segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Entrevista com Fantasy Opus




O power metal já está moribundo mas ainda há boas bandas capazes de elevar o nome do género. Felizmente que uma dessas bandas são nacionais, os Fantasy Opus, que com Beyond Eternity, editado o ano passado, conseguiram impor-se além-fronteiras o que lhes proporcionou a assinatura de um contracto com a Highway 36, editora norte americana. Via Nocturna contactou Marcos Carvalho, provavelmente o principal guitar-hero nacional, para nos ajudar a perceber como está o mundo Fantasy Opus.


Beyond Eternity já foi editado em 2008. Em termos de sonoridade continua a representar fielmente a actualidade dos Fantasu Opus?
Primeiro que tudo, obrigado pelo interesse na banda, é um prazer falar com o Via Nocturna. Respondendo à tua pergunta, a sonoridade da banda mantém-se inalterada. Posso dizer que não planeámos enveredar por uma vertente do metal especifica, mas olhando para o álbum como um todo, creio que a nossa sonoridade conjuga elementos de várias vertentes do metal, desde o heavy tradicional, o Progressivo, o Neoclássico e o Power/Speed metal, por isso, na minha opinião estamos definitivamente no caminho certo e a sonoridade vai-se manter, esperamos que (ainda) mais apurada no próximo álbum.

Entretanto, passaram de quarteto a quinteto com a inclusão de um segundo guitarrista. De que forma é que isso vai alterar o processo de composição e, consequentemente, a sonoridade global da banda?
Eu neste momento continuo a ser o principal compositor na banda. Normalmente levo uma base e depois toda a banda trabalha sobre essa base. A entrada do Cláudio é mais um input e mais uma visão a acrescentar à base, ainda que ele partilhe a estética musical de Fantasy Opus. Havendo mais cabeças a pensar, consideramos que o resultado disso será mais apurado e mais diverso, por exemplo com duelos de guitarra e arranjos mais ousados. Além disso temos também melhores métodos de trabalho no que concerne a arranjos de uma forma geral. Creio que o resultado será muito mais um apuramento das músicas do que uma mudança de género musical.

Recentemente assinaram pela Highway 36, uma editora norte americana. Como decorreu todo o processo e de que forma eles chegaram a vocês (ou vocês a eles)?
Bem, foi um pouco inesperado, para ser sincero, na medida em que andámos à procura de editora durante muito tempo e se é verdade que há uns anos atrás bandas do nosso estilo tinham contratos quase de mão beijada, a verdade é que desse facto resultou numa saturação do mercado com muitas bandas cópias umas das outras que afastou um pouco o público. Por isso, neste momento bandas com o nosso tipo de som estão a ter uma dificuldade acrescida em arranjarem bons contratos e conseguirem exposição. Por isso, sem enviarmos para lá nada, eles contactaram-nos e pediram-nos o álbum. Enviámos o álbum e passado pouco tempo recebemos uma proposta que consideramos ser muito séria e bastante razoável para uma banda que está a começar, como nós.

Sendo que já passou um ano desde a edição de Beyond Eternity vão optar por efectuar um relançamento do álbum na nova editora ou já ponderam a hipótese de editar um novo trabalho? Caso se verifique a reedição, em termos de tracklist será o mesmo? E os temas terão ou não nova roupagem?
A edição que vai ser feita pela Highway 36 é para o Beyond Eternity. Se podemos dizer que o álbum já está razoavelmente difundido pelo underground Nacional, também podemos dizer que para atingir o nível que pretendemos, é absolutamente indispensável ter promoção, exposição e representatividade fora de Portugal. Agora com editora, temos a confiança que podemos extravasar as fronteiras nacionais e contamos com eles para que nos ajudem. O tracklist será definitivamente o mesmo, como disse antes, vamos é tentar promovê-lo lá fora visto que vai ser lançado oficialmente noutros países.

O power metal não tem grande expressão em Portugal. Vocês consideram-se uns outsiders e sentem alguma dificuldade por causa disso?
Para ser sincero, já tivemos situações esporádicas em que os promotores nos disseram abertamente que o vosso som aqui não sai. As coisas são como são e cada um é livre de gostar do que quiser, mas de uma forma geral não nos sentimos excluídos ou mesmo ostracizados como banda. Fomos sempre muito bem tratados e a esmagadora maioria das opiniões que recebemos é francamente positiva, diria mesmo lisonjeadora! De referir que a nossa política também não passa por querermos tocar todos os fins-de-semana. Preferimos tocar muito menos vezes mas ter boas condições para podermos oferecer o melhor espectáculo possível e, regra geral achamos que uma banda de Heavy metal não deve aparecer vezes demais, sob pena de criar saturação para os fans. Respondendo em jeito de conclusão à tua pergunta, não, não sentimos nenhuma dificuldade acrescida por causa disso.

Fizeram, também uma regravação do épico Clash of Titans de 2001. Qual era o objectivo?
Sim, tínhamos uma música que tocamos nos concertos (e que na nossa opinião resulta muito bem), mas que muito pouca gente conhece por não estar no álbum. Então surgiu a hipótese de gravarmos uma faixa com um amigo nosso no leme, neste caso o André Prista e pensámos que fosse perfeito regravá-la com melhores condições do que em 2001, novos membros na banda e muito mais know-how de estúdio do que tínhamos nessa altura. Depois a ideia seria disponibilizar o download desta faixa gratuitamente para ajudar como forma de promoção da banda. Entretanto houve uma série de obstáculos na gravação e tanto quanto sei, está incompleta e parada. Se o resultado final tiver a qualidade que pretendemos, então seguiremos segundo o plano e será disponibilizada gratuitamente, mas não há data para conclusão da mesma.

Por esta altura já deves estar em estúdio a preparar o teu primeiro trabalho a solo. Podes adiantar desde já algo em relação a isso?
Sim, neste momento estou na fase de pré-produção com o produtor Bruno Fingers nos Neon Studios em Alenquer. Estamos a percorrer a pente fino tudo o que compus, todas as notas, riffs, pontos de expressão, para fazermos o melhor album possível. Posso adiantar que será um álbum conceptual, sobre a história de um personagem fictício, em que cada faixa será como que um quadro que ilustra um determinado momento marcante da sua vida. Creio que aqui é que o conceito fica interessante, porque mais do que soar orelhudo, o que eu realmente pretendo é pintar um quadro, mesmo que para isso seja preciso fazer algo soar propositadamente mal.
O baterista será o Bobby Jarzombek, conhecido (entre outras coisas), por ter feito parte do colectivo dos Spastic Ink, uma banda que eu verdadeiramente idolatro e o baixista será o David Santos, um brilhante músico do Hot Club desconhecido pela maior parte do público, mas que, por isso mesmo, tenho a certeza que vai surpreender toda a gente. Não há data de conclusão para o álbum, só estará terminado quando acharmos que está num patamar elevadíssimo.

Quanto a novos temas para Fantasy Opus já algo que possa ser adiantado?
Ainda estamos a tentar determinar uma direcção lírica para o próximo álbum, nomeadamente se será conceptual ou não. Em ambos os casos, temos já uma espinha dorsal para umas 3-4 músicas, que obviamente ainda precisam de muito trabalho. Quando o Beyond Eternity foi composto eu imaginava a métrica das letras e algumas melodias, mas obviamente que trabalhando sem vocalista, existam muitas limitações. Desta vez temos uma vantagem muito importante que é o facto de podermos trabalhar com um vocalista no processo de composição e portanto acrescentar mais algo à música. A única coisa que posso adiantar é que quando sair o segundo álbum de Fantasy Opus (seja quando for), só sairá se acharmos que é melhor que o Beyond Eternity, senão não haverá razão para o pormos cá fora.

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