura incessante de uma sala de ensaios! Além disto continuamos a divulgar o EP, apenas pela net, já que em concertos será muito pouco provável de nos verem... pelo menos para breve.

3 comentários:

pita da vespa disse...

Olá!
Sou amigo desta rapaziada toda e acompanho de perto o percurso desta banda.

Infelizmente, vivemos num país em que temos (obrigatoriamente) que optar entre comer ou correr atrás de um sonho. As dificuldades, para quem pretende viver da música, são bem conhecidas de todos nós...
Os Kneeldown não são excepção e existem à custa de muito esforço, dedicação e trabalho, e nunca viram a vida facilitada (a não ser pelos muitos fãs que vão atrás deles para todo o lado!).

Quero, no entanto, cingir um pouco este meu comentário ao Baterista da Banda, o Mau.
Perdoem-se os actuais elementos da banda, perdoem-me os que por ela já passaram e perdoem-me todos os que não deixaram que esta acabasse.
Na minha opinião, os Kneeldown existem muito graças ao esforço monumental do Mau, à sua total dedicação para com este (seu) projecto e a uma perseverança incrível que não o deixa desistir sempre que as coisas se complicam. Nem mesmo quando perdeu todos (TODOS!!) os elementos da banda e teve que recomeçar quase do zero.
Dele nasceu também o excelente website da banda, www.kneeldown.net , inteiramente da sua autoria.

O Mau é um exemplo e merece um grande aplauso em pé, de todos nós. O meu, já o tem.

Um abraço a todos os membros/fundadores/amigos da banda. Não deixem nunca morrer este sonho. Se isso acontecer, vão sentir a sua falta...

Orquestra Ligeira da Ponte disse...

É isso mesmo ! O bom trabalho deve ser reconhecido e estes "homeboys" da Ponte merecem um lugar de honra no Universo Musical. Não digo isto só por ter a honra de ser amigo deles e de ter tocado com o Mau.
O mérito é dele, sem esquecer o resto da rapaziada, mas realmente é de pessoas e músicos assim que se escreve a história! Keep the dream alive!

Orquestra Ligeira da Ponte disse...

Ah já agora a Orquestra sou eu : Dj marquis aka B Marquez aka Xnhica aka Banhica aka Bruno dos Computadores ...LOL (bolas, falano em crises de identidade...)