Entrevista com Tara's Secret

Oriundos de Inglaterra, os Tara’s Secret são um daqueles colectivos que vivem o rock pelo simples prazer de fazer rock. Claramente vocacionados para os grandes espectáculos, a vivacidade da sua música nota-se em todos os aspectos, até na simpatia e diversão com que nos concederam esta entrevista. Mas, ainda assim, no meio do divertimento, tempo para algumas coisas sérias a respeito do que se passa no seu país. Confiram.

Tara’s Secret é um nome não muito conhecido em Portugal. Podem contar-nos um pouco da vossa história?
Certamente! Nós formamo-nos em Burton, no Kent, Reino Unido em 2003 com membros que nunca tinham estado noutras bandas. Em 2004 editámos uma demo que nos permitiu dar alguns concertos bem como destaque em algumas revistas. Desses tempos apenas o vocalista Johnny e o guitarrista/teclista Craig permanecem na banda. Desde então escrevemos o álbum de 2004, Tomorrow The World que obteve algumas excelentes reviews em diversos países e actuámos como banda suporte de nomes como Y & T e Act até perdermos os nossos baixista e baterista, tendo entrado para os seus lugares Dave e JT. Durante alguns anos que vimos tocando temas de Tomorrow The World, por isso decidimos que o nosso segundo álbum seria mais directo e hard rock. Os temas de Vertigo foram trabalhados nos últimos 18 meses e muitos bons temas ficaram de fora. Ambos os álbuns foram gravados nos Estúdios M2 dos Magnum e adoramos ter trabalhado com Mark e Sheena.

Quem são as principais influências para os Tara’s Secret?
As grande bandas rock de estádios! Van Halen, Whitesnake, Journey, Bon Jovi, etc… juntamente com
algumas coisas mais recentes como Nickelback e Gotthard.

Vertigo é já o vosso terceiro álbum. Que diferenças apontam entre ele e os seus antecessores?
Vertigo é, seguramente, um álbum mais orientado para o hard rock do que tudo que tenhamos feito anteriormente. Também já estamos mais experientes quer nos aspectos da composição quer na produção, daí que tenhamos uma produção muito melhor agora. Para terem uma ideia, Tomorrow The World demorou 8 dias; Vertigo foram 4 semanas!

E como decorreu o processo de composição e gravação?
Como dissemos, queríamos ultrapassar tudo o que tinhamos feito com Tomorrow The World bem como o que outras bandas tenham feito. Crescemos num género musical em que as bandas têm sucesso durante 20 ou mais anos. Os seus anos de glória serão para sempre lembrados, mas quase todos esquecem os seus anos iniciais, os anos de formação e estabilização. Por isso, tivemos que aprender muito depressa como criar um álbum que nos permitisse enfrentar os produtos de outras grandes bandas. Acreditamos, sinceramente, que Vertigo pode alcançar esse objectivo e as reviews que temos tido ajudam a confirmar isso.

Tem alguns músicos convidados a participar em Vertigo? Quem são e qual a sua participação no processo de composição?
Temos dois convidados. Dois de nós tocam teclas e todos podemos cantar e fazer harmonias vocais mas convidámos a Sue Willetts da banda britânica Dante Fox para o dueto em The Last 2 Know. Já tinhamos escrito a canção quando a convidámos e ficámos muito agradados
por ter aceitado o nosso convite e se ter juntado a nós em estúdio. Foi uma noite agradável com a Sue e o Johnny cantando com o coração! Vocês em Portugal têm um termo como o nosso: Goosebumps? Também fizemos alguns espectáculos com Adrian Marx e, sempre que possível, convidamo-lo a juntar-se em palco para fazermos umas jams. Portanto, para o sentimento festivo de Shake What Your Mamma Gave Ya era óbvio que a escolha recaísse nele. Ade e Johnny alteram as linhas vocais de uma forma que parece que saíram numa sexta faira à noite em busca de mulheres! O Ade canta numa banda de tributo a Bon Jovi e muitas pessoas têm-nos perguntado se realmente temos o Bon Jovi a cantar no nosso álbum. As nossas respostas variam, dependendo do nosso estado de espírito no momento!!!

Como tem sido a reacção da imprensa e dos fãs dentro e for a do vosso país?
A Grã-Bretanha não é um grande país de hard rock, actualmente e especialmente na vertente mais americana do rock. As tabelas estão cheias com indie, rock furioso e R & B. Temos vindo a fazer crescer a nossa base de fãs através dos muitos concertos que temos dados regularmente e do apoio de revistas e rádios rock. Nenhuma banda rock se enquadra no mainstream e, por isso, sentimo-nos muito orgulhosos de estarmos a obter tanto destaque fora do nosso país. Formando a minha banda com 39 anos, estava longe de imaginar vir a receber um mail da Argentina a dizer que Vertigo é disco do mês ou ter alguém de Portugal a solicitar-nos uma entrevista. Tivemos ofertas de 4 editoras europeias e uma de Inglaterra, mas escolhemos gerir o nosso futuro, criando a nossa própria editora, a Black Cat Music. A MusicBuyMail, na Alemanha, tomou agora conta do processo de distribuição por isso estamos felizes! O nosso último álbum vendeu muito bem na Coreia do Sul. Agora estamos a tentar o mercado Japonês.

Como está a decorrer a apresentação ao vivo de Vertigo?
Estas canções foram feitas para ser tocadas ao vivo e tocamos todo o álbum nos concertos, juntamente com alguns temas mais antigos. Como já dissemos, aprendemos com o álbum anterior que tipo de malhas resultam melhor ao vivo e procuramos fazer um álbum assim, mas mantendo algumas variações para ajudar a música a respirar! Estivemos em Outubro no Z Rock Festival com Wigwam e Paul Laine e tivemos bastante aceitação.

Como se sentem quando a imprensa vos compara a amonstros sagrados como Survivor ou Thunder?
Assustados!!! A sério! É um sentimento dos diabos e, simultaneamente, uma honra. Bon Jovi, Gotthard and Tyketto são mais três nomes que as pessoas mencionam o que é engraçado. Uma coisa é usar um nome de uma banda para dar ideia às pessoas no nosso estilo de música. Outra completamente diferente é quando nos comparam favoravelmente com essas bandas. No último álbum, fomos muitas vezes comparados com nomes que ninguém conhece por alguns críticos entusiastas de mostrar o seu profundo conhecimento e, talvez, o nome Tara’s Secret poderia ser outro nome menos conhecido que poderiam ter usado em 2006. Agora estamos a ser comparados com nomes que conhecemos há anos! Nós apreciamos isso, mas é subjectivo, uma vez que pode criar ilusões nas pessoas. O melhor é mesmo cada um ouvir e tirar as suas conclusões, como vocês que estão a perder um pouco do vosso tempo a tentar conhecer-nos. A terminar quero deixar um grande HI para todos os fãs de rock em Portugal e para ti pela tua crença, tempo e apoio em manter o rock vivo! Esperemos que todos gostem das nossas músicas.

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