segunda-feira, 30 de junho de 2008

Review: Nostradamus (Judas Priest)


A vida de Michel de Nostredame, conhecido como Nostradamus, o célebre profeta francês do século XVI, tem servido de inspiração para muitos campos da arte. A música em geral e o metal em particular também lhe têm dedicado especial atenção. O que não estaria nas previsões do francês é o trabalho que um grupo como os Judas Priest lhe dedicaria. Nada contra a capacidade criativa dos britânicos, sem dúvida um dos nomes mais respeitados do panorama metálico, ainda por cima em excelente forma, como o comprovou o anterior Angel Of Retribution, depois do regresso de Rob Halford, o seu mítico vocalista. Mas é sabido que os Priest não são muito daqueles grupos de grandes invenções. Uma das poucas vezes que arriscaram um pouco mais, em 1986 com o álbum Turbo não foram bem compreendidos, apesar de, passadas mais de duas décadas, esse álbum se considerar um clássico. Por isso tenha surpreendido um pouco a ideia de o colectivo fazer um álbum conceptual sobre a vida de tão ilustre personagem. E saltam logo à vista três constatações: 1º) os senhores até nem se saíram nada mal neste seu desafio; 2º) verifica-se um claro levantar do pé do acelerador na grande maioria dos temas; 3º) o segundo disco é melhor que o primeiro. Começando por esta última constatação, deve referir-se que a segunda parte inclui os melhores temas do álbum, como sejam Exiled, Alone, New Begginings ou Nostradamus. A respeito desta última é de registar o seu início entre o teatral e o operático para, de repente, se transformar num verdadeiro monstro priestiano. Quanto à segunda constatação, a grande maioria dos temas desenrolam-se de uma forma lenta ou meio tempo e bem compassados. As acelerações e cavalgadas tão típicas dos bons álbuns dos Priest (Painkiller, Ram It Down ou Angel Of Retribution) são deixadas um pouco de parte em prol de temas mais calmos, mas ainda e sempre melódicos. Finalmente o facto de nem se terem saído nada mal. Pelo contrário, mesmo tendo em atenção que aqui incluem uma diversidade estilística rara nos seus trabalhos, nomeadamente a inclusão de apontamentos sinfónicos. Composto por duas introduções (uma para cada CD) e sete interlúdios (que servem de localização espacio-temporal aos temas que se lhes seguem) este duplo álbum mostra que os Judas Priest ainda estão aí para as curvas e com todos os elementos em perfeita forma. Destaque, desnecessário porque já são sobejamente conhecidos os seus atributos, para a dupla de guitarristas, indiscutivelmente uma das melhores de sempre do metal e que em Nostradamus nos voltam a presentear com diálogos e duelos de guitarra simplesmente fabulosos quer no capítulo da técnica quer da velocidade quer do feeling.

Tracklisting:
CD 1:

Dawn Of Creation
Prophecy
Awakening
Revelations
The Four Horsemen
War
Sands Of Time
Pestilence And Plague
Death
Peace
Conquest
Lost Love
Persecution

CD 2:
Solitude
Exiled
Alone
Shadows In The Flame
Visions
Hope
New Beginnings
Calm Before The Storm
Nostradamus
Future Of Mankind

Lineup: Rob Halford (vocais), Glenn Tipron (guitarra), K.K. Downing (guitarra), Ian Hill (baixo), Scott Travis (bateria)

Website: http://www.judaspriest.com/

Myspace: www.myspace.com/judaspriest

Edição: Sony/BMG

Nota VN: 16,5 (8º)

Review: Watershed (Opeth)


