quinta-feira, 9 de julho de 2009

Entrevista com Música Profana

Oriundos de Ponte de Lima, os Música profana são um jovem colectivo com muito talento e originalidade. Misturando as raízes tradicionais com o metal em temáticas que versam os mitos e lendas nacionais, o colectivo, para já reduzido a um duo, apresentou na internet o seu EP de estreia. pela amostra, o álbum que está em preparação será, seguramente, mais uma importante obra do nosso metal. Via Nocturna falou com Daniel Moreira sobre esta sua nova proposta.

Os Música Profana são um colectivo muito jovem, mas podes esclarecer-nos quanto ao vosso background musical?
Quanto à Catarina, é a primeira vez que está a participar num projecto musical e acho que ninguém a tinha ouvido a cantar assim mais a sério. Os gostos musicais dela tiveram um breve passagem pelo metal mas é o folk que mais lhe agrada, influenciando-me a mim também. Eu já desde meados dos anos 90 que toco em bandas de metal, inicialmente como baterista e mais recentemente como guitarrista. Estive envolvido em projectos que soavam entre o Death Metal e o Gothic/Black mas que raramente tocavam fora de Ponte de Lima. Actualmente toco guitarra nos Inside Four Walls, banda Thrash Death com um álbum homónimo editado (2007 edição de autor).


Oficialmente, os Música Profana são um duo que trabalha com alguns músicos convidados. É assim que se sentem bem ou apenas numa fase inicial?
A minha vontade é que o projecto se transforme em banda, onde todos os membros possam contribuir para a composição. Até aqui tem sido basicamente um trabalho a dois mas vamos começar a ensaiar ainda esta semana com alguns amigos cá da zona e ver como corre. Se tudo correr bem vamos começar a procurar concertos.


O álbum está, entretanto, em fase de preparação. Para quando está prevista a sua edição?
Esperava ter o álbum pronto ainda este Verão. O que falta é apenas a gravação de vozes em alguns temas e melhorar alguns pormenores de produção. Estamos a gravar em casa por isso não temos a pressão de estarmos a pagar a um produtor e por isso estamos a demorar mais um bocado. Apontaria mesmo para o final do Verão.


Em termos musicais, este EP de 4 temas é um fiel representante da sonoridade que se poderá ouvir no álbum?
É uma boa questão porque esses temas do EP já têm algum tempo e surgiram espontaneamente. Podem encontrar-se temas mais pesados mas tentaremos incluir alguns acústicos. Em termos de letras continua a mesma temática; a nível instrumental posso dizer que arriscamos mais na variedade, mas sempre com as toadas folk que caracterizam o EP.


Não sendo inédito, é no entanto pouco frequente a vossa abordagem no âmbito do metal nacional. Foi uma aposta assumida da vossa parte a introdução da componente folk?
Sim desde logo que a quisemos incluir porque era lógico para nós uma vez que a temática das músicas iria girar à volta da Mitologia, História e Lendas portuguesas. Assim sendo achamos que era o caminho a seguir.


Em termos líricos, parece-me que vocês terão muito por onde escolher! A nossa história é fértil em lendas. Será um filão a explorar?
Com toda a certeza que sim e foi em parte isso que nos inspirou a avançar com este projecto. É seguramente essa temática que iremos seguir e como dizes é praticamente inesgotável. Claro que também haverá excepções num ou noutro tema.


De que forma é que a história portuguesa e suas lendas e mitos se enquadram na vossa personalidade musical?
Já existem muitas bandas a fazer isso; tenho por exemplo os Amorphis como grande referência, por isso foi natural a opção por uma sonoridade que contrastasse melodias frias de inspiração nórdica com as mais quentes do nosso país rural. Em termos de História temos material muito rico em aventuras épicas pelo desconhecido, encontros com seres mitológicos, romances e tragédias da nossa monarquia, etc.. Por outro lado temos os Mitos e as Lendas locais que estão profundamente ligadas ao nosso folclore e à tradição oral e muitas delas são histórias trágicas e obscuras por isso penso que combinam bem com o metal e com o folk, naturalmente.


Torna-se fácil um processo de composição com a envolvência de instrumentos tão díspares?
É um pouco complicado principalmente quando não se tem músicos que toquem instrumentos tradicionais. Há sempre receio em incluir esses elementos de cariz tradicional sabendo que vai ser difícil haver alguém que depois os toque ao vivo. Também há um certo receio da repetição das melodias, muitas vezes crio uma linha melódica que me soa a algo que já ouvi antes e tento sempre compensar isso variando as bases rítmicas. Penso que o maior problema é mesmo na transposição do material gravado para uma actuação ao vivo, havendo sempre o risco de ter se que omitir elementos que caracterizam fortemente a música.


A terminar, que objectivos pretendem atingir a curto/médio prazo os Música Profana?
Gostávamos muito terminar o álbum e de conseguir levá-lo para o palco já em formato banda. Em geral as críticas tem sido agradáveis e penso que as pessoas iam gostar de nos ver tocar. Acho que não ambicionamos mais do que isso de momento!

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