terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista com Haven Denied

Oriundos de Braga, os Haven Denied regressam com o seu segundo álbum de originais, Symbiosys. Mantendo as características que já faziam do colectivo uma das mais válidas propostas do underground nacional, este segundo trabalho injecta uma dose de progressivo e, simultaneamente, de obscurantismo digna de realce.
Este novo trabalho apresenta-nos os momentos mais fortes da banda e simultaneamente os mais introspectivos. Eram esses os objectivos à partida, ou as coisas aconteceram naturalmente?
Bem, como sempre, existem objectivos, metas, mas o acto de produzir um álbum acaba sempre por ser o trilhar de um caminho em que nem sempre se lhe vê o fim. Existiam objectivos, sim: a necessidade de criar algo fresco aos nossos olhos, que melhor se ajustasse aos nossos crescimentos individuais e ao nosso grau de maturidade. Foi quase como se o objectivo fosse que as coisas acorressem naturalmente, o que reflecte muita da nossa visão artística, com metas definidas, mas com toda a liberdade e naturalidade nas criações.

Como decorreram as gravações desta vez?
O processo de gravação deste novo álbum foi bastante mais orgânico que o do primeiro. Ao mesmo tempo houve uma melhoria no material utilizado e nos métodos de trabalho, o que levou a que as gravações corressem bastante melhor. Em geral foi um processo bastante mais agradável que o anterior.

Que diferenças se podem apontar entre Symbiosys e o vosso trabalho homónimo?
Symbiosys surge como um álbum bastante mais maduro, na nossa opinião. O primeiro álbum teve mais a ver com o registo de uma evolução da banda durante os seus primeiros anos, não incluiu tanta composição como este. Noutro aspecto, cremos que este álbum é mais consistente, mais sólido, com uma sonoridade que se adequa mais aos nossos gostos pessoais actuais. Também a nível de produção áudio, este novo trabalho pode, na nossa opinião, gabar-se de uma maior qualidade, uma qualidade já num outro nível, que gostamos de comparar com o melhor que se faz no metal e não só, a nível mundial.

Em relação ao álbum anterior, desta vez optaram por não colocar violinos nem vocalizações femininas. Algum motivo em especial?
Sinceramente, não houve nenhum motivo em especial. Mas acho que nos aconteceu o que já aconteceu a muitos artistas, o deixar cair de certos artifícios artísticos, por já não fazerem sentido, por não fazerem parte de uma nova abordagem e também por nos fartarmos de fazer sempre algo de muito semelhante a coisas anteriores. Os violinos e as vocalizações femininas não fizeram desse modo sentido neste trabalho, mas não sabemos se não farão num novo, utilizadas provavelmente de outro modo.
Em determinados momentos parece-me haver uma aproximação à sonoridade de uns Life Of Agony. Serão eles uma fonte de inspiração para vocês?
Não. Para ser completamente honesto, nenhum de nós ouve ou até conhece essa banda, mas certamente que escutaremos com atenção, para vermos se realmente existe algum ponto de ligação.

Entretanto, houve mudanças na vossa formação. De que forma é que isso afectou o processo de composição?
No fundo, a mudança na formação também conspirou para nos dedicarmos mais a este tipo de sonoridade em detrimento da antiga, talvez mais power metal. Passamos a compor não tanto à base de teclados e orientamo-nos mais nas guitarras. Isso conduziu-nos a este ponto, já que a composição passou mais para o Henrique (guitarra) e para o Ricardo Caldas (bateria), passando obviamente pelo crivo de toda a banda, mas já nas partes relacionadas com a estrutura das músicas em si.

Em termos temáticos, há algum conceito subjacente a Symbiosys?
Sim, existe, embora não transpareça directamente nas letras, ele está subjacente a todo o álbum, como produto musical. Nós descrevemos a nossa composição como uma simbiose entre todos os elementos, uma relação com proveito mútuo que se reflecte no registo bem como em concerto. Existe simbiose entre composição e produção musical. Entre o registo e o acústico, entre o som gravado e o som ao vivo. Todo o trabalho foi orientado com esse conceito em mente, e a segunda parte chegará com os concertos que iremos dar um pouco por toda a nossa região e futuramente a nível nacional.

Entretanto vocês continuam a fazer tudo sozinhos, certo?
Sim, todo o trabalho relacionado com a banda continua a ser feito exclusivamente por nós. Temos felizmente alguns patrocinadores, que nos tem ajudado a que as coisas aconteçam com mais celeridade, mas à parte disso, estamos sozinhos.

As primeiras reacções parecem ser positivas. Acreditam que é desta que os Haven Denied atingirão o lugar que merecem?
Bem, essa é a velha questão, não é? Na nossa opinião o primeiro trabalho já nos deveria ter dado um maior grau de reconhecimento, no entanto as coisas aconteceram mais devagar e em menor quantidade do que esperávamos. No fundo isso talvez se deva à nossa própria visão, que ultrapassa modas e estilos. No entanto, nós continuamos e o nosso trabalho continuará, com ou sem reconhecimento. Já não é algo que nos crie revolta.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Review: Collision (Revolution Within)

Collision (Revolution Within)
(2009, Rastilho)


Oriundos do eixo S. J. Madeira/O. Azeméis/S. M. Feira, os Revolution Within juntaram-se em 2005 e Collision é a sua apresentação através do dinâmico selo Rastilho. São seis temas (aos quais acrescem uma introdução e um interlúdio) do mais puro e intenso thrash metal. Com algumas influências nas raízes do género, os Revolution Within, injectam-lhe, no entanto, doses actuais de poder. Uma voz poderosa, um baixo cheio, uma batida dura e rápida q.b. e, principalmente solos de grande craveira, são os maiores destaques desta estreia. Para além dos solos, as guitarras jogam um outro papel importante na sonoridade do colectivo: a criação de boas harmonias. O álbum torna-se ainda mais apelativo atendendo às diversas alterações rítmicas que a banda vai introduzindo. Num trabalho extremamente homogéneo, pode-se destacar Destroy como uma das malhas que melhor definem e caracterizam o mundo Revolution Within. Perfeitamente recomendado para fãs de Pantera e afins, esta é mais uma estreia a ter em conta no panorama metálico nacional.

