Review: Dark World Burden (Painside)

Dark World Burden (Painside)
(2010, Inner Wound Recordings)


Depois de N.O.W, Painside é o segundo colectivo brasileiro a chegar à nossa mesa de trabalho neste primeiro trimestre de 2010. Um facto assinalável, até para contrariar a ideia que do país irmão se resumia a Angra e Sepultura. Dark World Burden é um trabalho actualizado, de metal contemporâneo mas que não esquece os seus antepassados. O álbum abre com Ignite The Fire que tem, precisamente essa função: a de ignição. E abre a todo o gás, com poder e velocidade. Trata-se de uma faixa que consegue congregar todas as influências que se irão ouvir mais ou menos dispersas e mais ou menos camufladas ao longo dos cerca de 43 minutos de duração de Dark World Burden. Vocalmente o registo de Guilherme Sevens situa-se ali algures entre Warrel Dane e Rob Halford. Melodicamente, podem colocar-se os Painside num cruzamento onde eventualmente se encontrem os Judas Priest e os Accept. Estrutural e dinamicamente, a banda assume a sua costela mais negra com referências quer a Nevermore/Sanctuary, quer com alguns toques de thrash metal da escola da Bay Area, onde o nome de Metal Church não será de todo descabido. Ou seja, os Painside são um autêntico caldeirão onde cabe de tudo um pouco. Só que os brasileiros conseguem dar a volta por cima e actualizam de forma poderosa a suas influências mais retro e por outro lado, fazem a mistura de tal forma bem diluída que a sua própria assinatura se enquadra na perfeição. Até porque a velocidade estonteante do inicio vai-se diluindo para dar lugar a um peso asfixiante de Where Darkness Rules ou a um aumento do groove em Collapse The Lies. Em This Dark World, um dos melhores momentos do álbum, a referência a Nevermore torna-se mais notória, para em Sand Messiah regressarem a melodia e as vocalizações estridentes de Judas Priest. A velocidade regressa em Serpent’s Tongue, num tema que faz a diferença pelas constantes mudanças e quebras rítmicas e que antecede a melódica The Edge. O fecho faz-se em alta com Redeemers In Blood, onde os brasileiros juntam o que vinham mostrando ao longo do disco: velocidade, poder, técnica e melodia. Num conjunto de 11 temas, na sua maioria relativamente curtos, a banda mostra competência suficiente para criar um álbum versátil e diversificado, assumindo as suas influências, não fugindo delas, mas contornando-as e imprimindo um cunho muito pessoal.


Track List:
01. Ignite the fire
02. Where darkness rules
03. Collapse the lies
04. The deviant
05. This dark world
06. Sand messiah
07. Forsaken
08. Serpent's tongue
09. The edge
10. Martyr
11. Redeemers in blood

Line up: Guilherme Sevens (vocais), Carlos Saione (guitarra), Marcelo Val (baixo), Daemon Ross (guitarra), André Andrade (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/painside/official
Website:
http://www.painside.net/
Edição: Inner Wound Recordings (
http://www.innerwound.com/)

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