quarta-feira, 28 de abril de 2010

Entrevista com Helfahrt

Praticantes de um género onde predomina a fusão, sendo por via disso, dificil fazer uma caracterização simplista da sua música, os germânicos Helfahrt atingem a marca de três registos de originais com Drifa. Via Nocturna contactou o colectivo bávaro que nos explicou como nasce tanta desolação e como conseguem envolver a mitologia dos Alpes na sua sonoridade.

Em primeiro lugar, apresentem-nos os Helfahrt.
Helfahrt é alemão e significa a viagem para Helheim (e a terra dos mortos). Bem, eu poder-te-ia dizer imensas coisas a respeito do inicio da banda nos anos 90, os antigos line-ups, os novos line-ups, como crescemos, quantos espectáculos fizemos, quantas vezes dormimos com raparigas diferentes enquanto estávamos em tournée. Mas, honestamente: eu não quero que os teus leitores se aborreçam até à morte. Se realmente existir alguém interessado nessas histórias, pode visitor o nosso website. Basta um click na biografia da banda.

Que diferenças se podem apontar entre o novo álbum Drifa e o seu antecessor?
Não creio que haja uma grande diferença entre Wiedergang e Drifa. No entanto, as canções em Drifa são mais directas e, em alguns momentos, mais extravagantes que em Wiedergang. Desta vez as canções não soam tão experimentais e as letras estão mais severas já que desta vez usamos mais metáforas para descrever visões pessoais e coisas do género. Eu penso que se realmente gostaste dos nossos últimos lançamentos, não ficarás desapontado com Drifa. E desta vez conseguimos o som que realmente queríamos. Posso dizer que é o melhor som que já obtivemos.

Existe algum conceito subjacente a Drifa?
Sim, existe um conceito, mas não na forma como as pessoas constumam ver o conceito. As letras descrevem basicamente desespero, depressão, sentimentos de perda mas também novas oportunidades, mas tudo de uma forma muito pessoal. Estes tópicos podem ser encontrados em todas as canções mas não se verifica uma história continuada. Traduzindo Drifa significa gelo e este é um termo metafórico para todos os sentimentos descritos.

Costumam usar a cultura alpina nas vossas letras. Em que consiste, excatamente?
É dificil de explicar esses elementos uma vez que eu tenho uma visão especial e muito própria. Eu nunca uso deuses personalizados ou parts de Edda nas minhas letras. Tento expressar-me da minha maneira pessoal e de uma forma extravagante. O nosso baterista, Andi, é que é o responsável pelas letras que versam esses costumes bávaros. Na região sul da Bavária ainda temos alguma espécie de espiritualidade no que concerne aos elementos da natureza. Tentamos descrever tudo em metáforas e não usamos os típicos e populares clichés do metal como batalhas, sangue ou cerveja. Tudo o que escrevemos baseia-se em algo muito profundo e, como já referi, numa forma muito extravagente de ver os espíritos da natureza.

Estiveram em tournée com bandas da cena viking/folk metal. Consideram que a sonoridade dos Helfahrt se enquadra, de alguma forma, nestas categorias?
Bem, quando estamos em tournée não nos preocupamos muito com isso. O nosso principal objectivo é tocar ao vivo não importa se com uma banda thrash ou de viking metal. Ainda acreditamos que o público do metal não tem uma mente tão fechada como alguns querem fazer acreditar. Mas, honestamente, tenho que dizer que tivemos situações onde vivenciámos que o nosso som era um pouco áspero para as pessoas que estavam principalmente interessadas na cena pagan/viking/folk. Em alguns momentos tivemos a impressão que algumas pessoas estavam um pouco para lá dos seus limitens enquanto nos ouviam. Mas, como sabes, a excepção confirma a regra! (risos)

A música dos Helfahrt tem muita variedade: partes acústicas, partes mais pesdas, partes atmosféricas adicionado de muito rock’n’roll. Como é que, na altura de compor, toda esta mistura surge?
Realmente, não planeamos nada antecipadamente. As nossas canções vão-se desenvolvendo ao longo do tempo e, desta vez, saíram, como dizes, mais rock’n'roll. O meu trabalho de composição depende de algumas variáveis como a altura em que componho e os sentimentos. Mas nunca planeio escrever um riff mais obscuro ou mais pesado. É como que deixar fluir a criatividade. Não tenho influência nisso! Em Drifa há mais partes mais rockadas mas esse não é um estilo completamente novo para nós. Já tinhamos partes como estas no nosso último álbum, Wiedergang. Os temas são compostos, basicamente, pelo Sebastian Ludwig e por mim. Uma vez terminada a música, todos os elementos da banda contribuem com algumas ideias. Pessoalmente acho este um melhor método de trabalhar do que apenas um único elemento a fazer todo o trabalho de composição. O input de cinco pessoas numa canção ajuda-nos a criar um tema final no qual todos nos revimos. Esta é a razão para tantas influências.

Com tal variedade, consideras um erro considerer os Helfahrt como uma banda black metal? Como descreverias a vossa música?
Talvez a melhor definição seja de Black Metal experimental com uma boa dose de rock’n’roll. De qualquer forma, as definições são muito chatas. Apenas aconselho a ouvirem o nosso álbum e fazerem a vossa própria definição.

sábado, 24 de abril de 2010

Review: Road Salt One (Pain Of Salvation)

Road Salt One (Pain Of Salvation)
(2010, InsideOut)


Road Salt One, anteriormente apresentado como Road Salt Ivory é a primeira parte do projecto duplo Road Salt, que terá uma continuação, espera-se ainda este ano. Este duplo álbum fisicamente separado foi antecedido do EP Linoleum, do ano passado, que permitiu aos seguidores do colectivo sueco ficarem com uma ideia do que se iria seguir. Com seis álbuns de estúdio e um unplugged, onde se contam com autênticas obras-primas como Remedy Lane (2002), BE (2004) ou Scarsick (2007), os Pain Of Salvation (POS) assumem-se como um dos nomes mais importantes da cena progressiva europeia. E desta feita voltam a surpreender-nos pela capacidade criativa e pela sofisticação. Importa referir que para os POS, não há limites nem barreiras à sua imaginação. O único caminho que seguem é a sua própria sensibilidade e vontade de, sistematicamente, desbravarem terrenos ainda inexplorados. E a única regra que impõem na composição é a de não seguir nenhuma regra. Em Road Salt One a banda despe-se de muitos dos ornamentos que vinha apresentando e consegue criar um álbum por vezes minimalista, aparentemente simples e onde as sonoridades dos anos 60 e 70 marcam presença de forma indelével. No fundo, parece que os POS querem recriar, em pleno ano de 2010, o seu Woodstock. Isto porque por ali surgem alusão a nomes como Creedence Clearwater Rivaval, Deep Purple ou Jimi Hendrix. No Way, She Likes To Hide ou Of Dust são o exemplo acabado deste sentimento retro. Já em Tell Me You Don’t Know a banda visita o blues para em Sleeping Under The Stars criar um dos momentos mais geniais do álbum como se o Leonard Cohen se tivesse juntado à banda! A insanidade atinge níveis verdadeiramente perigosos em Darkness Of Mine, onde fantásticas variações vocais potenciam um tema arrepiante em termos de loucura. Para o fim estão guardados os momentos mais atmosféricos e psicadélicos, por vezes lembrando os geniais In The Woods… Não sem que, ainda antes, Road Salt surpreenda pelo seu teor pop atmosférico. Nada de estranhar se considerarmos que foi com este tema que os POS concorreram ao Festival da Canção na Suécia. Este é mais um pormenor que demonstra claramente que os Pain Of Salvation extravasaram a fronteira do metal. Road Salt One não é um disco de metal, antes um disco de música no que mais belo e tocante tem este termo. E, porventura, o mais importante: derrubam barreiras e estereótipos. Principalmente aquele conceito de que o prog tem que ter temas gigantescos. E os POS apresentam o seu superior grau de genialidade num álbum em que quatro temas têm 3 ou menos minutos de duração e apenas três temas estão acima dos 5 minutos. Significativo!