Tracklist:
1. Collision
2. Stand Tall
3. Surrounded By Evil
4. Destroy
5. Silence
6. Premonition
7. No Way
8. Sinner


Line up: Raça (vocais), Faster (guitarras), Matador (guitarras), Sono (baixo), Shaq (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/revolutionwithinpt
Edição: Rastilho (
http://www.rastilho.com/)
Nota VN: 15,70 (14º)

Review: The Days Of Grays (Sonata Arctica)

The Days Of Grays (Sonata Arctica)
(2009, Nuclear Blast)

A completar a primeira década de existência, os Sonata Arctica podem gabar-se de ter construído uma carreira sólida, baseada na sua postura honesta. Longe dos topos de popularidade mas sempre situados numa posição que lhes permitia lutar pela participação em competições europeias, a banda finlandesa foi crescendo lentamente e sempre com passos seguros e firmes o que lhes permitiu atingir, agora, a marca de seis álbuns de originais. Em Via Nocturna continuamos a considerar Reckoning Night como o seu mais bem conseguido álbum e desde essa altura que a banda tem tentado, embora sem o conseguir, superar essa marca. Unia e, agora, The Days Of Grays são, realmente, bons álbuns, mas continua a faltar aquela coisa que Reckoning Night tinha. Em 2009 o quinteto mantém muitas das características que os tornaram especiais, nomeadamente a sensibilidade melódica e, acima de tudo, a fantástica capacidade para criar arranjos vocais soberbos. No entanto, apresenta algumas inovações que evitam que a sonoridade do grupo fique estagnada. A componente sinfónica está mais apurada que nunca (tendência já deixada em aberto em Unia, nomeadamente com o seu fecho Good Enough Is Good Enough) e que, por vezes, empurra os Sonata Arctica para terrenos muito próximos dos Nightwish; em alguns momentos a introdução de aports de violoncelo ajudam a elevar a faceta operática/dramática a outro nível, sendo que o principal destaque vai para o solo em The Truth Is Out There. Não deixa de ser curioso que um dos pontos fortes da composição sejam os arranjos, uma vez que é um vocalista o principal compositor. Mas, mais uma vez, se verifica que a banda aposta forte neste pormenor bem como na complexidade lírica. No fundo, The Days Of Grays pouco de novo traz, mas não deixa de ser um bom disco de metal, sendo que a qualidade vai crescendo à medida que o álbum vai avançando. E a sensação que fica é que este será o registo mais próximo da qualidade de Reckoning Night.

Tracklist:
1. Everything Fades To Gray
2. Deathaura
3. The Last Amazing Grace
4. Flag In The Ground
5. Breathing
6. Zeroes
7. The Dead Skin
8. Juliet
9. No Dream Can Heal A Broken Heart
10. As If The World Wasn’t Ending
11. The Truth Is Out There
12. Everyting Fades To Gray (full version)


Line up:
Tony Kakko (vocais e teclados), Tommy Portimo (bateria), Elias Viljanen (guitarras), Henrik Klingenberg (teclados), Marko Paasikoski (baixo)


Website: http://www.sonataarctica.info/
Myspace: www.myspace.com/sonataarctica
Edição: Nuclear Blast (http://www.nuclearblast.de/)
Nota VN: 16,6 (6º)

Entrevista com Crossfaith

Dos Açores chega-nos mais uma excelente proposta a demonstrar que o a cena açoriana está cada vez com mais vivacidade. Desta feita fomos conhecer melhor os Crossfaith que este ano publicaram Mixed Emotional, um álbum pleno de melodia e emoção numa linha de hard rock. Para isso, o vocalista Ricardo Reis disponibilizou-se a responder às nossas questões.

Antes de mais, apresentem-nos os Crossfaith.
Ricardo Reis (voz), Xico Botelho (guitarras), Rui Sousa (teclados), Rui Oliveira (bateria), Ricardo F. Santos (baixo)


A sonoridade Crossfaith é muito distinta dos demais colectivos açorianos e continentais. Trata-se de uma vertente, a do hard-rock, pouco explorada e, provavelmente, pouco apreciada em Portugal. Alguma vez pensam nisso quando estão a compor, ou não?
Não pensamos nisto. Estamos a produzir uma sonoridade quegostamos e que acreditamos. Posso adiantar que esta está a ser muitobem aceite pelo menos a nível Regional. A aderência ao nossotrabalho tem sido espectacular.

E em termos líricos, quais são as temáticas mais abordadas pelos Crossfaith?
Diversos, mas maioritariamente experiências da vida. Nãovou descrever a ninguém ao pormenor o sentido de cada tema,simplesmente porque pode ter um significado diferente para cada um.

Mixed Emotional é um disco cheio de sentimento. Trabalham de forma consciente essa vertente sentimental?
Na minha maneira de ver, sem sentimento a vida não tem sabor. A resposta é sim trabalhamos continuamente esta vertente.




Mixed Emotional apresenta uma versão para rádio do tema So Far Yet So Close. Algum motivo especial para a colocação desta faixa?
O nosso tema So Far Yet So Close tem um historial degrandes modificações ao longo do tempo na sua composição.Inicialmente era uma composição com outro nome, letra e com maisde 7 minutos de música. Fomos reestruturando e reescrevendo até chegarmos ao estúdio já com o tema gravado onde decidimos dar um corte na parte mais agressiva do tema, para o bem de melhor aceitação por parte dos diversos órgãos da comunicação social.


Os Crossfaith foram vencedores do II Concurso de Música Moderna da Ribeira Grande. Que oportunidades se abriram com a obtenção deste galardão?
Como vencedores do II Concurso de Música Moderna da Ribeira Grande, foi um empurrão para a frente. Elevou a auto estima dos músicos, deu-nos algo para anunciar a público enquanto estava adecorrer a pré produção do nosso disco Mixed Emotional.


Entretanto, tem actuado em eventos importantes nos Açores. Para quando o salto ao continente?
Estamos a guardar o convite!

Pelo meio, também uma passagem por um programa como o Verão Total, da RTP Como foi a experiência?
Em primeiro lugar estamos muito gratos pelo convite. Foi uma experiência muito positiva, tivemos a oportunidade de nos dar aconhecer a um leque muito vasto de audiência pelo mundo fora.

E a partir de agora, que projectos se propõem os Crossfaith abraçar e que objectivos atingir?
Temos de lembrar que neste momento o nosso dever continua a ser dar apoio ao trabalho que lançámos este ano. Estamos também a aguardar respostas de certas entidades da indústria musical para decidirmos os próximos passos.

Playlist 22 de Outubro de 2009


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Entrevista com Fantasy Opus




O power metal já está moribundo mas ainda há boas bandas capazes de elevar o nome do género. Felizmente que uma dessas bandas são nacionais, os Fantasy Opus, que com Beyond Eternity, editado o ano passado, conseguiram impor-se além-fronteiras o que lhes proporcionou a assinatura de um contracto com a Highway 36, editora norte americana. Via Nocturna contactou Marcos Carvalho, provavelmente o principal guitar-hero nacional, para nos ajudar a perceber como está o mundo Fantasy Opus.


Beyond Eternity já foi editado em 2008. Em termos de sonoridade continua a representar fielmente a actualidade dos Fantasu Opus?
Primeiro que tudo, obrigado pelo interesse na banda, é um prazer falar com o Via Nocturna. Respondendo à tua pergunta, a sonoridade da banda mantém-se inalterada. Posso dizer que não planeámos enveredar por uma vertente do metal especifica, mas olhando para o álbum como um todo, creio que a nossa sonoridade conjuga elementos de várias vertentes do metal, desde o heavy tradicional, o Progressivo, o Neoclássico e o Power/Speed metal, por isso, na minha opinião estamos definitivamente no caminho certo e a sonoridade vai-se manter, esperamos que (ainda) mais apurada no próximo álbum.

Entretanto, passaram de quarteto a quinteto com a inclusão de um segundo guitarrista. De que forma é que isso vai alterar o processo de composição e, consequentemente, a sonoridade global da banda?
Eu neste momento continuo a ser o principal compositor na banda. Normalmente levo uma base e depois toda a banda trabalha sobre essa base. A entrada do Cláudio é mais um input e mais uma visão a acrescentar à base, ainda que ele partilhe a estética musical de Fantasy Opus. Havendo mais cabeças a pensar, consideramos que o resultado disso será mais apurado e mais diverso, por exemplo com duelos de guitarra e arranjos mais ousados. Além disso temos também melhores métodos de trabalho no que concerne a arranjos de uma forma geral. Creio que o resultado será muito mais um apuramento das músicas do que uma mudança de género musical.

Recentemente assinaram pela Highway 36, uma editora norte americana. Como decorreu todo o processo e de que forma eles chegaram a vocês (ou vocês a eles)?
Bem, foi um pouco inesperado, para ser sincero, na medida em que andámos à procura de editora durante muito tempo e se é verdade que há uns anos atrás bandas do nosso estilo tinham contratos quase de mão beijada, a verdade é que desse facto resultou numa saturação do mercado com muitas bandas cópias umas das outras que afastou um pouco o público. Por isso, neste momento bandas com o nosso tipo de som estão a ter uma dificuldade acrescida em arranjarem bons contratos e conseguirem exposição. Por isso, sem enviarmos para lá nada, eles contactaram-nos e pediram-nos o álbum. Enviámos o álbum e passado pouco tempo recebemos uma proposta que consideramos ser muito séria e bastante razoável para uma banda que está a começar, como nós.

Sendo que já passou um ano desde a edição de Beyond Eternity vão optar por efectuar um relançamento do álbum na nova editora ou já ponderam a hipótese de editar um novo trabalho? Caso se verifique a reedição, em termos de tracklist será o mesmo? E os temas terão ou não nova roupagem?
A edição que vai ser feita pela Highway 36 é para o Beyond Eternity. Se podemos dizer que o álbum já está razoavelmente difundido pelo underground Nacional, também podemos dizer que para atingir o nível que pretendemos, é absolutamente indispensável ter promoção, exposição e representatividade fora de Portugal. Agora com editora, temos a confiança que podemos extravasar as fronteiras nacionais e contamos com eles para que nos ajudem. O tracklist será definitivamente o mesmo, como disse antes, vamos é tentar promovê-lo lá fora visto que vai ser lançado oficialmente noutros países.

