Entrevista com Insanus

Os Insanus formaram-se em 2007. Podem contar-nos um pouco do vosso historial até à data?
SNAKE (SNK):
Penso que o nosso historial, num espaço que não chega ainda aos 3 anos, resume-se num trabalho de integração no panorama do metal nacional. Formamos a banda em 2007 e desde aí tentamos sempre estar no máximo de eventos possível, partilhando palco com boas bandas como é o caso de Wako que tocaram connosco no nosso primeiro concerto.
Já partilhamos palco com The Ransack e com os espanhóis Noctem, mas isto também se deve ao facto de fazermos boas amizades que a nível profissional se tornam em bons contactos para possíveis oportunidades. Digo isto, porque não tinhamos nenhum registo de estúdio até à data o que torna esta tarefa mais complicada. Este ano pode ser visto como o verdadeiro início de Insanus, porque agora temos algo para nos darmos a conhecer e os concertos aparecem com muita mais facilidade e em massa. É o primeiro passo (e dos mais importantes) da nossa carreira.

Wrath Of Creation é a vossa estreia. Estão satisfeitos com o resultado final?
SNK:
Para ser sincero, superou as expectativas. Talvez por ser o nosso primeiro contacto com este tipo de coisas. Não estávamos à espera de algo assim. Ficou muito bom mesmo! Falo a nível de produção. E explico já o porquê na próxima questão. A nível musical também ficamos muito satisfeitos. O nosso som é uma mistura de peso e melodia. Como já denotaram e comentaram, temos muito da escola sueca mas penso que também juntamos uma pitada do selo americano na onda de nomes como The Absence,The Black Dahlia Murder, entre outros... Para um primeiro trabalho, conseguimos um registo muito forte e esperamos que tenha a recepção desejada.

Os Insanus são a n-ésima banda a gravar nos Ultrasound Studios com o Daniel Cardoso. Para o vosso tipo de som acaba por ser a escolha mais acertada, certo?
SNK:
De facto, somos a n-ésima banda a gravar nos Ultrasound Studios, mas a razão é óbvia.
Penso que há uns tempos, o maior fosso entre os projectos nacionais e os internacionais era a qualidade das suas gravações. Não que a qualidade da gravação defina o talento de uma banda (entenda-se), mas isto é mais ou menos como as mulheres. Uma mulher bonita, é bonita de qualquer maneira, mas se tiver uma maquilhagem bem feita e se produzir mais, vai dar mais ênfase à sua beleza. [risos!] Ora, agora já temos meios para conseguir uma gravação capaz de competir com os trabalhos lá de fora. E felizmente, os Ultrasound Studios são capazes de proporcionar uma gravação com um selo de alta qualidade! Nomes como The Ransack, Wako, Heavenwood, Ava Inferi e Corpus Christii, são alguns exemplos disso e não é à toa que este espaço teve o prazer de trabalhar com Angelus Apatrida que são a mais recente aquisição da Century Media. Portanto, como vês, tudo indicava os Ultrasound Studios como a melhor escolha. Depois de analisarmos o trabalho destes senhores, percebemos que têm tanto de poder como de definição e o nosso som é basicamente isso! Por isso sim, foi a escolha mais acertada.

E quanto ao EP, que objectivos se propõem atingir com a sua edição?
SNK:
Nós encaramos o EP como um cartão para a divulgação da banda. Antes deste trabalho, dar a conhecer os Insanus era mais difícil. Apenas com concertos é que isso era possível, mas não tendo qualquer gravação era complicado conseguir furar e entrar em muitos eventos.
O Wrath Of Creation está a ser muito positivo nesse sentido. Temos conseguido espalhar muito bem a palavra e temos conseguido vários concertos que são oportunidades de extender o nosso território. Temos concertos marcados para Braga, Porto, Lisboa e Chaves. Temos também uma data ainda por definir, mas é certo que irá acontecer. Será em Vigo (Espanha). A par disto tudo, estamos sempre a tentar entrar em mais e muito eventos.

