Entrevista com Anomally


VIA NOCTURNA (VN): Once In Hell… sucede a Anomally que, apesar de curto, já tinha deixado boas indicações. Estavam à espera de poderem ser tão bem recebidos numa existência tão curta?
ANOMALLY (ANO): Na altura em que lançámos o ep Anomally não estávamos à espera das críticas que recebemos. Ainda éramos uma banda tão nova mas a verdade é que conseguimos deixar os media curiosos em relação ao nosso trabalho. Cá nos Açores penso que foi uma grande surpresa e fomos recebidos com muito agrado principalmente pelo estilo que tocamos, porque infelizmente já é raro ouvirmos uma banda a tocar o que tocamos cá.


VN: Qual é a temática subjacente a Once In Hell…?
ANO: São basicamente histórias do fantástico. Vampirismo, espiritismo e licantrofia são os temas principais de Once in Hell… que fala também um pouco sobre a hipocrisia na Igreja.

VN: Musicalmente vocês incorporam algum gótico no vosso death metal. De onde surgem essas influências?
ANO: Nós tentamos conciliar todas as influências de cada membro. Bandas como Paradise Lost e Moonspell estiveram presentes ao longo da nossa adolescência, como tal fazem parte das nossas influências e à medida que fomos compondo os temas que hoje fazem parte de Once in Hell… essas acabaram por surgir naturalmente.

VN: Tecnicamente o vosso death metal é relevante. Acham que é mais importante a técnica que, propriamente, a brutalidade?
ANO: Achamos que é mais importante a melodia, algo que fique no ouvido sem ser comercial claro [risos]. Nenhum de nós é dotado de grande técnica, verdade seja dita, no entanto preferimos optar pela vertente mais melódica do death metal por ser aquela com que mais nos identificamos.


VN: Sendo uma banda açoriana, que reflexo esse facto tem ou teve no vosso percurso?
ANO: Um grande reflexo que teve no nosso percurso foi mesmo a escolha do estúdio onde gravámos Once in Hell… Tivemos que optar por gravar num estúdio local devido ao elevado custo que teríamos de suportar se optássemos por ir gravar a um estúdio no continente. Tenho acompanhado por exemplo os trabalhos que tem vindo a ser realizados no UltraSound Studio que era um dos estúdios que tínhamos ponderado. Cada vez vejo mais bandas a irem lá gravar e com um resultado final bastante bom, no entanto nós teríamos de gastar nada mais, nada menos do que quase 2000€ só em passagens.

VN: Pode, de alguma forma, considerar-se que as bandas fora dos grandes centros têm mais dificuldade em impor-se?
ANO: Quantas bandas dos Açores são conhecidas no continente? Talvez uma, Morbid Death. Acho que isso é suficiente para se perceber a dificuldade que as bandas fora dos grandes centros têm em impor-se. É verdade que tem surgido algumas oportunidades cá nos Açores como o Festival Angra Rock, o Festival Abismo, o Festival Alta Tensão que o ano passado teve um act em S. Miguel e este ano o Festival Internacional de Metal, mas mesmo assim não se pode comparar com o que sucede nos grandes centros. Se as bandas dos grandes centros têm dificuldades as restantes bandas têm que trabalhar o dobro para conseguirem algum reconhecimento.

VN: Na vossa curta carreira têm conquistado alguns prémios nos Açores. Consideras que isso tem tido repercussões ao nível do vosso crescimento?
ANO: Ter recebido o prémio de Melhor Banda Rock/Metal dos Açores 2007 trouxe-nos a possibilidade de este ano voltarmos a tocar com bandas internacionais como Dagoba e Fear My Thoughts. Deu-nos sem dúvida um maior alento para prosseguirmos com aquilo que tínhamos vindo a fazer até então, mas sou da opinião que também acabou por criar um pouco de pressão sobre nós. Na altura que fomos distinguidos com o prémio estávamos ainda a gravar o álbum e as expectativas foram subindo. Agora, depois do lançamento de Once in Hell… penso que é legitimo afirmar que essas expectativas foram superadas e felizmente temos vindo a receber boas críticas por parte de quem já teve oportunidade de o ouvir.

VN: Porque escolheram o tema No Words From The Dead para ser ilustrado com um videoclip?
ANO: Musicalmente julgo ser o tema mais completo que temos neste álbum. A sua temática também ajudou na escolha. Foi desenvolvida uma história baseada na letra deste tema que conta a história de uma rapariga que morreu e tenta contactar com o seu noivo e a forma que ela escolhe para o conseguir é possuindo os membros da banda. Quem ainda não teve oportunidade de o ver pode faze-lo através do nosso canal no youtube em www.youtube.com/anomallytube

VN: Que outras acções promocionais estão previstas para os próximos tempos?
ANO: Neste momento estamos ainda a promover este álbum por várias rádios, webzines e revistas. Em princípio iremos gravar um novo videoclip que também servirá para uma divulgação ainda maior. Estamos a tentar dar a conhecer a banda a quem nunca tinha ouvido falar de nós para então depois nos aventurarmos numa possível ida ao continente. Infelizmente o custo das passagens assusta um pouco quem organiza os festivais mas estaremos eventualmente dispostos a suportar com esse custo caso se torne possível a nossa presença em algum festival.

VN: Sendo ainda uma banda jovem, que anseiam para a vossa carreira?
ANO: O mesmo que provavelmente todas as bandas, poder viver daquilo que gostamos mais de fazer, tocar ao vivo o máximo possível, compor, gravar novos álbuns. No entanto estamos bastante cientes de que não é nada fácil, isto exige muito mas muito trabalho da nossa parte e é isto que estamos a fazer neste momento. Como eu costumo dizer, são muitos cães atrás do mesmo osso [risos}. Se não o conseguirmos pelo menos podemos dizer que tentámos.

Comentários

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