Track List:
1. No Way
2. She Likes To Hide
3. Sisters
4. Of Dust
5. Tell Me You Don´t Know
6. Sleeping Under The Stars
7. Darkness Of Mine
8. Linoleum
9. Curiosity
10. Where It Hurts
11. Road Salt
12. Innocence

Line up: Daniel Gildenlöw (vocais/guitarras), Johan Hallgren (guitarras/vocais), Leo Margarit (bateria/vocais), Fredrik Hermansson (teclados/vocais)

Internet:
http://www.painofsalvation.com/
www.myspace.com/painofsalvation
www.facebook.com/painofsalvation
www.twitter.com/road_salt

Edição: InsideOut (
http://www.insideout.de/)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Review: Apeiron (Welicoruss)

Apeiron (Welicoruss)
(2009, CD Maximum)


Formados em 2002 por Alexey Welicoruss Boganov, os Welicoruss rapidamente se estabeleceram como um dos nomes mais importantes do metal russo. A sua primeira demo, Wintermoon Symphony gravada e regravada em 2002 e 2006, respectivamente, permitiu que o nome da banda se firmasse na cena local, garantindo-lhe que em 2008, de novo Wintermoon Symphony, agora em formato de álbum, fosse editado pela editora moscovita CD-Maximum. Depois de uma muito bem sucedida tournée pelas principais cidades russas e do reconhecimento cada vez maior por parte dos fãs e da imprensa do seu país, de novo a CD Maximum se ofereceu para editar o segundo trabalho de originais, Apeiron, que veria a luz do dia em 2009. Este é um trabalho relativamente curto e que ainda por cima apresenta duas versões: Slavianskaia Sila, tema de Wintermoon Symphony aparece-nos agora com uma nova roupagem fruto do remix efectuado pelo próprio baterista da banda; e Slava Rusi aparece de duas formas distintas: a versão metálica e a versão clássica. Ultrapassadas estas considerações concentremo-nos naquilo que os Welicoruss fazem e bem, diga-se: metal que conjuga diferentes vivências e sonoridades. Nos momentos mais atmosféricos (ex.: Flower Of The Universe) podem ser comparados aos Ayreon; nos momentos mais clássicos/sinfónicos (ex: Slava Rusi, versão clássica ou To Far Worlds) a comparação a Therion surge mais ou menos óbvia; nos momentos mais agrestes e obscuros (ex: Apeiron ou Slava Rusi, versão metalizada) engatam uma espécie de viking metal, próximo de uns Turisas. Desde logo se vê que diversidade não falta a este colectivo e conseguir imprimir tanta variedade num trabalho tão curto é notável. Mas é isso mesmo que estes russos são: notáveis! A forma como misturam todas as suas influências num conjunto de sete temas, onde é importante referir, quatro são instrumentais, e cruzam baterias hiper rápidas com momentos atmosféricos, coros e vocalizos operáticos com fantásticas harmonias das guitarras, flautas com secções de cordas é impressionante! Claro que tanta variedade só resulta em pleno porque os temas são bem construídos, com estruturas que por vezes se aproxima do progressivo, com muita dinâmica e intensidade. No fundo, só é pena que acabe tão depressa!

Track List:
1. Apeiron
2. To Far Worlds
3. Blud Flower
4. Slava Rusi
5. Slava Rusi (feat. Silenzium)
6. Slavianskaia Sila (Elias remix)
7. Flower Of The Universe


Line up: Welicoruss (guitarras, vocais), Elias (bateria), Paularic (teclados, vocais), Sower (guitarras), Dizharmons (baixo)
Internet:
www.myspace.com/welicoruss
http://www.welicoruss.com/
Edição: CD Maximun (
http://www.cd-maximum.ru/)

Review: Festival (Jon Oliva's Pain)

Festival (Jon Oliva’s Pain)
(2010, AFM)


Aproveitando o longo hiato, aparentemente infinito, dos Savatage, Jon Oliva tem-se desmultiplicado nos seus outros projectos Trans Siberian Orchestra e Jon Oliva’s Pain. Com os primeiros lançou, no ano passado Night Castle, o quinto trabalho do projecto e com os Pain publicou, já este ano, Festival, a quarta proposta que surge dois após Global Warning, o seu antecessor. E apesar do nome festivo desta nova proposta o que se verifica é que Jon Oliva aparece-nos muito mais soturno e negro que em qualquer outro trabalho. A sua voz rouca e inconfundível está lá presente, mas os seus ritmos compassados e guiados pelo seu piano estão mais ausentes em detrimento do aumento da carga dramática e da densidade das guitarras. No fundo algo que já transpirara no seu álbum anterior num tema como Master. Só ao quarto tema, Afterglow, o piano de Oliva se faz sentir, mas ainda assim, de uma forma muito subtil. Apesar de tudo, este Festival surpreende-nos logo de inicio com uma sequência de temas muito interessantes, a começar em Lies e a terminar em Living On The Edge. Esta primeira metade do trabalho é extremamente valiosa em termos de riffs e de solos e apresenta alguns pormenores deliciosos como a secção final de Afterglow onde Jon Oliva arrisca umas incursões jazzisticas que se revelam preciosas. A segunda metade do álbum não nos parece tão bem conseguida. Começa com um curto tema acústico, com as guitarras bem limpas, inclusive no solo, que aproxima o colectivo daquilo que os Tiamat fizeram, por exemplo, em algumas faixas de Amanethes; e acaba por terminar de forma estranhamente tranquila com Now, um tema calmo e sinfónico em tons acústicos e de piano. Pelo meio mais dose de peso obscuro, bem puxado nas guitarras, riffs poderosos, onde um tema como Winter Heaven se mostra a sequência lógica da escola Oliviana. Não sendo um mau trabalho, porque Jon Oliva sabe bem como fazer as coisas, este Festival acaba por parecer ser, apesar de tudo, um dos momentos menos inspirados do compositor norte-americano.

Track List:
1. Lies
2. Death Rides A Black Horse
3. Festival
4. Afterglow
5. Living On The Edge
6. Looking For Nothing
7. The Evil Within
8. Winter Heaven
9. I Fear You
10. Now

Line up: Jon Oliva (vocais, teclados), Matt LaPorte (guitarra), Tom McDyne (guitarra), Kevin Rothney (baixo), John Zahner (teclados), Chris Kinder (bateria)
Internet:
http://www.myspace.com/jonoliva
http://www.jonoliva.net/
Edição: AFM (
http://www.afm-records.de/)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Entrevista com Painside

Com cerca de dois anos de existência, os cariocas Painside editam o seu primeiro registo onde o cruzamento entre a velha escola e o thrash actual de uns Nevermore promete dar cartas. Por isso Via Nocturna chegou à fala com o colectivo que nos elucidou sobre a sua ainda curta carreira.
Uma vez que os Painside não são ainda muito conhecidos em Portugal,gostaria que nos contassem um pouco da vossa história.
A banda foi formada há pouco tempo, 2 anos no máximo. Todos os integrantes já se conheciam da cena carioca, mas tocávamos em bandas diferentes. Até ao dia em que finalmente nos decidimos juntar e ver o que saía dessa união.

Em Dark World Burden podemos encontrar elementos oriundos de nomes tradicionais do metal mas perfeitamente actualizados.Perguntar-vos-ia quais são as principais influências dos Painside?
Todos na banda possuem diferente influências e talvez isso seja um factor importante para o balanço de elementos na nossa música. Acredito que entrem em jogo desde os clássicos como Iron Maiden e Judas Priest, a nomes mais recentes como Disturbed e Nevermore. Há um pouco de tudo!

Como decorreu o processo de composição e gravação de Dark World Burden?
O processo de composição em si não foi demorado, as músicas fluíram com naturalidade já que o processo de composição girou em torno de dois membros: Carlos Saione e Guilherme Sevens. A gravação é que levou um pouco a mais de tempo devido a factores externos, mas no final o resultado foi positivo.

Fale-me de God Made Me Unbreakable, o tema para Ronnys Torres.
A música surgiu por acidente, na verdade. Somos amigos de Ronnys e sempre fomos fãs de UFC. Como ele precisava de uma música, propusemo-nos a escrever um tema dedicado a ele, pois a sua história de vida é de muita luta e determinação. Essa música foi um tributo a um irmão brasileiro que batalha todos os dias com a cabeça erguida e que talvez sirva de inspiração para outras pessoas em situações difíceis.

Nesse tema tem a participação de Jean Dollobella dos Sepultura. Como se deu esse contacto?
Foi uma escolha natural devido às duas habilidades. Tínhamos um prazo apertado para entregar a faixa e nosso baterista não pôde participar na época. Guilherme sugeriu o nome de Jean ao nosso produtor que era amigo dele e que nos colocou em contacto. Ficamos felizes que ele tenha abraçado a ideia tanto quanto nós!

Por falar em convidados, também em Dark World Burden têm alguns, sendo que o nome mais sonante será Chris Boltendhal (dos Grave Digger). Como aconteceu essa participação e que papel tiveram (ele e os outros convidados) na construção da sua participação?
A ideia dos convidados era de somar ao nosso trabalho participações de pessoas de quem somos fãs há muito tempo. Embora as partes de cada um já estivessem escritas, cada um trouxe sua interpretação única para a música. E pela resposta que recebemos de fãs, acredito que conseguimos realizar um bom trabalho!

Como está a ser a divulgação do álbum aí no Brasil?
De momento ainda estamos a trabalhar nisso, já que o mercado fonográfico brasileiro passa por um momento de turbulência e redefinição, fazendo com que o processo todo demore. Por enquanto o foco é o mercado europeu e americano. Mas o Brasil não foi esquecido!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Entrevista com Sinbreed

Flo Laurin fundou os Sinbreed rodeando-se de gente importante da cena power metal germânica e europeia. A estreia, sob o título de When Worlds Collide, tem feito algum furor nos meandros mais clássicos do metal europeu. Motivos mais que suficientes para Via Nocturna conversar com o líder desta nova entidade germânica.
When Worlds Collide é a vossa estreia. Estão satisfeitos com o resultado final?
Sim, estamos totalmente satisfeitos. Tivemos um trabalho imenso mas é gratificante ver o álbum cá fora finalmente.

Este álbum também foi lançado numa edição limitada em formato picture disc. Foi ideia vossa ou da editora e com que finalidade?
A ideia foi da editora e nós concordámos com ela porque se trata de um produto orientado para os fãs e como nós acreditamos neste disco recebemo-la muito bem. Segundo eu sei, os pedidos têm sido muitos, logo tratou-se de uma decisão acertada.

Flo Laurin, membro fundador dos Sinbreed rodeou-se de um conjunto de músicos competentes oriundos de outras bandas. Não correm o risco de alguma incompatibilidade de agenda?
Não, é tudo uma questão de gestão de tempo. Obviamente, as bandas principais serão prioritárias para o Frederik e para o Herbie, mas nós estamos a trabalhar para podermos ter um futuro brilhante juntos.
A lista de convidados é notável! Estavam já escolhidos desde o inicio ou aperceberam-se durante o processo de escrita que determinadas partes necessitariam de algum input exterior?
Claramente, não! Quando falamos em composição, os convidados não tiveram qualquer influência nesse processo. Foi mais ao nível da performance e do valor que cada um introduziu nas canções. Sentimo-nos bem com estas personalidades a participar no nosso álbum e as suas prestações foram espantosas. A prestação da banda, sem os convidados também, é claro mas foi uma experiência muito enriquecedora ter trabalhado com gente tão competente!

Como decorreu o processo de composição e gravação de When Worlds Collide?
Desde que planeei tudo isto há alguns anos atrás, tudo correu muito bem mesmo quando iniciámos as gravações do álbum. Fizemos uma boa pré-produção, portanto estávamos perfeitamente preparados para gravar. Como em muitas bandas, começámos pela bateria do Frederik e depois o Alex e eu gravámos as guitarras e o baixo. O Herbie gravou as vozes no Markus Taske’s Bazement Studio onde todo o material acabaria por ser misturado. Como referi, estávamos bem preparados e tudo correu muito bem.


