terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista com Headstone


Juntando elementos dos mais diversos quadrantes metálicos do norte, Headstone é a mais recente proposta do underground da Invicta. Um colectivo recheado de experiência que com Within The Dark promete ser mais um nome a ter em atenção na crescente cena nacional. O vocalista Vitor Franco respondeu a Via Nocturna e esclareceu-nos tudo a respeito desta nova entidade.

Sendo que todos tem vasta experiência acumulada, quais foram os objectivos que estiveram na base da criação de Headstone?

Creio que, a ter havido um "objectivo", terá sido a vontade do antigo vocalista, o Pedro Gouveia, juntamente com o Augusto, de reviver o espírito partilhado por ambos nos Dove, uma data de anos antes. As coisas acabaram por evoluir de outra forma, mas sempre muito naturalmente.

Within The Dark apenas apresenta 4 temas. São o espelho correcto da globalidade dos Headstone?


De forma geral, acho que sim. Há um ou outro tema que talvez saia um pouco dessa linha mas nada por aí além. Estes quatro temas foram escolhidos por serem os mais fortes, na nossa opinião, entre o material que tínhamos na altura. Mas se imaginarmos qualquer um dos outros temas gravado nas mesmas circunstâncias, creio que a tónica manter-se-ia.

Actualmente está-se a viver uma onda de revivalismo thrash metal anos 80. Sendo vocês praticantes deste sub-género, como vêm este fenómeno e de que forma ele influenciou a vossa sonoridade?


Houve, realmente, uma intenção inicial de abraçar a sonoridade thrash mas, tal como o processo que levou à formação da banda, a partir de certo ponto creio que as coisas deixaram de ser assim tão lineares. Assumimos essa veia thrash, mas não me parece que Headstone se possa resumir a isso.


Ainda assim, na vossa opinião, que características do vosso som permitem a demarcação em relação aos demais colectivos?

Acho que fazemos coisas extremamente simples e directas, mas com uma abordagem, digamos... mais madura! Isso acontece porque todos nós já temos bastante experiência e trabalho feito noutras bandas. Não estamos aqui para inventar o que quer que seja, nada do que fazemos é sequer remotamente novo. Mas fazemo-lo, creio eu, com uma postura completamente descomprometida e com essa tal experiência inerente. Acho que está aí a resposta para essa tal diferença no nosso som.

Se me permitem, parece-me que as vocalizações são um desses factores. Numa altura em que parece que toda a gente só sabe berrar é de salutar aparecer alguém que, realmente cante. Foi pensada esta forma de abordar as vocalizações ou surgiu naturalmente face às tuas características?


Eu fui convidado para me juntar à banda pelo Pedro (guit). Era alguém que já me conhecia há algum tempo e tinha bem noção do meu registo de voz. Mas não houve qualquer tipo de premeditação. Ele simplesmente falou comigo porque me conhecia, sabia que eu era vocalista, e eles estavam a precisar de alguém para preencher a vaga. A partir daí, logo se via como correriam as coisas. As vocalizações surgem naturalmente. A verdade é que dificilmente consigo fazer as coisas de outra forma. Depois de ouvir os riffs quinhentas vezes durante a fase de composição, vou formando uma ideia da atmosfera que a música transmite, e a voz vai-se adaptando, tentando seguir no mesmo sentido.

Alguns dos elementos de Headstone também tocam noutros colectivos. É fácil conciliar?


De momento, acho que o único colectivo extra Headstone são mesmo os Cycles. Mas, infelizmente, eles ensaiam tanto ou menos do que nós! Não deixa de ser conveniente, assim é realmente fácil conciliar a actividade de uns e outros. Mas, a nível criativo, este défice não faz bem a nenhuma das bandas.


Will It Take Madness foi escolhida para a realização de um vídeo. Porque este tema e quem foram os responsáveis por esse vídeo?

É o tema mais rápido do EP e, por isso, mais propício a deixar uma marca forte da banda. Quanto ao vídeo, foi uma ideia que surgiu muito na desportiva. O Augusto tomou a iniciativa de começar a avançar com isso, mas foi sempre numa base muito experimental, tipo, deixa lá ver o que sai daqui!Foi tudo feito na nossa sala de ensaio, com uns panos pretos pendurados ao alto para fazer de fundo. O resto foi captar o pessoal a fazer umas caretas! Parte da banda foi filmada pelo Augusto, outra parte por mim. O trabalho de edição foi todo do Augusto.

Sendo que já partilharam o palco com um dos grandes nomes do thrash europeu, Onslaught, como foi essa experiência e de que forma ajudou a projectar o nome Headstone?


Quanto mais não seja, é sempre um momento a recordar pela própria banda. Além disso, vamos ficar sempre associados a essa vinda dos Onslaught cá e, outro marco para nós, creio que foi o primeiro concerto que tivemos oportunidade de dar na Margem Sul. Mas em termos de promoção propriamente dita, não vejo que tenha tido grande impacto na altura. Estávamos a dar os primeiros concertos, para muita gente Headstone não dizia absolutamente nada. Reflexo disso foi a sala praticamente vazia quando começámos a tocar. A mesma oportunidade, a acontecer hoje, tinha, seguramente, outra dimensão.Mas é mesmo assim, o timming das coisas nem sempre é o melhor. No entanto, foi um concerto do qual estamos orgulhosos e, acima de tudo, agradecidos por ter participado.

Para quando a edição de um trabalho mais longo? E será com a ajuda de uma editora ou não?


Temos andado em fase de composição e a nossa intenção é começar a gravar um álbum no início de 2010. A edição ficará, com certeza, a cargo de uma editora pois é praticamente incomportável fazê-lo pelos nossos meios. Mas logo se verá...

2 comentários:

PoisonGodMachine disse...

É Vítor Franco, não "Ramos". ;)

Abraços,
Vítor

Pedro Carvalho disse...

OK, obrigado. As pressas dão sempre nisso! As minhas desculpas. Pedro