quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Entrevista com Cryptor Morbious Family

Antes de mais, importa salientar o vosso nome que é, no mínimo, estranho. Qual o seu significado, exactamente?
O nosso nome não tem significado próprio! As nossas músicas e letras é que lhe dão um significado sempre actual e enquadrado no que estamos a fazer, no entanto a palavra Family vem da regra nº 1 que defendemos nesta banda que é: antes de sermos uma banda temos de ser uma família no dia-a-dia ou então não funcionará.

Em pouco mais de 4 anos este é o já o vosso 4º lançamento. De onde vem tanta inspiração? Do talento, do trabalho ou da sorte?
Da sorte não será certamente, porque até hoje tudo o que obtivemos saiu-nos do sacrifício e não da sorte. Mas há que salientar que este é apenas o nosso 2º álbum! O Painful Rebirth e Straight To The Doom, são singles promocionais do 1º e 2º álbuns respectivamente, que contêm b-sides não usados nos álbuns!

Entretanto, independentemente da vossa actividade, ainda continuam a fazer tudo sozinhos, certo? Algum motivo especial?
Certo, e o motivo especial é: simplesmente ninguém sabe melhor o que nós queremos para a nossa própria banda, como é que queremos que um álbum nosso soe e quando e como seja lançado! Até hoje nós compomos as músicas, gravamos e também misturamos algumas. A partir daí entregamos o resto do trabalho a um técnico profissional para o masterizar. No 1º álbum foi o Cajó (técnico de Xutos & Pontapés) e neste último o André Tavares, que já tinha misturado o All Of Us… também. Os produtores ajudam muito as bandas, mas pecam porque com a rotina tendem em tentar por todas a soar igual, e nós só estamos interessados a soar a Cryptor!

Que diferenças conseguem apontar entre este Hypnotic Way To Hurt e o seu antecessor?
O Hypnotic Way To Hurt, é mais técnico, rápido, pesado, maduro, obscuro e diversificado do que o All Of Us Got A Killer Inside, mas ainda assim segue a sonoridade do 1º álbum nalgumas músicas, o que foi predefinido visto ser também um seguimento do mesmo!

De que forma é que o industrial surge associado ao vosso death metal técnico? Acaba por ser uma mistura não muito óbvia.
Surge porque é o resultado da fusão das nossas influências! Não somos uma banda típica metal, que só toca metal e só vê metal à frente! Nós gostamos muito de metal mas também gostamos muito de bandas industriais, rock, punk ou até electro-pop e dai surgir essa mistura. Nós não ligamos a rótulos e nunca pensámos que queremos fazer uma música a soar x ou y, vai sempre acontecendo. Para nós o que conta é o feeling que a música tem e transmite!
Em termos de estúdio verifica-se uma certa polivalência de todos os elementos. De que forma isso ajuda à diversidade sonora dos CMF e de que forma é que vocês conseguem transpor isso para palco?
Nós estamos sempre a puxar uns pelos outros. Antes de sermos uma boa banda, temos de ser bons músicos individualmente, isso ajuda-nos a ser diversificados, mas temos muito mais para aprender, só ainda temos cinco anos de carreira, há muito para melhorar e fazer! Relativamente em palco, há sempre aqueles sons ambientes e guitarras e vozes adicionais que se perdem, mas quem já nos viu, achamos que percebem que cobrimos essa ausência com a entrega e energia que damos às músicas ao vivo! Não queremos que seja igual ouvir-nos ao vivo e ouvir-nos em casa, senão para quê vir aos concertos?


Em termos líricos, quais os principais tópicos abordados pelos CMF?
Este é um álbum conceptual, que fala daquelas pessoas que deixam de acreditar nelas próprias e que nós chamamos Weak Minds! Aquelas que desistem de sonhos de toda uma vida porque deixam-se ser manipulados! A religião é o exemplo mais forte disso, se formos a ver, eles destroem e exturquem muito mais famílias do que as que ajudam! O povo não precisa de pagar para acreditar! Prometem ajudar mas só deixam as pessoas mais debilitadas e dependentes, e a partir dai é só empurrar as tretas que quiserem, porque já tem essas vidas nas mãos deles! Este álbum não é contra ter fé, porque isso é saudável e normal, todos temos fé em algo! O que este álbum defende é que pensem por vocês mesmos, a vida é só uma, há que lutar pelos sonhos, e não entregar-se a um emprego que odeiam e a um estilo de vida que não vos diz nada!

Sendo que o álbum já foi editado em Junho, que feed back tem tido por parte da imprensa e dos fãs?
O feedback tem sido brutal! Acabam os concertos e a malta vem dar-nos os parabéns e comprar o cd. Dizem que somos uma banda muito diferente das que estão habituados a ver no panorama underground português, e isso tem-nos dado uma força incrível! Além disso os concertos têm aparecido, o que prova que estamos a crescer e as pessoas querem ver-nos mais. Nós não temos fans, temos uma family que nos apoia; são pessoas que não conhecemos de lado nenhum mas que tem vindo a tornar-se quase amigos e felizmente tem crescido muito. A eles o nosso muito obrigado! Humildade & amizade.

Em termos de concertos que têm os CMF preparado para os próximos tempos?
Para já alguns concertos agendados, dos quais o 1º é já neste mês no W.O.A Metal Battle! Fomos uma das vinte bandas seleccionadas para participar neste concurso e estamos muito contentes! Mas queremos tocar durante todo o ano e muito, porque o Hypnotic Way To Hurt, está a ser muito bem recebido e criticado e queremos dá-lo a conhecer a muito mais gente. Além disso vai ser lançado agora numa versão norte-americana pela Beneath the Fog Productions, por isso tem de ser bem promovido durante todo este ano. Aos interessados, vão vendo o nosso myspace porque quase todas as semanas há novidades.

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