Entrevista com A Dream Of Poe

Lady Of Shalott é já o quarto registo para os açorianos A Dream Of Poe, representa a estreia de um novo vocalista, João Melo e serve de aperitivo para o álbum que deverá ser editado no Outono. Por isso, havia vastos motivos de interesse para Via Nocturna interpelar Miguel Santos a mente criativa por trás deste projecto.

Qual o objectivo que os A Dream Of Poe se propõem atingir com este EP?
Este EP foi lançado com o objectivo de criar alguma curiosidade à volta do futuro álbum de A Dream of Poe e, por consequente, à volta de A Dream of Poe. Está a ser usado também como promoção em diversos meios de comunicação nacionais e internacionais. No geral o EP está a ter uma boa aceitação entre os amantes de Doom, pelo que os objectivos estão, de facto, a ser atingidos. Outros objectivos foram propostos, como o de atrair o interesse de editoras, felizmente este ponto já foi atingido, sendo que o álbum The Mirror of Deliverance será lançado pela editora ucraniana ARX Prod.

Lady Of Shalott inclui duas versões do EP anterior. Com que finalidade recuperaram esses dois temas?
Confesso que não fiquei muito satisfeito com a qualidade sonora de ambos os temas no anterior trabalho, Sorrow For The Lost Lenore. O actual EP de inicio seria um single onde apenas incluiria as duas versões do tema Lady of Shalott e a cover de The Cure. No entanto, e devido ao meu descontentamento com a qualidade sonora dos originais do último trabalho, resolvi transformar o que seria um single num EP, adicionando à tracklist o tema Laudanum que foi totalmente regravado (exceptuando a voz) e o tema Whispers of Osiris que apenas foi remixado e remasterizado.

E temos também uma versão dos The Cure. É uma escolha aparentemente pouco óbvia. Por isso, a questão impõe-se: porque a escolha desse tema?
Primeiro que tudo devo dizer que antes de ser um amante de Doom e de Metal sou um amante de tudo o que é boa música e sinto uma especial atracção pela música feita nos anos 80. Os The Cure são um dos colectivos que mais admiro em todo o panorama musical, e já em 2006 no trabalho Delirium Tremens havia feito uma versão deles, no caso foi o tema A Forest. Outra razão que me leva a escolher estes temas pouco óbvios é o facto de ser muito mais gratificante, muito mais desafiante, transformar um tema que pouco ou nada tem a ver com Doom Metal, por isso num futuro EP ou single pode muito bem acontecer fazer uma versão de outros grupos como Siouxsie & The Banshees, Eurythmics, Peter Murphy/Bauhaus, Nick Cave, Duran Duran… enfim, tudo o que eu considerar ser boa música está sujeito a ser vitima de destruição [risos].

Neste EP estreia um novo vocalista. Qual foi o seu input ao nível criativo?
Eu dei toda a liberdade de interpretação ao João. Ele é um músico muito versátil e compreendeu bem o que pretendia para este trabalho. Todo o trabalho de vocalização foi feito pelo João enquanto que eu apenas fui dando a minha opinião relativa ao trabalho dele. Devo dizer que fiquei extremamente satisfeito com o seu excelente trabalho.

Quanto ao longa duração, para quando podemos contar com ele?
O álbum sairá no Outono, muito provavelmente durante o mês de Outubro, mas não passa de uma previsão visto que não há, para já, uma data definida, e faço até questão de não anunciar uma data certa enquanto não estiver tudo concluído.

Já estão em estúdio? Se sim, como está a decorrer todo o processo?
Iniciei o processo em Janeiro no meu próprio estúdio, SPS, e tem corrido relativamente bem. Como não tenho a pressão de terminar o trabalho num determinado período de tempo, sinto-me à vontade para gravar sempre que tenha disponibilidade, fazendo deste modo que seja um processo muito natural e sempre ao meu próprio ritmo. Para já o instrumental está gravado, apesar de ainda não o ter dado por concluído pois pode sempre surgir uma ideia ou outra. Estamos actualmente na fase da gravação das vozes e até agora tem corrido tudo como planeado.

Em estúdio executas todos os instrumentos, certo? E como é ao vivo? É fácil encontrar os músicos certos para este tipo de sonoridade?
Sim, em estúdio, e desde este último trabalho, sou eu que executo todos os instrumentos, desde a bateria até ao baixo. Ao vivo, acaba por ser fácil, o mais complicado é mesmo o organizar da agenda. Os músicos que me acompanham ao vivo têm também os seus projectos, as suas bandas, neste caso especifico são os músicos e amigos de In Peccatum (banda que também faço parte como teclista desde 2006) que me ajudam a levar A Dream of Poe para cima do palco. O João Melo também ingressa nos Nableena, assim sendo é necessário uma boa organização de toda uma agenda para que seja possível agendar ensaios de forma a que não prejudique os projectos de cada músico. Devo confessar que, se não tivesse os meus colegas de In Peccatum a se disponibilizarem para me ajudarem em A Dream of Poe, seria de facto muito difícil numa região como os Açores encontrar os músicos certos e com o profissionalismo necessário para levar este projecto para cima do palco.


Fala-se da hipótese de uma tournée europeia no inicio de 2011. Qual é ponto da situação?
Neste momento há já um concerto confirmado na Alemanha enquanto que ainda estamos a negociar as condições gerais de outros. A tournée e todos os aspectos relacionados com o agenciamento dos concertos está a ser feita através da Ripper Management gerida por um dos guitarristas de Syrach, banda de Doom originária da Noruega e que fazem parte do catálogo da Napalm Records. O facto de estar a trabalhar com uma agência deixa-me espaço para me concentrar no objectivo primário que é terminar as gravações do álbum.

Para além do álbum, que outros projectos tens em mãos actualmente ou estão em preparação para o futuro?
A prioridade actualmente é divulgar ao máximo o EP Lady of Shalott, em simultâneo terminar as gravações do álbum The Mirror of Deliverance para então depois iniciar toda a promoção referente a lançamento do álbum, o que naturalmente inclui a tournée.

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