Entrevista com Shadyon

Com oito anos de existência, os franceses Shadyon assinam o seu segundo registo na forma de Mind Control. Com uma interessante mistura entre o progressivo e as ondas mais AOR, este projecto demarca-se um pouco da habitual composição francesa e explora novas sonoridades. Para nos falar de Shadyon, Via Nocturna contactou Maël Saout (guitarrista) e Emanuel Creis (vocalista). Aqui ficam as suas opiniões.

Após o lançamento de vosso primeiro álbum, os Shadyon tiveram algum reconhecimento a nível mundial. Sentiram algum tipo de pressão quando começaram a trabalhar em Mind Control?
Maël: Na verdade, não! A primeira prioridade que definimos para Mind Control era fazer um disco que encaixasse com a nossa ideia de futuro para os Shadyon. Podemos dizer que a única pressão era fazer um álbum com um som melhor.
Emmanuel: Sem pressão. Queríamos apenas criar novas melodias e como Maël disse, melhorar a qualidade de som deste álbum.

Esse reconhecimento levou-vos até à Inner Wound Recordings. Foi fácil entrar em contacto com a editora?
Maël: Sim, foi fácil. Nós enviámos-lhe o álbum e rapidamente recebemos uma resposta. Foi a única editora das que estávamos em contacto que falaram dos seus sentimentos sobre a nossa música e que nos explicou de que forma queria trabalhar connosco. A comunicação com a Inner Wound tem sido muito fácil e clara. E ter a oportunidade de trabalhar com eles é uma coisa boa para nós.
Emmanuel: O primeiro contacto foi em Setembro passado. Emil Westerdahl, o dono da editora é uma boa pessoa, muito motivada e sempre disponível. A nossa relação é muito estreita e é muito interessante trabalhar com eles.

Quais as principais diferenças entre Mind Control e o vosso primeiro álbum?

Maël: Em termos de line-up, temos dois novos membros, o François na bateria e Jorris nos teclados, que têm um grande impacto em termos de composição. Musicalmente, Mind Control tem uma orientação mais progressiva, isto é há um lote de atmosferas diferentes neste álbum, algumas mais suave como em New Dimension, uma música acústica (Guardian Angels), canções mais directas como Into the Fire e algumas peças épicas como Mind Control e Gates of Dawn. Para este álbum o principal objectivo foi colocar os teclados com maior destaque com algumas texturas diferentes em que a prioridade era primeiramente construir canções com partes de guitarra cativantes (quer riffs, quer linhas melódicas).
Emmanuel: Eu posso acrescentar que a minha voz mudou entre Mind Control e Shadyon, porque de há dois anos para cá que tenho treino vocal específico e isso permite-me explorar toda a minha voz. E com certeza que isso influenciou a minha prestação vocal neste álbum. Para esse álbum queríamos menos arranjos mas que obtivessem mais impacto.

A França é visto como um país que produz excelentes bandas no sector do metal mais extremo. No entanto, os Shadyon estão no campo oposto. Sentem algum tipo de dificuldade no vosso país?
Emmanuel: Eu acho que aqui na França é muito difícil para o metal em geral porque há uma série de ideias erradas sobre esse tipo de música. É verdade porém, que as bandas de metal extremo são mais desenvolvidos aqui, mas cada vez mais surgem boas bandas de metal melódico e prog. E poucas bandas francesas conseguem a internacionalização. Os outros países parecem ser mais abertos a este tipo de música.


Em termos líricos quais são os principais temas em Mind Control? Há algum conceito subjacente?
Emmanuel: Mind Control não é um álbum conceitual, porque tem faixas como o Guardian Angels, Forgotten Nightmare ou Into the Fire que são independentes umas das outras. Mas há algumas ligações entre as músicas. Na realidade, Mind Control relata experiências paranormais e sentimentos provenientes dessas experiências. Como aconteceu no primeiro álbum, Mind Control, descreve o comportamento humano face a situações diferentes. O título Mind Control é a sequela de Learning To Fears (do primeiro álbum) enquanto que New Dimension e Sun And Stars falam sobre uma história similar.

Que acções têm vindo a ser planeadas em termos de promoção?
Emmanuel: A nossa editora ficou responsável por todos os actos promocionais. Webzines, myspace, Facebook e Twitter são ferramentas muito boas para as acções promocionais.

E a respeito da apresentação ao vivo de Mind Control, o que está a ser preparado?
Maël: Nós fizemos uma festa de lançamento na nossa cidade, num local histórico bem conhecido chamado Le Vauban. Em Agosto estaremos presentes num dos mais importantes festivais franceses, o Motocultor Festival com Sodom e Destruction. Para o futuro o nosso objectivo é tocar o material de Mind Control em mais lugares diferentes. Queremos e estamos prontos para ir para a estrada! Nos espectáculos, o nosso público poderá descobrir uma abordagem mais agressiva das nossas músicas. E esperamos ter as oportunidades para tocar muito.
Emmanuel: Actualmente estamos a procurar espectáculos e festivais onde possamos fazer de banda de abertura e esse vai ser o nosso próximo passo e estamos a trabalhar afincadamente nisso.

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