O power metal não tem grande expressão em Portugal. Vocês consideram-se uns outsiders e sentem alguma dificuldade por causa disso?
Para ser sincero, já tivemos situações esporádicas em que os promotores nos disseram abertamente que o vosso som aqui não sai. As coisas são como são e cada um é livre de gostar do que quiser, mas de uma forma geral não nos sentimos excluídos ou mesmo ostracizados como banda. Fomos sempre muito bem tratados e a esmagadora maioria das opiniões que recebemos é francamente positiva, diria mesmo lisonjeadora! De referir que a nossa política também não passa por querermos tocar todos os fins-de-semana. Preferimos tocar muito menos vezes mas ter boas condições para podermos oferecer o melhor espectáculo possível e, regra geral achamos que uma banda de Heavy metal não deve aparecer vezes demais, sob pena de criar saturação para os fans. Respondendo em jeito de conclusão à tua pergunta, não, não sentimos nenhuma dificuldade acrescida por causa disso.

Fizeram, também uma regravação do épico Clash of Titans de 2001. Qual era o objectivo?
Sim, tínhamos uma música que tocamos nos concertos (e que na nossa opinião resulta muito bem), mas que muito pouca gente conhece por não estar no álbum. Então surgiu a hipótese de gravarmos uma faixa com um amigo nosso no leme, neste caso o André Prista e pensámos que fosse perfeito regravá-la com melhores condições do que em 2001, novos membros na banda e muito mais know-how de estúdio do que tínhamos nessa altura. Depois a ideia seria disponibilizar o download desta faixa gratuitamente para ajudar como forma de promoção da banda. Entretanto houve uma série de obstáculos na gravação e tanto quanto sei, está incompleta e parada. Se o resultado final tiver a qualidade que pretendemos, então seguiremos segundo o plano e será disponibilizada gratuitamente, mas não há data para conclusão da mesma.

Por esta altura já deves estar em estúdio a preparar o teu primeiro trabalho a solo. Podes adiantar desde já algo em relação a isso?
Sim, neste momento estou na fase de pré-produção com o produtor Bruno Fingers nos Neon Studios em Alenquer. Estamos a percorrer a pente fino tudo o que compus, todas as notas, riffs, pontos de expressão, para fazermos o melhor album possível. Posso adiantar que será um álbum conceptual, sobre a história de um personagem fictício, em que cada faixa será como que um quadro que ilustra um determinado momento marcante da sua vida. Creio que aqui é que o conceito fica interessante, porque mais do que soar orelhudo, o que eu realmente pretendo é pintar um quadro, mesmo que para isso seja preciso fazer algo soar propositadamente mal.
O baterista será o Bobby Jarzombek, conhecido (entre outras coisas), por ter feito parte do colectivo dos Spastic Ink, uma banda que eu verdadeiramente idolatro e o baixista será o David Santos, um brilhante músico do Hot Club desconhecido pela maior parte do público, mas que, por isso mesmo, tenho a certeza que vai surpreender toda a gente. Não há data de conclusão para o álbum, só estará terminado quando acharmos que está num patamar elevadíssimo.

Quanto a novos temas para Fantasy Opus já algo que possa ser adiantado?
Ainda estamos a tentar determinar uma direcção lírica para o próximo álbum, nomeadamente se será conceptual ou não. Em ambos os casos, temos já uma espinha dorsal para umas 3-4 músicas, que obviamente ainda precisam de muito trabalho. Quando o Beyond Eternity foi composto eu imaginava a métrica das letras e algumas melodias, mas obviamente que trabalhando sem vocalista, existam muitas limitações. Desta vez temos uma vantagem muito importante que é o facto de podermos trabalhar com um vocalista no processo de composição e portanto acrescentar mais algo à música. A única coisa que posso adiantar é que quando sair o segundo álbum de Fantasy Opus (seja quando for), só sairá se acharmos que é melhor que o Beyond Eternity, senão não haverá razão para o pormos cá fora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Review: The Weirding (Astra)

The Weirding (Astra)
(2009, Rise Above)


Se não há dúvidas que o revivalismo está na moda, um dos principais responsáveis por esse movimento serão os Astra. A banda de San Diego apresenta-nos em pleno século XXI um álbum todo ele orientado para as décadas de 60/70 do século passado. Desde o conceito da capa ao visual do colectivo passando pela sonoridade quer ao nível dos instrumentos quer da captação do som. Uma coisa é certa: os Astra devem reivindicar para si o direito de legítimos herdeiros do fantástico legado deixado por nomes como King Crimson, Led Zeppelin, Deep Purple ou até Doors, Yes ou Genesis. Serenos dedilhados acústicos vão-se cruzando com flautas, harpa, mellotron, órgãos Hammond tudo bem conjugado num psicadelismo só possível naqueles anos dourados da música. Com quatro temas acima dos dez minutos os Astra exploram toda uma sonoridade progressiva com longos solos, ambientes estranhos e algum misticismo. Apesar de se poderem enquadrar no campo progressivo, poderá afirmar-se que se acentua mais a vertente da contemplação em detrimento de uma grande complexidade técnica. Se bem que se deva realçar que The Weirding não é um álbum de fácil audição e exigir muitas tentativas até se conseguir captar tudo o que está a acontecer em cada momento. Claramente um dos melhores lançamentos do ano e a banda sonora perfeita para um momento de relaxe após um exaustivo dia de trabalho.
Tracklist:
1. The Rising Of The Black Sun
2. The Weirding
3. Silent Sleep
4. The River Under
5. Ouroboros
6. Broken Glass
7. The Dawning Of Ophiuchus
8. Beyond To Slight The Maze

Line up: Richard Vaughan (guitarra, mellotron, vocais), Conor Riley (mellotron, harpa, guitarra, órgão, sintetizadores), Stuart Sclater (baixo), David Hurley (bacteria, percussão, flauta), Brian Ellis (guitarra)


Website: http://www.astratheband.com/
Myspace:
www.myspace.com/astrasound
Edição: Rise Above (
http://www.riseaboverecords.com/)
Nota VN: 18,0 (5º)

Playlist 15 de Outubro de 2009


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Review: Beyond Eternity (Fantasy Opus)

Beyond Eternity (Fantasy Opus)
(2008, Edição de autor)


Considerando que o power metal não tem grande implantação no nosso país (pelo menos a atender pelo número de bandas praticantes) e considerando, também que este sub-género se encontra em evidente fase de declínio, parece um paradoxo que um dos melhores álbuns dos últimos tempos nesta categoria surja, precisamente, de solo luso. Falamos de Beyond Eternity, o longa-duração de estreia dos lisboetas Fantasy Opus, editado pela própria banda ainda em 2008. Este trabalho mostra como fazer bom power metal sem cair nas lamechices e mariquices que ajudaram a deitar o estilo ao tapete. Rápido, técnico, melódico e épico podem fazer uma breve caracterização do trabalho. Mas muita coisa importante fica por dizer. O colectivo, na altura ainda um quarteto, brilha com grande intensidade em termos técnicos: Pedro Arroja mostra-se um vocalista muito competente quer nos agudos quer nos graves numa prestação que se pode considerar num cruzamento entre Bruce Dickinson e Kai Hansen; Marcos Carvalho, apresenta-se como um dos melhores guitarristas nacionais quer pelos seus fantásticos solos quer na criação de belas e memoráveis harmonias; Nilson Santágueda é um poderoso baixista pleno de groove; Paulo Santos assume-se como um baterista dinâmico, rápido e versátil. Apresentados os elementos, analisemos a sonoridade do colectivo: como já se disse trata-se de um power metal feito como manda a boa tradição dos 80’s nomeadamente Helloween, se bem que em determinados momentos se note uma aproximação aos Iron Maiden. Elementos progressivos também podem ser encontrados na tradicional balada (Higher State Of Mind) ou em The Lament. O épico Warrior’s Call, com seis partes em 4 faixas é uma autêntica obra-prima de metal neo-clássico e só uma banda com capacidade acima da média conseguiria uma introdução tão bela como em The Gathering ou as vocalizações à capella de New Dawn. Os Fantasy Opus acabam de assinar com uma editora norte-americana e bem merecem esta recompensa pois Beyond Eternity pode e deve ser ouvido por todo o mundo!

Tracklist:
1. Mystic Messenger
2. Sacred Trilogy
3. Path Of Destiny
4. Higher State Of Mind
5. Warrior’s Call
I. The Lament
II. Warrior’s Call
III. The Gathering/The Battle/Liberation
IV. New Dawn


Line up: Pedro Arroja (vocais), Marcos Carvalho (guitarras), Nilson Santágueda (baixo), Paulo Santos (bateria)
Website:
www.fantasyopus.net
Myspace: www.myspace.com/fantasyopus
Edição: Autor

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Entrevista com Darkside Of Innocence



Praticantes do denominado Gnostic Metal, os Darkside Of Innocence são uma das mais recentes e promissoras propostas saídas do underground nacional. Para perceber todo o significado de uma banda que tanto aposta na componente musical como temática fomos perceber a origem e motivações desta nova entidade.
A edição deste vosso trabalho esteve envolta em alguma confusão. Primeiro Infernum Liberus EST esteve para ter edição física e, depois acabou por ser apenas digital. Podem explicar, realmente o que aconteceu?
Bem, foi algo bastante precoce mas que simultaneamente achámos necessário para a continuação da nossa evolução enquanto banda. Posso adiantar que sempre idealizámos uma edição para Infernum Liberus EST num formato físico como inclusive fora anunciado previamente, porém estávamos um pouco saturados destes temas e da produção exaustiva que os mesmos tomaram, tanto na sua concepção como na sua finalização (processo de captações, masterização etc etc… que nos tem vindo a acompanhar desde há bastante tempo). Isto porque fomos nós que mantivemos a responsabilidade de produzir o álbum na sua totalidade e isso como deves compreender, depois de tantas mudanças a vários níveis (tanto musicais como de line-up) levaram-nos a uma certa frustração e à simples conclusão que o que seria melhor era partilhar a nossa música com o mundo (e agora mero acaso do destino ou não, não voltaria atrás dado o tremendo sucesso que o álbum tem conseguido em todos os cantos do mundo). E muito sinceramente não ter que contar com essa ideia de meter cá fora CD’s e ter por acréscimo a preocupação de materializar Infernum Liberus EST (pois não tínhamos editora), foi sem dúvida alguma um enorme alívio podendo assim finalmente e consequentemente por mãos ao que temos vindo a imaginar/praticar há bastante tempo e onde estamos já a trabalhar, ou seja num novo registo/mundo que nos irá caracterizar enquanto banda e marcar o nosso legado enquanto Darkside of Innocence praticantes de Gnostic Metal e não enquanto as inúmeras comparações que já nos fizeram: como praticantes de Black, Death, Gótico e por aí fora.


E era vossa intenção uma edição apenas digital?
Sempre foi posta essa possibilidade mas sempre tentámos trazer o disco cá para fora, contudo creio que com o que conseguimos, esse facto acabou por consumar-se o mais viável e favorável, isto muito por culpa das proporções que tomou a viagem de Infernum Liberus EST pela Internet e pelo mundo, tendo chegado felizmente a imensas pessoas.