Considerando que, actualmente, o power metal está um pouco esquecido, o que têm os Sinbreed para oferecer para se destacarem?
Eu não diria esquecido, pelo menos considerando que evoluiu desde o chamado heavy metal clássico. Como penso que as pessoas nunca deixaram de ouvir este género de música. Quanto aos Sinbreed, adicionamos uma boa dose de peso no metal clássico por isso considero que essa porção extra de peso nos separa da maioria das bandas europeias de power metal. Certifica-te disso ouvindo When Worlds Collide e, seguramente, não ficarás desapontado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Review: Soul Creeper (Phonomik)

Soul Creeper (Phonomik)
(2010, Nightmare)

No Verão de 2006 nasciam no sul da Dinamarca os Phonomik e logo em 2007 editaram uma demo denominada Phon à qual se segue este trabalho Soul Creeper. Os Phonomik são um quarteto que pratica uma sonoridade moderna, dura, compacta e sóbria. Sem grandes demonstrações de virtuosismo nem exagerados exibicionismos, construíram um álbum curto (até demasiadamente curto face ao que se vê e ouve actualmente) e onde a envolvência colectiva está sempre mais em destaque que o individual. Musicalmente conseguem ser originais pela forma curiosa como misturam o metal do passado com muitas influências modernas, como apontamentos electrónicos (quase sempre subtis mas criteriosamente introduzidos), muito groove, algum funk e algum metalcore. O nome dos conterrâneos Mnemic vem, ocasionalmente à memória, mas os Phonomik conseguem superar essas comparações muito por fruto da capacidade de criação de linhas melódicas não muito usuais em colectivos deste género, algumas vezes, quase pop. De uma forma geral o trabalho é bastante linear e isso acaba por criar alguma saturação, mas quando a banda arrisca um pouco surgem alguns dos momentos mais belos do trabalho. E isso acontece, principalmente, no final do disco nos temas Life Lies, Broken Son e Die Alone (estranhamente estes dois últimos surge como faixas bónus) mas também em Mental Fire. Desta forma acaba por ser uma estreia bastante atractiva deste quarteto em formato profissional: Soul Creeper apresenta alguns argumentos importantes, nomeadamente a forma intensa e vivida como o colectivo cria e interpreta as suas criações.

Track List:
1. Massacre
2. Mental Fire
3. Infected
4. Wake Up Dead
5. Atmos Fear
6. Caveman
7. Soul Creeper
8. Life Lies
9. Broken Son
10. Die Alone

Line up: Shane Dhiman (vocais, guitarra ritmo), Kenneth Bergstrøm (guitarra solo), Michael Hansen (baixo), Rune Gravengaard (bateria)

Internet:
www.myspace.com/phonomik
http://www.facebook.com/phonomik

Edição: Nightmare Records (
http://www.nightmarerecords.com/)

Review: Unite And Conquer (Methusalem)

Unite And Conquer (Methusalem)
(2010, Edição de Autor)

Com uma demo e um MCD carregados de excelentes reviews por toda a Europa, em 2008 os Methusalem decidiram que estava na altura certa de avançarem para um longa duração. Quase dois anos depois surge Unite And Conquer, um conjunto de 9 faixas onde as influências do heavy metal dos anos 80 de nomes como Accept, Exciter ou Iron Maiden são actualizadas à modernidade muito por culpa de uma produção clara e poderosa. Tendo como pano de fundo a temática da guerra, é impressionante como os Methusalem conseguem, em algumas faixas, como Hardrock Showdown, Forever ou Running In Circles expor uma secção rítmica que mais parece uma metralhadora a fuzilar tudo o se move. Mas mais impressionante ainda, é como o colectivo holandês consegue criar esta vertente bélica no meio de um conjunto de temas melodicamente apelativos. Segundo os próprios o que se pretende não é copiar o passado, mas prestar homenagem ao passado. E isso, os holandeses conseguem-no fazer com distinção. Batidas fortes, melodias agradáveis, solos de excelente execução técnica e vocalizações perfeitas fazem com que temas como Go All The Way, Running In Circles ou Unite And Conquer se possam enquadrar na categoria dos clássicos. O contra-balanço é feito com a melancólica e sensível Brothers In Arms, onde a guitarra acústica e a voz calma de Harold de Vries criam um momento único de introspecção e emotividade. Para quem pretende descobria as coisas simples do puro e bom heavy metal, Unite And Conquer é a banda sonora perfeita, pela sua simplicidade, honestidade e actualidade.

Track List:
1. Hardrock Showdown
2. Go All The Way
3. Forever
4. Brothers In Arms
5. Running In Circles
6. Get Ready To Rock
7. Thunder
8. Lock & Load
9. Unite And Conquer

Line up: Jan Veenstra (guitarra), Dennis Hoekstra (guitarra), Harold de Vries (vocais), Wilco van der Meij (baixo), Jort Visser (bateria)
Internet:
www.myspace.com/methusalemband
http://www.methusalem.nu/

Playlist 15 de Abril de2010


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Review: Betrayal, Justice, Revenge (Kivimetsan Druidi)

Betrayal, Justice, Revenge (Kivimetsan Druidi)
(2010, Century Media)


Dezoito meses depois da aclamada estreia para a Century Media, Shadowheart, os Kivimetsan Druidi estão de regresso com um álbum ainda mais completo. Betrayal, Justice, Revenge consegue esticar todas as pontas em todas as direcções o que faz com que estes finlandeses tanto invistam no folk, como no metal sinfónico, como no thrash metal, como no metal mais extremo. Omnipresente continuam as fantásticas linhas vocais criadas por Leeni-Maria, num registo operático, em momentos próximo de Tarja Turunen. Aliás, precisamente nos momentos menos extremos e menos folk, o metal dos druidas da floresta de pedra não anda muito longe dos Nightwish. Claro que são pontos de contacto ténues e perfeitamente delimitados, porque o sexteto tem esta vantagem de não estar muito tempo no mesmo registo. E isso permite-lhe criar temas escuros e quase black metal (como Of Betrayal) que alternam com outros extremamente festivos (na linha de uns Korpiklaani, por exemplo como seja o caso de Tuoppein’nostelulaulu). Aliás, uma faixa como Seawitch And The Sorcerer, um dos momentos mais altos do álbum, demonstra na sua plenitude o que são os Kivimetsan Druidi de hoje: momentos violentos que se cruzam com passagens melódicas e apontamentos sinfónicos; uma secção rítmica que, por vezes assume contornos de devastadora para a seguir se tranquilizar. Alguns apontamentos celtas também aqui podem ser encontrados, numa faixa fantástica como Desolation: White Wolf. Uma referência final para as melodias superiores, na linha do que os Midnattsol têm vindo a fazer, por exemplo em Chant Of The Winged One e para a curta, mas sensacional pela riqueza harmónica e estrutural nela incluída que é Manalan Vartija com assomos de melodia infantil cruzada com harmonias festivaleiras! E se é certo que este tipo de metal que cruza angélicas vozes femininas com diabólicas vozes masculinas parece estar já há alguns anos em declínio fruto do estado de saturação atingido, não é menos certo que estes finlandeses parecem dispostos a fazer ressurgir o género, com um álbum que se pode classificar como suficientemente diverso para manter a atenção do ouvinte e inteligentemente versátil para agradar a fãs dos mais diversos quadrantes. Pelos argumentos expostos os objectivos podem considerar-se atingidos já que os Kivimetsan Druidi conseguem surpreender exactamente pela sua versatilidade e diversidade.

Track List:
1. Lament for the Fallen
2. Aesis Lilim
3. Seawitch and the Sorcerer
4. The Visitor
5. Manalan Vartija
6. Tuoppein'nostelulaulu
7. Chant of the Winged One
8. Of Betrayal
9. Desolation: White Wolf

Line up: Leeni-Maria (vocais), Joni (vocais e guitarras), Antti (teclados), Rinksa (guitarra solo), Simo (baixo), Atte (bateria)
Internet:
www.myspace.com/kivimetsandruidi
http://www.kivimetsandruidi.com/
Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Entrevista com Tara's Secret

Oriundos de Inglaterra, os Tara’s Secret são um daqueles colectivos que vivem o rock pelo simples prazer de fazer rock. Claramente vocacionados para os grandes espectáculos, a vivacidade da sua música nota-se em todos os aspectos, até na simpatia e diversão com que nos concederam esta entrevista. Mas, ainda assim, no meio do divertimento, tempo para algumas coisas sérias a respeito do que se passa no seu país. Confiram.

Tara’s Secret é um nome não muito conhecido em Portugal. Podem contar-nos um pouco da vossa história?
Certamente! Nós formamo-nos em Burton, no Kent, Reino Unido em 2003 com membros que nunca tinham estado noutras bandas. Em 2004 editámos uma demo que nos permitiu dar alguns concertos bem como destaque em algumas revistas. Desses tempos apenas o vocalista Johnny e o guitarrista/teclista Craig permanecem na banda. Desde então escrevemos o álbum de 2004, Tomorrow The World que obteve algumas excelentes reviews em diversos países e actuámos como banda suporte de nomes como Y & T e Act até perdermos os nossos baixista e baterista, tendo entrado para os seus lugares Dave e JT. Durante alguns anos que vimos tocando temas de Tomorrow The World, por isso decidimos que o nosso segundo álbum seria mais directo e hard rock. Os temas de Vertigo foram trabalhados nos últimos 18 meses e muitos bons temas ficaram de fora. Ambos os álbuns foram gravados nos Estúdios M2 dos Magnum e adoramos ter trabalhado com Mark e Sheena.

Quem são as principais influências para os Tara’s Secret?
As grande bandas rock de estádios! Van Halen, Whitesnake, Journey, Bon Jovi, etc… juntamente com
algumas coisas mais recentes como Nickelback e Gotthard.

Vertigo é já o vosso terceiro álbum. Que diferenças apontam entre ele e os seus antecessores?
Vertigo é, seguramente, um álbum mais orientado para o hard rock do que tudo que tenhamos feito anteriormente. Também já estamos mais experientes quer nos aspectos da composição quer na produção, daí que tenhamos uma produção muito melhor agora. Para terem uma ideia, Tomorrow The World demorou 8 dias; Vertigo foram 4 semanas!

E como decorreu o processo de composição e gravação?
Como dissemos, queríamos ultrapassar tudo o que tinhamos feito com Tomorrow The World bem como o que outras bandas tenham feito. Crescemos num género musical em que as bandas têm sucesso durante 20 ou mais anos. Os seus anos de glória serão para sempre lembrados, mas quase todos esquecem os seus anos iniciais, os anos de formação e estabilização. Por isso, tivemos que aprender muito depressa como criar um álbum que nos permitisse enfrentar os produtos de outras grandes bandas. Acreditamos, sinceramente, que Vertigo pode alcançar esse objectivo e as reviews que temos tido ajudam a confirmar isso.

Tem alguns músicos convidados a participar em Vertigo? Quem são e qual a sua participação no processo de composição?
Temos dois convidados. Dois de nós tocam teclas e todos podemos cantar e fazer harmonias vocais mas convidámos a Sue Willetts da banda britânica Dante Fox para o dueto em The Last 2 Know. Já tinhamos escrito a canção quando a convidámos e ficámos muito agradados
por ter aceitado o nosso convite e se ter juntado a nós em estúdio. Foi uma noite agradável com a Sue e o Johnny cantando com o coração! Vocês em Portugal têm um termo como o nosso: Goosebumps? Também fizemos alguns espectáculos com Adrian Marx e, sempre que possível, convidamo-lo a juntar-se em palco para fazermos umas jams. Portanto, para o sentimento festivo de Shake What Your Mamma Gave Ya era óbvio que a escolha recaísse nele. Ade e Johnny alteram as linhas vocais de uma forma que parece que saíram numa sexta faira à noite em busca de mulheres! O Ade canta numa banda de tributo a Bon Jovi e muitas pessoas têm-nos perguntado se realmente temos o Bon Jovi a cantar no nosso álbum. As nossas respostas variam, dependendo do nosso estado de espírito no momento!!!

Como tem sido a reacção da imprensa e dos fãs dentro e for a do vosso país?
A Grã-Bretanha não é um grande país de hard rock, actualmente e especialmente na vertente mais americana do rock. As tabelas estão cheias com indie, rock furioso e R & B. Temos vindo a fazer crescer a nossa base de fãs através dos muitos concertos que temos dados regularmente e do apoio de revistas e rádios rock. Nenhuma banda rock se enquadra no mainstream e, por isso, sentimo-nos muito orgulhosos de estarmos a obter tanto destaque fora do nosso país. Formando a minha banda com 39 anos, estava longe de imaginar vir a receber um mail da Argentina a dizer que Vertigo é disco do mês ou ter alguém de Portugal a solicitar-nos uma entrevista. Tivemos ofertas de 4 editoras europeias e uma de Inglaterra, mas escolhemos gerir o nosso futuro, criando a nossa própria editora, a Black Cat Music. A MusicBuyMail, na Alemanha, tomou agora conta do processo de distribuição por isso estamos felizes! O nosso último álbum vendeu muito bem na Coreia do Sul. Agora estamos a tentar o mercado Japonês.

Como está a decorrer a apresentação ao vivo de Vertigo?
Estas canções foram feitas para ser tocadas ao vivo e tocamos todo o álbum nos concertos, juntamente com alguns temas mais antigos. Como já dissemos, aprendemos com o álbum anterior que tipo de malhas resultam melhor ao vivo e procuramos fazer um álbum assim, mas mantendo algumas variações para ajudar a música a respirar! Estivemos em Outubro no Z Rock Festival com Wigwam e Paul Laine e tivemos bastante aceitação.

