Entrevista com Dawnrider

Com um assinalável ritmo de edições de dois em dois anos, os Dawnrider editaram, recentemente, via Raging Planet o seu segundo longa duração intitulado simplesmente Two. Para conhecermos um pouco melhor os mestres do doom metal nacional contactámos Hugo Conin (guitarrista) e Francisco José (vocalista) e descobrirmos o significado de lusitanian doom metal.

Depois das excelente críticas a Alpha Chapter, sentiram muita pressão quando partiram para a composição deste trabalho?
HC: Não sentimos qualquer tipo de pressão, pois com a mudança da secção ritmica a banda ficou muito mais coesa e profissional e acho que em termos de composição estivemos bastante melhores pois crescemos como compositores e músicos.


E por falar em composição, como decorreu o processo para este álbum?
HC: A composição para este álbum decorreu de uma maneira muito natural e espontânea, quando algum de nós tinha alguma ideia apresentava no ensaio aos outros e juntos faziamos os arranjos até termos o tema finalizado.


Que diferenças são mais notórias quando olham para Dawnrider, o EP de 2005?
HC- Acho que estamos cada vez mais doom metal embora ainda tenhamos grandes influências do hardrock dos 70´s ,de heavy metal e algum psych e mais que isso estamos a criar uma identidade propria a que nós chamamos Lusitanian doom metal.
FJ: Acho que o Ep de 2005 nem é o melhor exemplo mas sim o álbum de 2007. Enquanto que no primeiro album soávamos a uma banda de Heavy Rock com influências Doom; neste novo álbum soamos a uma banda Doom Metal com algumas influências de Heavy Psych e Epic Metal.


Vocês continuam a jogar com psicadelismo dos anos 70. De onde surge essa costela da vossa música?
HC- É natural que que tenhamos influências dos 70´s pois tanto eu como o Barrelas e o Carlos, somos grandes fãs de bandas dos 70´s e falando pessoalmente acho que foi a melhor década em termos de criatividade musical.
FJ- Concordo absolutamete. Somos grandes fans de Heavy psicadélico de 70's como Amboy Dukes, Captain Beyond, Czar, Josefus, Hawkwind, Pink Fairies, Road,Samuel Prody, etc. *


Notam-se, também, algumas influências do folk luso. Será uma vertente a explorar, do vosso ponto de vista?
HC- Acho que isso é uma coisa que se nota e me deixa especialmente orgulhoso; o próprio sitio onde compus a Irinia com o Barrelas foi no meio da natureza com guitarras acústicas a beber vinho e o ambiente que nos rodeava destilava uma vibração muito folk. No próximo disco podem esperar muito mais elementos tradicionais no nosso som vamos cada vez mais procurar a nossa identidade e seguir o estilo por nós criado que é como já disse lusitanian doom metal!


E em termos líricos, qual a abordagem principal em Two?
FJ: Two, tal como o primeiro álbum, não tem um conceito especifico. No entanto a mensagem é parecida com a de Alpha Chapter. No entanto, experimentámos neste álbum, uma letra em tons românticos doentios cantada em Português. Penso que de futuro haverão mais letras nesta linha, não são histórias na primeira pessoa, mas são relatos baseados em factos veridicos passados à minha volta. Por vezes até me posso inspirar em 2 historias diferentes e uni-las em uma só letra.


Como se sentem, sendo que, quase unanimemente, são considerados como os donos do trono do doom metal em Portugal?
HC- Orgulhosos e agradecidos a toda a gente que nos apoiou neste ultimos cinco anos!!!
FJ: Era bom haverem mais bandas do género já que Gothic Doom e Death Doom são subgéneros diferentes onde é impossivel nos encaixarem. Seguiremos sózinhos como até agora, mas gostávamos de ver surgirem novas propostas nesta linha.


Há perspectivas para uma edição/distribuição internacional deste álbum?
HC- Só agora é que os promos estão a sair para fora, pessoalmente acho que temos grandes hipóteses do disco ser tambem editado lá fora, e acho que o Makosh da Raging Planet vai ter distribuição do disco na inglaterra.
FJ: O novo álbum era para ter uma edição europeia mas chegamos à conclusão que mais valia tentar distribuir parte da prensagem da edição nacional e tentar arranjar uma editora nos Estados Unidos ou Brasil pois mais dificilmente chega lá a distribuição do álbum. Neste momento ainda nada está resolvido

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