Vocês apelidam-se de Gnostic Metal. O que significa isso, exactamente?
Gnostic Metal refere-se e relaciona o metal/música à palavra Gnosticismo, que por sua vez é um tipo de sub-cultura e doutrina cristã! Essa mesma sub-cultura visa um tipo de conhecimento interior divino chamado de gnose e é atribuído por uma entidade chamada Sophia! O termo que achámos próprio para descrever os Darkside of Innocence elevando-nos para fora do típico rótulo já existente, reflecte mais a nossa ideologia enquanto banda do que propriamente musicalmente falando, pois são essas as nossas crenças e convicções! Como somos nacionalistas, futuramente esse estereótipo que criámos, fará mais sentido ainda, tanto para a musicalidade/ambiente que empregaremos na música como para o conteúdo lírico, pois a cultura e história portuguesa têm bases fortemente assentes no gnosticismo (ainda que o mesmo seja um tanto ou quanto desconhecido) e nós, com o sucessor de Infernum Liberus EST pretendemos explorar essa cultura e um dos seus grandes mitos de forma intensa.

Sendo que a componente lírica é muito importante para os DOI, há algum conceito subjacente a Infernum Liberus EST?
À partida, Infernum Liberus EST tem um sentido puramente fictício, fantástico e negro mas aborda de uma forma paralela (ainda que não o soubesse na altura em que o comecei a escrever) um conceito apocalíptico que eu possuo, tudo baseado na minha consciência gnóstica. No fundo explica também o nosso nome DARKSIDE OF INNOCENCE e enaltece o lado negro que a inocência pode conter. Esta é a história de uma criança chamada Laila, um poderoso anjo que nasceu em Vália (mundo num universo paralelo onde a história se desenrola) com o propósito de proteger esse mesmo planeta de um vil demónio chamado Aneon, que assombrava Vália há imensas épocas mas que havia sido aprisionado pelos deuses. Aneon acaba por exercer um poder de influência negativa sobre esse anjo, seduzindo-o ao apocalipse total e revelando desta forma o lado negro da sua infeliz inocência.

Sendo uma banda jovem, que objectivos se propõe atingir?
Primariamente compor a música que mais gostamos e que nos preencha mais enquanto artistas e amantes de música em diversas vertentes. Secundária e posteriormente levar a nossa arte e mensagem à maior quantidade de pessoas possível! Enquanto jovens artistas sonhadores, partilhar o que nos satisfaz é sem dúvida bastante aliciante e saber que as pessoas possam sentir a mesma magia que sentimos ao produzir as músicas é ainda mais gratificante.


Acho interessante a vossa preocupação com a imagem, quer a vossa pessoal, quer do vosso myspace. Nota-se profissionalismo. Sentem que esse é o único caminho para se atingirem esses objectivos?
Não creio de modo algum, que a imagem seja a única forma e o único caminho apesar de ajudar à ascensão de um artista, pois maioritariamente causa uma sensação de atracção/impressão; digamos que é um extra que incentiva as pessoas a repararem na música, há apenas que saber deixar a imagem abaixo da mesma. De qualquer das maneiras existem imensas bandas que atingiram o merecido sucesso que não se preocupam com isso e obviamente que ter este aparato todo não tem que ser lei, essa foi sim a nossa escolha para identificar e caracterizar o nosso mundo, a nossa ambiência e para nós nem faria muito sentido não atender a esse tipo de imagem. Obrigado pelas palavras, eu só creio que o profissionalismo não é mais que ter uma personalidade vincada e convicções mais fortes, quando se atinge certa maturidade artística fica-se consciente do que se pretende e creio que foi isso que se passou connosco ao crescermos e amadurecermos enquanto pessoas e músicos, o mesmo ajudando-nos a atingir uma imagem. De notar que pretendemos trabalhar ainda mais esse aspecto, esperamos conseguir isso com a vinda deste próximo álbum.

Musicalmente, dão muita importância à melodia. É uma preocupação constante ou sucede naturalmente?
A nossa principal preocupação é sem duvida a melodia; contudo é algo que sucede e dá lugar naturalmente pois essas são as nossas bases e nunca conseguiríamos digerir algo que não fosse melodicamente apetecível aos nossos ouvidos. Até porque, a nossa visão e conceitos musicais não nos permitiriam sequer fazer outra coisa contrariamente a esse princípio (de momento), pois julgamos que música sem melodia seja ela como for, mais harmoniosa, mais caótica, não é música e isto é claro uma perspectiva.

Para além da melodia, a capacidade de conjugarem dois mundos distintos como a melancolia e a agressividade é uma das vossas características. Como conseguem gerir essa dualidade?
Creio que foi um processo extremamente inato, pouco pensado para dizer a verdade que veio surgindo aos poucos e que conjuga o nosso gosto por escalas/acordes menores, dissonâncias e cromatismos e isso engloba esses 2 aspectos na nossa música que mencionaste.

Não sendo fácil descrever a vossa sonoridade, como é que vocês a descreveriam?
Tenho alguma dificuldade em definir a nossa música. Pessoalmente falando e generalizando, digamos que é um mar de negritudes oscilando muito entre pólos extremos, suaves e agressivos. Um mundo caracterizado acima de tudo pela melancolia, muitas vezes tornando-se demoníaco e em que se vai sendo absorvido fortemente num turbilhão de depressões à medida que se vai viajando no mesmo. Um mundo em grande parte marcado por escalas menores, dissonâncias e cromatismos (como referi) que nos concede um enorme prazer pois somos, essencialmente, pessoas extremamente dadas à concepção da melancolia e das tristezas.

As reacções têm vindo a ser muito positivas. De alguma forma esperavam-nas e como estão a reagir às mesmas?
Sem dúvidas e posso até dizer que estamos imensamente realizados nesse ponto e gradualmente esse êxtase vai crescendo conforme o desenrolar desta pequena aventura que já leva 4 anos e que conta agora com este final feliz para nós! Para ser sincero e apesar das nossas expectativas, nunca esperaria este tipo de recepção que Infernum Liberus EST está a ter, muito menos nestas proporções! Esperemos que isso apenas motive as pessoas a ficarem ansiosas e curiosas com o próximo registo.