Como se sentem quando a imprensa vos compara a amonstros sagrados como Survivor ou Thunder?
Assustados!!! A sério! É um sentimento dos diabos e, simultaneamente, uma honra. Bon Jovi, Gotthard and Tyketto são mais três nomes que as pessoas mencionam o que é engraçado. Uma coisa é usar um nome de uma banda para dar ideia às pessoas no nosso estilo de música. Outra completamente diferente é quando nos comparam favoravelmente com essas bandas. No último álbum, fomos muitas vezes comparados com nomes que ninguém conhece por alguns críticos entusiastas de mostrar o seu profundo conhecimento e, talvez, o nome Tara’s Secret poderia ser outro nome menos conhecido que poderiam ter usado em 2006. Agora estamos a ser comparados com nomes que conhecemos há anos! Nós apreciamos isso, mas é subjectivo, uma vez que pode criar ilusões nas pessoas. O melhor é mesmo cada um ouvir e tirar as suas conclusões, como vocês que estão a perder um pouco do vosso tempo a tentar conhecer-nos. A terminar quero deixar um grande HI para todos os fãs de rock em Portugal e para ti pela tua crença, tempo e apoio em manter o rock vivo! Esperemos que todos gostem das nossas músicas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entrevista com Picture

Os holandeses Picture fazem parte do nosso imaginário juvenil quando nos deliciávamos a escutar o fantástico Eternal Dark perdido no meio de uma compilação em vinil! Agora estão de regresso com nova energia e um novo álbum e para Via Nocturna é uma honra reencontrar estes monstros sagrados do hard rock que com Old Dogs, New Tricks provam que ainda estão para durar. Parco em palavras, o colectivo, ainda assim, não se esquivou a falar dos novos e dos velhos Picture.

Os Picture são uma mítica banda de hard rock. O que vos motivou a regressar passados tantos anos?
Jan Bechtum colocou alguns videos antigos da banda no Youtube e a reacção foi fantástica! E aí pensamos: hey, ainda há vida no velho cão! Mais ou menos pela mesma altura, a Sweden Rock perguntou-nos se não queríamos actuar lá e então, começámos a ensaiar e sentimo-nos bem.

Durante estes anos de ausência, estiveram de alguma forma ligados à música ou afastaram-se completamente?
Eu fiz algum trabalho como músico de sessão. Fiz um álbum com uma nova banda chamada Emergency e comecei uma nova banda com o meu filho baterista Tim, chamada Dead Legacy.

O lineup mantém-se o mesmo ou houve necessidade de fazerem algumas modificações?
A única mudança foi na ordem dos membros da banda. Todos foram membros dos Picture, embora em períodos diferentes. E temos, também, um novo guitarrista. Chama-se Peter Bourbon e é ex-Vengeance.

Na altura de Eternal Dark, por exemplo, os Picture era os principais representantes da cena holandesa. Actualmente o vosso país é uma potência mundial. Na vossa opinião o que terá contribuído para esta evolução?
Penso que a Holanda acabou por ser reconhecida como sendo um dos países pioneiros do hard rock e do metal. Temos excelentes bandas e músicos.

E como se sentem agora que regressam e têm um novo álbum em mãos?
Muito felizes… a resposta tem sido excelente e parece que o velho metal nunca foi embora.

O titulo deste novo album, Old Dogs, New Tricks tem alguma coisa relacionada convosco?
Sim, mais com a banda e com o álbum. Nós, a banda, somos os old dogs; e o novo CD é o
new tricks.

Parece-me que estão em excelente forma! Como está a ser a reacção dos velhos fãs?
Sim, estamos bem vivos! E agora há diferentes gerações a virem aos nossos concertos, desde os mais jovens até aos mais velhos.

Parece estar a haver um crescente movimento de recuperação do hard rock. Sentem que a nova geração pode ouvir e gostar de Picture?
Metalheads sempre estiveram interessados na história da sua música favorita e é po
r isso que estamos aqui.

Já tiveram a oportunidade de testar Old Dogs… ao vivo? Como foram as reacções?
Já tocávamos algum material novo ainda antes de Old Dogs ter saído. Algumas canções até aparecem num CD ao vivo. E sim, as reacções têm sido fantásticas!

Quanto ao futuro, suponho que queiram aida presentear-nos com muito e bom hard rock? Que projectos têm em mente?
Planeamos lançar um novo álbum em Outubro. E esperamos gravar uma versão actualizada de Eternal Dark para esse CD. Fiquem atentos ao nosso myspace.

Entrevista com Aspera

Editar o primeiro registo profissional com apenas 20 anos de idade não será muito vulgar. Editar esse mesmo registo por uma das maiores editoras mundiais do género é ainda mais notável. Aconteceu aos noruegueses Aspera e à sua sensacional estreia Ripples. Para nos descrever este sentimento, o quinteto juntou-se e explicou tudo a Via Nocturna!

Os Illusion nasceram em 2005. Podem ser considerados como o embrião dos Aspera?
Joachim
: Sim, sem dúvida que os Illusion foram o início dos Aspera. Eram os mesmos membros e basicamente a mesma música.

Porquê a mudança de nome? Terá ocorrido, também em simultâneo, uma mudança de orientação musical?
Joachim
: A mudança de nome tornou-se necessária uma vez que considerámos que o nome Illusion não reflectia a nossa música. Poderia ser qualquer coisa, qualquer estilo. Para além disso, achámos que já deveria haver algumas bandas com o mesmo nome. Portanto queríamos encontrar um termo especial que representasse melhor o colectivo e as suas ideias musicais. E Aspera pareceu-nos perfeito. Não alterámos a nossa direcção musical, mas, de certo modo, evoluímos.

Ainda como Illusion, editaram três demos. Como foi a sua aceitação na altura?
Joachim
: As demos foram muito bem aceites a nível local, mas não as promovemos muito. Permitiu-nos fazer algumas aparições ao vivo tendo algo para oferecer às pessoas. Na altura também estávamos à procura de uma editora. Podemos dizer que essas demos foram mais para nós próprios e como forma de praticarmos os processos de gravação no nosso estúdio caseiro.

De que forma é que o trabalho realizado pelos Illusion acabou por afectar a actual sonoridade Aspera?
Robin
: Nós não consideramos Illusion e Aspera como duas bandas distintas. Illusion foi um estado embrionário de Aspera, como já referimos anteriormente. Na altura em que formámos os Illusion estávamos ainda a procurar definir a nossa sonoridade e estilo, por isso, penso que os Aspera surgem do desenvolvimento natural que tivemos a partir de Illusion.

Qual é, realmente, o significado de Aspera?
Robin
: Aspera significa espinhos ou chão rugoso, em latim, o que eu acho que é uma boa maneira de descrever a complexidade da nossa música.

Vocês são extremamente jovens, criaram um trabalho com uma enorme qualidade que é lançado pela gigante InsideOut. Como estão a viver este momento?
Rein
: Bem, parece que primeiro impressionámos a InsideOut e agora estamos impressionados com a forma de trabalhar deles. Sentimos que estamos em boas mãos com este parceiro respeitável e bem conhecido e que nos tem apoiado em todos os sentidos. É como se um sonho se tornasse realidade ter a oportunidade de lançar a nossa estreia por este gigante, a melhor editora de prog actualmente no mercado. Mas, apesar de tudo, sabemos que isto é apenas o início de um árduo trabalho, não o fim. E estamos conscientes que, para a próxima teremos que trabalhar ainda mais para nos superarmos.

Sentem algum tipo de pressão ou responsabilidade pelo facto de Ripples ter sido tão bem aceite?
Rein
: Antes de mais, devo dizer que estamos bastantes satisfeitos com as críticas e todo o feedback que tem chegado de todo o mundo. Claro que estávamos confiantes que Ripples era um bom disco, mas agora sentimo-nos realmente orgulhosos uma vez que as nossas expectativas foram ultrapassadas. Mentiria se dissesse que não sentimos qualquer tipo de pressão quando começámos a compor novo material. Mas, como sempre, iremos superar-nos e, aí sim, haverá alguma pressão. De resto, estamos calmos a esse respeito.

Se vos perguntasse quais as vossas principais influências, que responderiam?
Nickolas
: Essa é uma das coisas interessantes em Aspera. Nós, realmente, não temos muitas influências. Ouvimos muita música de várias artistas e géneros e criamos a nossa própria música sem copiar outros. Cada membro tem o seu gosto pessoal e a magia surge na mistura de coisas que nos soem bem.

Entretanto foram já confirmados como um dos nomes do ProgPower Europe. Como se sentem?
Nickolas
: Numa simples palavra: WOW! Estamos muito entusiasmados em tocar no ProgPower Europe, o nosso primeiro grande festival fora da Noruega. Especialmente porque o festival se realiza na Holanda e tivemos um feedback muito positivo de lá. E claro, este festival, pode catapultar a nossa carreira.

Em Ripples recuperaram um tema, Catatonic Coma, de 2007. Algum motivo em especial?
Atle
: Escolhemos essa canção para ser usada em Ripples porque pensamos que é uma boa canção. Tem bons coros e bom instrumental. Fizemos algumas alterações na parte introdutória e utilizámo-la simplesmente porque achámos que era demasiado boa para ser deixada de fora.

Com este brilhante inicio de carreira, as exigências serão, seguramente maiores para o futuro. De que forma planeiam um segundo álbum?
Atle:
Nós já começámos a escrever o segundo álbum e claro que sentimos alguma pressão, atendendo às excelentes reviews que obtivemos para Ripples. Mas tentamos não desperdiçar demasiado tempo a pensar nisso, concentrando-nos nas nossas ideias e criatividade, tentando, desta forma, escrever as melhores canções que conseguirmos nesta fase. E à medida que ficamos mais velhos, o nosso estilo e capacidades vão-se acentuando, por isso estamos confiantes que faremos outro grande álbum para podermos provar que não somos uma banda de apenas um hit. Portanto, esperem pelo nosso segundo álbum! Já não demora muito!

domingo, 11 de abril de 2010

Entrevista com Gwydion

Com um nome já bem estabelecido no panorama do folk/viking metal europeu, os Gwydion, banda nacional com uma quinzena de anos de carreira, prova como a experiência acumulada se transforma em mais-valias. Com Horn Triskelion, editado novamente além fronteiras pela Trollzorn Recs, o colectivo mostra que o seu crescimento há muito extravasou os limites deste jardim à beira mar plantado. Para conhecer melhor de onde surge tanto sentimento celta, viking e afins, a banda respondeu a algumas questões postas por Via Nocturna.

De que forma é que 15 anos de carreira se reflectem em Horn Triskelion?
Acima de tudo reflectem-se numa maior objectividade e coesão tanto a nivel de ideias como a nivel de sonoridade. Tudo é tratado como maior profissionalismo e seriedade, mas sempre dentro de um bom espirito de amizade dentro do grupo.

Que diferenças vocês apontam entre este trabalho e o seu antecessor, Ynys Mon?
Essencialmente as principais diferenças vão desde a composição ao processo de gravação, à masterização até a todo o trabalho gráfico. A própria composição embora tenha sido feita num tempo mais curto do que em Ynys Mon, todas as músicas foram feitas de raíz , enquanto no álbum anterior foi uma espécie de colectânea de músicas , algumas já com 5 anos e bastante alteradas ao longo do tempo. O Horn Triskelion foi bem pensado desde o inicio, como onde gravar, com timings bem estipulados, e como fomos masterizar à Noruega nos TopRoom Studios e tínhamos de ter todas as captações concluídas nos Urban Insect Studios (The Pentagon) em Portugal até à data da nossa partida para a Noruega ...foi mesmo à rasca, como bons Tugas que somos! (risos) O Fernando Matias que nos gravou fez um trabalho fantástico com uma dedicação a este trabalho e ao pormenor , é um tipo impressionante. Quando o víamos a olhar para o monitor, tal como ele dizia estou ligado à Matrix.

Que expectativas têm para esta nova proposta?
Esperamos principalmente que os nossos fãs apreciem o nosso trabalho e que venham a usufruir de bons momentos tanto ao ouvir o Cd como a assistir aos nossos concertos. Por outro lado esperamos que o nome Gwydion seja cada vez mais divulgado pela Europa e pelo Mundo de modo que daqui a uns tempos possam falar de nós como uma banda de referência dentro do género musical.
Depois de Ynys Mon os Gwydion correram a Europa com os Tyr, Hollenthon, Alestorm e Svartsot na Ragnarok Aaskereia’s Tour. De que forma correu essa experiência e que ilações retiraram para o futuro?
Foi uma experiencia fantástica , acho que deve de ser o sonho de qualquer músico fazer isto , andar com 4 bandas que eu pessoalmente ouvia em casa enfiados todos dentro de um autocarro, bebedeiras e festa durante 20 dias a dar 18 concertos e conhecer cerca de 9 países, é impagável … Para além de tudo aquilo que ficamos a conhecer acerca de como fazer uma tour, ver as outras bandas a actuar e a forma como se moviam em palco, foi uma quantidade imensa de informação que nós tentamos absorver e aprender com eles. Quando chegámos a Portugal de facto começámos a pensar de outra forma e realmente tentámos pôr em prática tudo o que aprendemos com esta experiência. Só tenho mais uma coisa a acrescentar queremos mais! (risos)

Como surge nas vossas influências a temática Viking?
É importante referir que a nossa cultura teve várias influências culturais de outros povos. Apesar da influência dos celtas, dos romanos, dos bárbaros ou da cultura árabe, nós conseguimos preservar algo que nos é muito próprio. Gostamos das nossas próprias raízes e sabemos que temos uma cultura bastante rica e vasta. Parte da nossa cultura celta ou celtibérica e as suas lendas e o seu folclore como as histórias de gigantes e anões, deuses e heróis, relembram em muitos aspectos a cultura nórdica e a sua ligação profunda com a Natureza. Por essa razão, surgiu o nosso interesse pela temática viking e este segundo álbum é como com que uma homenagem a esse povo.

