sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Review: October Dawn (Oblique Rain)

October Dawn (Oblique Rain)
(2009, Major Label Industries)


Oriundos do Porto, os Oblique Rain atingem a marca de dois álbuns de originais contando apenas com 5 anos de existência. A justificação para tal facto, não muito comum no panorama metálico nacional, tem só uma palavra: competência. E a todos os níveis: composição, interpretação, vocalizações. O quinteto consegue criar uma manta densa de envolvência negra assente em bases que tanto podem ir beber aos Alice In Chains como aos Dream Theater ou aos Katatonia. O frio e negro ambiente melancólico cruza-se de forma perfeita com os toques progressivos, mas sempre sem perder aquela sensação de estarmos perdidos no meio de um nevoeiro tão denso como cortante. E esta sensação é perfeitamente notável em Inanity onde a parte inicial chega a ser perturbadora. Curioso que, mesmo nos momentos mais calmos, como o inicio de Absent Awry o baixo é de tal forma opressor que mal nos deixa respirar. E por falar em baixo, deixem acrescentar que muita da alma deste colectivo e a condução de toda a musicalidade reside na impressionante capacidade da secção rítmica que para além desse baixo poderoso e sempre a castigar-nos (no bom sentido, obviamente), também conta com um trabalho de bateria verdadeiramente assombroso. Ao nível de composição, é brilhante a forma como os temas se desenvolvem, muitas vezes sem ser no tradicional formato de canção, mas em crescimento, recriando-se e reinventando-se permanentemente. Destaques para Out There, Soul Circles e Absent Awary num álbum com uma produção perfeita e onde o curto tema acústico Dawn e os guturais em Spiral Dreams demonstram toda a versatilidade de uma banda única no nosso cenário.


Tracklist:
1. Soaring Alone
2. Out There
3. Soul Circles
4. Absent Awry
5. Reminiscence
6. Inanity
7. Spiral Dreams
8. Dawn
9. Darker Woods


Line up: Flávio Silva (vocais e guitarra), César Teixeira (guitarra), André Ribeiro (guitarra), Guilherme Lapa (baixo), Daniel Cardoso (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/obliquerain
Edição: Major Label Industries (
http://www.majorlabelindutries.com/)
Nota VN: 17,1 (6º)

Review: Decadence In The Heart Of Man (Coldfear)

Decadence In The Heart Of Man (Coldfear)
(2009, Edição de Autor)

Formados em 2005 em Barcelos, os Coldfear têm demonstrado uma louvável atitude o que lhes tem valido um crescimento seguro mas eficaz. Com a edição, em 2007, da demo What Lies Beneath muita gente ficou atenta ao quinteto. Mas é agora, em 2009, com a edição do EP Decadence In The Heart Of Man que todas as boas indicações se confirmam. Com uma produção poderosa, a banda aposta numa sonoridade thrash/death técnica e melódica onde as harmonias sacadas às 7 cordas estão omnipresentes. Neste particular, o tema-título e The Failure são, quanto a nós, os maiores momentos num trabalho sucinto mas todo ele cheio de intensidade. Nomes como Slayer ou Kreator (na vertente mais thrash) ou a escola de Estocolmo (na vertente mais death) acabam, de uma forma natural, por serem sentidas neste conjunto de 5 temas compactos e onde a banda consegue criar, de facto, momentos que tanto têm de densos e rápidos, como de melódicos e compassados. Em resumo, estes Coldfear são mais uma boa proposta a sair do underground nacional, demonstrando (se é que ainda havia essa necessidade) que o movimento está a viver uma excelente fase. E trata-se de mais um colectivo a acompanhar.

Tracklist:
1. Decadence In The Heart Of Man
2. Creators Of Blinded Evolution
3. The Failure
4. Pull The Trigger
5. Self-Inflicted


Line up: José Martins (vocais), Hugo Serra (guitarras), Pedro Guerreiro (guitarras), Francisco Carvalho (baixo), Bruno Araújo (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/coldfearband
Nota VN: 16,5 (12º)

Playlist 26 de Novembro de 2009


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Entrevista com Bigelf

Cheat The Gallows editado o ano pasado nos Estados Unidos é o quarto álbum de um dos tesouros mais bem guardados do outro lado do Atlântico: os Bigelf. A edição europeia do álbum e o convite por parte de Mike Portnoy (dos Dream Theater) para tocarem na sua Progressive Nation Tour deu-lhes a visibilidade internacional que já mereciam, muito principalmente após a edição deste colosso que é o citado Cheat The Gallows. Ace Mark (guitarrista) revelou-nos um pouco do mundo Bigelf.

Após mais de uma década de existência os Bigelf estão prontos para conquistar a Europa?
Estamos mais que prontos! Temos vindo a tocar na Escandinávia e nos Estados Unidos há já alguns anos e é fantástico regressar e tocar nesses sítios onde as pessoas realmente gostam de rock. Na Progressive Nation nós tocamos em países onde nunca tínhamos estado antes como o Reino Unido, Espanha ou Itália e, obviamente, foi muito bom.

Cheat The Gallows foi editado, nos Estados Unidos o ano passo e só agora chega à Europa via Powerage Records. Esta nova edição é exactamente igual à anterior ou acrescentaram alguns extras?
É excatamente a mesma. Para ambas as edições cortámos alguns temas como Demon Queen Of Spiders, Don´t Blow It e Snake Eyes. O objectivo era que os álbuns ficassem um pouco mais curtos. De qualquer das formas, para os mais curiosos, estes temas estão disponíveis no iTunes. O álbum estava bom, mas estava demasiado longo e achámos melhor retirar alguma coisa.

Actualmente temos assistio a uma onda revivalista. Bigelf são uma das bandas que se inspiram em sonoridades dos anos 60/70. Quais são as vossas principais influências? Os Beatles são muitas vezes citados, mas há outras…
The Beatles, Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Uriah Heep, King Crimson, Pink Floyd estão todos lá. Mas também há algumas bandas que, por diversas razões, nunca foram tão conhecidas como as citadas, tais como: The Move, The Pretty Things, Badfinger, Van Der Graaf Generator, Gracious e por aí fora. Também temos nomes favoritos fora do rock clássico e é essa mistura que faz o nosso som único e não estarmos apenas a fazer cópias do que já fez sucesso há anos atrás.

Como se sentem sendo uma das bandas convidadas para a Progressive Nation Tour?
Sentimo-nos fantásticos! E estamos eternamente agradecidos ao Mike Portnoy por nos ter dado esta oportunidade. Demos 51 concertos na América do Norte e na Europa mais alguns espectáculos na nossa cidade e foi fantástico! Quer na América quer na Europa houve, realmente, um grande espírito de amizade entre todos. Mais parecia um festival de rock sobre rodas que simplesmente quatro bandas a partilhar o mesmo palco. Os Dream Theater foram excelentes anfitriões, fizeram toda a gente sentir-se bem e apreciada. E o público foi espectacular, especialmente em França, Polónia e na Europa do Sul.

Como têm os fãs e a imprensa recebido o vosso trabalho?
Na verdade tem havido uma boa onda para nós durante a Prog Nation Tour. Estava na altura de entrarmos na Europa em cheio, penso que assim é que o rock deve ser. As audiências na tournée foram espectaculares. Aproveito para agradecer a toda a gente que apareceu nos concertos. E preparem-se: estaremos de volta no inicio de 2010!

Com este Cheat The Gallows a vossa bilbiografia conta já com quatro edições. Que diferenças apontas entre este último e os anteriores?
Realmente agora temos quatro álbuns de estúdio: Closer To Doom (1998), Money Machine (2000), Hex (2003) e este Cheat The Gallows que é, definitivamente, o disco melhor produzido e, em geral, mais pensado do que tudo que tenhamos feito antes. Comparando com os dois primeiros álbuns, é, também, o mais temático embora não se possa considerar um álbum conceptual. Musicalmente há uma série de coisas a acontecer: tem doom, rock, pop e glam acrescido do mais estranho e poderoso material progressivo, como o tema final, Counting Sheep, que é o meu favorito. E foi realmente agradável ter experimentado alguns instrumentos adicionais como sopros e cordas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Entrevista com Hell City Glamours

Da longinqua Austrália chega-nos a prova que o rock & roll está bem vivo. Os Hell City Glamours misturam o hard rock dos 70’s com uma agradável postura punk e algum glam. A sua estreia já ocorreu o ano passado, mas só agora a Europa começa a descobrir a potência e vivacidade de uma das mais promissoras bandas provenientes do outro lado do mundo. Via Nocturna, contactou um simpatico Oscar Mcblack (guitarrista e vocalista) que nos esclareceu tudo a respeito deste misterioso glamour da cidade do inferno.

Considerando que os Hell City Glamours (HCG) não são muito conhecidos em Portugal, podes apresentar a banda?
Os Hell City Glamours são compostos Oscar Mcblack (guitarra e voz), Jono Barwick (baixo), Robbie Potts (bateria) e Mo Mayhem (guitarra) e somos uma banda independente de rock & roll oriunda da Austrália. Antes e acima de tudo, somos amantes da música que acredita na nossa música, no nosso som e nas nossas prestações ao vivo. Estamos juntos há sete anos, já fizemos inúmeras tournés pela Austrália, gravámos 3 EP’s e um longa-duração (o mesmo que agora é disponibilizado pela Powerage Records). Este ano fizemos a nossa primeira tour Americana com concertos em Los Angeles, Nova Iorque e o fantastico festival South By South West em Austin, no Texas. Tivemos a oportunidade de ver muitas coisas maravilhosas, compartilhar o palco com muitas bandas importantes e vivemos as melhores experiêcias do mundo.

Hell City Glamours é vosso primeira longa-duração. Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Bom, quando se vai para estúdio nunca se tem a noção em que direcção se irá. Matt Voigt, a nossa escolha para produtor, revelou-se uma bênção na medida em que ele partilha o mesmo amor pela música que nós e tem uma visão similar à nossa no que toca a saber como um álbum de rock & roll deve soar. Ele permitiu que nós nos centrássemos preferencialmente na nossa performance e no nosso feeling, deixando a supervisão para ele.Por isso o disco tem esse som de uma banda a tocar rock & roll , o que, afinal de contas, era o que nós queríamos precisamente

A vossa mistura de hard rock, punk e algum glam é uma opção consciente na altura de escrever as canções?
Todos os membros da banda ouvem muitas coisas diferentes como Janis Joplin, Husker Du, The New York Dolls, Oasis, Tom Waits, The Band and Betty Davis. No entanto, partilham um gosto comum por coisas como Hanoi Rocks, The Rolling Stones, John Lee Hooker, The Hellacopters, Aerosmith dos anos 70, Otis Redding, Jimi Hendrix, Rancid, Ween, Guns and Roses, Sabbath, Zepplin, Thin Lizzy and AC/DC. Acredito que no nosso sub-consciente parte do que ouvimos afecta a forma como tratamos as nossas composições. Agora, as nossas canções são entidades próprias e, quando escrevemos, deixamos que cada uma delas cresça com a sua individualidade e não como cópias de outras.
Depois do que foi dito, será desnecessário perguntar-te quais as vossas principais influências.
Realmente já enumerei muitas delas! Mas a influência é uma coisa engraçada. Por vezes a ouvir os Clash sou levado a pegar numa guitarra e tocar ou escrever alguma coisa, mas duvido que alguém nos possa associar aos Clash.

Em termos liricos, que temas são abordados pelos HCG?
Para mim, as letras têm que se basear em factos reais. Têm que significar algo para mim pois só assim se justifica perder tempo a escrever e… a cantá-las todas as noites. Podemos dizer que as nossas canções não estão cheias de poesias profundas. Eu escrevo sobre frustações, amor, amigos que tenho na minha vida, sobre tudo o que passamos quer como banda quer em termos individuais. Não interssa que falem das minhas letras ou da minha habilidade para escrever. Pelo menos sei que no fim do dia, acredito no que disse.

Hell City Glamours foi originalmente editado na Austrália em 2008 e só agoraa chega à Europa através do selo Powerage. Trata-se da mesma versão publicada o ano passado ou introduziram alguns extras?
A versão da Powerage é ligeiramente diferente (para melhor) porque apresenta melhorias ao nível da capa e inclui o video do primeiro single Josephine. Ambas as versões têm uma faixa secreta chamada Thankyou.

Como tem sido a reacção do público e dos media ao vosso álbum?
Tem sido realmente positivo! Mesmo aqui, na Austrália, os jornais maiores e mais chatos fizeram boas reviews o que acaba por ser engraçado. Não há nada mais assustador que abrir uma revista para ler as primeiras criticas de um álbum que adoras e onde dispendeste tanto tempo… e nada melhor que ver que eles até gostam das canções e do som.

Vocês são bem conhecidos na Austrália. A Europa ainda é um mercado para ser conquistado. Quando vêm cá?
Eu gostaria de vos dizer que nos veriamos em 2010. Veremos como o disco será aceite.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Review: Down To The Bone (Electric Mary)

Down To The Bone (Electric Mary)
(2009, Powerage)


Da longínqua Austrália chega-nos mais um colectivo pleno de atitude positiva, rock & roll e muita, mas mesmo, muita classe. Os Electric Mary são um quinteto que tendo por base o hard rock dos anos 70/80 (D.A.D. ou Motörhead são alguns dos nomes que frequentemente nos vêm à cabeça) não se coíbem nunca de meter a colherada em tudo quanto seja boa música. Num conjunto de temas que variam entre os muito rápidos e os a meio-tempo, os australianos tem tempo para introduzir variações jazzistico-progressivas naquele que é um dos melhores temas do álbum (One In A Million), ritmos thrash megadethianos no trabalho base da guitarra e nos solos em duelo em Sorry; uma piscadela de olho ao alternativo, nomeadamente pela aproximação a uns Tool, em Luv Me, por exemplo, se bem que neste mesmo tema o que surpreende é a base a meio-tempo, compassada e numa linha muito stoner. Com um instrumental variado e com uma qualidade assinalável para álbum de estreia, os Electric Mary conseguem ainda apresentar um notável desempenho ao nível vocal, cortesia de Rusty que com o seu timbre arranhado e bem puxadinho mantém a intensidade em alta. Quando assim é, ficamos bem descansados: o verdadeiro rock & roll está vivo e recomenda-se.


Tracklist:
1. Let Me Out
2. Gasoline And Guns
3. No One Dies It Better Than Me
4. Right Down To The Bone
5. One In A Million
6. Sorry
7. Crashdown
8. Luv Me
9. One Foot In The Grave
10. Do Me (Long Way From Home)
11. Spread The Electric Luv
12. All Comin Down
13. Busted


Line up: Rusty (vocais), Venom (bateria), Irwin (guitarras), Pete (guitarras), Neilo (baixo)
Myspace:
www.myspace.com/electricmary
Website:
http://www.electricmary.com/

Edição: Powerage Records
Nota VN: 16,10 (9º)

Review: Unleash The Deceased (Behead The Dead)

Unleash The Deceased (Behead The Dead)
(2009, Edição de Autor)


Ainda há bem pouco tempo nos referíamos, a propósito dos Skewer, que o trio era um formato não muito habitual em Portugal. Pois bem, para nos contrariar, de repente vieram os Assassinner e agora os Behead The Dead. Este último nome que aqui nos traz apresenta desde logo duas curiosidades: (i) são de Oeiras mas não têm nenhum elemento português; (ii) não tem baixista. Postas estas considerações falemos da música. Este EP de cinto temas mais uma curta intro (curiosamente – afinal havia outra curiosidade – com o título do seu EP de estreia) que se pode considerar de thrash ou death metal mas sempre na sua vertente mais progressiva e, diriamos mesmo, progressista. A banda consegue criar tantos cenários diferentes ao mesmo tempo que chega a parecer impossível que só sejam três elementos. Também o vocalista revisita diversos registos desde o mais gritado ao mais gutural. O facto de não terem baixista (excepção para as duas partes de Incense onde um músico convidado, Vasco Abreu, assume esse papel) leva a que guitarrista e baterista se desmultipliquem em predicados técnicos só ao alcance de alguns. E é isso, precisamente, que leva a que os temas de Unleash The Deceased sejam extremamente apelativos em termos técnicos. No entanto a coesão entre os membros nem sempre parece ser a melhor, muito provavelmente fruto de alguns contratempos que a banda tem sofrido ultimamente. E mesmo que alguma repetição se possa notar em alguns momentos, Unleash The Deceased assume-se como um dos melhores lançamentos do ano no seu segmento e os Behead The Dead como uma banda a acompanhar com atenção.


Tracklist:
1. An Absconding Recluse
2. Stones To Throw (Awaken)
3. Megalomaniac
4. Entertain Broken Souls
5. Incense Pt. 1: Demons Within
6. Incense Pt. 2: Lethal Dispatch


Line up: Matthew Jozsef (vocais), Adam Kirchberger (bateria), Jeremy Pringsheim (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/beheadthedeadband
Website:
http://www.beheadthedead.com/
Nota VN: 16,2 (11º)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Review: New Device (New Device)

New Device (New Device)
(2009, Powerage)


Com apenas dois anos de existência (formaram-se em Londres em 2007), os New Device chegam já ao seu primeiro registo em formato profissional. Tal rapidez pode induzir que o quinteto pratique uma sonoridade da moda, mas nem é o caso. A independente britânica Powerage Records que tem apostado em publicar artistas numa onde mais revivalista dentro do verdadeiro espírito hard-rockeiro (como por exemplo os aqui recentemente referenciados Hell City Glamours). E é bom, quando olhamos à nossa volta e parece que o que importa é ser cada vez mais extremo, surgirem bandas assim que nos relembram como o bom rock’n'roll pode funcionar como uma libertação de sensações negras. E é isso que os New Device nos trazem: ritmo, alegria, melodia, grandes malhas e grandes refrãos para serem gritados a plenos pulmões em qualquer concerto. Quer isto dizer que os londrinos também não inventam nada. A sua sonoridade vai beber nos grandes nomes do hard rock do passado, com os Guns n’ Roses à cabeça mas sem esquecer outros ilustres como Warrant ou Motley Crue. A atitude glam, embora menos acentuada (os tempos são claramente outros) também está presente. Dito isto importa referenciar que o seu trabalho homónimo é um trabalho dentro da linha que foi referenciada. O colectivo mostra-se certinho, toca temas agradáveis e apelativos, mas arrisca pouco e é esse, precisamente, o problema. Com o decorrer das audições começamos a ficar um pouco saturados face à repetição da mesma fórmula. Ainda assim, em Heaven Knows a banda consegue imprimir algo de novo na sua forma de estruturar os temas e até nem se sai mal. No entanto, ninguém poderá por em causa a qualidade e a vivacidade de temas como On Fire, Pedal To The Metal ou Moth To The Flame, verdadeiros e genuínos hinos hard rock.


Tracklist:
1. Make My Day
2. Never Say Never
3. You've Got It Comin'
4. In The Fading Light
5. On Fire
6. Pedal To The Metal
7. Until The End
8. Moth To The Flame
9. Seven Nights, Seven Bodies
10. Heaven Knows
11. Hope Is Not Enough
12. No One Does It Better Than Me

Line up: Daniel Leigh (vocais), Phil Kinman (guitarra solo), Robb Wybrow (guitarra ritmo/vocais), Andy Saxton (baixo), Rozzy Ison (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/newdevice
Edição:
Powerage Records
Nota VN: 14,5 (18º)

Playlist 12 de Novembro de 2009




terça-feira, 10 de novembro de 2009

Entrevista com The Godspeed Society

Os The Godspeed Society são uma nova e intrigante entidade musical lusa que reúne antigos elementos dos Sarcastic. A associação entre a música e a representação teatral é o seu objectivo na criação de Killing Tale, uma história de arrepiar. O álbum só deverá estar pronto em 2010, mas 2 temas já podem ser ouvidos no seu myspace. Via Nocturna quis conhecer melhor este colectivo e aqui fica o registo.

Como surgiu a ideia de criar os The Godspeed Society?
A ideia surge, de uma troca de ideias entre amigos, que com a experiência que tinham, procuravam algo onde conseguissem encaixar todas as suas influências, que iam além, do universo músical, como o cinema, a literatura ou mesmo a banda-desenhada.

Como descreveriam a vossa sonoridade?
Começo por dizer, que não sou adepto de rotúlos. Por vezes, os rotúlos restringem a criatividade das bandas, levando-as em direções não desejadas, mas a sonoridade deste projecto, flutua algures entre o rock , o blues e o jazz.

O facto de terem elementos com créditos firmados no panorama musical nacional, poderá de alguma influenciar a implantação dos TGS?
É concerteza uma forma mais rápida de ter atenção, mas não será por si só suficiente, para fazer o projecto crescer e ter notoridade. É fundamental a aceitação por parte do público.

Como surgem, no vossa sonoridade, os elementos acordeão e saxofone?
Foi um processo natural de composição, a determinada altura, percebemos que queremos ter este tipo de sonoridade, que vem exactamente ao encontro daquilo que procuramos enquanto músicos. Queremos acrescentar sonoridades habitalmente usadas noutros estilos e mostra-las com uma nova roupagem.

Expliquem-me o conceito da produção Killing Tale
O que posso adiantar para já, é que o projecto anda em torno de um conto, escrito propositadamente para este efeito, que será editado juntamente com o registo músical e que as apresentações ao vivo estarão mais perto de uma peça de teatro, que propriamente de um concerto. Queremos que, quem venha aos nossos espectáculos, tenha uma experiencia, diferente.
Ainda estão à procura de vocalistas femininas para o vosso projecto? Têm aparecido muitas candidatas?
Felizmente têm aparecido algumas..., mas ainda estamos à procura. Também aqui, procuramos uma voz singular, com um registo mais grave. Se houver interessadas a residir na zona de Lisboa, dispostas a fazer uma audição, contactem o mail da banda:
thegodspeedsociety@gmail.com

A atender pela sonoridade presente nos temas disponíveis no vosso myspace, poderá dizer-se que sofrem algumas influências de bandas como os Diablo Swing Orchestra. Concordam ou nem por isso?
Confesso, que só fiquei a conhecer a banda depois das ditas comparações, feitas na revista Loud!. Consigo estabelecer alguns paralelos, mas de forma alguma influência. Os D:S:O, vão beber mais à fonte clássica e ópera.

Definem-se como uma história de arrepiar num registo musical. Porquê?
Essa definição foi atribuida, por um jornalista que nos fez uma entrevista e que iniciou a peça com esse título. Sendo que vamos transportar para o palco todo o conceito da história, não nos limitaremos a tocar as músicas que a compõe, a representação estará muito presente nos nossos espectáculos.

Acho muito curiosa a vossa postura em termos visuais. Acredito que tenham em mente também a representação de diversos tipos de personagens, não?
Cada elemento do projecto é um personagem, que faz parte integrante da vida de Bloody City, a cidade onde decorre toda a trama. Esses personagens têm uma identidade própria, que irá transparecer depois nos espectáculos.

Tem consciência que a conjugação da vossa musicalidade com a vossa imagem representa uma inovação no panorama musical português? De que forma é que sentem isso?
É curioso, que a primeira manifestação de agrado de alguém quando nos conhece é exactamente essa ainda antes de ouvirem a música ou saberem sequer que existe um conto. Uma vez que estamos a representar, adicionamos ao papel de músico, o de actor. Temos noção que no momento em que nos demos a conhecer no Myspace, a escalada de visitas foi extraordinária e que o principal motivo é a nossa imagem. Por vezes as bandas descuram a imagem, mas este é um dos pontos fulcrais para um projecto ser bem sucedido ou não.

Em termos de edições, para quando o primeiro álbum?
Se tudo correr como esperamos, será no primeiro semestre de 2010.

E em termos líricos, que temas se propõe os TGS abordar?
Neste primeiro registo, as letras são como que sinópses, dos capítulos que compõem a história e falam de amor, ódio e essencialmente vingança. O conto é bastante negro, com litros de sangue e as letras acompanham com a mesma intensidade.

