terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entrevista com Divine Lust


Mesmo ao findar do ano surge-nos na nossa mesa de trabalho um dos melhores (até mesmo o melhor) álbum de 2008. Autores: os Divine Lust que através do seu baterista, João Costa, nos conta tudo a respeito do tristemente delicioso The Bitterest Flavours.



VIA NOCTURNA (VN): Antes de mais parabéns pelo excelente trabalho. Estavam à espera de conseguir produzir um álbum tão bom e que tivesse as excelentes criticas que tem recebido?
DIVINE LUST (DL): Obrigado! A nível dos media, as criticas estão a começar a aparecer e é óbvio que tínhamos alguma curiosidade para ver as reacções. Sem falsas modéstias, não posso dizer que as boas reacções até agora sejam uma surpresa... Quando partimos para a gravação deste segundo álbum, o principal objectivo foi sempre estabelecer uma fasquia elevada, sendo muito exigentes connosco em todo este processo. Só assim conseguiríamos chegar a este ponto e sentirmo-nos tremendamente satisfeitos com o que temos em mãos.

VN: Numa dessas criticas foram apontados como os sucessores dos Moonspell. Una comparação destas acarreta muita responsabilidade. Sentem uma pressão extra por isso?
DL: Sinceramente, não sentimos a mínima pressão com isso. Afinal de contas, foi apenas a opinião de um jornalista, bastante elogiosa, por sinal... Contudo, não nos sentimos sucessores de ninguém, seguimos o nosso próprio - penoso - caminho e, além do mais, os Moonspell estão bem vivos e activos!

VN: Desde a estreia homónima já passaram 6 anos. O que mudou desde então nos Divine Lust?
DL: Somos uma banda diferente. A nivel de line-up, por volta de 2003/2004 houve mudança de teclista e guitarrista. Nunca tivemos uma formação tão estável e coesa como temos agora. De resto, houve sobretudo um amadurecimento natural da banda e um refinar da nossa sonoridade. Apesar do mais importante – a nossa identidade – não ter sido descaracterizada, vejo os Divine Lust de hoje em dia como uma banda muito diferente do que éramos em 2002. Basta ouvir o novo álbum para tirar quaisquer dúvidas.

VN: O que retrata The Bitterest Flavours em termos musicais e líricos?
DL: É-me muito difícil colocar-me na pele de analista de uma obra que ajudei a criar. Simplificando a questão musical, fazemos metal melancólico. Para uma definição mais precisa, nada como ouvir e procurar conhecer... A nível lírico, não existiu nenhuma fronteira conceptual no conjunto de letras que formam este álbum. Porém, o título amargo acaba por espelhar, também aqui, essa melancolia, para não dizer mais, fatídicamente presente em todas elas. Umas mais pessoais, outras mais abstractas, todas honestamente sentidas.

VN: O baixo foi gravado por um músico convidado. Como será ao vivo?
DL: O baixo foi gravado pelo Dikk (Witchbreed, Gonçalo Pereira entre outras referências), que acumulou essa função com a de produtor do álbum. Ao vivo, o baixo é assegurado pelo Jorge Fonte, baixista que gravou o nosso álbum de estreia. A dada altura ele não pôde continuar como membro efectivo dos Divine Lust, contudo sempre continuou nosso grande amigo e eventualmente acabámos por acolhê-lo de novo como nosso músico convidado nos concertos.

VN: Como e quando surgiu a oportunidade da edição internacional do vosso trabalho pela Deadsun Records?
DL: Quando tivemos o álbum finalmente masterizado, tratámos de divulgá-lo junto de algumas dezenas de editoras. Recebemos várias manifestações de interesse, de desinteresse e algumas propostas concretas de edição, todas elas vindas de editoras estrangeiras. Entre essas, a da independente francesa Deadsun Records pareceu-nos ser a mais vantajosa para os Divine Lust, daí ter sido naturalmente a escolhida para editar este álbum.

VN: Quais os objectivos que se propõem atingir com este segundo álbum?
DL: Como te disse anteriormente, o primeiro objectivo já está atingido, que consistia em ter um álbum que nos satisfizesse em pleno. Seja a nível de execução, produção, artwork, estamos muito orgulhosos do que conseguimos obter. Posto isto, importa tentar chegar ao maior número possível de pessoas, sobretudo a nível europeu e aqui, atingir este objectivo, já não depende apenas de nós, mas muito do que se possa fazer a nível de promoção e distribuição.

VN: A participação dos convidados foi prevista desde o inicio ou surgiu com o desenrolar dos acontecimentos?
DL: Um pouco as duas situações, consoante o caso. Por exemplo, o tema The Son That Never Was foi escrito pelo Filipe (Nota: Filipe Gonçalves, vocalista e guitarrista) e desde que ele nos apresentou o esqueleto da música que tinha a ideia de colocar umas partes de violino e de voz feminina. No tema que abre o álbum - Last Will Left...- , eu sempre fiz questão de iniciá-lo com uma melodia tocada numa guitarra portuguesa. Já em estúdio, por sugestão nossa, do Dikk e dos póprios músicos convidados, acabámos por alargar a sua intervenção a mais um ou dois temas, com ideias surgidas já em pleno processo de gravação

VN: Sendo uma banda lisboeta praticante de metal melancólico, que papel joga o fado nas vossas raízes musicais e na hora de compor?
DL: Em comum com o fado, temos sobretudo as raízes melancólicas que nos inspiram a fazer este tipo de música. Aquele fatalismo tipicamente Português que acaba inevitavelmente por também nos correr no sangue e, felizmente, conseguimos também exteriorizá-lo na forma de música.

VN: E a presença da guitarra portuguesa torna-se fundamental nesse contexto?
DL: A guitarra portuguesa acabou por ser um elemento natural neste álbum. Mentia se dissesse que é fundamental na nossa música, até porque não é um instrumento que faça parte da nossa formação ao vivo. Acima de tudo, considerámos que fazia todo o sentido integrar um instrumento genuinamente nosso na ambiência destes temas e fazê-lo soar honesto e enriquecedor. E existe a vontade de não ficar por aqui...

VN: Embora não sendo únicos, o uso da guitarra portuguesa está limitada a um reduzido número de colectivos. O que pensas do uso de instrumentos tradicionais portugueses no metal, à semelhança do que acontece com grupos e instrumentos de outros países?
DL: Se esse uso não soar forçado, porque não? Por vezes, o difícil está em encontrar um ponto de equilíbrio em que esses instrumentos sejam mesmo audíveis, acrescentem realmente algo e, já agora, que a banda continue a soar.... metal!

VN: Em termos promocionais, que acções estão previstas para os próximos tempos?
DL: A partir de Janeiro começa a distribuição a nível internacional e, a nível nacional, o disco vai chegar às lojas, já que por enquanto apenas está disponível através do nosso site. Em Portugal, estamos numa fase de divulgação junto de rádios, webzines, revistas, etc e muito em breve, vamos começar a agendar concertos. Lá fora, estamos a desenvolver contactos no sentido de garantir distribuição nos países onde a nossa editora não chega.

VN: Obrigado e mais uma vez parabéns!!
DL: Obrigado nós pelo teu interesse e deixamos votos de um grande 2009 com continuação de bom trabalho, em nome da Música! Como não podia deixar de ser, aproveito para deixar um convite para conhecerem melhor os Divine Lust e The Bitterest Flavours através do nosso site oficial – http://www.divinelust.com/ – e da nossa página no MySpacewww.myspace.com/divinelustband .

domingo, 28 de dezembro de 2008

Review: The Bitterest Flavours (Divine Lust)


Com o ano quase no fim chega às nossas mãos uma das mais brilhantes obras primas do metal nacional. O segundo álbum dos Divine Lust, The Bitterest Flavours mostra ao mundo toda a alma do metal nacional. Bebendo influências que nos fazem lembrar quer Candlemass, quer My Dying Bride, quer até os nossos Heavenwood, os Divine Lust parecem apostados em conquistarem o trono do doom metal melancólico e triste de alguma influência gótica, deixado um pouco livre, mesmo pelos sonantes nomes já referidos. Sim, não estamos a exagerar: a banda lisboeta, hoje em dia, mostra muitos mais argumentos que os nomes citados! O álbum é simplesmente… belo! O recurso à guitarra portuguesa e ao violino inteligentemente distribuídos ao longo do disco, ainda criam mais ênfase na triste beleza de The Biteress Flavours. Será difícil ao escriba transpor para palavras toda a emoção que transborda dos 11 temas que compõe o álbum. Mas acreditem que esta obra é doce quando quer mas fere quando assim o desejam os músicos. É romântica mas trágica. É potente mas frágil! Simplesmente brilhante! Ouçam e deixei-se deliciar com pérolas como a épica Duskfull Of Bliss, Morningful Of Misery, Veil Of Golden Leaves, Hunting, Elsewhere But Here ou The Son That Never Was. Mas estes são apenas alguns exemplos de um álbum feito de grandiosas canções, libertas de quaisquer amarras estilisticas ou estruturais, navegando livremente pelas ondas da melancolia, superiormente interpretadas, quer a nível instrumental, quer a nível vocal. A voz (quase sempre) doce e sofrida de Filipe Gonçalves lidera um colectivo que tem que ter orgulho no seu trabalho como o terá na sua identidade portuguesa através do recurso à guitarra portuguesa (cortesia de Ricardo Marques) que cria um inevitável e bem agradável sabor a fado e à alma lusa. Os restantes convidados (Paula Teixeira, Tiago Flores, Mark Harding e o Lisbon Unholy Trinity Gregorian Choir) contribuem, cada um à sua maneira, para o engradecimento desta obra fundamental em qualquer discografia. Sublime! Indiscutivelmente melhor álbum do ano!


Tracklisting:
Last Will Left…
… A Long Way Down
Good By Love
Hunting
Devilish Deliverance (Aeons Cry Pt. 2)
Duskful Of Bliss, Morningful Of Misery
Veil Of Golden Leaves
Elsewhere But Here
The Son That Never was
Selling My Soul
The White Flash

Line up: Filipe Gonçalves (vocais e guitarra), João Costa (bacteria), António Capote (teclados), Ricardo Pinhal (guitarra).
Músico de sessão: Dikk (baixo).
Músicos convidados: Paula Teixeira (vocais), Tiago Flores (Violino), Ricardo Marques (guitarra portuguesa), Mark Harding (narração), Lisbon Unholy Trinity Gregorian Choir (coros)

Website: http://www.divinelust.com/

Myspace: www.myspace.com/divinelustband

Edição: Deadsun Records (http://www.deadsunrecords.com/)

Nota VN: 19 (1º)

Review: Darkmind (Beto Vazquez Infinity)


Este é o terceiro álbum para o mais conhecido músico argentino e é aquele onde a vertente metálica se mostra mais acentuada. Os nomes a ajudar Beto Vazquez continuam a ser muitos embora já não tão sonantes como no passado (Tarja Turunen, Sabine Edelsbacher, Candice Night, Fabio Lione, são ao melhores exemplos). Ainda assim, o colectivo vive, indiscutivelmente, da capacidade de composição de Beto Vazquez e como ele próprio dizia na entrevista que nos concedeu, Darkmind é mais negro e obscuro. O que não quer dizer que seja melhor. Em alguns momentos esse acrescento de peso verifica-se à custa de um aumento de densidade sonora que torna os temas um pouco menos fluidos em relação ao que o colectivo tinha feito no passado, nomeadamente na sua estreia. Depois de uma intro a meias entre um sinfónico pouco pomposo e um metal pouco intenso, o disco continua com um dos melhores temas de Beto Vazquez: Kingdom Of Liberty recupera todo o esplendor dos speed/power metal dos anos 80 (Helloween presente em quase todos os momentos!). Mas, infelizmente, os temas seguintes mostram-se pouco convincentes e pouco diversos para se destacarem. A fasquia só volta a subir em dois temas: o tema-título, Darkmind, onde, independentemente das influência ironmaideanas, se pode admirar a competência técnica dos músicos que acompanham Beto; e em Sleeping In The Shadows, onde o sax regressa para marcar presença de uma forma inolvidável e, efectivamente, marcante. No resto, o trabalho, embora não sendo mau dificilmente se imporá entre os seus pares. Porque, Beto Vazquez ao querer aumentar a dose de peso e de agressividade acabou por cair em terrenos já mais que pisados por outra gente. Uma palavra positiva para o bom desempenho de todos os vocalistas, a começar por Jessica Letho (a mesma senhora que já havia participado em Poles dos nossos Factory Of Dreams de Hugo Flores) que, ainda assim, conseguem elevar um pouco mais o patamar de qualidade dos temas.


Tracklisting:
1. From your Heart













Line up: Beto Vazquez (baixo, guitarra, teclados), Karina Varela (voz), Victor Rivarola (voz), Norberto Roman (bateria), Carlos Ferrari (guitarra), Lucas Pereyra (guitarra), Jessica Lehto (voz)

Website: http://www.betovazquezinfinity.com.ar/

Myspace: www.myspace.com/betovazquezinfinity

Edição: BVM Records (http://www.bvmrecords.com.ar/)

Nota VN: 15 (33º)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Review: Interference (Waste Disposal Machine)



Vamos começar esta crónica admitindo que as sonoridades mais industriais não costumam ser muito habituais nos nossos espaços, quer escrito (blog) quer falado (rádio). No entanto, não quer dizer que essa situação não possa começar a mudar. E a melhor forma de isso acontecer é, precisamente, com a estreia dos Waste Disposal Machine (WDP). Certo que quando se fala em industrial alguma facções mais metálicas torcem o nariz, mas não é menos verdade que grupos como os Ministry ou os Rammstein (para citar apenas exemplos mais mediáticos) têm tido algum sucesso nos meandros mais virados para o metal. Ora, o que estes WDP nos propõem é, também, um industrial com um pé (às vezes até os dois) no metal. O que desde logo é muito bom. No meio de tanta maquinaria (ligeira e pesada) conseguem-se notar alguns apontamentos mais orgânicos que passam por melodias bem apuradas ou por ambiências sofisticadas. A introdução do álbum é, neste caso, uma mais valia. Um discurso brilhante a abrir as hostilidades, num registo de criatividade e tecnologia raro entre nós. Depois de abertas as hostilidades, somos fustigados por um fantástico conjunto de temas onde a maquinaria pesada dá o mote, mas sem esquecer toques de pormenor (a tal chamada maquinaria ligeira!) e melodia. Quando nos referimos a pormenores estamos a falar de pequenos sons ou ruídos estrategicamente colocados ao longo dos temas que ajudam a elevar o potencial da faixa a níveis muito mais interessantes. Uma forma de introduzir o factor variedade algumas vezes arredio de colectivos dentro do género e que os WDM sabem fazê-lo de forma perfeita. I Sing The Body Electric ou Home Sweet Home são bons exemplos desse cruzamento entre tecnologia e orgânica. Mas é em Un_Real, um tema que chega a ir buscar influências Moonspelianas, onde mais se nota a capacidade metálica e criativa da banda. O álbum fecha com quatro remixes de dois dos temas efectuados por nomes sonantes da cena electrónica nacional. Em termos puramente musicais esses quatro temas nada acrescentam ao álbum. Para os mais fanáticos, nomeadamente pela temática electrónica/industrial, poderão ser interessantes.

Tracklisting:


1.Interference

2. Virus


3. I Sing The Body Electric


4. Home Sweet Home


5. In Silence


6. 9:38 a.m.


7. Girl Within A Motorcycle


8. All The Good Ones


9. Un_Real
10. I Sing The Body Electric (TatsuMaki remix)
11. Girl Within A Motorcycle (Urb remix)
12. I Sing The Body Electric (Sci-Fi Industries remix)
13. Girl Within A Motorcycle (Stereoboy remix)

Line up: João Gonçalves (voz), Miguel Silva (guitarras, programações), Hugo Santos (baixo), Vítor Silva (bateria)

Website: http://www.wdm-web.com/

Myspace: www.myspace.com/wastedisposalmachine

Edição: Thisco (http://www.thisco.net/)

Nota VN: 15 (7º)

Playlist 18 de Dezembro de 2008


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Entrevista com New Mecanica


Distribuído em formato promo no inicio de 2008, Love & Hate rapidamente chamou a atenção pela sua qualidade. Agora, com a sua edição internacional pela Casket/Copro, impôe-se uma conversa com os New Mecanica. Carlos Rodrigues, conta-nos tudo a respeito deste lançamento.


VIA NOCTURNA (VN): Vocês já foram Drift Away, Reset e agora New Mecanica. Algum motivo especial para demorarem tanto a definir a vossa denominação?
NEW MECANICA (NM): Estas mudanças de nome tiveram como base, motivos importantes.
Em 2000, quando fizemos a mudança de nome teve como base, o deixar para trás todas as músicas que tínhamos feito enquanto Drift Away e fazer uma redefinição do nosso som. Sentimos na altura que o som que praticávamos era demasiado restrito e convencional para aquilo que queríamos realmente fazer.
Na altura escolhemos um nome que simbolizasse um novo começo para nós e achámos que o nome ideal seria Reset. Em 2008 optámos por fazer nova mudança de nome de banda, pois queríamos fazer o lançamento de Love & Hate a nivel worldwide e já tínhamos informação que havia pelo menos uma banda estrangeira devidamente registada com o nome de Reset. Para evitar qualquer tipo de problema nesse campo, mudámos para New Mecanica.


VN: Sendo já um nome incontornável do underground nacional, com mais de 10 anos de existência, como explicam a vossa reduzida produção discográfica?
NM: Infelizmente temos apenas como discografia nestes 11 anos de banda, 2 demos cds e 1 cd. Isto deve-se ao facto de nunca termos tido uma formação estável de banda, principalmente a nível de bateristas, e por causa disso, termos tido alguma atitude passiva face a este problema. Sabes, para nós o ideal de banda era teres
sempre cinco pessoas a remarem no mesmo sentido para que tudo resto fizesse sentido. Agora percebemos que mesmo sem a banda completa poderíamos ter arranjado alternativas na altura e ter efectuado mais registos de áudio.


VN: Love & Hate foi finalizado em Fevereiro de 2007 e publicado em 2008. Ainda é representativo da vossa sonoridade actual?
NM: Sim, penso que ainda é. Já temos músicas novas e é obvio que existem algumas diferenças pois além de terem passado quase dois anos desde a finalização do CD, temos dois elementos que entraram para banda este ano, mas o som de Love & Hate ainda continua a ser representativo da nossa sonoridade actual.


VN: Recentemente foi editado mundialmente pela Casket/Copro. É uma publicação idêntica à que já havia sido disponibilizada?
NM: Esta é a primeira e única publicação a nível comercial de Love & Hate. Anteriormente ao lançamento, disponibilizámos o cd em formato promo para várias revistas, webzines, blogs e rádios.


VN: Que expectativas têm em relação ao lançamento internacional e a esta ligação à Casket?
NM: O objectivo principal desta ligação é a internacionalização do nosso som, ou seja, que a nossa música possa chegar ao maior número de pessoas possível.


VN: As semelhanças com os Ramp têm sido muitas vezes apontadas ao vosso som. Como reagem a essas comparações?
NM: Os Ramp são uma das referências dos New Mecanica e como tal é normal que surjam essas comparações. No entanto não nos podemos esquecer que os Ramp têm como grande referência, os Metallica, que são a nossa maior referência musical, por isso também é normal que existam essas semelhanças, devido a esse facto.


VN: O tema Lonely foi alvo de edição um videoclip. Conta-nos como correram as coisas.
NM: O videoclip surgiu através de um grande amigo nosso, o Tó Silva que nos tem ajudado imenso e tem sido nosso técnico de som em diversas ocasiões. Através dele conhecemos o Vítor Guerreiro (produtor) e Afonso Pimentel (Actor). Após uma conversa com ambos chegámos a um consenso relativamente ao tema do videoclip a escolher (Lonely) e a sua história e depois foi só por a ideia em prática. Para nós foi uma experiência muito positiva e enriquecedora e com um resultado final que achamos ser muito bom.


VN: Há algum conceito subjacente a Love & Hate?
NM: Não, não existe nenhum conceito específico. As letras surgem de situações vividas ou presenciadas no nosso dia a dia. Posso ainda acrescentar que por vezes a mensagem inerente a cada letra é passada de uma maneira indirecta para que possa ser interpretada de várias formas.


VN: Atendendo às proximidades de 2009, há algo que se possa suceder em breve que possa ser divulgável?
NM: Com o nosso cd lançado há relativamente pouco tempo, o ano 2009 servirá para promoção e divulgação do mesmo.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Entrevista com Anomally


VIA NOCTURNA (VN): Once In Hell… sucede a Anomally que, apesar de curto, já tinha deixado boas indicações. Estavam à espera de poderem ser tão bem recebidos numa existência tão curta?
ANOMALLY (ANO): Na altura em que lançámos o ep Anomally não estávamos à espera das críticas que recebemos. Ainda éramos uma banda tão nova mas a verdade é que conseguimos deixar os media curiosos em relação ao nosso trabalho. Cá nos Açores penso que foi uma grande surpresa e fomos recebidos com muito agrado principalmente pelo estilo que tocamos, porque infelizmente já é raro ouvirmos uma banda a tocar o que tocamos cá.


VN: Qual é a temática subjacente a Once In Hell…?
ANO: São basicamente histórias do fantástico. Vampirismo, espiritismo e licantrofia são os temas principais de Once in Hell… que fala também um pouco sobre a hipocrisia na Igreja.

VN: Musicalmente vocês incorporam algum gótico no vosso death metal. De onde surgem essas influências?
ANO: Nós tentamos conciliar todas as influências de cada membro. Bandas como Paradise Lost e Moonspell estiveram presentes ao longo da nossa adolescência, como tal fazem parte das nossas influências e à medida que fomos compondo os temas que hoje fazem parte de Once in Hell… essas acabaram por surgir naturalmente.

VN: Tecnicamente o vosso death metal é relevante. Acham que é mais importante a técnica que, propriamente, a brutalidade?
ANO: Achamos que é mais importante a melodia, algo que fique no ouvido sem ser comercial claro [risos]. Nenhum de nós é dotado de grande técnica, verdade seja dita, no entanto preferimos optar pela vertente mais melódica do death metal por ser aquela com que mais nos identificamos.


VN: Sendo uma banda açoriana, que reflexo esse facto tem ou teve no vosso percurso?
ANO: Um grande reflexo que teve no nosso percurso foi mesmo a escolha do estúdio onde gravámos Once in Hell… Tivemos que optar por gravar num estúdio local devido ao elevado custo que teríamos de suportar se optássemos por ir gravar a um estúdio no continente. Tenho acompanhado por exemplo os trabalhos que tem vindo a ser realizados no UltraSound Studio que era um dos estúdios que tínhamos ponderado. Cada vez vejo mais bandas a irem lá gravar e com um resultado final bastante bom, no entanto nós teríamos de gastar nada mais, nada menos do que quase 2000€ só em passagens.

VN: Pode, de alguma forma, considerar-se que as bandas fora dos grandes centros têm mais dificuldade em impor-se?
ANO: Quantas bandas dos Açores são conhecidas no continente? Talvez uma, Morbid Death. Acho que isso é suficiente para se perceber a dificuldade que as bandas fora dos grandes centros têm em impor-se. É verdade que tem surgido algumas oportunidades cá nos Açores como o Festival Angra Rock, o Festival Abismo, o Festival Alta Tensão que o ano passado teve um act em S. Miguel e este ano o Festival Internacional de Metal, mas mesmo assim não se pode comparar com o que sucede nos grandes centros. Se as bandas dos grandes centros têm dificuldades as restantes bandas têm que trabalhar o dobro para conseguirem algum reconhecimento.

VN: Na vossa curta carreira têm conquistado alguns prémios nos Açores. Consideras que isso tem tido repercussões ao nível do vosso crescimento?
ANO: Ter recebido o prémio de Melhor Banda Rock/Metal dos Açores 2007 trouxe-nos a possibilidade de este ano voltarmos a tocar com bandas internacionais como Dagoba e Fear My Thoughts. Deu-nos sem dúvida um maior alento para prosseguirmos com aquilo que tínhamos vindo a fazer até então, mas sou da opinião que também acabou por criar um pouco de pressão sobre nós. Na altura que fomos distinguidos com o prémio estávamos ainda a gravar o álbum e as expectativas foram subindo. Agora, depois do lançamento de Once in Hell… penso que é legitimo afirmar que essas expectativas foram superadas e felizmente temos vindo a receber boas críticas por parte de quem já teve oportunidade de o ouvir.

VN: Porque escolheram o tema No Words From The Dead para ser ilustrado com um videoclip?
ANO: Musicalmente julgo ser o tema mais completo que temos neste álbum. A sua temática também ajudou na escolha. Foi desenvolvida uma história baseada na letra deste tema que conta a história de uma rapariga que morreu e tenta contactar com o seu noivo e a forma que ela escolhe para o conseguir é possuindo os membros da banda. Quem ainda não teve oportunidade de o ver pode faze-lo através do nosso canal no youtube em www.youtube.com/anomallytube

VN: Que outras acções promocionais estão previstas para os próximos tempos?
ANO: Neste momento estamos ainda a promover este álbum por várias rádios, webzines e revistas. Em princípio iremos gravar um novo videoclip que também servirá para uma divulgação ainda maior. Estamos a tentar dar a conhecer a banda a quem nunca tinha ouvido falar de nós para então depois nos aventurarmos numa possível ida ao continente. Infelizmente o custo das passagens assusta um pouco quem organiza os festivais mas estaremos eventualmente dispostos a suportar com esse custo caso se torne possível a nossa presença em algum festival.

VN: Sendo ainda uma banda jovem, que anseiam para a vossa carreira?
ANO: O mesmo que provavelmente todas as bandas, poder viver daquilo que gostamos mais de fazer, tocar ao vivo o máximo possível, compor, gravar novos álbuns. No entanto estamos bastante cientes de que não é nada fácil, isto exige muito mas muito trabalho da nossa parte e é isto que estamos a fazer neste momento. Como eu costumo dizer, são muitos cães atrás do mesmo osso [risos}. Se não o conseguirmos pelo menos podemos dizer que tentámos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Playlist 04 de Dezembro de 2008


Review: Once In Hell... (Anomally)


Dos Açores surge-nos mais um colectivo a querer derrubar as barreiras da insularidade. Once In Hell… é o disco de estreia dos Anomally, um nome que já havia dado que falar quando há dois anos editaram o EP homónimo de três temas. Animados pela conquista do prémio Melhor Banda Rock/Metal nos Prémios Música Açores, o sexteto embarca na edição do seu primeira longa duração que aqui e agora analisamos. E o que se ouve é uma sonoridade que tem por base o death metal no seu lado mais técnico. Os Anomally optam, e bem dizemos nós, por dar mais enfâse à parte técnica e criativa que propriamente à devastação. Nesse particular merecem destaques as prestações de José Pires, eventualmente o baterista mais cirúrgico e técnico do underground nacional e Miguel Aguiar com a introdução de linhas de piano muito góticas, é certo, mas muito bem conseguidas e que ajudam a criar as atmosferas certas em cada tema. A melodia inicial de I Am God é o exemplo perfeito do que acabámos de escrever, embora haja outros. Em termos estruturais os Anomally apresentam um álbum que não se torna maçador até porque fizeram uma escolha muito acertada no que diz respeito à distribuição dos temas ao longo do disco: todo o album está em crescendo ou pelo menos cria essa ilusão. A segunda metade que se inicia com a memorável Legacy Of Blood é a melhor, com mais ambiência e com mais musicalidade. A parte vocal parece-nos ser a menos bem conseguida em todo o trabalho. O registo muito agressivo de Nelson Leal é pouco versátil e torna-se algo monótono. A inclusão, pontual, de vozes limpas atenua um pouco o problema, mas os Anomally deveria procurar melhorar nesse aspecto. Porque no resto estão no caminho certo.


Tracklisting:
Spiritual Embrace
Between Angels And Demons
I Am God
No Words From The Dead
Legacy Of Blood
Apocalyptic Signs
Immortal
No Hope


Line-up: Nelson Leal (voz), Marco Lote (guitarra/voz), Tiago Alves (guitarra), Luís Brum (baixo), Miguel Aguiar (teclados), José Pires (bateria)

Website: http://www.anomally.com/

Myspace: www.myspace.com/theanomally

Nota VN: 14 (12º)