terça-feira, 23 de junho de 2009

Review: Persuasion Through Persistence (The Spiteful)

Persuasion Through Persistence (The Spiteful)
(2009, Rastilho)



Definitivamente, a Rastilho tem vindo a afirmar-se como uma das mais importantes editoras nacionais lançando para o mercado nomes de inegável qualidade, inicialmente num campo mais alternativo (chamemos-lhe assim) como If Lucy Fell ou One Hundred Steps e mais recentemente com a sua aposta no metal. Primeiro foram os Echidna, e já este ano os Switchtense e agora estes The Spiteful, mais uma banda de Leiria. O colectivo já perfez uma década de existência e já editou dois EP’s, mas este é o seu trabalho de estreia, com uma produção assinada, uma vez mais, pelo cada vez mais requisitado Daniel Cardoso nos Ultrasound Estudios. Bastava dizer isto para se garantir a qualidade do produto final. Mas podemos dizer mais: que a banda evolui numa onda thrash/death metal com muito balanço onde o baixo joga um papel fundamental em toda a estrutura dos temas. Persuasion Through Persistence é uma obra que vai crescendo ao longo do álbum. Sem aviso prévio Sinner Suits Sin dá o mote para uma sequência de nove temas poderosos mas onde não existe aquela típica parede sonora muito densa por se tratar de temas nos quais a sonoridade é um pouco fragmentada. Os primeiros temas parecem pouco ambiciosos, mas os leirienses têm a capacidade de, gradualmente, irem acrescentando ingredientes que vão tornando o produto final cada vez mais interessante. Sejam algumas variações na forma de abordar as vocalizações (em The Bitter In The Sweet), sejam solos muito técnicos (como em The Heart As A Clow), sejam as harmonias melódicas criadas em Triggered. Os anos de experiência acumulados terão, seguramente, uma palavra a dizer nesta forma de saber enquadrar bem as coisas num álbum competente, bem produzido e com um artwork fantástico, o que, felizmente, já vem sendo um hábito nas propostas lusas. O que se saúda, obviamente.

Tracklist:
1. Sinner Suits Sin
2. Black Tongue
3. Slow Needles and Trauma Prescriptions
4. The Bitter In The Sweet
5. The Heart As A Clow
6. Deviant Saints
7. Triggered
8. Method Of Fire
9. Iconoplastic


Lineup: Granja (baixo), Mota (guitarra), Tarrafa (vocais), Sarnadas (bateria) e Sérgio (guitarra)
Website: www.the-spiteful.com.pt
Myspace: www.myspace.com/thespitfulband
Edição: Rastilho (www.rastilho.com)
Nota VN: 14,4 (7º)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Review: Sehnsucht (Lacrimosa)

Sehnsucht (Lacrimosa)
(2009, Hall Of Sermon)


Ao décimo álbum de estúdio os Lacrimosa confirmam aquilo que já tinham anunciado, há quatro anos atrás, com Lichtgestalt: o seu rock gótico/sinfónico está cada vez mais orientado para as guitarras e menos para as orquestrações. O que é pena, porque é na soberba capacidade orquestral que reside grande parte da magia da banda sediada na Suiça. Os grandiosos coros e as monumentais orquestrações de álbuns como Echoes, Fassade ou Elodia ficam como exemplos demonstrativos disso mesmo. Mas também não é menos verdade que as bandas não podem ficar eternamente a fazer o mesmo disco. E os Lacrimosa evoluíram nesse sentido. No entanto, atenção: os apontamentos sinfónicos ainda lá continuam, mas claramente menos pomposos e menos sumptuosos. Atirados (propositadamente?) quase todos para o fim do disco, ainda se pode notar o excelente trabalho da secção de sopros em temas como Die Taube ou Call Me With The Voice Of Love. Mas como os temas, agora são substancialmente mais curtos, não há espaço nem tempo para as faixas ganharem corpo, crescendo e se desenvolvendo. O destaque é dado, preferencialmente, ao trio guitarra/baixo/bateria com frequente recorrência ao acústico. Tilo Wolff continua igual a si mesmo, ou seja é preciso muita coragem para conseguir ouvir o homem. Ele já canta mal e ainda por cima não perde essa teimosia de cantar em alemão! Anne Nurmi aparece nos temas mais calmos, que também nada de novo trazem, parecendo, esses sim, que já foram gravados noutro qualquer álbum. Os melhores momentos acabam por surgir em Mandira Nabula onde um fulgurante acordeão rasga a aspereza da guitarra e consegue criar uma magia rara nos actuais Lacrimosa, em Feuer com um coro infantil a contracenar com o vozeirão de Wolff e em I Lost My Star In Krasnodar, um tema forte e extremamente ritmado e melódico. De resto, um trabalho aconselhado apenas aos fanáticos da banda.