A terminar, quais os principais projectos a mais breve trecho?
Para já estamos a gravar, o video do primeiro single, Dark River e a montar todo o espectáculo, que como devem imaginar é uma tarefa enorme, de forma a podermos fazer a apresentação oficial ao público, no início do próximo ano.


sábado, 7 de novembro de 2009

Review: Cheat The Gallows (Bigelf)

Cheat The Gallows (Bigelf)
(2009, Powerage)


Apesar de já andarem nisto há 13 anos, os Bigelf não são propriamente muito conhecidos no continente europeu. Mas a situação vai de certeza mudar com a edição, por parte da britânica Powerage Records, deste seu terceiro longa-duração, Cheat The Gallows, que foi originalmente editado em 2008 nos Estados Unidos. O quarteto de Los Angeles encarna na perfeição (juntamente com os Astra, por exemplo, recentemente aqui comentados) o espírito revivalista que actualmente se vive rebuscando no baú das memórias momentos memoráveis e adicionando-lhe (neste caso ao contrário dos Astra) particularidades, principalmente ao nível da produção, perfeitamente actuais. O que aqui se ouve é progressivo no mais puro do termo. Mas um progressivo assente em nomes como Deep Purpel ou Black Sabbath, se bem que os Bigelf disparem em todas as direcções no que diz respeito a grandes nomes do passado, onde nem sequer uns Beatles, Pink Floyd ou Creedence Clearwater Revival são esquecidos. Mas há ainda outro nome que, a espaços, nos vem à memória: Queen. E essa associação está muito presente no fantástico Counting Sheep, o mais longo tema do álbum e que o fecha de forma brilhante e onde os arranjos vocais, qual uma opereta, são arriscados mas resultam em pleno. Antes ainda, mellotrons, hammonds e metais ajudam a dar um espírito retro mais acentuado e a aumentar a grandiosidade e sumptuosidade de Cheat The Gallows que em temas como Blackball, Money, It´s Pure Evil, The Evils Of Rock & Roll ou Race With Time roça, simplesmente a perfeição.

Tracklist:
1. Gravest Show On Earth
2. Blackball
3. Money, It’s Pure Evil
4. The Evils Of Rock & Roll
5. No Parachute
6. The Game
7. Superstar
8. Race With Time
9. Hydra
10. Counting Sheep

Line up: Damon Fox (vocais e teclados)), Ace Mark (guitarras), Duffy Snowhill (baixo), Froth (bateria)

Myspace:
www.myspace.com/bigelf
Website:
http://www.bigelf.com/
Edição: Powerage Records (
http://www.poweragerecords.com/)
Nota VN: 18,6 (3º)

Review: Hell City Glamours (Hell City Glamours)

Hell City Glamours (Hell City Glamours)
(2009, Powerage)


Oriundos da Austrália surgem-nos os Hell City Glamours que se estreiam, de uma forma francamente positiva, para o selo Powerage com o seu álbum homónimo. Desde o inicio que somos levados por uma intensa viagem de puro rock’n’roll bem batido, bem ritmado e completamente descomprometido. De facto, há já algum tempo que não ouvíamos uma banda que soasse tão fresca e, simultaneamente, tão intensa como estes Hell City Glamours. Ainda por cima porque conseguem adicionar à sua costela de hard rock mais tradicional uma atitude directa que os coloca próximo do punk. Num conjunto de temas curtos e muito crus e directos, a banda australiana consegue, ainda, injectar uma alegria ímpar e algumas melodias verdadeiramente orelhudas. Alguns solos de bela craveira, um baixo denso e uma voz a rasgar completam o conjunto de predicados de um álbum simples e sem artificialismos mas tremendamente eficaz. One Night Only, Back To You, Josephine (com uma roupagem quase country), Right My Wrongs e Worst Kind Man são temas que prometem causar muita animação nas apresentações ao vivo do colectivo e que não deixam ninguém indiferente à sua alegria contagiante.

Tracklist:
1. One Night Only
2. Back To You
3. Josephine
4. Flying Away
5. High Brow
6. Ready To Fall
7. Right My Wrongs
8. The Money
9. I’m Not Here
10. Worst Kinda Man
11. In The Cold
12. No Love
13. Thankyou


Line up: Oscar McBlack (vocais, guitarra), Mo Mayhem (guitarra), Robbie Potts (bateria), Jonny (Baixo)

Myspace:
www.myspace.com/hellcityglamours
Website:
http://www.hellcityglamours.com/
Edição: Powerage Records (
http://www.poweragerecords.com/)
Nota VN: 15,8 (14º)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com Assassinner

Do Porto chega-nos mais um colectivo que se estreou em nome individual em 2008. A qualidade do seu som chegou à Poison Tree Records que agora disponibiliza o trabalho Other Theories Of Crime em formato digital para todo o mundo. Estas são, por isso, razões mais que suficientes para irmos conhecer melhor os Assassinner pela voz do seu guitarrista e vocalista Ary Elias da Costa.
Ao consultar o vosso myspace nota-se uma ponte entre os Assassinner de hoje e os Crackdown da década de 90. Pode-se considerar os Assassinner como uma nova reencarnação dos Crackdown?
Não será exactamente uma nova reencarnação, dado que apenas metade dos elementos que fizeram parte dos Crackdown são agora o power trio que dá pelo nome ASSASSINNER. Não renegando os pontos de confluência entre os dois projectos, há que vincar que muito tempo passou, quase uma década. E durante esse período, naturalmente que crescemos como pessoas, consolidamos, ainda mais, a nossa personalidade e objectivos. Musicalmente os nossos horizontes e estilo não só se alargaram como também se tornaram mais evidenciados. Não obstante os ASSASSINNER terem uma identidade própria e distinta, penso que estaremos mais próximos daquilo que fizemos em Crackdown que em Str@in.


