quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Review: Within The Dark (Headstone)

Within The Dark (Headstone)
(2009, Ed. Autor)


Com apenas três anos de existência mas muita experiência acumulada em diversos grupos da cidade Invicta (Cycles, In Solitude, Dove, Withering), os Headstone editam Within The Dark, um EP de 4 temas que promete marcar para sempre a história do Thrash Metal feito em Portugal. Bebendo, claramente, influências do género oriundo da Bay Area, proximidades podem ser encontradas com os Testament ou Metal Church. Mas não pensem que se trata de mais uma cópia barata do actual revivalismo thrash. Nada disso. Estes Headstone têm personalidade, claramente vincada na versatilidade vocal de Vitor Franco que em momentos soa a Warrel Dane (Sanctuary/Nevermore). Desde logo, esta forma diferente de abordar as vocalizações, com excelente colocação e perfeitamente perceptível, colocam o colectivo nortenho noutro patamar. Mas há mais: a explosiva mistura de poder, técnica, melodia e capacidade de composição aliadas a uma excelente produção fazem de Within The Dark uma das mais promissoras estreias dos últimos anos dentro do metal nacional. Indiscutivelmente obrigatório na vossa colecção.

Tracklisting:
1. I Feel, Therefore I Bleed
2. This Void
3. The Deepest Prayer
4. Will It Take Madness

Line up: Vitor Franco (vocais), Pedro Vieira (guitarras), Carlos Barbosa (guitarras), Vera Sá (baixo), Augusto Peixoto (bateria)
Myspace: www.myspace.com/headstonemetal
Nota VN: 17,0 (4º)

Playlist 27 de Agosto de 2009


domingo, 23 de agosto de 2009

Entrevista com Face Oculta

Mais uma jovem banda da margem sul que se apresenta em Via Nocturna. Olhos de Escuridão, o seu EP de estreia editado no ano passado mostra um colectivo determinado a vingar cantando na sua língua materna. Sobre esta aposta e muito mais fomos ouvir os Face Oculta.
Em primeiro lugar, falem-nos da génese do vosso projecto.
Trata-se de um projecto nascido nos subúrbios da margem sul. Tudo começou com uma reunião de amigos (e familiares) que tinham ideias e gostos em comum. Daí a formar uma banda e produzir música, foi um passo.

Quem são, actualmente os Face Oculta e qual o background musical dos seus elementos?
Os Face Oculta são: Alexandre Cthulhu (guitarra solo e voz), Nuno Warlock (baixo), Cátia Free Hugs (guitarra ritmo e back vocals) e Telmo Trovão (bateria). Todos os elementos participaram noutros projectos de estilos diversos, entre o rock tradicional e o metal. Mas quero realçar que embora a maioria dos elementos seja muito jovem, já são músicos com alguma experiência.

Quais são as vossas principais influências?
As nossas influências vão do blues ao metal, passando pelo punk rock. Mas não são as influências musicais que determinam o estilo de som que os Face Oculta praticam, mas sim a nossa inspiração. E aí posso dizer-te que a dureza do nosso quotidiano e as dificuldades que enfrentamos, sendo nós uma banda dos subúrbios, será a nossa principal força motriz para produzir musicas e dar bons concertos

Olhos de Escuridão, o vosso primeiro EP, foi editado no ano passado. Apesar de Via Nocturna ter tido acesso apenas a um tema, nota-se uma preocupação na construção de temas de metal tradicional melódico. É essa a vossa linha orientadora, em todo o EP?
Sim, essa linha é notória nos 3 temas do EP. Contudo quero frisar que quando foi gravado o EP, a banda estava a começar, digamos assim. O Nuno tinha acabado de entrar, e acabámos por seleccionar os 3 temas em que achámos que estávamos mais seguros e à vontade para gravar, pois sabíamos que sem nada gravado, dificilmente iríamos arranjar concertos. Mas ficámos muito satisfeitos com o resultado final.

Cantar em português é, também, um dos vossos objectivos?
É um objectivo e um principio de qual dificilmente iremos abdicar. Investimos muito na parte lírica das nossas músicas, logo torna-se imperioso de que quem escuta os nossos temas, seja num CD, seja ao vivo, que assimile a nossa mensagem. Não vamos mudar as letras para inglês só para que reparem em nós lá fora.

Esse primeiro trabalho abriu-vos algumas portas, nomeadamente na sua apresentação ao vivo. Quais os principais concertos que deram e que experiência retiraram para o sucessor de Olhos de Escuridão?
Dos concertos que já demos, destacamos o SFAL Jovem no Lavradio, Festival Castelo sounds em Sesimbra, no Inlive Café, na Moita. Mas o mais extraordinário foi no estabelecimento prisional de Setúbal, na festa de Natal dos reclusos. A experiência de palco e da estrada é a mãe de todas as experiências. Ao tocarmos ao vivo conseguimos captar muitas opiniões distintas que nos ajudam a melhorar e a amadurecer enquanto banda.

Sei que já estão a preparar um segundo trabalho. Que evolução podem, desde já apontar?
Uma evolução significativa, quer em termos musicais, quer em termos de produção. Pois ainda não tínhamos 2 guitarras, e estávamos ainda com o baterista anterior. Agora a banda conta com uma segunda guitarra (Cátia), o que torna o som mais amplo e mais forte. O baterista (Telmo), é também um músico versátil e dinâmico, o que é sempre uma mais-valia para o colectivo. A banda tem uma grande conexão a todos os níveis, e também sabemos para onde queremos ir. Mesmo a nível de produção, vai haver muitas diferenças. Vamos fazer algo com muita ambição para que o resultado final seja de grande qualidade.

E para quando a sua edição? Já será com o apoio de alguma editora ou voltará a ser em edição de autor?
A edição está prevista para Janeiro do próximo ano. Já tivemos alguns contactos de editoras, mas ainda não está nada decidido.

Quem vos quiser contactar ou conhecer o que devem fazer?
Podem fazê-lo através da nossa manager (Iolanda Faleiro) ou através do myspace da banda (
www.myspace.com/bandfaceoculta)

Obrigado e felicidades.
Obrigado e boa sorte para o Via Nocturna. Continuem a divulgar bandas nacionais, que há muitas de grande qualidade.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Entrevista com Skewer


Time, Patience And Hopes é a segunda edição em formato digital pela francesa Believe dos Skewer. O trio nacional assume, desta forma, mais veementemente a sua internacionalização e a propósito disso fomos conhecer melhor a banda.


Apesar de jovens, apenas 4 anos de existência, Time, Patience And Hopes é já a segunda edição em formato profissional. Tem sido fruto de muito trabalho, provavelmente?
Sim, Skewer é uma banda relativamente jovem, mesmo com a aposta em muitas rádios e MTV ainda a muito caminho por percorrer, pelo facto da vida das pessoas hoje serem muito preenchida e a música ser algo esporádico, é preciso muito trabalho para que a música chegue até elas. Às vezes podem ter até ouvido um tema, mas não sabiam de que banda se tratava. E aos poucos vamos chegando lá. Acho que gravar um primeiro CD depois de um Ep em 2007, Whatever, e um CD-Single em 2009, Drift Away From Here, era o momento ideal para editar o primeiro álbum, mesmo que esse fosse em formato digital unicamente.


Ainda por cima, os vossos discos tiveram edição por uma editora estrangeira, no caso a francesa Believe. Como se deu o contacto com eles?
A primeira apresentação foi feita pelo nosso publish Lx Music Publishing, após isso mostramos o Whatever à Believe, eles gostaram e apostaram. Diziam que havia muitas boas ideias ali, que a banda de certeza iria amadurecer bastante num próximo lançamento, então fecharam connosco um contracto de 4 anos.


Ambos os vossos trabalhos têm apenas edição digital. Era essa uma pretensão vossa ou foi uma exigência da editora?
Na verdade a Believe só faz edições digitais e como conseguem chegar a todo o globo, tem as melhores lojas online e até editoras nacionais como a Rastilho Records e grandes editoras internacionais como a Fargo e a Listenable Records de bandas como Gojira, Immolation, Incantation, que também apostaram na ajuda da Believe. Mas sinceramente gostávamos de ter uma edição física do álbum para por nas lojas de rua; porém o mercado hoje não esta favorável às editoras, o que dificulta um lançamento no formato físico. Apesar de que um CD físico hoje serve mais para promoção de uma banda do que para venda.

E qual a vossa opinião a respeito deste tipo de edições, sabendo que os fãs, de um modo geral, gostam de algo mais físico?
Como estávamos a referir, as pessoas hoje não compram CD's , pois os valores são altos e não possuem condições para tal luxo. A internet está ai para ajudar na promoção; porém muita gente usa para se beneficiar fazendo downloads dos álbuns através de partilha de ficheiros. Não importa o tamanho do artista mas penso que as bandas mais novas sofrem mais por que perdem contractos com mais facilidade e outras nem chegam a ter este tipo de apoio. Este formato digital já está a ser aceite em muitas partes do mundo; vemos a França como o maior exemplo disso e muitas bandas grandes como Metallica ou Radiohead que estão a fazer o lançamento digital primeiro e depois físico. Os Radiohead até estão a aceitar a ideia melhor, pensando em só editar trabalhos nesse tipo de formato. É importante que as revistas também apoiem este tipo de lançamento.



Considerando que o novo álbum contem os temas Wash You Away II e Save Me From Myself (Remix), será lógico considerar este Time, Patience And Hopes como a continuação natural de Whatever?
Penso que é uma evolução. Estas músicas sofreram mutações e as novas nada são semelhantes aos de Whatever. Tivemos um concerto agora nas festas do Barreiro, no qual actuamos como headline subimos ao palco por volta de 1:20 da madrugada de Domingo e ficamos felizes por ver que muito pessoal a fazerem um esforço para ver Skewer, sabendo que se tratava de um domingo e a segunda iria ser cansativa, pois muitos trabalham, foi muito bom pois não precisamos tocar mais cedo para ter um público, mesmo que esse não fosse totalmente direccionado à banda.


Neste trabalho verifica-se o recurso a diversos convidados. Era vossa intenção desde o inicio socorrerem-se de elementos exteriores aos Skewer ou, pelo contrário, o desenrolar dos temas pediram a inclusão de convidados?
Fizemos os temas mais achamos que alguns deveriam ter convidados. Era para ter tido 4 artistas, mas nem tudo corre como queremos, ficou reduzido a 2 que foram os melhores que podiam aparecer; são artistas de grande reconhecimento de público e media, como o caso de Sam Forest dos Nine Black Alps e da Ana Malhoa já consagrada pelo sua história na música. O que mais me impressionou foi a simplicidade e a humildade desses artistas. Sabiam que a gente não lhes poderia dar muito em questão de além fronteiras, mas mesmo assim deram uma grande contribuição e esforço da parte deles.

Dentro do grupo de convidados, o mais improvável será mesmo a Ana Malhoa. Como chegaram ao contacto com ela e como é que ela se adaptou a cantar rock em inglês?
A Ana é uma pessoa super acessível, desde o primeiro email foi sempre uma pessoa espectacular, tem uma agenda bastante preenchida, estava a preparar a promoção do álbum dela e mesma assim arranjou tempo, trabalhou no tema e foi ao estúdio connosco. A cena do inglês tanto para ela como nós portugueses ou brasileiros, pois em Skewer há um brasileiro, não é a nossa língua mãe; porém todos conseguimos adaptar-nos a ela e a Ana Malhoa já havia passado por experiência parecida, quando interpretou um tema de uma banda Alemã, que também canta também em inglês.


Em termos de concertos, como está a vossa agenda?
Reduzimos ao máximo pois é complicado conseguir concertos com boas condições e na música hoje têm que existir bons contactos e saber onde apostar. Por tanto não vamos lança-nos de cabeça sem saber onde vamos cair, por isso as coisas estão a ser feitas com bastante calma, temos mais uma data em Portugal este ano no Side B Club em Benavente e depois vamos fazer duas datas em Espanha e 3 em Bélgica, por enquanto é esta a agenda de Skewer para 2009.


Em termos de médio/longo prazo, quais são os vossos projectos?
Neste momento é continuar a promover o primeiro CD TIME PATIENCE AND HOPES, continuar a trabalhar no nome Skewer, e ver até onde conseguiremos nos aguentar, pois a luta é constante e difícil.