Review: Mixed Emotional (Crossfaith)

Mixed Emotional (Crossfaith)
(2009, Edição de Autor)


Quem tem tido a curiosidade de acompanhar a cena açoriana já se deve ter apercebido que, apesar das perfeitamente detectáveis dificuldades que as bandas atravessam fruto da sua insularidade, a qualidade dos produtos provenientes daquele arquipélago tem vindo a crescer. O caminho terá sido desbravado pelos Morbid Death, banda, eventualmente, responsável pelo surgimento de muitos outros colectivos nos mais diversos segmentos do rock/metal que, a pouco e pouco, têm vindo a crescer e a desenvolver sonoridades muito interessantes. Um desses nomes, os Crossfaith, apresenta-se agora ao público com um EP de 6 temas, sendo que um é uma versão para rádio. E o que se pode dizer é que esta estreia prima pela qualidade e pela beleza da meia dezena de temas que navegam numas águas tranquilas do hard rock melódico, sendo que as linhas de piano poderão sugerir alguma influência gótica. Não mais que uma mera referência na sonoridade global do quinteto que assenta numa excelente capacidade de composição, execução e de vocalização. Aliás, em Mixed Emotional nota-se que nada foi deixado ao acaso, nem mesmo os mais ínfimos pormenores. Um apurado trabalho que permite a criação de temas a roçar a perfeição como So Far Yet So Close (o tal tema que tem uma versão para rádio) ou One Way Ticket To, na realidade potencias hits radiofónicos. E mesmo nas faixas mais rockadas verifica-se a existência de um elevado bom gosto na sua construção com muito trabalho técnico, muita melodia e uma enorme sensibilidade. Ricardo Reis revela-se um vocalista de eleição guiando um conjunto de músicos de elevada craveira que em muito contribuem para por em prática todas as boas ideias que surgem da composição. Com o rock/metal açoriano assim entregue, resta-nos esperar por um longa duração capaz de nos saciar completamente.

Tracklist:
1. Give Me A Moment
2. So far Yet So Close (Radio Version)
3. Breath For Me
4. One Way Ticket To
5. Gattes
6. So far Yet So Close


Line up: Ricardo Reis (vocais), Rui Sousa (teclados), Rui Oliveira (bateria), Ricardo Santos (baixo), Francisco Botelho (guitarra)
Website:
www.crossfaithband.com
Myspace: www.myspace.com/crossfaith
Edição: Autor
Nota VN: 17,40 (6º)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Review: Infernum Liberus EST (Darkside Of Innocence)

Infernum Liberus EST (Darkside Of Innocence)
(2009, Edição de Autor)


Épicos, misteriosos, místicos, cinematográficos. Estes são alguns dos adjectivos que se podem utilizar para caracterizar os Darkside Of Innocence que com Infernum Liberus EST se estreiam de uma forma francamente auspiciosa. O álbum relata a história de uma criança chamada Laila, um poderoso anjo que nasceu em Vália com o propósito de proteger esse mesmo planeta de um vil demónio chamado Aneon, que assombrava Vália há imensas épocas mas que havia sido aprisionado pelos deuses. Daqui se infere que a polaridade existente na história (bem/mal, luz/trevas) se transfere para o campo musical com a banda a explorar, de forma muito consistente, a dualidade vocal e de ambiências. Há momentos fortes, rápidos e poderosos e há momentos calmos, sublimes e de uma beleza ímpar. Pelo meio ainda surgem toda uma série de vivências e ambientes que ajudam a elevar este trabalho a um patamar único de diversidade, intensidade e beleza: momentos sinfónicos, momentos progressivos, momentos épicos, variações rítmicas e estilísticas. A dualidade vocal funciona muito bem, com especial destaque em Angel Of Sin com a junção das duas vozes a criar um momento de belíssimo efeito. Tecnicamente também se assiste a um desfilar impressionante de pormenores bem elucidativos da capacidade da banda como facilmente se comprova em, por exemplo, The Eve To A Colder Epoch. Outro momento de singular capacidade criativa é no final de An Impending Commence For Decay (um dos temas mais fortes do álbum, muito próximo de um black metal sinfónico) em que inesperadamente tudo pára ficando apenas a melodia base. Todo este cenário pintado a preto e branco é reforçado com a existência de uma série de interlúdios curtos, essencialmente sinfónicos (excepção para To Bid Valia A Last Farwell, com um intenso, belo e profundo solo de guitarra), com uma carga dramática arrepiante. Uma palavra final para o épico que encerra o álbum de uma forma brilhante: In Nomine Dementia deixa para trás a costela black metal (ou eventualmente, dark/gothic/black metal) que a banda desenvolve ao longo do álbum e embrenha-se de uma forma sofrida e dolorosa num doom metal funéreo muito próximo daquilo que os Desire fazem tão bem. Resta dizer que em todos os momentos, sejam eles mais fortes, mais densos ou menos poderosos há um elemento omnipresente: uma sensibilidade melódica única e deliciosa que realmente transforma Infernum Liberus EST numa obra fundamental da produção metálica nacional.

