quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Entrevista com Forgotten Suns

Antes de mais parabéns pela excelente obra que é Innergy. Este é, no entanto, um trabalho muito diferente dos anteriores. Houve algum motivo especial para terem acentuado desta forma o peso?
Ricardo Falcão (RF):
Obrigado Pedro; o Via Nocturna tem sido um orgão de apoio incontestável à música dos Forgotten Suns e agrada-nos saber que não defraudámos as vossas expectativas. É sempre positivo sentir o reconhecimento depois do exaustivo trabalho e acima de tudo confirmar que as nossas expectativas em estúdio não eram exageradas. O álbum foi produzido pela equipa MediaForce que é a nossa junção de mais valias, o Mike (Miguel Valadares) assumiu a produção, gravação e misturas; eu (Ricardo Falcão) fiquei encarregue da produção, misturas e letras e o Sam (J.C Samora) ficou com a parte de misturas e produção de baterias. Várias vezes confidenciávamos entre nós que este seria um dos álbums mais importantes da nossa carreira, as misturas assim indicavam e creio que estávamos correctos. Houve de facto um realçar do peso da banda, algo que achámos essencial na evolução do nosso som, mas creio que a grande progressão deste disco em relação aos anteriores deve-se à qualidade de produção e execução técnica aliadas a um natural crescendo de maturidade musical. No que toca à parte de som em si, houve uma intenção de sobressair mais a guitarra de 7 cordas juntamente com um trabalho de baixo bastante sólido e uma fantástica performance de bateria, riffs como os que existem em Flashback, Dopplegänger ou Nanoworld, trazem mais peso à sonoridade geral do grupo.

Nio Nunes, para nós, acaba por ser a revelação da banda e um dos factores que contribui para a sua qualidade. As suas características também ajudaram a criar um álbum tão intenso?
RF:
Sem dúvida! A voz dele acima de tudo tem um timbre diferente da maioria dos cantores de bandas progressivas ou ligadas à cena heavy. Ele está à vontade quer nos momentos mais calmos como nos mais trash metal como temos no final de Racing the Hours. O background musical dele são bandas como os Faith No More, Alice in Chains ou Soundgarden, o que nos dá um cunho poderoso e diferente do que fomos nos anteriores álbums. Quando o Nio chegou à banda creio que nos sentimos todos musicalmente mais completos como banda e apesar de ele já ter sido recrutado quando o álbum estava praticamente todo produzido, acabou por fazer um excelente trabalho de pré-produção de vozes connosco e de muita intensidade nas performances. Digamos que nunca tinha visto ninguém gravar a um nível tão alto em 18 anos de música...!
Os temas são cheios de pormenores infindáveis de técnica e virtuosismo. De que forma é que decorreu o processo de gravação, tendo em conta todos esses ínfimos pormenores?
RF:
A pergunta é curiosa e pertinente. Creio que existiram 2 fases distintas: uma primeira que é composição de base, na qual certos riffs levam a desenvolver estruturas (normalmente temos sempre muitos riffs) e aí é uma questão de optarmos - se determinado riff tiver uma personalidade em que um tema pode girar à sua volta então temos uma faixa mais curta, como por exemplo Flashback ou Dopplegänger; se o riff insinuar que pode ter sub-riffs ou simplesmente dar passagem para outras sequências ou acordes então teremos temas como Outside In ou News. A 2ª fase tem a ver com os solos e a espontaneidade. Neste álbum todos os solos ou quase todos, foram gravados on the spot, de improviso. Tem a ver com uma certa energia diferente que temos quando se está a fazer algo livre ou algo condicionado. Por exemplo, na música Jazz e não só, é muito frequente em estúdio também se usar desta liberdade e elevar o bom gosto do músico ao seu expoente máximo. As notas ficam mais soltas e o carácter do músico mais genuíno. O melhor exemplo disso são os duelos de solos no final do álbum em Mind Over Matter.

Innergy sugere um sentido especifico. Podes revelar-nos o que está por trás em termos de conceito e lírico?
RF:
Sim, a palavra Innergy é a justaposição das palavras inner (interior) e energy (energia) querendo assim dizer que este álbum vem da nossa energia interior, da nossa alma. As músicas são o reflexo das nossas vidas, algumas passagens de letras têm a ver com momentos pessoais e auto-biográficos, digamos que é a forma de exorcizarmos os nossos fantasmas e trazer para a realidade, em forma de música, aquilo que não é visível a olho nú.Todas as faixas têm o seu quê de energia e interior, não formam entre si um álbum conceptual daí serem tão diferentes umas das outras, mas estão todas ligadas ao conceito geral do álbum.