Other Theories Of Crime teve edição física em 2008 e agora foi editado digitalmente pela vossa Editora, a Poison Tree Records. Há alguma alteração entre a nova e anterior edição?
Ambas as edições disponibilizam os 3 temas gravados. As alterações prendem-se com o facto de, através da Poison Tree Records ser possível adquirir os temas individualmente. No que concerne à edição física, urge acentuar que a mesma é disponibilizada gratuitamente pela banda, conta com um layout apelativo e contém, para além da parte áudio, o nosso promo-pack, que inclui logo, biografia em português e inglês e, ainda, fotos promocionais.

A edição a que Via Nocturna teve acesso (a física) apresenta apenas três temas. São eles o espelho fiel da sonoridade Assassinner?
São o espelho da sonoridade dos ASSASSINNER em Setembro/Outubro de 2008, data em que os gravamos. À medida que o tempo passa, vamo-nos sentindo cada vez mais confortáveis neste projecto em que somos apenas 3 e acumulamos mais que uma função. Note-se que o Xene já não se encarregava das vozes há cerca de 15 anos e eu nunca o tinha feito anteriormente
. Temos tocado novos temas ao vivo e as pessoas são unânimes ao considerá-los mais consistentes e inovadores.

De que forma é que chegaram à Poison Tree Records?
A Poison Tree ouviu os temas disponibilizados no myspace, gostou do nosso trabalho e fez uma primeira abordagem no sentido de aferir o nosso interesse e disponibilidade quanto à outorga de um contrato de edição e distribuição digital mundial dos temas. Após negociação e análise dos termos contratuais, a efectivação do vínculo com a editora Californiana, que alberga no seu catálogo nomes como o ex-Queens of Stone Age Nick Oliveri e os seus Mondo Generator, Fu Manchu, Dwarves, entre outros, afigurou-se-nos como o trampolim ideal à divulgação do nosso trabalho além fronteiras.

No que diz respeito ao EP, a ideia que fica é um grande trabalho de composição e execução. Torna-se difícil considerando que os Assassinner são apenas um trio?
O facto de nos conhecermos há muito tempo e existir uma química muito grande entre os 3 facilitou muito as coisas. Agora não podemos negar que o acumular de funções que referimos anteriormente e o facto de termos apenas uma guitarra se consubstanciou num desafio aliciante não só quanto à composição, mas também no que concerne às actuações ao vivo. Tivemos que fazer mais com menos, mas o resultado foi deveras gratificante, tendo recompensado todo o esforço. A partilha das vocalizações e linhas de baixo autonomizadas das de guitarra, assumindo um papel mais preponderante que o habitual neste tipo de sonoridades, tornaram-se uma mais-valia e dotaram o nosso som de um cunho muito pessoal e distintivo.

As vossas influências cruzam o thrash com o hardcore mas conseguem manter-se afastados dos clichés do metalcore e outras coisas do género. De que forma é conseguem essa individualidade?
Talvez porque nenhum de nós ouve Metalcore [risos]. A nossa playlist não se resume ao Metal ou Hard Core. Ouvimos de tudo um pouco e isso acaba por influenciar o nosso trabalho. Apenas referimos esses dois estilos porque as pessoas gostam de catalogar as bandas e estes são aqueles com os quais sentimos mais afinidades. Mas, sublinhe-se, não nos resumimos a eles. Acresce que, mais do que com sub-géneros de música pesada, identificamo-nos com bandas e atitudes. E nesse aspecto continuamos a seguir e a valorar os clássicos, que inovaram e conseguiram manter uma sonoridade e identidade próprias. Aliás, actualmente poucas são os novos projectos que nos despertam interesse. Talvez por, não raras vezes, enveredarem pelo caminho fácil do seguidismo e cópia barata dos precursores do estilo que está em alta nesse mês.

Um dos vossos pontos fortes são as prestações ao vivo. Podes descrever, sinteticamente, que adjectivos caracterizam a vossa postura em palco?
ASSASSINNER
é o projecto que nos define, o som que gostamos e queremos fazer. E quando tocamos ao vivo essa paixão transparece para o público e contagia-o. A entrega total e a prestação em palco de todos os elementos também contribuem para propagação do caos na plateia. Outro factor que considero ser basilar do sucesso dos nossos concertos prende-se com o facto de sermos um power trio, que se apresenta em palco com uma disposição triangular, que difere das outras bandas e privilegia o espectáculo. Mais, a diversidade musical espelhada na individualidade de cada um dos nossos temas determina, invariavelmente, uma actuação com vários pontos altos e de interesse, nunca caindo na vil monotonia sonora e/ou rítmica, que satura o ouvinte ou espectador. Tocamos temas rápidos e agressivos que privilegiam o mosh, que intercalamos com outros com mais groove e balanço que incentivam ao headbanging e é essa variedade que impele as pessoas a entrar e permanecer no nosso jogo, sem qualquer risco de saturação.

Em termos líricos, qual (ou quais) os conceitos abordados em Other Theories Of Crime?
O conceito que esteve na sua génese foi o de retratar duas faces da mesma moeda. No caso concreto o reflectir sobre duas conotações diferentes da mesma realidade, a sociopolítica e a religiosa, espelhadas no próprio nome ASSASSINNER, que interliga ambas: Assassin (Assassino) e Sinner (Pecador). O rebater de toda uma estrutura de valores assente em grande parte na moral cristã, afogada nas suas contradições e decadências, cuja estrutura pode oprimir o Homem em todas as suas dimensões, gerando, forçosamente, violência. Este foi o ponto de inspiração e partida, mas ced
o extravasamos esses limites (parece que barreiras estanques não são connosco [risos]) e começamos a abordar estes e outros assuntos de uma forma mais pessoal. Acima de tudo o que fizemos e continuamos a fazer é exprimir o que sentimos através da música que compomos e letras que escrevemos, expurgando os nossos demónios pessoais e aniquilando os nossos ódios de estimação.

Em termos de futuro, que projectos têm em mente para os próximos tempos?
Estamos a ultimar a promoção da Other Theories of Crime, que foi apresentada há precisamente um ano atrás. As actuações ao vivo serão reduzidas e mais criteriosas, de forma a concentrar as nossas energias na composição de novos temas a integrarem o nosso primeiro álbum. Se tudo correr como planeado, a sua gravação terá lugar no primeiro semestre de 2010.

Review: Other Theories Of Crime (Assassinner)

Other Theories Of Crime (Assassinner)
(2008, Edição de Autor)



Antes de mais convém assinalar que três temas são manifestamente insuficientes para se poder analisar uma banda. Os Assassinner apresentam assim, Other Theories Of Crime como um cartão-de-visita. Cartão-de-visita este que foi editado pela própria banda no ano passado mas que já teve uma reedição digital pela norte-americana Poison Tree Records. A versão que nos chegou foi a primeira e é essa que aqui, por ora, analisaremos. Importa, também, salientar que os elementos da banda portuense já têm um know-how acumulado em outros colectivos (alguns com alguma notoriedade como os Crackdown) que lhes permite saber que terrenos pisar. E isso nota-se nos três temas que compõe este EP. Salta à vista principalmente o profissionalismo e a capacidade da banda em ponderar e trabalhar cada pormenor. A entrada de No Further Questions, por exemplo, num crescendo de intensidade e agressividade vocal acompanhada por uma linha de baixo devastadora comprovam isso. Mas mais que comprovar, deixam logo bem claro que tipo de material iremos escutar. X-treme music for X-treme people é o lema do trio nortenho. E embora a sonoridade da banda se aproxime realmente de sons extremos é perfeitamente audível e com uma técnica demasiado apurada para se limitar a uma descrição tão simplista como extremo. E se vocalmente os Assassinner acabam por não se destacar muito da miríade de colectivos que bebem influências thrash metal e as cruzam com hardcore ou com metal moderno (como preferirem), já o mesmo não se pode dizer da componente instrumental. Esta é, de facto, intensa, plena de brilhantes harmonias, dinâmica, em suma de uma inteligência deliciosa na sua estruturação. E é pena que este trabalho acabe tão depressa pois a vontade de ouvir mais cresce a cada nota e a cada acorde que sai das colunas. Por isso, ficamos, ansiosamente, à espera de algo mais volumoso. Até lá vamos gastando este CD com audições sucessivas.

Tracklist:
1. No Further Questions
2. I Against All
3. Dream Murder Song



Line up: Alexandre Santos (vocais, baixo); Ary Elias da Costa (guitarras, vocais); Raulzão Cruz (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/assassinner

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Review: Number 7 (Phideaux)

Number 7 (Phideaux)
(2009, Bloodfish)

Nada mais apropriado que chamar ao sétimo álbum de originais Number 7. No entanto, a falta de originalidade do Sr. Phideaux Xavier fica só por aqui porque em termos musicais dá cartas. Number 7 divide-se em três grandes partes, cada uma composta por diversos temas mais ou menos interligados. Ao longo de mais de uma hora que dura esta extraordinária viagem, somos confrontados com inúmeras paisagens sonoras deslumbrantes. Desde logo o conjunto de vocalistas com prestações soberbas. Depois todos os belíssimos apontamentos de piano e guitarra acústica. Finalmente a presença marcante, embora subtil, de violinos e saxofone. Na primeira parte está-se muito próximo de estruturas jazz, com uma base comum que, periodicamente se vai repetindo nos vários temas. A aproximação a uns Dream Theater (nos seus momentos mais tranquilos) e muito principalmente a Neal Morse deixa antever que a base musical deste colectivo é o rock/metal progressivo. Mas Phideaux consegue incorporar outras vivências: o rock sinfónico de uns Moody Blues, Barclay James Harvest ou Yes surgem na mais contemplativa e intimista das partes, a segunda. Também o psicadelismo de uns Pink Floyd surge espalhado em alguns momentosa bem como o experimentalismo científico de Ayreon (claramente em The Search For Terrestrial Life). O fantástico de tudo é que Phideaux Xavier consegue misturar de tal forma estas influências que não chega nunca a parecer uma cópia de nenhuma delas. Ouçam, por exemplo, The Claws Of A Crayfish e descubram quantas músicas diferentes poderia de lá ser feitas, tal é a diversidade rítmica, melódica e estrutural. Experimentem esta viagem sonora e deixem-se deliciar com um dos mais belos álbuns do ano. Simplesmente fantástico!
Tracklist:

ONE: DORMOUSE ENSNARED
1. Dormouse - A Theme
2. Waiting For The Axe To Fall
3. Hive Mind
4. The Claws Of A Crayfish
5. My Sleeping Slave

TWO: DORMOUSE ESCAPES
6. Darkness At Noon
7. Prequiem
8. Gift Of The Flame
9. Interview With A Dormouse
10. Thermonuclear Cheese
11. The Search For Terrestrial Life
12. A Fistful Of Fortitude

THREE: DORMOUSE ENLIGHTENED
13. Love Theme From "Number Seven"
14. Storia Senti
15. Infinite Supply
16. Dormouse - An End

Line up: Ariel Farber (vocais, violino), Valerie Gracious (vocais), Rich Hutchins (bateria), Mathew Kennedy (baixo), Gabriel Moffat (guitarra), Linda Ruttan Moldawsky (vocais), Molly Ruttan (vocais, percussão), Mark Sherkus (teclados), Johnny Unicorn (teclados, saxofone, vocais), Phideaux Xavier (piano, guitarra acústica, vocais)

Edição: Bloodfish (http://www.bloodfish.com/)
Nota VN: 19,0 (1º)

domingo, 1 de novembro de 2009

Entrevista com Revolution Within

Prova mais que evidente que o underground nacional está a atravessar um dos melhores momentos de sempre é a quantidade de edições de elevado nível que nos chegam bem como a sua distribuição geográfica. Os Revolution Within são oriundos do distrito de Aveiro e com Collision assinam uma estreia francamente auspiciosa. A este propósito fomos conversar com o vocalista Raça.
Com apenas quatro anos de existência chegam ao primeiro disco. Esperavam, de alguma forma, que o vosso trabalho desse frutos tão cedo?
Estamos bastante satisfeitos com o que conseguimos produzir ao longo destes quatro anos, contudo, e por estranho que possa parecer, sabemos que seria possível ter feito ainda mais, independentemente dos diversos problemas com que tivemos que nos deparar ao longo do tempo. Tivemos imensos momentos memoráveis mas também tivemos alguns dissabores, o que nos tornou ainda mais fortes e nos deu motivação adicional para continuar a ultrapassar os obstáculos que nos foram surgindo pela frente. Posso afirmar, sem qualquer dúvida, que o nosso álbum de estreia Collision retrata fielmente aquilo que nós somos, tudo o que nos aconteceu assim como o nosso estado de espírito em determinados momentos.