Tracklist:
1. Inferno
2. Angel Of Sin
3. The Eve To A Colder Epoch
4. Once Upon Havoc And Despair
5. An Impending Commence For Decay
6. To Her Spawn In Full Submission
7. The Chosen Path Led Forth Devastation
8. … Of A Cursed Dawn Eclipsed
9. To Bid Valia A Last Farwell
10. A Howling Hymn For Aneons Awakening
11. Condemned To Bare A Plague Of Aeons
12. Bloody Mistress
13. In Nomine Dementia


Line up: Pedro Remiz (vocais), André Reis (guitarra), Pedro Bandeira (bateria), Paulo Roque (guitarra), João Arcanjo (baixo), Sara Henriques (vocais)
Myspace:
www.myspace.com/darksideofinnocence
Edição: Autor
Nota VN: 17,6 (3º)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Review: Endgame (Megadeth)

Endgame (Megadeth)
(2009, Roadrunner)


Antes de mais é importante assinalar a regularidade com que os Megadeth e Dave Mustaine editam novos trabalhos. Endgame sucede a United Abominations e enquadra-se na fase pós-acidente que quase ia acabando com a carreira artística de um dos maiores génios (para o bem e para o mal!) do metal. E apesar de já ter sido criado debaixo da presidência Obama, parece que as questões políticas continuam a marcar presença no quotidiano literário dos Megadeth. Musicalmente, o quarteto norte-americano não surpreende nem desilude. Igual a si próprio, destila um punhado de temas, quase todos relativamente curtos, rápidos, pesados, verdadeiramente thrashados, à boa maneira megadethiana e com momentos para todos os gostos. Isto é, se em determinados momentos parece que os Megadeth vão regressar, definitivamente, ao seu passado memorável, noutros é à sua fase menos produtiva que vão beber influências. E na ausência de grandes malhas, daquelas imortais que o colectivo já conseguiu escrever, quem sobressai é o trabalho das guitarras, quer ao nível rítmico quer ao nível dos duelos em solos monstruosos! Então o final de 1,320’ é verdadeiramente assombroso! The Hardest Part Of Letting Go… Sealed With A Kiss (mantendo a velha tradição de um titulo com reticências) é a balada (ou semi-balada) do álbum e também ela a recordar os momentos áureos do thrash metal, lá por volta dos anos 80. Trata-se de um momento de pura sensibilidade e muito bem criado estranhamente circundado por um rodopio quase ciclónico de riffs desenfreados. Curiosamente, a partir desta balada, o ritmo abranda até ao final mas acentua-se o peso que chega a atingir proporções claustrofóbicas. Apesar de ser um álbum que agrada fica sempre a sensação que o colectivo fica muito aquém do que já fez.

Tracklist:
1. Dialectic Chaos
2. This Day We Fight!
3. 44 Minutes
4. 1,320’
5. Bite The Hand That Feeds
6. Bodies
7. Endgame
8. The Hardest Part Of Letting Go… Sealed With A Kiss
9. Head Crusher
10. How The Story Ends
11. The Right To Go Insane

Line up: Dave Mustaine (vocais, guitarra), Chris Broderick (Guitarra), James Lomenzo (Baixo), Shawn Drover (Bateria)
Website:
http://www.megadeth.com/
Myspace:
www.myspace.com/megadeth
Edição: Roadrunner (
http://www.roadrunnerrecords.com/)
Nota VN: 15,9 (7º)

Playlist 01 de Outubro de 2009


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Review: Symbiosys (Haven Denied)

Symbiosys (Haven Denied)
(2009, Edição de Autor)

Dois anos após a edição da sua estreia homónima (e três anos após a gravação do mesmo), os bracarenses Haven Denied estão de volta com Symbiosys. E deixei-nos dizer que este trabalho é tudo menos óbvio. Isto porque depois das excelentes reacções que a banda teve com Haven Denied, o mais fácil teria sido procurar repetir a mesma fórmula. Mas não. O quinteto optou pelo caminho mais difícil e complicado: evoluiu. E evoluiu em diversos sentidos. Numas vezes imprimiu mais velocidade (introdução de I’ve Never Been Proud Of Me); noutras aumentou a agressividade (Ruined Inside); em alguns momentos tornou-se mais intimista, introspectivo e até minimalista (Eremita ou Murmures de La Foret); noutros cresceu em termos progressivos (I’ve Never Been Pround Of Me ou Nowhere). No fundo, essa evolução traduziu-se numa alteração enorme da sua sonoridade. Ainda pode ser ouvida, em alguns momentos, aquela sensibilidade que tornou um tema como Therina tão fabuloso ou alguns apontamentos sinfónicos, nomeadamente num tema sensacional como Conquer Your Rights; mas agora a banda ganhou músculo e poderá dizer-se que pratica uma sonoridade plenamente actualizada. Será thrash? Em momentos sim, mas sempre com inúmeras pinceladas de outras coisas, como sejam o hardcore pela postura vocal, em alguns momentos raivosa; ou o progressivo pelas complexas estruturas criadas. A enorme diversidade rítmica e estilista que os temas contêm acabam por dificultar uma caracterização muito fiel da sonoridade dos Haven Denied. E se a isso associarmos a capacidade que a banda demonstra em introduzir ainda outras variantes (diversos elementos acústicos; temas neo-clássicos como Eremita só com guitarra clássica ou Murmures de la Foret, só com piano; apontamentos de blues em Honestly), poderemos ficar com uma ideia da riqueza de Symbiosys. Num tema como Story Of Men, por exemplo, a banda viaja de um tema acústico ao quase-death-metal em alguns segundos e é isto que demonstra que os Haven Denied de hoje, sendo diferentes, mostraram que conseguiram ultrapassar o estigma do segundo álbum. E com distinção.

Tracklist:
1. Intro
2. Ruined Inside
3. I’ve Never Been Proud Of Me
4. Nowhere
5. Eremita
6. Conquer Your Rights
7. Here To Tell
8. Last Chance
9. Honestly
10. Story Of Men
11. Murmures de la Foret

Line up: Luís (vocais), Henrique (guitarra), Simão (baixo), Miguel (guitarra, teclados), Caldas (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/havendenied
Edição: Edição de Autor
Nota VN: 17,30 (5º)