Obrigado.
Nós que agradecemos o seu apoio, esperamos que o seu blog e programa continuem a crescer e que Skewer continue a fazer parte deles. Aproveitamos para convidar aos leitores do Via Nocturna a visitar o www.myspace.com/skewerband e conhecer os Skewer.

sábado, 8 de agosto de 2009

Review: Two (Dawnrider)

Two (Dawnrider)
(2009, Raging Planet)


Se o EP homónimo de 2005 e, principalmente, o álbum de estreia, Alpha Chapter (editado em 2007) já tinham boas indicações a respeito da capacidade de se produzir bom doom metal em Portugal, o novo trabalho dos Dawnrider, simplesmente chamado de Two, vem, pura e simplesmente confirmar essa teoria. Mantendo uma actividade assinalável com edições em cada dois anos, os Dawnrider mostram-se deliciosamente retro. E não porque é moda, mas porque o sentem. Nuns momentos o seu som é lento, arrastado, verdadeiramente doomy; noutros torna-se mais rápido e agressivo. Mas sempre num nível de composição que os colocam no mais alto patamar dentro do género, com riffs excelentes, dignos sucessores de bandas como Saint Vitus ou Reverend Bizarre. Os longos temas permitem que as canções se desenvolvam e cresçam em intensidade e algum experimentalismo. E este é o termo que, realmente, coloca os Dawnrider noutro campeonato: a sua capacidade de introduzirem novos elementos numa sonoridade tão retro e tão marcante como o doom. Desde apontamentos de folk luso até tiques progressivos, a banda não se nega na altura de inovar. Queen Of The Mountain e Maelstrom são, na nossa opinião, os dois temas mais fortes (e, curiosamente, aqueles onde mais se nota a tal inovação!) de um álbum forte, equilibrado e marcante da produção metálica nacional.

Tracklisting:
1. Scared Of Light
2. Evil Deeds
3. Irinia
4. Redemption
5. Queen Of The Mountain
6. The Hollow Path
7. Walking Blind
8. Maelstrom


Line up: F. J. Dias (vocais), João Barrelas (guitarra), Hugo Conin (guitarra), Carlos Ferreira (baixo) e André Silva (bateria)
Website:
http://www.dawnrider.com/
Myspace:
www.myspace.com/dawnriderdoom
Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.web.pt/)
Nota VN: 16,0 (6º)

Entrevista com Dawnrider

Com um assinalável ritmo de edições de dois em dois anos, os Dawnrider editaram, recentemente, via Raging Planet o seu segundo longa duração intitulado simplesmente Two. Para conhecermos um pouco melhor os mestres do doom metal nacional contactámos Hugo Conin (guitarrista) e Francisco José (vocalista) e descobrirmos o significado de lusitanian doom metal.

Depois das excelente críticas a Alpha Chapter, sentiram muita pressão quando partiram para a composição deste trabalho?
HC: Não sentimos qualquer tipo de pressão, pois com a mudança da secção ritmica a banda ficou muito mais coesa e profissional e acho que em termos de composição estivemos bastante melhores pois crescemos como compositores e músicos.


E por falar em composição, como decorreu o processo para este álbum?
HC: A composição para este álbum decorreu de uma maneira muito natural e espontânea, quando algum de nós tinha alguma ideia apresentava no ensaio aos outros e juntos faziamos os arranjos até termos o tema finalizado.


Que diferenças são mais notórias quando olham para Dawnrider, o EP de 2005?
HC- Acho que estamos cada vez mais doom metal embora ainda tenhamos grandes influências do hardrock dos 70´s ,de heavy metal e algum psych e mais que isso estamos a criar uma identidade propria a que nós chamamos Lusitanian doom metal.
FJ: Acho que o Ep de 2005 nem é o melhor exemplo mas sim o álbum de 2007. Enquanto que no primeiro album soávamos a uma banda de Heavy Rock com influências Doom; neste novo álbum soamos a uma banda Doom Metal com algumas influências de Heavy Psych e Epic Metal.


Vocês continuam a jogar com psicadelismo dos anos 70. De onde surge essa costela da vossa música?
HC- É natural que que tenhamos influências dos 70´s pois tanto eu como o Barrelas e o Carlos, somos grandes fãs de bandas dos 70´s e falando pessoalmente acho que foi a melhor década em termos de criatividade musical.
FJ- Concordo absolutamete. Somos grandes fans de Heavy psicadélico de 70's como Amboy Dukes, Captain Beyond, Czar, Josefus, Hawkwind, Pink Fairies, Road,Samuel Prody, etc. *


Notam-se, também, algumas influências do folk luso. Será uma vertente a explorar, do vosso ponto de vista?
HC- Acho que isso é uma coisa que se nota e me deixa especialmente orgulhoso; o próprio sitio onde compus a Irinia com o Barrelas foi no meio da natureza com guitarras acústicas a beber vinho e o ambiente que nos rodeava destilava uma vibração muito folk. No próximo disco podem esperar muito mais elementos tradicionais no nosso som vamos cada vez mais procurar a nossa identidade e seguir o estilo por nós criado que é como já disse lusitanian doom metal!


E em termos líricos, qual a abordagem principal em Two?
FJ: Two, tal como o primeiro álbum, não tem um conceito especifico. No entanto a mensagem é parecida com a de Alpha Chapter. No entanto, experimentámos neste álbum, uma letra em tons românticos doentios cantada em Português. Penso que de futuro haverão mais letras nesta linha, não são histórias na primeira pessoa, mas são relatos baseados em factos veridicos passados à minha volta. Por vezes até me posso inspirar em 2 historias diferentes e uni-las em uma só letra.


Como se sentem, sendo que, quase unanimemente, são considerados como os donos do trono do doom metal em Portugal?
HC- Orgulhosos e agradecidos a toda a gente que nos apoiou neste ultimos cinco anos!!!
FJ: Era bom haverem mais bandas do género já que Gothic Doom e Death Doom são subgéneros diferentes onde é impossivel nos encaixarem. Seguiremos sózinhos como até agora, mas gostávamos de ver surgirem novas propostas nesta linha.


Há perspectivas para uma edição/distribuição internacional deste álbum?
HC- Só agora é que os promos estão a sair para fora, pessoalmente acho que temos grandes hipóteses do disco ser tambem editado lá fora, e acho que o Makosh da Raging Planet vai ter distribuição do disco na inglaterra.
FJ: O novo álbum era para ter uma edição europeia mas chegamos à conclusão que mais valia tentar distribuir parte da prensagem da edição nacional e tentar arranjar uma editora nos Estados Unidos ou Brasil pois mais dificilmente chega lá a distribuição do álbum. Neste momento ainda nada está resolvido

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Review: Vendaval (Men Eater)

Vendaval (Men Eater)
(2009, Raging Planet)


A edição de Hellstone em 2007 caiu que nem uma bomba no panorama metálico nacional pela superior qualidade demonstrada pelo quarteto lisboeta Men Eater. Dois anos volvidos, Mike Ghost e companheiros estão de regresso com Vendaval, um álbum que não tendo a velocidade dos ventos do nome que ostenta, promete causar os mesmos estragos. Não se tratando de um álbum devastador em termos sónicos, é antes um álbum devastador na criação de ambientes hipnóticos e negros. O que aqui se ouve é doom metal com influências stoner e até sulistas. O cruzamento de nomes como Black Sabbath, Corrosion Of Conformity ou Kyuss surge frequentemente neste conjunto de doze temas. A afinação grave das guitarras, a voz ríspida, a bateria enérgica e diversificada e, principalmente, o excelente trabalho das duas guitarras na criação de harmonias e melodias a duas vozes (First Season e Drunk Flies Drugged Souls serão os melhores exemplos), prometem lançar a banda no contexto internacional até porque já está assegurada distribuição digital em muitos mercados importantes como o americano ou o japonês. Ed Brooks que já trabalhou com nomes como Isis ou Pearl Jam fez a masterização em Seattle de mais um excelente álbum a sair dos Black Sheep Studios e das mãos de Makoto Yagyu onde nem o sentido de humor falta, com o quarto tema do alinhamento a denominar-se muito apropriadamente de Quatero e o nono de Novee.


Tracklist:
1. First Season
2. Heartbeating Locomotive
3. Man Hates Space
4. Quatero
5. Drunk Flies Drugged Souls
6. Last Season
7. 1200
8. Medusa
9. Novee
10. Coldest Tide Of The War
11. Queen Of A Million
12. Dead At Sea


Line up: Mike Ghost (vocais, guitarra), Carlos A. (guitarra), João J. (baixo), Carlos BB (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/meneaterdoom
Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)
Nota VN: 14,6 (9º)