Tracklist:
1. Die Sehnsucht In Mir
2. Mandira Nabula
3. A.u.S.
4. Feuer
5. A Prayer For Your Heart
6. I Lost My Star In Krasnodar
7. Die Taube
8. Call Me With The Voice Of Love
9. Der Tote Winkel
10. Koma


Lineup: Tilo Wolff (vocais), Anne Nurmi (vocais, teclados), Jan Yrlund (guitarra), Sebastian Hausmann (guitarra), A. C. (bateria)
Website: www.lacrimosa.ch
Myspace: www.myspace.com/lacrimosaofficial
Edição: Hall Of Sermon (www.hall-of-sermon.de)
Nota VN: 14,0 (11º)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Review: Renaissance (Neonirico)

Renaissance (Neonirico)
(2009, Ethereal Sound Works)



O caminho percorrido pelos irmãos Torres já vem de longe e a sua experiência acumulada acaba, a cada lançamento, por permitir que a sua evolução enquanto músicos, intérpretes e compositores seja efectiva. Os Neonirico são a sua nova designação enquanto colectivo e este Renaissance é o seu primeiro trabalho. No entanto será impossível dissociar completamente estes Neonirico dos anteriores The SymphOnyx. Aliás, poderíamos mesmo afirmar que esta nova entidade inicia o seu percurso onde a anterior o tinha terminado. Muito do que eram os The SymphOnyx está presente em Neonirico: a superior sensibilidade melódica, as estruturas bem elaboradas e a forte componente sinfónica. No entanto em Neonirico essas premissas acabam por ser elevadas a um novo patamar onde, ao ligeiro abrandamento em termos de peso das guitarras, corresponde um incremento de cada uma delas e à adição de novos elementos, como sejam os pormenores electrónicos, quase techno, às vezes. Mas o vector mais notório é mesmo o aumento da carga dramática que este álbum encerra em si. Uma carga dramática que se nota logo na introdução da obra com um tema sinfónico muito próximo de um requiem (e que poderia perfeitamente ter sido escrito pelos Lacrimosa!) e que vai até ao último momento, com One Minute Silence, que como o próprio nome indica é um minuto de silêncio em honra do tema anterior, o fantástico My Funeral March que mais não é que uma marcha fúnebre que qualquer banda de Doom Metal funéreo gostaria de ter escrito. Pelo meio o dramatismo ganha contornos assombrosos quando a banda se lembra de musicar dois poemas de dois escritores que são ícones nos seus estilos: Bocage e Charles Baudelaire. Então, o tema do poeta português, De Suspirar em Vão Já Fatigado, chega a assumir proporções mágicas, seja pela fortíssima letra, seja pelo ritmo quase tradicional em trecho da faixa, seja pela complexa estrutura de composição (quem disse que só os Lumsk eram capazes de musicar poemas?). Mas há mais em Renaissance. Há uma capacidade inata da banda para inovar e se reinventar, sendo capaz de arriscar, conseguindo, por exemplo trabalhar simultaneamente com um ensemble de cordas e com um DJ. E há, acima de tudo uma diversidade musical, estilística e até linguística que mantém o ouvinte preso até ao último segundo e que o leva a partir para sucessivas audições na descoberta de novos pormenores. Porque mais que um disco de música, Renaissance é uma experiência sensorial inolvidável.


Tracklist:
1. Renaissance… de la Mort
2. Angel Of Faith
3. Mirrors Of My Soul
4. Dance Of Souls
5. Glory And Hope
6. Honor And Pride
7. De Suspirar em Vão Já Fatigado
8. Serenity (Prelude)
9. Serenity (Wings Of Destiny)
10. La Mort des Amants
11. My Funeral March
12. One Minute Silence

Lineup: João Guimarães (vocais), Carla Ricardo (vocais), Carlos Torres (bateria), Martinho Torres (guitarra)
Myspace: www.myspace.com/neonirico
Website: http://www.neonirico.com/
Edição: Ethereal Sound Works (http://www.etherealsoundworks.com/)
Nota VN: 17,8 (1º)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Entrevista com Eternal Death

Os Eternal Death são mais uma jovem banda transmontana a preparar-se para dar o salto em termos de exposição. A projecção da sua sonoridade tem vindo a crescer e por isso quisemos saber mais sobre mais uma banda da prolifera vila de Sta. Marta de Penaguião e fomos questionar o baterista Tiago Machado.

Em primeiro lugar, gostava que apresentassem o vosso projecto fazendo uma breve resenha histórica.
Os Eternal Death surgiram em Novembro de 2002, em Lamego, fundados por André Lobão (Voz) e Luís Correia (Guitarras). Em 2003, Diana Ferreira (Baixo), Fernando Vicente (Guitarra) e Nuno Esteves (Bateria) completaram o line-up da banda. Foram compostos 5 temas, os quais foram gravados e editados na primeira demo, Passion, Blood And Tears…, em 2004. Pouco tempo depois a banda separou-se. Em 2007, o projecto renasceu com Luís Correia nas vozes, guitarra e baixo, e eu, Tiago Machado, na bateria, com o intuito de regravarmos alguns dos temas da anterior demo e compor novo material, estando nós agora sediados em Santa Marta de Penaguião.

Actualmente, quem são os Eternal Death?
Actualmente os Eternal Death são Fábio Amaro na voz, o Luís Correia na primeira guitarra, o Hugo Carvalho que antes ocupava o lugar de baixista está agora na segunda guitarra, no baixo temos o nosso novo membro Ricardo Chaves que foi a surpresa no 3º Festival da Irmandade Metálica, no qual estreamos ao vivo este line-up, e por fim, eu [Tiago Machado] na bateria.

Quais as vossas principais influências?
Cada membro tem gostos diferentes, logo aí as influências são muito diferentes e variadas. Não tentamos imitar ninguém, pretendemos ser sempre originais e simplesmente tentamos fazer as nossas músicas.

A cena transmontana tem estado muito activa (excelentes lançamentos de ThanatoSchizo e Thee Orakle, por exemplo). De que forma é que as bandas mais jovens acabam por beneficiar dessa exposição da região?
Uma vez que estas bandas abriram o caminho para aquilo que é hoje o metal transmontano, tornando-se boas referências, para nós fica a responsabilidade de dar continuidade ao que de melhor é feito em Trás-os-Montes, não sendo uma tarefa nada fácil, porque os exemplos que temos mesmo ao nosso lado já se encontram num patamar mais elevado.

Da vossa discografia fazem parte a edição de duas demos. Para quando a edição em formato mais profissional?
Desde do primeiro concerto que temos colocado essa questão em cima da mesa, até porque tanto a demo como a compilação contêm material gravado pelo anterior line-up da banda e seria bom podermos mostrar num formato com som decente tudo o que temos trabalhado ao longo deste tempo, mas por enquanto queremos ganhar calo com os ensaios e concertos. Vontade de irmos para estúdio e editarmos um EP não nos falta. Depois do concerto que iremos dar no Porto a 13 de Junho, iremos voltar a falar sobre o assunto para decidirmos o que fazer.


Os Eternal Death já por uma vez puseram ponto final na sua, ainda curta carreira. Que motivações estiveram por trás do vosso renascimento?
Eu e o Luís tivemos anteriormente um projecto chamado Light Behind (ex-Nemus Mortuum). Com esse projecto editamos uma demo, demos um concerto na Régua, concerto do qual disponibilizamos o áudio para download. Após esse concerto ficamos a compor novo material durante alguns meses, mas para nosso azar o vocalista desistiu do projecto levando o teclista atrás. O baixista acabou também por desistir. Depois disso, o Luís teve a ideia de ressuscitar os Eternal Death tendo-me convidado para assumir o cargo de baterista. A partir daí foi ensaiar sempre que possível. Depois encontramos o Fábio e o Hugo e isso permitiu-nos levar as coisas para um outro nível, o que nos permitiu voltar aos concertos.

Para quem estiver a ler esta entrevista e não conhecer os Eternal Death, onde o poderá fazer?
Poderão visitar o nosso site (
http://www.eternaldeath.pt.vu/) e myspace (www.myspace.com/eternaldeathpt), onde poderão ouvir algumas gravações dos nossos ensaios. Se quiserem entrar em contacto com a banda podem enviar mail ou adicionar-nos no Messenger (eternaldeath.pt@gmail.com). Por fim, para quem ainda for adepto do mIRC, pode ir até ao nosso canal (#EternalDeath) na Ptnet.

Falem-me dos vossos projectos como banda a curto/médio prazo.
Os nossos projectos para já passam por podermos divulgar cada vez mais o nosso trabalho, dando concertos, concertos e mais concertos, bem com podermos então embarcar nessa aventura que será gravar algo em estúdio para ser editado num formato profissional. Até lá é continuar a trabalhar.

domingo, 7 de junho de 2009

Review: Crowcifix (Desire)

Crowcifix (Desire)
(EP 2009, Edição de Autor)


Herdeiros da mais profunda tradição fatalista lusa, os Desire são um dos nomes mais sonantes do panorama Doom Metal nacional, mesmo que continuem a lutar sozinhos sem o apoio de uma editora. No entanto a perseverança e a crença deste colectivo fá-lo manter-se activo e a editar bons trabalhos regularmente. Sete anos depois do soberbo Locus Horrendus…, a banda prepara um novo álbum que parece ainda verá a luz do dia (ou no caso dos Desire, será mais correcto afirmar que verá a negritude da noite!) ainda este ano. Para que a espera não seja, por parte dos fãs, ainda mais sofrida, Crowcifix apresenta-nos cerca de meia hora do mais puro doom metal funéreo tão típico da banda. Um dos temas (Frozen Heart… Lonely Soul do álbum anterior) foi captado ao vivo em 2003 no saudoso Hard Club, em Gaia. Os outros dois são originais ao melhor estilo desireniano: lento, frio, sentido, sofrido, negro. Um bom augúrio para o novo trabalho. Em Funeral Doomentia a banda arrisca uns coros ligeiramente diferentes, mais épicos e algo próximo do pagan/viking metal. Poderá ser uma alternativa à linha monocromática da banda. De resto, ficamos à espera do prato principal. Para já, como aperitivo, aconselha-se.

Tracklisting:
White Falling Room
Funeral Doomentia
Frozen Heart… Lonely Soul

Line up: Corvus (vocais), Mist (guitarra), Raiden (guitarra), Ashes (teclados) e Flame (bacteria)
Myspace:
www.myspace.com/desireband
Nota VN: 14,5 (6º)