sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Entrevista com Oblique Rain

Após o sucesso de Isohyet, sentiram algum tipo de pressão quando partiram para a composição deste novo álbum?
Guilherme Lapa (GL):
Não é que existisse propriamente pressão, era antes uma vontade muito grande que todos tínhamos em produzir um álbum que superasse algo do que tinha sido feito no Isohyet. A sonoridade mais pesada e negra deste álbum não foi nada forçada. Temos muita confiança nas capacidades da banda e as coisas saíram com naturalidade.
No vosso myspace aparece Marcelo Aires como baterista, mas quem gravou o álbum foi o Daniel Cardoso, certo? Qual é a situação em relação ao vosso baterista?
GL:
O Daniel é um excelente baterista e nunca falhou em nada do que se comprometeu e sempre acrescentou qualidade. Decidimos mudar para que pudéssemos trabalhar sempre com todos os elementos presentes e não estar à mercê das dificuldades óbvias que a distância entre Porto e Braga poderia causar. A decisão tem a ver com a forma como queremos trabalhar e não, obviamente, com a qualidade do Daniel como baterista e produtor. O Marcelo está connosco desde Setembro e tem superado todas as expectativas. É um prodígio da bateria e tem sido muito bom para nós poder trabalhar com ele regularmente. Para além disso é um rapaz muito dedicado a tudo o que faz e bom companheiro.

Isohyet foi editado pelos vossos próprios meios mas agora estão a trabalhar com a Major Label Industries. De que forma é que esta junção ocorreu?
GL
: Com o Isohyet a sair, o passo seguinte seria fazer chegar o nosso som aos ouvidos das editoras para que alguém se mostrasse interessado. Acabou por ser a MLI a vir até nós e era talvez a editora com a qual nos identificávamos mais. Têm escolhas criteriosas em relação às bandas que representam e esperamos que a relação entre as partes seja vantajosa.

Em termos sonoros, que diferenças podem ser apontadas entre este October Dawn e o seu antecessor?
GL:
Começámos a ter noção que seria um álbum de digestão mais lenta quando estávamos ainda no final da composição. É um álbum com uma sonoridade mais alternativa, mais pesada e mais escura. As melodias são talvez ainda mais melancólicas e sombrias que no primeiro álbum. Tudo isto faz com que, na nossa opinião, seja um álbum mais sólido que o Isohyet. Esperamos que tenha ainda uma maior aceitação por parte do público e da crítica.

Como se processa a composição no sei dos Oblique Rain, atendendo à diversidade de sonoridades que podem ser encontradas nos vossos temas?
GL:
Felizmente temos connosco um dos melhores fazedores de riffs que conhecemos, que é o César [Teixeira, guitarrista]. Normalmente (pelo menos até agora) muitas das ideias surgem dele ou do Flávio [Silva, vocalista e guitarrista] e depois trabalha-se por cima das ideias de um ou de outro. Mas é apenas a forma como as coisas surgiram até hoje, porque não existe nenhuma regra instituída para que seja assim. Temos actualmente uma formação mais estável e há muita vontade que todos trabalhem em conjunto e que cheguemos a novas ideias dessa maneira. Essa diversidade de sonoridades vem apenas da variedade de gostos musicais de todos os elementos, o que ajuda a que a sonoridade da banda não seja estanque.

E em termos líricos, há algum conceito por trás de October Dawn?
GL
: Esta é melhor ser o Flávio a responder…
Flávio Silva (FS): Sim e não...globalmente retrata a mesma ideia de isolamento que o Isohyet, mas neste álbum tentei retratar factos ou episódios que aconteceram no passado, foi uma escrita muito mais intimista ou de exorcismo como queiras encarar. Foi mais difícil de o fazer porque escrever na primeira pessoa é mais difícil para mim mas que me fez sentir bastante bem por isso. Foi quase como descrever o diário de alguém que vive um pouco parte dos sentimentos e formas de agir dos outros, mas que interage com a sociedade porque a mesma assim o estabelece...Não terá um conceito definido e claro para os outros mas com certeza que alguém se poderá identificar com as mesmas experiencias. Há temas mais intimistas que outros, mas mesmo os mais superficiais têm todos um pouco de algo que real que se passou com comigo.

Que eventos estão a ser preparados tendo em vista a divulgação deste novo álbum?
GL
: Aqui na zona do Porto organizámos um concerto de apresentação do álbum no bar Plano B e participámos na terceira edição do festival Gondomar WinterFest. Foi bom para as pessoas tomarem um primeiro contacto com as novas músicas e basicamente mostrar aos nossos aquilo que estivemos a fazer neste último ano. Temos planos para apresentar o álbum mais a sul nos próximos tempos e há algumas datas interessantes a ser negociadas neste momento, que serão anunciadas proximamente.
Existem também planos para uma primeira internacionalização da banda e vamos ver se conseguimos pôr tudo em prática em breve!

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