sexta-feira, 2 de julho de 2010

Entrevista com Gallows End

Os amantes do metal clássico com referências ao metal melódico sueco tem aqui mais um nome para se deliciar: Gallows End, quarteto sueco (pois então!) que com Nemesis Divine faz a sua estreia. Para conhecer melhor este novo projecto, Via Nocturna contactou o principal mentor do projecto, o soberbo guitarrista, Thord Klarstrom que nos falou da génese e actualidade deste quarteto.

Os Gallows End nasceram como um projecto individual teu. Quando é que sentiste a necessidade de os transformar numa banda de verdade?

Bem, é verdade que começou como um projecto individual, mas não no sentido de fazer algo realmente sério dessa forma. Eu tinha algumas músicas feitas e, basicamente, resolvi gravá-las para fins de documentação. Então, comecei a procurar um cantor para gravar as partes vocais. Depois de algum tempo a procurar sem encontrar o que queria, decidi tentar gravá-los eu próprio. Pelo menos teria as canções completas. O resultado foi muito melhor do que eu esperava e senti que aquelas canções mereciam algo mais do que apenas ser documentação, por isso a ideia de montar uma banda completa tomou forma.


E como descobriste os outros músicos Gallows End?

Como sempre numa nova banda há algumas mudanças no line-up antes de se encontrar a química certa por isso ir-me-ei referir apenas aos actuais membros. Há já alguns anos que eu tinha em mente Mikael [Mikael Karlsson, baterista]; ele tocava bateria numa banda de covers e numa altura tocámos juntos e fiquei realmente impressionado com suas habilidades atrás da bateria por isso ele foi o primeiro nome a ser chamado. Quanto ao Peter [Peter Samuelsson, vocalista], conheci-o quando ele fez os testes para os vocais e embora fosse muito bom, não era o que eu estava à procura. Curiosamente, cerca de um ano depois, eu estava a navegar no myspace deparei-me com a sua página que tinha algumas gravações instrumentais muito boas. Assim entrei em contacto com ele novamente, perguntando se ele estava interessado em experimentar algumas músicas na guitarra. E funcionámos muito bem de imediato, quer musicalmente quer pessoalmente. A primeira vez que entrei em contacto com Niklas [Niklas Nord, baixista] foi quando fui a um concerto de uma banda de covers dos Dream Theater onde ele tocava e realmente gostei do que ouvi. Acho que isso foi por volta de 2003 e em Agosto de 2008, estávamos próximo de um espectáculo e não tínhamos um baixista. Na altura perguntei-lhe se ele queria entrar como músico de sessão para esse espectáculo mas depois de ensaiar um ou dois meses e fazer o espectáculo perguntei-lhe se ele queria juntar-se a tempo inteiro e ele aceitou.


Como decorreu o processo de composição e as sessões de gravação?

A maioria das canções deste álbum foi escrita por mim e pelo Peter ainda antes de de ter a banda completa, por isso o processo de escrita foi mais ou menos terminado numa fase inicial. Depois começámos a gravar em Dezembro de 2008. As guitarras, baixo e bateria foram gravadas nos meses seguintes no início de 2009, sem grandes problemas. Pouco antes de gravar os vocais contraí várias pneumonias e o processo de recuperação deixou-me incapaz de cantar durante quase oito meses de modo que tivemos de adiar a gravações dos vocais até ao Outono de 2009. É claro que o set-back foi muito frustrante durante este período mas felizmente a minha voz voltou de forma a podermos terminar as gravações em Outubro de 2009.

E estás totalmente satisfeito com o resultado final?
Essa é uma pergunta difícil de responder. É claro que estamos muito felizes com o resultado e com o desempenho de todos no álbum, mas acho que o dia que um músico estiver plenamente satisfeito com um álbum está na altura de seguir em frente e fazer algo diferente. Eu acho que um dos principais pontos fortes da banda é a vontade de fazer sempre melhor, melhorar sempre. Outra coisa é que as canções deste álbum foram escritas durante um longo período de tempo e realmente não reflectem o que a banda é hoje musicalmente. Penso que isso é algo muito comum nos álbuns de estreia e tenho certeza que a maioria dos músicos concorda.

Fala-nos sobre os convidados em Nemesis Divine.
A faixa título foi baseada vagamente em torno de um versículo da Bíblia (Mateus 13,41, 43) e realmente achei que deveria haver uma grande introdução; não queria usar uma intro com samples como tantos fazem. Por isso criamos esta intro e quando estávamos em estúdio convidámos várias pessoas para tentar. A escolha recaiu sobre Svante Skoog, uma vez que realmente a sua interpretação das letras é fantástica. Svante também faz alguns backing vocals em algumas outras faixas do álbum. Quanto a Jenny [Jenny Blomqvist] é também uma grande cantora e uma boa amiga do Peter e quando precisámos de uma voz feminina para os coros em No Return, pedimos-lhe para nos ajudar e teve um grande desempenho, penso.


Em termos líricos, quais são os principais temas em Nemesis Divine?

Na realidade, não considero que haja qualquer assunto principal nas letras deste álbum. É claro que, à primeira vista, há algumas músicas que podem parecer semelhantes no estilo e no tema, mas se escutarem com atenção há muito mais que simples líricas. Eu não sou daqueles que gostam de falar sobre o significado das letras, porque tento mantê-las abertas para os ouvintes interpretarem. É como se, quando lemos um livro e depois ficamos desapontados quando mais tarde, assistimos a uma versão em filme, porque nada foi feito como nós o imaginámos. Eu acho que se passa o mesmo com as letras e para manter as coisas abertas para a interpretação e criar uma conexão mais pessoal com o ouvinte prefiro que cada um retire as suas conclusões e faça a sua análise.

O que é que tem sido feito em termos de promoção do álbum?

Estamos a trabalhar com uma empresa de promoção holandesa chamada Metal Revelation para todos os pormenores de promoção bem como o lançamento de Nemesis Divine. A Metal Revelation também estará presente em muitos dos maiores festivais de Verão, promovendo as bandas do seu catálogo e esta é uma boa maneira de espalhar o nosso nome. Por isso se aparecerem por lá, parem, conversem um pouco e descubram uma série de boas bandas. Por outro lado nós e a editora temos vindo a fazer trabalhos de promoção em áreas diferentes, por isso acho que temos vindo a fazer um bom trabalho.


Sem comentários: