sexta-feira, 1 de maio de 2009

Entrevista com Thee Orakle

São de Trás-os-Montes e assinam um dos mais impressionantes registos deste ano de 2009. Pedro Silva, o vocalista da banda, respondeu-nos e esclareceu-nos sobre todo o mundo mágico que rodeia os Thee Orakle.

Agora que Metaphortime já está cá fora, qual é a sensação em relação ao trabalho efectuado?
Uma sensação muito boa sem dúvida, de gratificação e concretização real e conjunta pelo nosso todo e que nos agrada pela qualidade sonora e registos gravados, bem como a parte lírica e temática. A capa do nosso álbum e o book mostram bem o que nós, Thee Orakle, queremos fazer passar: a mensagem de alquimia. A alquimia está presente em tudo, afinal de contas .

Como vêm a vossa evolução desde a edição da demo Thee Orakle em 2005?
Caracteriza-se por uma evolução passo-a-passo com decisões acertadas, comedidas e nada apressadas. Sabemos esperar e acho que valeu a pena pois para nós este álbum é o nosso culminar enquanto banda de tudo o temos vindo a ser e a assumir a ser desde a nossa formação, já lá vão 3 / 4 anos. Temos tido boas prestações e tudo tem sido um bom ensinamento desde o inicio, tanto nos ensaios, como na estrada, como no estúdio.

Para a produção escolheram o Daniel Cardoso. Foi uma escolha óbvia e consensual, atendendo à sua forma de trabalho e à obra entretanto apresentada?
Sim, sem dúvida, mas também temos que realçar o seu colega de estúdio Pedro Mendes pelos seus desempenhos profissionais, camaradagem e ensinamentos que partilharam connosco. Foram e são uma mais valia para a materialização deste sonho tornado realidade, um registo muito bom de longa duração com muitos bons pormenores explorados e a parte de toda a envolvência que prende a atenção ao ouvinte.

Como surgiu a oportunidade de poderem contar com o Yossi Sassi Sa’aron dos Orphaned Land?
Aquando da visita deles ao nosso país tivemos a feliz oportunidade de poder partilharmos o palco com eles no Santiago Alquimista e desde aí identificamo-nos muito com ele. É uma pessoa muito simpática, sempre de sorriso na cara, o que nos facilitou na decisão de podermos perguntar-lhe se estava a fim de participar numa música dum projecto futuro tendo na altura ficado tudo entre linhas, mas que no futuro se veio a mostrar muito promissor tal como podem escutar.

Mas há mais convidados, nomeadamente um violinista e uma flautista em Feeling Superior Knowledge. Podemos esperar, no futuro, outras incursões mais sérias por outras sonoridades?
Nós, enquanto banda, estamos sempre disponíveis a projectos e influências futuras, temos os nossos horizontes abertos, de forma a trazer outros universos musicais ao nível de outras sonoridades que nos remontam a outras culturas musicais, que poderão sempre enriquecer as nossas músicas vindouras. Nessa perspectiva, poderá ser uma mais-valia num futuro próximo.


Uma das características que mais salta à vista na vossa sonoridade é a diversidade. É fácil gerir tantas ideias diferentes e conjugá-las num álbum ou até num tema?
Não é muito fácil mas consegue-se com diálogo, perseverança, paciência e por vezes discussões. Mas não há dúvida que tudo isto se passa porque todos querem o melhor para a banda e se assim não o fosse estaria sempre tudo bem! Mas depois da argumentação toda, tempo passado a decidir, a conclusão fica sempre algo mais facilitada. Quando todos desejam tanto uma cosia comum do agrado, o produto final ou o desejo de o ver, aguça-nos o apetite para remarmos numa só direcção, de forma a atingir o proposto e nessa fase somos muito exigentes uns com os outros. É claro que algumas ideias não foram aproveitadas mas também não foram esquecidas. Ficam, isso sim, numa prateleira só nossa, prontas a serem usadas e melhoradas num futuro próximo.

Em termos líricos, que tópicos são abordados pelos Thee Orakle neste trabalho?
Tópicos sempre ambíguos com prós e contras: vida e morte; amor e ódio; noite e dia; alegria e tristeza; conhecimento empírico e conhecimento pessoal; vida artificial e vida superior; alquimia e fantasia. Na parte temática: nascimento humano/animal, crescimento, interesse pela alquimia, ensinamentos, aprendizagem, conhecimento com o mestre, experimentalismo, certezas, inconclusões, conformismo com a realidade, um virar da página para próximo capítulo, outra existência, um grau de imortalidade. ( Enredo da História)

O título do álbum é um pouco estranho. Tem algum significado especial?
Tem um significado especial pelo trocadilho causado pela junção de duas palavras em inglês metaphora + time, que transparece pelo que nele se fala. A metáfora para nós enquanto seres humanos que tentamos viver e realizar o maior número possível de experiências e vivências durante o nosso tempo de vida. Mas a vida nem sempre é o que mais desejamos ou gostamos, ou nem sempre é aquilo que os nossos olhos vêem com a verdade absoluta. Este álbum é no seu todo a metáfora no tempo, em que é contada a história, retratada a possível actualidade presente dos nossos dias, enquanto banda, e registo sonoro no total desde a primeira música até á última com turbilhões pelo meio de emoções e sentimentos que mais alto se levantam. Místico/passado, presente ou futuro, ninguém saberá, talvez a palavra seja mais intemporal.

Como está a ser a preparação da apresentação ao vivo de Metaphortime. O que podem os vossos fãs esperar?
Eles sabem que nós andamos aí e se não fosse por eles ninguém andava na estrada para dar concertos onde as distâncias se encurtam e as bandas se aproximam do público. Podem contar como sempre com a melhor performance possível e atitude de quem quer passar uma mensagem a nível temático e musical, como se fazem coisas boas no metal nacional. Aguardem por nós. Vamos arrasar-vos com o nosso som num palco próximo de vós

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