Entrevista - Obscurity


Pegar nas tradições do seu povo ou região começa a ser bastante usual. Éuma forma de os próprios grupos perpetuarem as suas tradições com uma enorme autenticidade histórica. Os Obscurity, banda germânica, fizeram precisamente isso com o seu quinto trabalho, Tenkterra, transportando para um disco de música parte da história da sua região, Bergisch Land. Ziu, baixista do colectivo, apresenta-nos o colectivo e a história em que o conceito do álbum se baseia.

Viva, antes de mais, podes apresentar-nos os Obscurity?
Olá, os Obscurity são um grupo de cinco irmãos: Agalaz (vocal), Dornaz (guitarras), Cortez (guitarra), Arganar (bateria) e eu no baixo. Originalmente tínhamos um outro cantor (Nezrac) até 2008. Nós tocamos battle metal que é uma espécie de mistura de death metal, black e viking. Estamos em batalha desde 1997 e até agora lançámos 4 álbuns (Bergisch Land - 2000, Thurisaz - 2004, Schlachten Legenden - 2007, Várar - 2009) e 2 demos. Tenkterra lançado em Novembro de 2010 é o nosso quinto álbum de estúdio.

Em Tenkterra vocês introduzem um novo elemento. Por quê?
Bem, nós não introduzimos, realmente, um novo membro. Aqui está a história: em 2008 o nosso cantor Nazrac teve de sair dos Obscurity devido a algumas alterações na sua vida. Essa foi uma decisão difícil para todos nós, mas nós entendemos e respeitámos a sua decisão. Ainda somos amigos e na vida privada continua como sempre. Por isso, precisávamos de um novo vocalista e depois de ensaiar alguns elementos escolhemos Agalaz que normalmente toca guitarra. Ele tem uma grande voz e uma grande experiência como background vocals. Ele cantou no álbum Várar e fizemos alguns shows com ele. Então, descobrimos que tínhamos o cantor perfeito. Foi difícil para ele deixar a guitarra, mas ele sente-se confortável com o seu novo trabalho agora, (risos). Resolvemos um problema, mas o problema seguinte foi bater à nossa porta outra vez: agora precisávamos de um novo guitarrista. Felizmente o nosso primeiro guitarrista Dornaz (ele tinha sido substituído em 2003 por Cortez, devido a questões profissionais) regressou para a nossa cidade. Ele começou a aparecer nos nossos ensaios com mais frequência e a dada altura perguntamos-lhe se ele poderia imaginar um retorno. Bem, ele disse sim, claro, e por isso tentei um par de canções com ele e depois ele estava de regresso aos Obscurity.

Por isso é que nos vossos álbuns anteriores, actuavam como um quinteto, excepto em Varar?Sim, bem, como eu expliquei o nosso primeiro vocalista, Nezrac, deixou a banda no ano anterior à edição de Várar. Substituímo-lo por Agalaz, que foi uma grande decisão, mas depois não conseguimos encontrar um substituto adequado para Agalaz na guitarra. Mas isso não foi realmente um golpe na época, porque o Agalaz tinha feito a maioria das coisas de guitarra para Várar. Alguns meses após o lançamento do Várar o nosso velho guitarrista Dornaz juntou-se novamente aos Obscurity.

Essas mudanças influenciaram, de alguma forma, a sonoridade dos Obscurity?
Mmmmh, não muito, excepto nas partes vocais. Agalaz soa bastante diferente. Nezrac tem uma gama mais ampla de cor da voz. Sem dúvida que isso nos coloca num patamar superior. Como ele tinha trabalhado em algumas partes de guitarra no processo de composição, o retorno de Dornaz não alterou o som Obscurity assim tanto. No fundo, eu diria que os Obscurity melhoraram com este line-up. Na realidade, não mudámos… evoluímos!

Quais são as principais diferenças entre este álbum e os seus antecessores, na vossa opinião?
O processo de composição não foi diferente do trabalho dos álbuns anteriores. Sentámo-nos juntos na nossa sala de ensaios e trabalhámos em novas ideias, como de costume. Trabalhámos com a música por completo. Apenas o trabalho nas letras foi diferente pelo facto de Tenkterra ser um álbum conceptual. Eu já tinha trabalhado o conceito e, em seguida, colocámos as músicas em linha de acordo com o conceito, bem como para criar uma certa atmosfera em cada história. Quando tínhamos a estrutura certa, Agalaz e eu escrevemos as letras. Foi um grande desafio criar um conceito que é coerente e que contou com a música correspondente.

Como referiste, Tenkterra é um álbum conceptual. Podes explicar a base do conceito e toda a história?
Ok, é um pouco complexo e vou melhor começar com o título do álbum. Tenkterra é a composição das palavras Tenkterer (uma tribo germânica) e Terra que significa Terra dos Tenkterer. É sinónimo para Bergisches Land (uma região da Alemanha) que na sua auto-concepção se mostrou mais fortemente influenciada pelas tribos germânicas Tencteri, Bructeri, Sicambri e Marsi. Na época da Guerra Franco-Saxónica a Bergisches Land era uma fronteira entre beligerantes e, por isso, foi fortemente influenciado por ambos. Tenkterra é um álbum conceptual sobre a história celto-germânica. O conceito é baseado na concepção da região por conta própria e eventos historicamente fundamentados na Bergisches Land. Tenkterra parte das raízes celtas e germânicas para se colocar no contexto desses eventos. Historicamente, a acção desenrola-se entre 200 a.C. e 800 d.C., o que abrange um período de 1.000 anos. Com relação ao conteúdo do conceito compreende raízes celtas da região, a expansão germânica, a batalha contra o Superior Império Romano e mais tarde a cisão dos povos germânicos pela cristianização, culminando na guerra entre francos e saxões. A região da pré-Bergisches Land era povoada por alguns grupos celtas. Devido às suas matas fechada e escura, intrasponíveis montanhas e vales eram resistentes à colonização. Quase ninguém se atreveu a entra lá de modo que as tribos germânicas usavam esse espaço como terreno de caça ou a área de recuo. Aqui eles encontraram um abrigo natural, mas o cultivo da terra exigia muito deles. A capa é a transformação visual do conceito em alguns aspectos. O guerreiro num campo de batalha representa o povo beligerante da Bergisches Land, bem como as inúmeras revoltas que surgiram nesta região. O fundo serve para mostrar a sua paisagem. A bandeira simboliza o adversário todo-poderoso da época: Roma. A letra V representa, não só, a legião romana (ver música V Legion), como a vitória, mas também o quinto álbum dos Obscurity.

Tenkterra terá uma edição especial limitada. Consiste em quê?
Será um estojo de madeira preta para o digi-cd. Na slipcase terá o nosso símbolo heráldico, o Bergischer Löwe, um leão. Além disso, incluímos um patch especial, de novo com o leão e a Legion Tenkterra sobre ele, que também é limitada a 222 exemplares e estará disponível apenas com o pacote especial. Uma imagem de autógrafos garantidamente assinados à mão está incluído, também. Meus dedos ainda doem! (risos).

Estão a preparar algum videoclip para este álbum?
Sim, além do trailer do vídeo haverá um videoclip do tema Bergischer Hammer. Na realidade, já terá sido publicado aquando da leitura desta entrevista. Vão até ao YouTube... Acho que irão gostar!

E a respeito de concertos ao vivo, o que está a ser preparado?
Há um  conjunto de espectáculos previstos mas a maioria deles será na Alemanha ou nos países vizinhos. No entanto temos algumas ofertas interessantes, que nos podem dar a oportunidade de dar a volta a mais países. Nós realmente esperamos que possamos providenciar para que isso aconteça porque gostaríamos de tocar noutras regiões. Isso seria fantástico! Espero que vocês gostem tanto da entrevista como eu e, quem sabe, nos veremos num futuro concerto. Metal On!

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