sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Entrevista com Coldfear


Em primeiro lugar, que balanço fazem da vossa ainda curta carreira?
Hugo Serra
: Viva! Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade que nos disponibilizaram em nos darem um pouco de espaço de antena no vosso projecto. Felizmente tem corrido tudo muito bem e tem sido uma pequena aventura andar a partilhar palcos com montes de pessoal das mais variadas zonas do país e conhecer outro tanto. Nos dias que correm, este poderá ser considerado o maior contributo a retirar desta pequena carreira: as grandes amizades e partilhas de experiência pelas quais temos passado.

Apesar de só terem 4 anos de existência, Decadence In The Heart Of Man é já o vosso segundo lançamento. Em que difere da estreia, What Lies Beneath de 2007?
HS
: Em praticamente tudo! [risos] Sem querer abordar os aspectos técnicos de produção, os quais não têm qualquer tipo de comparação possível, o nosso primeiro trabalho foi apenas um cartão de apresentação que nos serviu para abrir algumas portas com o objectivo de começarmos a tocar ao vivo. Para além disso, o nosso primeiro trabalho diz respeito a um pequeno estado de maturação de banda, estado esse que tinha sido consolidado muito recentemente com a entrada do José Martins alguns meses antes da gravação. Estes dois anos que decorreram entre estes dois trabalhos serviram para acumular alguma experiência de palco e nos conhecermos melhor enquanto músicos, ao mesmo tempo que se tentou criar um grau de entrosamento superior entre todos os membros. Com Decadence In The Heart Of Man tentamos apresentar um trabalho bem mais coeso, profissional e que reflectisse tudo aquilo que aprendemos e desenvolvemos nesses dois anos. Como tal, para além de apresentarmos algumas composições bastante mais complexas, optámos também por apostar na qualidade do produto final a todos os níveis, desde a produção até à própria imagem dos COLDFEAR. A qualidade nos dias de hoje é o atributo de referência de qualquer registo musical, daí termos apostado fortemente nessa componente.

Vocês foram seleccionados para a 3ª fase do Concurso de bandas Ilha do Ermal. Podem contar-nos essa experiência?
HS
: Enquanto banda, a nossa participação neste concurso foi bastante produtiva. O facto de ter sido também o primeiro concurso em que entrámos desde que começámos a actuar ao vivo marcou-nos de alguma forma, principalmente por ser uma oportunidade de partilhar o palco com grandes nomes nacionais e internacionais. Termos também tocado num local como Vieira do Minho e no recinto de um festival de renome como é o do Festival Ilha do Ermal, deu-nos um pequeno cheirinho da vida que levam as grandes bandas da cena metal. Para além de termos passado um excelente dia de Verão naquele recinto com os nossos amigos, não é todos os dias em que, antes de subir para um palco, se pode estar a apanhar sol, a dar uns toques na bola e a mergulhar no rio [risos].

Decadence In The Heart Of Man foi gravado, como muitos outros álbuns do cenário mais pesado nacional nos UltraSound Estudios com o Daniel Cardoso. Acreditam que, para a vossa sonoridade, foi a melhor opção?
HS
: A escolha dos UltraSound Studios para gravarmos este nosso trabalho foi a opção mais viável com que nos deparámos na altura por vários motivos, dos quais poderemos destacar a sua localização e a qualidade dos vários trabalhos dentro da cena nacional que de lá saíram nos últimos anos. Como pretendíamos lançar apenas um EP mas que este fosse sinónimo de alguma qualidade e, de certa forma, marcar alguma posição na cena nacional que remetesse para um álbum esperado, esta foi a opção que nos pareceu mais viável na altura. Foi uma grande experiência onde aprendemos imenso durante todo o processo contribuindo, mais uma vez, para o acumular de experiências enquanto banda.






Em termos musicais, salta a vista a preponderância das harmonias das guitarras e da técnica em detrimento de uma sonoridade mais brutal. Sempre foi esse o vosso objectivo ou as coisas acabaram por acontecer naturalmente?
HS
: Penso que será correcto afirmar que isto acaba por acontecer muito naturalmente. Quando se juntam várias pessoas com vários gostos musicais diferentes mas com alguns pontos de convergência e de gosto comum, tenta-se chegar a um consenso que resulte para todos. Nesse sentido, e uma vez que todos gostamos bastante da cena musical sueca onde este tipo de harmonias é bastante praticado, sentimos também a necessidade de melhor explorar esse campo. Apesar de, em termos de composição, os riffs surgirem muito naturalmente, é também atribuída uma especial atenção às harmonias, uma vez que consideramos essencial essa ligação na estrutura dos temas.

Em termos líricos, que temas os Coldfear abordam?
HS
: Poderá soar um pouco cliché mas a temática em torno do EP gira muito à volta daquilo que está mal nesta da sociedade, reflectindo também algumas das nossas vivências como seres sociais, retratando também algumas experiências a título pessoal que, de alguma forma, se enquadram na temática acima referida. Temas de alguma forma agressivos, com uma progressão iniciada num tipo de angústia ou frustração, causando explosões de raiva e a forma como essa é canalizada, reflectem a nossa forma de exteriorizar esses sentimentos neste EP.

Que tipo de actividades estão a ser desenvolvidas no sentido de promoverem o vosso EP?
HS
: Estamos a levar as coisas com calma. Actualmente a nossa primeira prioridade é tocar ao vivo o maior número de vezes possível e, de preferência, em zonas do país onde não tenhamos ainda tocado. Com a edição deste EP pretendemos expandir no nosso raio de actuação para o resto do território nacional e alguns esforços têm já sido feitos nesse sentido. Uma vez que estamos lidando passo-a-passo com todo este processo, sugeria que consultassem regularmente o nosso myspace em
www.myspace.com/coldfearband onde apresentamos as datas dos nossos concertos mais recentes, assim como todas as novidades relativamente às várias actividades que vamos tentar levar a cabo. Posso já adiantar que no início do próximo ano vamos ter aí à porta uma excelente iniciativa para toda a gente que queira assistir!

Obrigado e felicidades.
HS: Correndo o risco de me repetir, muito obrigado nós mais uma vez pela excelente oportunidade em expormos, de alguma forma, a nossa pequena aventura que são os COLDFEAR e tudo do melhor para o vosso projecto, enaltecendo sempre o melhor que se faz neste nosso underground à beira mar plantado!

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