Nota-se que há um cuidado na criação de harmonias apelativas. Isso surge espontaneamente ou têm que trabalhar essa vertente?
SNK:
É espontâneo! Na suécia é que se faz muito disso e como nós somos influenciados, pronto [risos!]. Na verdade, acho que as harmonias são um complemento das secções melódicas e podemos até usar o termo bonita. Fica uma melodia mais bonita. Cria um ambiente mais forte. Dá-lhe mais garra, mais feeling... É algo que sai naturalmente. Não o fazemos só porque sim.

As críticas têm sido muito positivas. Estavam à espera de tanto sucesso logo na estreia?
SNK:
Sinceramente, não. Obviamente que gostamos do nosso trabalho. Qualquer banda que vai para lançar algo, ter de estar confiante no produto que criou e nós estamos muito confiantes com o nosso. Mas estamos numa fase difícil e um tanto assustadora. É a fase da aceitação ou da negação. Felizmente, as críticas têm sido muito positivas e temos sido recebidos de braços abertos! Tanto a imprensa como o público se mostraram impressionados e têm dado a maior força para continuar. Pedem mais! Esperamos corresponder às críticas e dar mais argumentos para continuarem a acreditar em nós. E é gratificante saber que no fim de tanto esforço o nosso trabalho é reconhecido.

Em termos líricos quais são as temáticas mais frequentes nos Insanus?
SNK:
As temáticas variam consoante a música e o conceito em que estou mais debruçado na altura em que vou escrever. Gosto de pegar num conceito e desenbrulha-lo ao longo das várias músicas. Assim mantenho uma ligação lírica e não faço uma salsichada de conceitos [risos!]. No caso do Wrath Of Creation, optei por falar da criação (nós). Tal como o nome indica, é a raiva da criação. Raiva face às dúvidas inerentes à nossa existência. Uma revolta mas também uma chamada à razão. Fala do propósito da nossa existência, de um suposto Deus (nenhum em particular mas todo em geral), fala da morte e da vida! Cada música é como que um capítulo e retrata diferentes fases e perspectivas sobre esta temática. Em conjunto com a música, ajudam a criar um ambiente. Mas em termos líricos eu deixo que as pessoas façam as suas próprias interpretações...

Que acções têm sido privilegiadas no sentido de promover o vosso trabalho?
SNK:
Estamos em várias redes sociais da internet... MySpace, YouTube, Twitter, LastFM...
Temos enviado o EP para que surjam as respectivas reviews ao trabalho e possíveis entrevistas!
Temos trabalhado em conjunto com a Avantegarde Management na divulgação do nosso trabalho e já conseguimos uma entrevista numa rádio online da Holanda (Headbangers FM) e estão a divulgar o nosso trabalho na Inglaterra. Os Insanus estiveram no DJ Beerman Show que faz parte da Bloodstock Podcast Team na TOP ROCK RADIO (UK)! Portanto, as músicas estão a rolar pela Holanda e pela Inglaterra. Também temos andado pelo myspace a mandar comentários. Somos muito chatos [risos!]. Mas parecendo que não, isto ajuda imenso. Já temos tido vários comentários novos de outros cantos do mundo. Temos feito de tudo para promover o nosso trabalho. Acho que não há nenhuma acção que seja privilegiada no sentido da promoção. São todas muitos importantes para espalhar o nome da banda.

Já tiveram oportunidade de apresentar o vosso trabalho ao vivo. Como foram as recções?
SNK:
As reacções têm sido muito positivas. O pessoal vem ter connosco no fim dos concertos para nos dar os parabéns e dar algumas palavras de força. Aliás, a própria imprensa que anda pelos concertos a fazer o seu trabalho, faz questão de nos dizer qualquer coisa. O que é bom! Estamos contentes e orgulhosos com o nosso trabalho e tudo o que temos conseguido até agora, mas sempre com os pés bem assentes no chão. Tudo a seu tempo! Por último, gostaria de agradecer à Via Nocturna pelo convite e apoio! Continuação de um excelente trabalho e continuem a acreditar no Metal Nacional.

Comentários