Estão, então, plenamente satisfeitos com o resultado final?
Estamos bastante satisfeitos com o resultado final, sem dúvida. O processo de gravação foi bastante demorado pois deparámo-nos com alguns obstáculos pelo caminho, mas no fim o balanço é claramente positivo. Tenho a certeza que em situações futuras estaremos melhor preparados e as coisas acontecerão mais naturalmente e de forma mais célere.

Actualmente assiste-se a uma onda revivalista do thrash. Considerando que vocês têm raízes neste estilo, pensam que poderão tirar algum benefício disso?
Em parte, sim. Mas sou de opinião que não podemos pensar que só por esse facto a nossa banda será reconhecida. Temos que ser nós a mostrar serviço e isso só se consegue com muito trabalho e dedicação. Sempre continuarei a acreditar que as nossas actuações ao vivo serão o nosso melhor cartão de visita.

No entanto, para além do thrash tradicional, vocês adicionam um pouco de metal moderno. É uma forma consciente de criação da vossa sonoridade?
Quando a banda surgiu nunca foi nossa intenção enveredar por um estilo definido. Muito menos colarmo-nos a determinada sonoridade. Mesmo não sendo uma banda inovadora tentamos soar diferente das outras bandas, ter uma identidade própria. As nossas músicas foram surgindo com alguma naturalidade e a dada altura rotularam-nos como sendo uma banda de thrash metal moderno. Sinceramente isso nunca nos preocupou... A única coisa que realmente nos interessa é fazer boas malhas de metal, que nos agrade a nós e a quem nos quiser ouvir.

A Rastilho tem apostado em alguns nomes de peso. Vocês são, digamos, a última aposta. Como se vêm no meio de nomes que já alcançaram alguma notoriedade?
Sentimo-nos uns privilegiados por poder estar ligados à Rastilho pois esta editora é, na minha modesta opinião, uma das melhores editoras nacionais. Além disso trabalha com grandes bandas de metal, o que nos deixa bastante orgulhosos. A Rastilho foi sempre a nossa primeira escolha e tivemos a sorte de o Pedro ter apostado em nós. O Pedro é uma pessoa honesta, correcta e dedicada e quem tem essas qualidades obviamente merece ser bem sucedida. De nossa parte tudo faremos para não o defraudar.

Em termos líricos, que abordagens são feitas em Collision?
Como já disse atrás, o disco retrata a nossa personalidade pelo que fala essencialmente de situações por nós vividas, por estados de espírito. No disco também abordamos situações reais, como por exemplo a guerra que não leva a lado nenhum, a inveja e o egoísmo que fazem parte do nosso dia a dia, as relações mal sucedidas, as frustrações e confrontos pessoais, entre outras. Julgo que quem se debruçar sobre o conteúdo lírico certamente se vai rever na maior parte do que é dito. O mundo é precisamente isso, uma constante colisão...

E em termos de composição, como se processam as coisas no seio dos Revolution Within?
O processo de composição passa forçosamente por todos os elementos da banda sendo que, naturalmente, o esqueleto principal da música fica a cargo dos dois guitarristas e do baixista. É um deles que leva para o nosso local de ensaio o primeiro esboço e a partir daí, com a colaboração de todos, a musica começa a ganhar forma. Quanto às letras, estas são criadas essencialmente por mim e por um dos guitarristas, mas obviamente pode haver opinião de qualquer outro elemento da banda.

Os Revolution Within já compartilharam o palco com alguns nomes importantes da cena internacional, como Dew-Scented ou Avulsed. Que mais-valias retiraram dessas experiências?
Foi excelente ter partilhado o palco com algumas bandas estrangeiras já com algum nome na Europa. Além de ser prestigiante para nós também nos dá mais currículo. A principal mais-valia de tocar com bandas estrangeiras prende-se com o faço de podermos aprender imenso. Os Dew-Scented, por exemplo, mostraram ser grandes músicos mas acima de tudo excelentes pessoas, mostrando até uma humildade que me deixou deveras impressionado. Ou seja, aprendi que é possível sermos bem sucedidos sem termos que mudar a nossa forma de ser. Isso deixa-me muito satisfeito. Por outro lado julgo que o facto de participarmos em bons festivais e tocarmos com bandas estrangeiras com renome nos dá sempre uma maior visibilidade bem como faz aumentar a responsabilidade e motivação. Sentimos que as pessoas não olham para nós como sendo apenas mais uma banda de metal. Estarão sempre à espera de mais. Isso constitui um grande desafio para nós.

E no que diz respeito às reacções do público e imprensa a Collision? Como está a ser aceite o vosso álbum?
Ainda é um pouco cedo para tirar conclusões pois o disco saiu apenas há uma semana, mas até agora as reacções têm sido bastante positivas. Quem já teve a oportunidade de ouvir o álbum afirma estar em presença dum trabalho sólido, muito competente e profissional. Obviamente isso deixa-nos bastante satisfeitos e com vontade de continuar a crescer enquanto banda. Quanto ao feedback do estrangeiro, estamos esperançados que as coisas corram bem pois acreditamos imenso no nosso trabalho.

A finalizar que projectos a curto/médio prazo pretendem abraçar os Revolution Within?
Continuamos a ter os pés bem assentes no chão pelo que iremos deixar que as coisas fluam com naturalidade, contudo, obviamente temos sonhos e ambições. Neste momento a prioridade será dar o maior número de concertos para promover o nosso trabalho. Depois disso, se for viável, fazer algumas datas lá fora para vermos a reacção das pessoas. Por último, gravar o nosso segundo álbum.