Se algo de verdadeiramente transversal tem acontecido no metal nos últimos anos, esse algo está relacionado com os Opeth. Senhores de uma invulgar capacidade de criar álbuns memoráveis, estes suecos são tudo menos previsíveis e catalogáveis. E se há palavra no seu dicionário à qual devem recorrer frequentemente essa será arriscar. Não se trata aqui de reflectir se Watershed é ou não o melhor álbum da carreira do grupo. Trata-se de se afirmar que o colectivo nórdico, mais uma vez, deu cartas na hora de reinventar o seu death metal progressivo. O primeiro tema, o mais curto, acaba por funcionar como uma longa intro, acústica e com voz feminina e tudo. Mas, de repente, somos assaltados por uma densidade sonora de tal ordem que se assemelha a um denso nevoeiro claustrofóbico. Este denso momento volta, subitamente, a ser cortado por um piano dolente, sinistro, frágil. Isto, meus senhores, é Opeth no seu melhor. Daqui até ao fim a sucessão de mudanças de ritmos é alucinante. The Lotus Eater (quase sempre com vocalizações limpas) e Burden, constituem o segmento mais calmo do álbum. Esta poderia, inclusive, figurar nas ondas radiofónicas de uma qualquer estação de rádio, não fosse a intencional longa duração com um solo acústico completamente inesperado no final. O tema mais comprido do álbum é Hessian Peel e é onde fica demonstrada toda a sensibilidade Opeth numa viagem por diversos estados de espírito bem diferenciados. A inclusão, já habitual, de diversos segmentos acústicos e jazzisticos espalhados por todo o álbum ajudam, definitivamente, a colocar Watershed como um dos álbuns a ter em atenção nas contabilidades finais.


Tracklisting:
Coil
Heir Apparent
The Lotus Eater
Burden
Porcelain Heart
Hessian Peel
Hex Omega

Lineup: Mikael Akerfeldt (vocais, guitarra), Fredrik Akesson (guitarra), Mantin Mendez (baixo), Martin Axenrot (bateria), Per Wiberg (teclados

Website: www.opeth.com

Myspace: www.myspace.com/opeth

Edição: Roadrunner (www.roadrunnerrecords.com)

Nota VN: 17,7 (3º)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Playlist 27 de Junho de 2008

1ª hora:

Angel Of The Odd (In Solitude)
Bleed (Sarcastic)
The Call And The Crash (All Men Stand Still) (Alkateya)
Vultos (Ava Inferi)
Sons Of The Star (Project: Creation)
In Purple Skies (In Solitude)
Pay The Price (Forgotten Suns)
The Floating World (Project: Creation)
Moments (Ethereal)

2ª hora:

In And Above Men (Moonspell)
(Love Is) Suicide... (Desire)
Mysery (Haven Denied)
Fade Away (Urban Tales)
Terra Prometida (Verás) (Hyubris)
A Poisoned Gift (Moonspell)
Since The First Smile (Heavenwood)
Winterfall (The SymphOnyx)
Rain Of July (Heavenwood)
Darkness And Hope (Moonspell)
... Of Dream And Drama (Midnight Ride) (Moonspell)

Last Of The Few (ThanatoSchizo)

20 melhores álbuns nacionais

Nesta emissão serão apresentados os 20 melhores álbuns nacionais dos últimos 20 anos, de acordo com as escolhas feitas pela produção de Via Nocturna.

20º) Nethergod (In Solitude) – 2004
19º) Inside (Sarcastic) – 1998
18º) Replay (Alkateya) – 2003
17º) Burdens (Ava Inferi) – 2006
16º) Dawn On Pyther (Project: Creation) – 2007
15º) Eternal (In Solitude) – 1998
14º) Snooze (Forgotten Suns ) – 2004
13º) Floating World (Project: Creation) – 2006
12º) Towers Of Isolation (Ethereal) – 2006
11º) The Antidote (Moonspell) – 2003
10º) Locus Horrendus (Desire) – 2002
9º) Haven Denied (Haven Denied) – 2007
8º) Diary Of A No (Urban Tales) – 2007
7º) Hybris (Hyubris) – 2005
6º) Irreligious (Moonspell) -1996
5º) Diva (Heavenwood) – 1996
4º) Opus I: Limbu (The SymphOnyx) – 2005
3º) Swallow (Heavenwood) – 1998
2º) Darkness And Hope (Moonspell) – 2001
1º) Wolfheart (Moonspell) - 1995

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Playlist 20 de Junho de 2008

1ª hora:

Overheard (Weltenbrand)
Why Do I (Work Of Art)


Flashback da semana: Crazy World (Scorpions)
To Be With You In Heaven

Pervasive Healing (Thanatoschizo)


Entrevista: Thanatoschizo




2ª hora:

Storm Of Rain (Hiffen)
Benzin (Rammstein)
Just Alone (Rage)

Disco da Semana: Amanethes (Tiamat)
Until The Hellhounds Sleep Again
Summertime Is Gone
Misantropolis
Meliae
Via Dolorosa
Amanes

Shinning (Amorphis)
Ghost Of The Sun (Katatonia)
Endlessly Searching (Alas)

Nota: De acordo com a duração da entrevista, esta playlist pode ser alterada.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Playlist 13 de Junho de 2008

1ª hora:

Trust (Metalium)
Newborn Race (Ayreon)
A King For A 1000 Years (Helloween)

Flashback da semana: Sign Of The Hammer (Manowar)
Guyana (The Cult Of The Damned)



Bliss Of Solitude (Isole)
Jambi (Tool)

2ª hora:

Grin Of Winter (Ava Inferi)
These Colours Don’t Run (Iron Maiden)

Disco da semana: Reversing Time (Neverland)
To Lose The Sun
Everlasting Tranquillity
Black Water
World Beyond These Walls
Transcending Miracle


Washington Is Next (Megadeth)
L (ThanatoSchizo)
Unnamed Feeling (Metallica)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Entrevista com ThanatoSchizo


A entrevista com os ThanatoSchizo, na sequência da sua eleição como Grupo do Mês em Via Nocturna, em Junho está já agendada para o dia 20. A hora de inicio ainda não está confirmada mas deverá ser a do costume: 21:30. A escuta pode ser feita nos locais do costume: 90.5, 100.8 ou http://www.rrt.pt.vu/.

Playlist 06 de Junho de 2008

1ª hora:

Caged (Within Temptation)
Mirror Mirror (Candlemass)
Close Up The Streams (Therion)

Flashback da semana: Alice In Hell (Annihilator)
Alison Hell

Apprentice (Leonardo)
Pilot In The Sky Of Dreams (Threshold)
Repentance (Dream Theater)

2ª hora:

Elements (Stratovarius)
Pale Blue Perishes (ThanatoSchizo)

Disco da semana: Night Eternal (Moonspell)
Shadow Sun
Scorpion Flower
Hers In The Twilight
Dreamless (Lucifer And Lilith)
Spring Of Rage
First Light

An Autumnal Night Passion- Movement II
(Desire)

Review: Pride Of The Free (X-Cons)


Mais uma jovem banda nacional a estrear-se em termos de gravações. Os X-Cons formaram-se no inicio de 2005 no Porto e desde essa altura que tem vindo a evoluir no seu estilo marcadamente interventivo e social, como não podia deixar de ser no movimento em que se enquadram: punk/hardcore. Ainda em 2005, a sua demo de quatro temas, When Will They Fall? recebeu boas criticas e deixava antever uma estreia auspiciosa em formato longo. E foi o que aconteceu. Ainda há algumas arestas para limar, nomeadamente ao nível vocal porque, ao contrário dos seus pares, João Leite canta de verdade e não se limita a berrar. Ora assim torna-se mais difícil como se sabe. O grupo arrisca e bem neste segmento, apostando na diferença. E o que é certo é que Pride Of The Free é, sem dúvida, um dos melhores lançamentos do género neste ano. À sua atitude de revolta perante o sistema politico e social, o quinteto consegue adicionar uma melodia orelhuda em quase todos os temas. Os refrões são perfeitamente cantaroláveis, as letras perceptíveis, os leads de guitarra bem interessantes o que faz com que estes 10 temas sejam sérios candidatos a hinos.


Tracklisting:
1- No Way Out
2- Run For Your Life
3- Red Flag
4- Pride Of The Free
5- Manifest
6- World Collapse
7- Rockstars In The Whitehouse
8- Far Away
9- This World Is Made Of Lies
10- Time For A Change


Line up: João Leite (voz), Nuno Santos (guitarra e coros), João Carneiro (bateria), João Santos (baixo e coros) e José Morais (guitarra e coros)



Editora: Infected Records (www.myspace.com/infectedredordsdiy)


Nota VN: 13,2 (8º)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Playlist 30 de Maio de 2008

1ª hora:

Poison (Alice Cooper)
We Live (Bassinavaders)
Crystal Sea (Dreams) (The SymphOnyx)
Fade Away (Urban Tales)
Set The World On Fire (Symphony X)

