quarta-feira, 28 de abril de 2010

Entrevista com Helfahrt

Praticantes de um género onde predomina a fusão, sendo por via disso, dificil fazer uma caracterização simplista da sua música, os germânicos Helfahrt atingem a marca de três registos de originais com Drifa. Via Nocturna contactou o colectivo bávaro que nos explicou como nasce tanta desolação e como conseguem envolver a mitologia dos Alpes na sua sonoridade.

Em primeiro lugar, apresentem-nos os Helfahrt.
Helfahrt é alemão e significa a viagem para Helheim (e a terra dos mortos). Bem, eu poder-te-ia dizer imensas coisas a respeito do inicio da banda nos anos 90, os antigos line-ups, os novos line-ups, como crescemos, quantos espectáculos fizemos, quantas vezes dormimos com raparigas diferentes enquanto estávamos em tournée. Mas, honestamente: eu não quero que os teus leitores se aborreçam até à morte. Se realmente existir alguém interessado nessas histórias, pode visitor o nosso website. Basta um click na biografia da banda.

Que diferenças se podem apontar entre o novo álbum Drifa e o seu antecessor?
Não creio que haja uma grande diferença entre Wiedergang e Drifa. No entanto, as canções em Drifa são mais directas e, em alguns momentos, mais extravagantes que em Wiedergang. Desta vez as canções não soam tão experimentais e as letras estão mais severas já que desta vez usamos mais metáforas para descrever visões pessoais e coisas do género. Eu penso que se realmente gostaste dos nossos últimos lançamentos, não ficarás desapontado com Drifa. E desta vez conseguimos o som que realmente queríamos. Posso dizer que é o melhor som que já obtivemos.

Existe algum conceito subjacente a Drifa?
Sim, existe um conceito, mas não na forma como as pessoas constumam ver o conceito. As letras descrevem basicamente desespero, depressão, sentimentos de perda mas também novas oportunidades, mas tudo de uma forma muito pessoal. Estes tópicos podem ser encontrados em todas as canções mas não se verifica uma história continuada. Traduzindo Drifa significa gelo e este é um termo metafórico para todos os sentimentos descritos.

Costumam usar a cultura alpina nas vossas letras. Em que consiste, excatamente?
É dificil de explicar esses elementos uma vez que eu tenho uma visão especial e muito própria. Eu nunca uso deuses personalizados ou parts de Edda nas minhas letras. Tento expressar-me da minha maneira pessoal e de uma forma extravagante. O nosso baterista, Andi, é que é o responsável pelas letras que versam esses costumes bávaros. Na região sul da Bavária ainda temos alguma espécie de espiritualidade no que concerne aos elementos da natureza. Tentamos descrever tudo em metáforas e não usamos os típicos e populares clichés do metal como batalhas, sangue ou cerveja. Tudo o que escrevemos baseia-se em algo muito profundo e, como já referi, numa forma muito extravagente de ver os espíritos da natureza.

Estiveram em tournée com bandas da cena viking/folk metal. Consideram que a sonoridade dos Helfahrt se enquadra, de alguma forma, nestas categorias?
Bem, quando estamos em tournée não nos preocupamos muito com isso. O nosso principal objectivo é tocar ao vivo não importa se com uma banda thrash ou de viking metal. Ainda acreditamos que o público do metal não tem uma mente tão fechada como alguns querem fazer acreditar. Mas, honestamente, tenho que dizer que tivemos situações onde vivenciámos que o nosso som era um pouco áspero para as pessoas que estavam principalmente interessadas na cena pagan/viking/folk. Em alguns momentos tivemos a impressão que algumas pessoas estavam um pouco para lá dos seus limitens enquanto nos ouviam. Mas, como sabes, a excepção confirma a regra! (risos)

A música dos Helfahrt tem muita variedade: partes acústicas, partes mais pesdas, partes atmosféricas adicionado de muito rock’n’roll. Como é que, na altura de compor, toda esta mistura surge?
Realmente, não planeamos nada antecipadamente. As nossas canções vão-se desenvolvendo ao longo do tempo e, desta vez, saíram, como dizes, mais rock’n'roll. O meu trabalho de composição depende de algumas variáveis como a altura em que componho e os sentimentos. Mas nunca planeio escrever um riff mais obscuro ou mais pesado. É como que deixar fluir a criatividade. Não tenho influência nisso! Em Drifa há mais partes mais rockadas mas esse não é um estilo completamente novo para nós. Já tinhamos partes como estas no nosso último álbum, Wiedergang. Os temas são compostos, basicamente, pelo Sebastian Ludwig e por mim. Uma vez terminada a música, todos os elementos da banda contribuem com algumas ideias. Pessoalmente acho este um melhor método de trabalhar do que apenas um único elemento a fazer todo o trabalho de composição. O input de cinco pessoas numa canção ajuda-nos a criar um tema final no qual todos nos revimos. Esta é a razão para tantas influências.

Com tal variedade, consideras um erro considerer os Helfahrt como uma banda black metal? Como descreverias a vossa música?
Talvez a melhor definição seja de Black Metal experimental com uma boa dose de rock’n’roll. De qualquer forma, as definições são muito chatas. Apenas aconselho a ouvirem o nosso álbum e fazerem a vossa própria definição.

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