Entretanto chegaram à ProgRock Records e com isso a vossa exposição deve ser muito maior. Acabam por sentir essa responsabilidade de conseguirem chegar a mais gente?
RF:
Como sempre tivémos uma atitude muito focada, responsável e de exigência para connosco próprios (nós somos os maiores críticos do nosso trabalho) creio que estar na ProgRock Records, que é actualmente uma das melhores editoras na difusão de música rock/metal progressiva a nível mundial, é algo absolutamente natural.



Na ProgRock já estava Hugo Flores e os seus projectos. É sintomática a tendência para os dois projectos se cruzarem: primeiro com os vocalistas e agora na editora. É mera coincidência ou tem havido mútua colaboração?
RF:
Conhecemo-nos à bastante tempo pela internet e creio que a primeira que estivémos juntos foi em finais de 2002 ou inicios de 2003 quando nós estávamos a compor Snooze. Acompanho o seu trajecto musical que apesar de ser um projecto com várias linhas de direcção, feito em formato home studio com colaborações exteriores, têm todos bastante qualidade pelo facto de o Hugo ser um óptimo multi-instrumentalista, compositor e produtor. Tem havido ao longo dos tempos algumas coincidências, quase bizarras até, no que toca a vocalistas que entraram nos álbums de Project Creation e que acabaram por sair de Forgotten Suns. O álbum Dawn on Pyther, por exemplo, tem as presenças de Linx - na altura do seu lançamento já fora da banda - Paulo Pacheco - já na banda mas sem nada ter gravado com FS – e mais curioso é Shawn Gordon, presidente da ProgRock Records (a nossa actual editora, mas que na altura não era) e que também foi músico convidado nesse álbum (teclas)! Apesar destas estranhas coincidências, creio que Hugo Flores é um dos mais pro-activos músicos nacionais e um amigo próximo da banda.

Sendo que já passou algum tempo desde a edição do álbum, quais têm sido as reacções de público e imprensa?
RF:
As reacções têm sido muito positivas, mas sabemos que nunca conseguiremos agradar a todos. Quando se tem mais do que um álbum lançado no mercado é natural haver comparações e questões se “este tem mais isto ou o outro é melhor”. Penso que este é o álbum mais bem cotado a todos os níveis e o mais equilibrado até à data.Houve uma primeira fase de promoção com o lançamento e em breve arrancará a 2ª fase, na qual esperamos também uma reacção forte e de destaque.

E no que diz respeito à sua promoção em estrada, como está esse segmento a ser trabalhado pelos Forgotten Suns?
RF:
A nossa primeira opção foi aguardar um pouco pelo feedback de Innergy e planearmos com coerência o nosso caminho futuro. A banda teve uma participação no ProgTugal Fest com Circus Maximus e DGM, e nessa noite deu para sentir a força do álbum e a força da banda ao vivo. Durante o resto de 2009 aproveitámos o tempo para refazer o nosso conceito de estúdio, temos agora óptimas condições para compor, ensaiar ou produzir. Assinámos há poucos dias com uma agência internacional que nos vai tratar do management e da promoção da banda nos próximos anos, algo que será revelado em breve com mais detalhes no site oficial da banda e nos sites de comunicação adjacentes: blog, twitter, facebook e myspace.


Quanto ao futuro, já há ideias para um sucessor de Innergy ou, pelo menos já há alguma linha de rumo definida?
RF:
Sim, já estamos a trabalhar no próximo álbum desde 22 de Abril 2009 (o dia mundial da Terra). Temos muitas partes e muitos riffs soltos, letras a serem escritas, enfim o normal de uma banda progressiva que faz aquilo que mais gosta. Este álbum já tem nome definido e será conceptual, nada mais posso adiantar. Quem estiver interessado na evolução do mesmo só tem de aceder ao blog com as actualizações da composição em
www.forgottensuns.blogspot.com
Queria agradecer ao Pedro Carvalho e aos seguidores do Via Nocturna pelo apoio sincero e pelas mensagens encorajadoras que recebemos da vossa parte!

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