Entrevista - Beto Vazquez Infinity

Se Darkmind tinha deixado um ligeiro sabor amargo, Beto Vazquez preparou para a comemoração do décimo aniversário do projecto um trabalho de superior qualidade. Contando, como sempre, com um número impressionante de convidados desde os mais conhecidos até aos menos, Existence é uma obra que caracteriza na perfeição os dez anos de carreira. Em nome próprio, o músico argentino falou-nos do álbum, da sua banda e de muitas outras coisas.

Dois anos após Darkmind, estás de regresso com um álbum novo. Existence parece ser menos obscuro que o anterior. Concordas? Foi mesmo esse o teu objectivo?
Sim, o álbum anterior tinha um clima mais sombrio e incidiu sobre o gótico, e na altura eu quis capturar um registo dessas características. No entanto, todos os meus discos são diferentes uns dos outros. Não gosto de copiar as minhas próprias fórmulas. Portanto, este álbum duplo, traz muita energia e ar fresco.

Existence é um álbum conceptual. Em que se baseia?
Existence é, de facto, um álbum conceptual. O conteúdo lírico, em parte está ligado com experiências pessoais, mas tem elementos temáticos sobre a criação da existência e vivências que podem acontecer a qualquer um. Inclusive, se reparem na capa, tem os elementos de onde nasce a vida: ar, terra e útero.

Este é também o trabalha que marca os teus 10 anos de carreira. Suponha que pretendias algo grandioso. Como foi o trabalho de preparação desta obra?
Sim, fui compondo, e vendo que tinha muitas músicas para gravar decidi fazer algo diferente, fazendo um álbum duplo que cobre a existência de 10 anos do grupo. Foi um prazer trabalhar neste projecto e, além disso eu realmente gosto muito destas canções.
Sendo ainda cedo para uma análise ao feedback do álbum, quais são as tuas expectativas?
Honestamente, eu acho que tive uma grande evolução neste álbum, acrescentando nuances e diferentes vozes das que vinha gravando. Espero que as pessoas que fazem os comentários entendam isso. Pelo menos as pessoas que compraram o álbum ficaram muito satisfeitas, embora seja difícil agradar a toda a gente.

A distribuição dos temas pelos dois álbuns seguiu alguma linha orientadora? Parece-me que os temas mais rápidos foram colocados no primeiro CD. Algum motivo especial?
Não, à medida que ia escutando os temas, decidia para que disco iam, portanto cada tema foi designado para cada lugar. Não é propriamente fácil, com tantos temas, dar uma localização precisa para que todos se encaixam perfeitamente.

Como foi feita a selecção dos músicos desta vez?
Alguns músicos perguntavam-me se já tinha todos os postos preenchidos. Outros elegi-os pessoalmente e em contacto directo com eles. Tive sorte que todos os convidados que participaram, concordaram em trabalhar neste álbum, e fizeram um óptimo trabalho.

Existe alguém com quem não tenhas trabalhado e que gostaria de o fazer numa próxima oportunidade?
Os músicos são muitos, mas às vezes é muito difícil chegar a eles e poucos têm a humildade de trabalhar com bandas que são de menor importância. Por isso, aprecio muito mais o músico conhecido ou não, que, abnegadamente, trabalha com paixão e talento em cada um dos meus álbuns. É que, como sabes, há músicos muito conhecidos e outros menos. Isso para mim vale exactamente o mesmo na altura de participar.

Existence chegará ao mercado Norte-americano e Canadiano via Oz Productions e ao mercado russo via Fono LTD. Alguma expectativa em particular para estes tipos de mercado?
Estou realmente muito afortunado que, em tão pouco tempo após o seu lançamento, este trabalho seja editado e/ou distribuído no Canadá, EUA, Rússia, México e Argentina. Isto abrirá novas portas e fortalecerá ainda mais o projecto para os próximos trabalhos.

Com essa abertura a diversos mercados, ponderas a hipótese de fazer apresentações ao vivo fora da Argentina?
Não excluo essa hipótese, porque para além de gravar os instrumentos, também tenho uma banda estável. Só que para deslocar a banda, é muito caro. E um pouco complicado, também. O tempo dirá...

Finalmente, queres deixar alguma mensagem para os fãs portugueses?
Sim, obrigado por lerem esta entrevista. Sei que em Portugal, há músicos maravilhosos e pessoas maravilhosas que ouvem esse tipo de música. E, em definitivo, a música une o mundo. Um grande abraço para todos.

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