Entrevista com TrYangle

Os TrYangle existem há 8 anos. Em 2009 chegaram finalmente ao álbum de estreia. Sentiam que este era o momento para darem o salto?
GONÇALO DA SILVA NOVA (GSN):
Os TrYangle formaram-se em 2002. Não, sentimos que este foi o único momento em que nos deram a oportunidade de lançar um álbum.

Depois da demo/cd, a Lockjaw Records apostou nos TrYangle. Sentiram algum tipo de pressão na composição deste álbum?
GSN:
As músicas já estavam todas feitas e apenas cinco careciam de gravação quando assinamos o contrato, não sentimos pressão alguma dos senhores ingleses da editora.

Permitam que vos diga que o artwork é fantástico. Está de uma simplicidade desarmante. Consideram que representa bem o espírito TrYangle?
GSN:
Ao contrário do que possa parecer, o artwork foi calma e metodicamente pensado e criado. Primeiro: dar-te os parabéns por teres sido o primeiro a frisar o aspecto visual do disco. Segundo: obrigado por compreenderes a intenção do mesmo. Significa muito para nós que, no actual panorama musical de foto com ligeiro eye liner e roupa pseudo-desleixada na rouquidão confusa da tabela pantone, alguém perceba que a música dita íntegra deve ser entregue em pack como um bombom bem embrulhado para o prezado ouvinte. Um dos bons. Portugal também pensa com a cabeça de cima.

Como decorreu o processo de gravação?
GSN:
Foi um processo relativamente simples e rápido, também por ter sido gravado no estúdio de um amigo, o ambiente foi fácil, nada de tensão. As músicas estavam ensaiadas bem antes disso.

Em termos líricos, que temas são abordados em TrYangle?
GSN:
Como autor, devo dizer que não há nenhum tema específico na globalidade das letras, são apenas coisas pessoais que se apaixonaram irremediavelmente pelo papel.

As críticas, pelo que tive oportunidade de confirmar, têm sido muito positivas, mesmo além fronteiras. Têm-vos sido abertas algumas portas no que diz respeito ao mercado externo?
GSN:
Não se abriram portas nenhumas, causar-te-á alguma estranheza, mas é verdade. Absolutamente nenhumas. A verdade é: estamos em Portugal periférico e somos portugueses periféricos em Portugal, portanto, nem cá dentro nem lá fora.

Consideram que os TrYangle, como alguém escreveu, redefinem o rock, como nós o conhecemos actualmente?
GSN:
Com a modéstia que a questão pede, acho que nós somos a melhor banda de rock que ouvi desde que começamos a fazer música. Fazemos o rock de uma forma descomplexada e sem qualquer tipo de condicionalismos, conhecendo a história do género como o bê-á-bá – até porque nada é sem o que foi –, sem influências externas nem capas de revista, de moda.

E para o futuro? Que objectivos têm os TrYangle traçados?
GSN:
Partindo do princípio que toda a gente tem sempre objectivos maiores e tendo em conta o resposta à questão 6 dixit: ora, como banda do meio, o plano será continuar na cepa torta a lançar discos atrás de discos sem que qualquer um deles leve mais do que uma boa palmadinha nas costas. Aliás, a tua palmadinha foi óptima, numa maneira muito pouco sexual de ser (e ainda bem). Obrigado pela boa entrevista e pelo interesse!

Comentários

  1. ...Deves sofrer da típica pandemia portuguesa, a "PDM" elevada ao seu extremo... questiono-me se a oportunidade que 9 anos (!) levou a ser-te dada, te iluminou a personalidade e te fez crescer o suficiente para saíres da toca forrada a ego, colocando-te ao nível dos que como tu, também criam e fazem-se ouvir. Mas sim, sonha muito, sonha alto, mas as nuvens também cedem, se o peso da presunção for maior que a simplicidade do céu que as sustenta...
    Mas não dramatizes, ponto positivo para o vídeo "a burn carol", óptima presença dos intervenientes secundários.

    ResponderEliminar
  2. "Com a modéstia que a questão pede, acho que nós somos a melhor banda de rock que ouvi desde que começamos a fazer música."- LOL!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário