Entrevista com Darkside Of Innocence



Praticantes do denominado Gnostic Metal, os Darkside Of Innocence são uma das mais recentes e promissoras propostas saídas do underground nacional. Para perceber todo o significado de uma banda que tanto aposta na componente musical como temática fomos perceber a origem e motivações desta nova entidade.
A edição deste vosso trabalho esteve envolta em alguma confusão. Primeiro Infernum Liberus EST esteve para ter edição física e, depois acabou por ser apenas digital. Podem explicar, realmente o que aconteceu?
Bem, foi algo bastante precoce mas que simultaneamente achámos necessário para a continuação da nossa evolução enquanto banda. Posso adiantar que sempre idealizámos uma edição para Infernum Liberus EST num formato físico como inclusive fora anunciado previamente, porém estávamos um pouco saturados destes temas e da produção exaustiva que os mesmos tomaram, tanto na sua concepção como na sua finalização (processo de captações, masterização etc etc… que nos tem vindo a acompanhar desde há bastante tempo). Isto porque fomos nós que mantivemos a responsabilidade de produzir o álbum na sua totalidade e isso como deves compreender, depois de tantas mudanças a vários níveis (tanto musicais como de line-up) levaram-nos a uma certa frustração e à simples conclusão que o que seria melhor era partilhar a nossa música com o mundo (e agora mero acaso do destino ou não, não voltaria atrás dado o tremendo sucesso que o álbum tem conseguido em todos os cantos do mundo). E muito sinceramente não ter que contar com essa ideia de meter cá fora CD’s e ter por acréscimo a preocupação de materializar Infernum Liberus EST (pois não tínhamos editora), foi sem dúvida alguma um enorme alívio podendo assim finalmente e consequentemente por mãos ao que temos vindo a imaginar/praticar há bastante tempo e onde estamos já a trabalhar, ou seja num novo registo/mundo que nos irá caracterizar enquanto banda e marcar o nosso legado enquanto Darkside of Innocence praticantes de Gnostic Metal e não enquanto as inúmeras comparações que já nos fizeram: como praticantes de Black, Death, Gótico e por aí fora.


E era vossa intenção uma edição apenas digital?
Sempre foi posta essa possibilidade mas sempre tentámos trazer o disco cá para fora, contudo creio que com o que conseguimos, esse facto acabou por consumar-se o mais viável e favorável, isto muito por culpa das proporções que tomou a viagem de Infernum Liberus EST pela Internet e pelo mundo, tendo chegado felizmente a imensas pessoas.

Vocês apelidam-se de Gnostic Metal. O que significa isso, exactamente?
Gnostic Metal refere-se e relaciona o metal/música à palavra Gnosticismo, que por sua vez é um tipo de sub-cultura e doutrina cristã! Essa mesma sub-cultura visa um tipo de conhecimento interior divino chamado de gnose e é atribuído por uma entidade chamada Sophia! O termo que achámos próprio para descrever os Darkside of Innocence elevando-nos para fora do típico rótulo já existente, reflecte mais a nossa ideologia enquanto banda do que propriamente musicalmente falando, pois são essas as nossas crenças e convicções! Como somos nacionalistas, futuramente esse estereótipo que criámos, fará mais sentido ainda, tanto para a musicalidade/ambiente que empregaremos na música como para o conteúdo lírico, pois a cultura e história portuguesa têm bases fortemente assentes no gnosticismo (ainda que o mesmo seja um tanto ou quanto desconhecido) e nós, com o sucessor de Infernum Liberus EST pretendemos explorar essa cultura e um dos seus grandes mitos de forma intensa.

Sendo que a componente lírica é muito importante para os DOI, há algum conceito subjacente a Infernum Liberus EST?
À partida, Infernum Liberus EST tem um sentido puramente fictício, fantástico e negro mas aborda de uma forma paralela (ainda que não o soubesse na altura em que o comecei a escrever) um conceito apocalíptico que eu possuo, tudo baseado na minha consciência gnóstica. No fundo explica também o nosso nome DARKSIDE OF INNOCENCE e enaltece o lado negro que a inocência pode conter. Esta é a história de uma criança chamada Laila, um poderoso anjo que nasceu em Vália (mundo num universo paralelo onde a história se desenrola) com o propósito de proteger esse mesmo planeta de um vil demónio chamado Aneon, que assombrava Vália há imensas épocas mas que havia sido aprisionado pelos deuses. Aneon acaba por exercer um poder de influência negativa sobre esse anjo, seduzindo-o ao apocalipse total e revelando desta forma o lado negro da sua infeliz inocência.

Sendo uma banda jovem, que objectivos se propõe atingir?
Primariamente compor a música que mais gostamos e que nos preencha mais enquanto artistas e amantes de música em diversas vertentes. Secundária e posteriormente levar a nossa arte e mensagem à maior quantidade de pessoas possível! Enquanto jovens artistas sonhadores, partilhar o que nos satisfaz é sem dúvida bastante aliciante e saber que as pessoas possam sentir a mesma magia que sentimos ao produzir as músicas é ainda mais gratificante.


Acho interessante a vossa preocupação com a imagem, quer a vossa pessoal, quer do vosso myspace. Nota-se profissionalismo. Sentem que esse é o único caminho para se atingirem esses objectivos?
Não creio de modo algum, que a imagem seja a única forma e o único caminho apesar de ajudar à ascensão de um artista, pois maioritariamente causa uma sensação de atracção/impressão; digamos que é um extra que incentiva as pessoas a repararem na música, há apenas que saber deixar a imagem abaixo da mesma. De qualquer das maneiras existem imensas bandas que atingiram o merecido sucesso que não se preocupam com isso e obviamente que ter este aparato todo não tem que ser lei, essa foi sim a nossa escolha para identificar e caracterizar o nosso mundo, a nossa ambiência e para nós nem faria muito sentido não atender a esse tipo de imagem. Obrigado pelas palavras, eu só creio que o profissionalismo não é mais que ter uma personalidade vincada e convicções mais fortes, quando se atinge certa maturidade artística fica-se consciente do que se pretende e creio que foi isso que se passou connosco ao crescermos e amadurecermos enquanto pessoas e músicos, o mesmo ajudando-nos a atingir uma imagem. De notar que pretendemos trabalhar ainda mais esse aspecto, esperamos conseguir isso com a vinda deste próximo álbum.

Musicalmente, dão muita importância à melodia. É uma preocupação constante ou sucede naturalmente?
A nossa principal preocupação é sem duvida a melodia; contudo é algo que sucede e dá lugar naturalmente pois essas são as nossas bases e nunca conseguiríamos digerir algo que não fosse melodicamente apetecível aos nossos ouvidos. Até porque, a nossa visão e conceitos musicais não nos permitiriam sequer fazer outra coisa contrariamente a esse princípio (de momento), pois julgamos que música sem melodia seja ela como for, mais harmoniosa, mais caótica, não é música e isto é claro uma perspectiva.

Para além da melodia, a capacidade de conjugarem dois mundos distintos como a melancolia e a agressividade é uma das vossas características. Como conseguem gerir essa dualidade?
Creio que foi um processo extremamente inato, pouco pensado para dizer a verdade que veio surgindo aos poucos e que conjuga o nosso gosto por escalas/acordes menores, dissonâncias e cromatismos e isso engloba esses 2 aspectos na nossa música que mencionaste.

Não sendo fácil descrever a vossa sonoridade, como é que vocês a descreveriam?
Tenho alguma dificuldade em definir a nossa música. Pessoalmente falando e generalizando, digamos que é um mar de negritudes oscilando muito entre pólos extremos, suaves e agressivos. Um mundo caracterizado acima de tudo pela melancolia, muitas vezes tornando-se demoníaco e em que se vai sendo absorvido fortemente num turbilhão de depressões à medida que se vai viajando no mesmo. Um mundo em grande parte marcado por escalas menores, dissonâncias e cromatismos (como referi) que nos concede um enorme prazer pois somos, essencialmente, pessoas extremamente dadas à concepção da melancolia e das tristezas.

As reacções têm vindo a ser muito positivas. De alguma forma esperavam-nas e como estão a reagir às mesmas?
Sem dúvidas e posso até dizer que estamos imensamente realizados nesse ponto e gradualmente esse êxtase vai crescendo conforme o desenrolar desta pequena aventura que já leva 4 anos e que conta agora com este final feliz para nós! Para ser sincero e apesar das nossas expectativas, nunca esperaria este tipo de recepção que Infernum Liberus EST está a ter, muito menos nestas proporções! Esperemos que isso apenas motive as pessoas a ficarem ansiosas e curiosas com o próximo registo.

Comentários

  1. gostei muito da entrevista, tanto pelas perguntas como pelas respostas!

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  2. lol! comentário do entrevistador!

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