Flashback da semana: Ride The Lightning (Metallica)
The Call Of Ktulu

Space God (Witch)
Elembivos (Eluveitie)
Halflife (Lacuna Coil)

2ª hora:

Through Fire And Hell (Before The Torn)

Top Loud Radiobroadcast – Abril
Eye On The Road (If Lucy Fell)
E Se A Bela For O Monstro (Riding Panico)
Have You Ever (Crematory)
The Formation Of Damnation (Testament)
March To The Shore (In Flames)
Connect The Dots (Ayreon)
Remembered (Firewind)
Gentle Murders (Rage)
Sentindo o Futuro (Last Hope)
Sanctuary (Cavalera Conspiracy)
Least Of The Few (ThanatoSchizo)

Serpent Tongue (Cradle Of Filth)

Review: MyEarthDream (Edenbridge)


Criadores de um estilo único, por vezes denominado de metal sinfónico, outras vezes de uma forma mais pomposa, de metal bombástico, os Edenbridge pareciam começar a ficar reféns do seu próprio estilo. Dotados de uma capacidade invulgar para criar melodias pegajosas (no bom sentido do termo!) e solos de uma técnica impar, os austríacos, apesar de tudo, sucessivamente vinham apresentando mais do mesmo. O que variava era a maior ou menor inspiração melódica de cada álbum. Ainda assim, The Grande Design, o antecessor deste sexto trabalho, My Earth Dream, pareceu-nos tão interessante como ignorado. E o colectivo de Lanvall percebeu que algo no seu reino deveria mudar. E, efectivamente, mudou muita coisa. Desde logo de editora, passando a ser mais um nome na sua compatriota Napalm. Depois a inclusão, pela primeira vez, de uma verdadeira orquestra, no caso a The Czech Film Orchestra, dirigida pelo Maestro Jaroslav Brych, o que parece perfeitamente adequado a uma banda que se diz praticar metal sinfónico. Aparte isso, e ao nível da sonoridade podem, também notar-se algumas mudanças. Serão ténues é certo mas tem o condão de deixar abertas muitas portas quanto a um futuro rumo da banda. Desde logo, com uma orquestra verdadeira e com uma bateria mais dura há uma aproximação aos Nightwish, perfeitamente notória em Shadowplay, apesar de as linhas melódicas dos coros e do solo ser perfeitamente Edenbridge. Mas o colectivo dispara noutras direcções e, pontualmente, introduz pequenos ritmos electrónicos, bem integrados nas composições, diga-se, mas que desde logo nos remetem para uns Within Temptation. Temas como Undying Devotion e, principalmente, Remember Me, são disso bons exemplos. Refira-se, no entanto, que quer num caso quer noutro, a identidade Edenbridge se mantém inalterada pela forma única de cantar de Sabine Edelsbacher, que se assume como uma vocalista com um timbre e um carácter muito próprios. Mas se estes caminhos alternativos poderão ser mais ou menos previsíveis, atendendo ao sucesso das duas bandas citadas, há outras novidades que serão mais arrojadas. Em primeiro lugar a abertura a apontamentos progressivos (Adamantine ou Place Of Higher Power) incluídos de uma forma discreta nos temas. A participação de Karl Groom, não será alheia a tal facto. Mas a principal revelação é mesmo a inclusão de vozes guturais (ainda que muito ligeiras) no longo épico que fecha e baptiza o álbum. Pelo meio tempo para os famosos temas bombásticos e melódicos a que a banda já nos habituou. Por isso, um álbum para ir descobrindo com calma e um dos melhores da carreira do colectivo.



Tracklisting:

The Force Within
Shadowplay
Paramount
Undying Devotion
Adamantine
Whale Rider
Remember Me
Fallen From Grace
Place Of Higher Power
Myearthdream Suite (For Guitar And Orchestra)
Myearthdream

Lineup: SABINE EDELSBACHER (vocais), LANVALL (guitarra, teclados e piano), FRANK BINDIG (baixo), MAX POINTNER (bateria)

Website: http://www.edenbridge.org/

Myspace: www.myspace.com/edenbridge

Edição: Napalm Records (http://www.napalmrecords.com/)

Nota VN: 17,2 (4º)