Entrevista com Haven Denied

Oriundos de Braga, os Haven Denied regressam com o seu segundo álbum de originais, Symbiosys. Mantendo as características que já faziam do colectivo uma das mais válidas propostas do underground nacional, este segundo trabalho injecta uma dose de progressivo e, simultaneamente, de obscurantismo digna de realce.
Este novo trabalho apresenta-nos os momentos mais fortes da banda e simultaneamente os mais introspectivos. Eram esses os objectivos à partida, ou as coisas aconteceram naturalmente?
Bem, como sempre, existem objectivos, metas, mas o acto de produzir um álbum acaba sempre por ser o trilhar de um caminho em que nem sempre se lhe vê o fim. Existiam objectivos, sim: a necessidade de criar algo fresco aos nossos olhos, que melhor se ajustasse aos nossos crescimentos individuais e ao nosso grau de maturidade. Foi quase como se o objectivo fosse que as coisas acorressem naturalmente, o que reflecte muita da nossa visão artística, com metas definidas, mas com toda a liberdade e naturalidade nas criações.

Como decorreram as gravações desta vez?
O processo de gravação deste novo álbum foi bastante mais orgânico que o do primeiro. Ao mesmo tempo houve uma melhoria no material utilizado e nos métodos de trabalho, o que levou a que as gravações corressem bastante melhor. Em geral foi um processo bastante mais agradável que o anterior.

Que diferenças se podem apontar entre Symbiosys e o vosso trabalho homónimo?
Symbiosys surge como um álbum bastante mais maduro, na nossa opinião. O primeiro álbum teve mais a ver com o registo de uma evolução da banda durante os seus primeiros anos, não incluiu tanta composição como este. Noutro aspecto, cremos que este álbum é mais consistente, mais sólido, com uma sonoridade que se adequa mais aos nossos gostos pessoais actuais. Também a nível de produção áudio, este novo trabalho pode, na nossa opinião, gabar-se de uma maior qualidade, uma qualidade já num outro nível, que gostamos de comparar com o melhor que se faz no metal e não só, a nível mundial.

Em relação ao álbum anterior, desta vez optaram por não colocar violinos nem vocalizações femininas. Algum motivo em especial?
Sinceramente, não houve nenhum motivo em especial. Mas acho que nos aconteceu o que já aconteceu a muitos artistas, o deixar cair de certos artifícios artísticos, por já não fazerem sentido, por não fazerem parte de uma nova abordagem e também por nos fartarmos de fazer sempre algo de muito semelhante a coisas anteriores. Os violinos e as vocalizações femininas não fizeram desse modo sentido neste trabalho, mas não sabemos se não farão num novo, utilizadas provavelmente de outro modo.
Em determinados momentos parece-me haver uma aproximação à sonoridade de uns Life Of Agony. Serão eles uma fonte de inspiração para vocês?
Não. Para ser completamente honesto, nenhum de nós ouve ou até conhece essa banda, mas certamente que escutaremos com atenção, para vermos se realmente existe algum ponto de ligação.

Entretanto, houve mudanças na vossa formação. De que forma é que isso afectou o processo de composição?
No fundo, a mudança na formação também conspirou para nos dedicarmos mais a este tipo de sonoridade em detrimento da antiga, talvez mais power metal. Passamos a compor não tanto à base de teclados e orientamo-nos mais nas guitarras. Isso conduziu-nos a este ponto, já que a composição passou mais para o Henrique (guitarra) e para o Ricardo Caldas (bateria), passando obviamente pelo crivo de toda a banda, mas já nas partes relacionadas com a estrutura das músicas em si.

Em termos temáticos, há algum conceito subjacente a Symbiosys?
Sim, existe, embora não transpareça directamente nas letras, ele está subjacente a todo o álbum, como produto musical. Nós descrevemos a nossa composição como uma simbiose entre todos os elementos, uma relação com proveito mútuo que se reflecte no registo bem como em concerto. Existe simbiose entre composição e produção musical. Entre o registo e o acústico, entre o som gravado e o som ao vivo. Todo o trabalho foi orientado com esse conceito em mente, e a segunda parte chegará com os concertos que iremos dar um pouco por toda a nossa região e futuramente a nível nacional.

Entretanto vocês continuam a fazer tudo sozinhos, certo?
Sim, todo o trabalho relacionado com a banda continua a ser feito exclusivamente por nós. Temos felizmente alguns patrocinadores, que nos tem ajudado a que as coisas aconteçam com mais celeridade, mas à parte disso, estamos sozinhos.

As primeiras reacções parecem ser positivas. Acreditam que é desta que os Haven Denied atingirão o lugar que merecem?
Bem, essa é a velha questão, não é? Na nossa opinião o primeiro trabalho já nos deveria ter dado um maior grau de reconhecimento, no entanto as coisas aconteceram mais devagar e em menor quantidade do que esperávamos. No fundo isso talvez se deva à nossa própria visão, que ultrapassa modas e estilos. No entanto, nós continuamos e o nosso trabalho continuará, com ou sem reconhecimento. Já não é algo que nos crie revolta.

Comentários

  1. O reconhecimento virá. Falta um bocadinho de empenho na comunicação e divulgação, seja da vossa parte, seja com recurso a profissionais da área. Os novos passos podem dar frutos. Haja força para caminhar. Felicidades.

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