Entrevista com Hell City Glamours

Da longinqua Austrália chega-nos a prova que o rock & roll está bem vivo. Os Hell City Glamours misturam o hard rock dos 70’s com uma agradável postura punk e algum glam. A sua estreia já ocorreu o ano passado, mas só agora a Europa começa a descobrir a potência e vivacidade de uma das mais promissoras bandas provenientes do outro lado do mundo. Via Nocturna, contactou um simpatico Oscar Mcblack (guitarrista e vocalista) que nos esclareceu tudo a respeito deste misterioso glamour da cidade do inferno.

Considerando que os Hell City Glamours (HCG) não são muito conhecidos em Portugal, podes apresentar a banda?
Os Hell City Glamours são compostos Oscar Mcblack (guitarra e voz), Jono Barwick (baixo), Robbie Potts (bateria) e Mo Mayhem (guitarra) e somos uma banda independente de rock & roll oriunda da Austrália. Antes e acima de tudo, somos amantes da música que acredita na nossa música, no nosso som e nas nossas prestações ao vivo. Estamos juntos há sete anos, já fizemos inúmeras tournés pela Austrália, gravámos 3 EP’s e um longa-duração (o mesmo que agora é disponibilizado pela Powerage Records). Este ano fizemos a nossa primeira tour Americana com concertos em Los Angeles, Nova Iorque e o fantastico festival South By South West em Austin, no Texas. Tivemos a oportunidade de ver muitas coisas maravilhosas, compartilhar o palco com muitas bandas importantes e vivemos as melhores experiêcias do mundo.

Hell City Glamours é vosso primeira longa-duração. Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Bom, quando se vai para estúdio nunca se tem a noção em que direcção se irá. Matt Voigt, a nossa escolha para produtor, revelou-se uma bênção na medida em que ele partilha o mesmo amor pela música que nós e tem uma visão similar à nossa no que toca a saber como um álbum de rock & roll deve soar. Ele permitiu que nós nos centrássemos preferencialmente na nossa performance e no nosso feeling, deixando a supervisão para ele.Por isso o disco tem esse som de uma banda a tocar rock & roll , o que, afinal de contas, era o que nós queríamos precisamente

A vossa mistura de hard rock, punk e algum glam é uma opção consciente na altura de escrever as canções?
Todos os membros da banda ouvem muitas coisas diferentes como Janis Joplin, Husker Du, The New York Dolls, Oasis, Tom Waits, The Band and Betty Davis. No entanto, partilham um gosto comum por coisas como Hanoi Rocks, The Rolling Stones, John Lee Hooker, The Hellacopters, Aerosmith dos anos 70, Otis Redding, Jimi Hendrix, Rancid, Ween, Guns and Roses, Sabbath, Zepplin, Thin Lizzy and AC/DC. Acredito que no nosso sub-consciente parte do que ouvimos afecta a forma como tratamos as nossas composições. Agora, as nossas canções são entidades próprias e, quando escrevemos, deixamos que cada uma delas cresça com a sua individualidade e não como cópias de outras.
Depois do que foi dito, será desnecessário perguntar-te quais as vossas principais influências.
Realmente já enumerei muitas delas! Mas a influência é uma coisa engraçada. Por vezes a ouvir os Clash sou levado a pegar numa guitarra e tocar ou escrever alguma coisa, mas duvido que alguém nos possa associar aos Clash.

Em termos liricos, que temas são abordados pelos HCG?
Para mim, as letras têm que se basear em factos reais. Têm que significar algo para mim pois só assim se justifica perder tempo a escrever e… a cantá-las todas as noites. Podemos dizer que as nossas canções não estão cheias de poesias profundas. Eu escrevo sobre frustações, amor, amigos que tenho na minha vida, sobre tudo o que passamos quer como banda quer em termos individuais. Não interssa que falem das minhas letras ou da minha habilidade para escrever. Pelo menos sei que no fim do dia, acredito no que disse.

Hell City Glamours foi originalmente editado na Austrália em 2008 e só agoraa chega à Europa através do selo Powerage. Trata-se da mesma versão publicada o ano passado ou introduziram alguns extras?
A versão da Powerage é ligeiramente diferente (para melhor) porque apresenta melhorias ao nível da capa e inclui o video do primeiro single Josephine. Ambas as versões têm uma faixa secreta chamada Thankyou.

Como tem sido a reacção do público e dos media ao vosso álbum?
Tem sido realmente positivo! Mesmo aqui, na Austrália, os jornais maiores e mais chatos fizeram boas reviews o que acaba por ser engraçado. Não há nada mais assustador que abrir uma revista para ler as primeiras criticas de um álbum que adoras e onde dispendeste tanto tempo… e nada melhor que ver que eles até gostam das canções e do som.

Vocês são bem conhecidos na Austrália. A Europa ainda é um mercado para ser conquistado. Quando vêm cá?
Eu gostaria de vos dizer que nos veriamos em 2010. Veremos como o disco será aceite.

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