Para além da temática Viking, a cultura celta e o folk tem muito impacto na vossa sonoridade. Como conseguem enquadrar todas estas influências no metal?
É certo que damos importância a uma construção musical com carácter épico, grandioso e folk, e de certo modo, lembramo-nos das histórias dos bardos e da sua importância em passar um legado cultural e musical. Daí o nosso interesse em vasculhar algum do nosso património musical e tirarmos ideias com base nas nossas influências mais arcaicas. Um exemplo disso são os gaiteiros de Miranda. Mas muitas destas influências surgem de um modo quase instantâneo na construção das músicas e não pensamos nelas conscientemente. Existe, porém um cuidado ao definir uma letra para uma música. Se a música é mais folk queremos uma letra que retrate alegria, festa e bebedeira e se for uma música mais épica, a letra deverá ter conteúdo mitológico ou com um carácter mais bélico.

Em Horn Triskelion, verifica-se a existência de alguns convidados. Poderiam apresentá-los?
Para nós esta foi mais uma novidade, a introdução de elementos externos à banda. Tivemos o prazer de poder trabalhar com pessoas muito competentes e de grande talento como o caso de Isabel Cristina, vocalista da banda de Doom Insaniae e Célia Ramos vocalista das bandas Mons Lvnae e Red Rose Motel, que fizeram as vozes femininas nas músicas Ofíussa, The Terror of the Northern assim como na intro do CD. Tivemos também a como convidado o Gonçalo do Carmo dos Strella do Dia, que participa na música Triskelion Horde is Nigh acompanhando todo o arranjo com uma gaita de foles e na instrumental At the Sumbel onde as flautas e a gralha estão bastante presentes. Contámos também com a voz de Fernando Matias da banda F.E.V.E.R que além de ser um excelente músico e produtor, é também um versátil vocalista que por momentos encarou o verdadeiro espírito Viking para participar nos coros do álbum.

Que input tiveram os vossos convidados no resultado final do álbum?
Bem, o resultado final foi uma grande surpresa para nós, quer dizer, tínhamos as músicas feitas, tínhamos algumas ideias, especialmente para as vozes femininas, mas nunca pensámos que o resultado final fosse ficar como ficou, excedeu largamente as nossas expectativas. Foi um território novo para nós, mas que abriu de uma maneira enorme a nossa criatividade, reflectindo-se nas sessões de gravação, onde foram criados novos coros e introduzidas novas sonoridades, instrumentos e vozes. Tentámos explorar ao máximo este nosso novo recurso, com a clara ajuda de todos os convidados, que de uma forma genial e harmoniosa juntaram o seu próprio carácter musical, a sua experiência e paixão nas músicas onde participaram. Foi muito interessante dar ideias às pessoas e vê-las crescer, desenvolverem-se em sonoridades cada vez mais complexas e interessantes como que se tivessem vida própria. Basicamente durante essas gravações todos fizeram parte da banda e funcionámos como uma banda, em que todos deram um pouco de si e que cada um ficou claramente representado no álbum fazendo dele o que é.

Qual é o significado do título Horn Triskelion?
Horn Triskelion era um símbolo usado no tempo dos vikings formado por 3 cornos entrelaçados, e tem vários significados, embora o mais relevante é a origem do hidromel, ou Mead Of Poetry de acordo com a mitologia nórdica. É o símbolo que melhor representa este álbum porque está directamente relacionado com o espírito folk, com a temática viking e com as nossas drinking songs.

Ofiussa (A Terra das Serpentes) é o primeiro single extraído do álbum. Porquê a escolha deste tema?
Apesar de não ter sido de início o tema que pensámos escolher como single, o facto é
que a Ofíussa foi um tema que evoluiu muito desde a sua composição inicial. À estrutura base, que é essencialmente épica, foram acrescentados diversos elementos, como vozes femininas, guitarra acústica, e pela primeira vez excertos de letras em português, que no final tornaram este tema único. Demonstra bem os 15 anos de experiências acumuladas da banda e para além disso contém muitas novas ideias que pensamos agradar aos apreciadores de metal, tanto viking folk como outros estilos.

Parece que em Gwydion nada é deixado ao acaso. A componente visual prova isso mesmo. Acho-a impressionante! Consideram importante manter essa abordagem como forma complementar da música?
Sem dúvida que nos tempos que correm a imagem é cada vez mais importante, se queremos estar num nível elevado não podemos descurar essa componente, pois a primeira impressão que as pessoas podem ter para quem não conhece a banda tem que ser apelativa. Tentamos transmitir um pouco do que se vai ouvir no álbum através de imagens, daí se pode dizer ser um complemento a toda a estrutura de uma banda. Para além disso o visual é a base para todo o layout da banda, incluindo o merchandise que é a maior fonte de receita para uma banda e lá está se a imagem for má, nada ou pouco se vende.

Em termos de apresentações ao vivo, como está a ser preparada a vossa agenda?
Bom demos o nosso primeiro concerto com as novas músicas na Suiça e a reacção foi excelente daí as perspectivas serem óptimas! Quanto á agenda mais propriamente dita, temos um festival em Inglaterra e outro na Roménia já marcado para além da nossa presença num dos grandes festivais nacionais o Metal GDL. Para além disso vamos tentar fazer um concerto de lançamento, mas que não será junto à data de release e fazer os possíveis para marcar uma nova tour europeia de modo a podermos divulgar o novo trabalho. Temos algumas coisas na manga que esperemos que corram bem e se realizem, a ver vamos.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Review: Recipe For Disaster (Third Eye)

Recipe For Disaster (Third Eye)
(2010, Escape Music)

Recipe For Disaster marca a estreia do sexteto dinamarquês de nome Third Eye em mais um lançamento da Escape Music aqui analisado. Com temas geralmente longos (entre os cinco minutos da faixa de abertura e os quase onze da faixa que encerra o álbum), os dez temas equivalem a mais de uma hora de metal progressivo (já deviam ter adivinhado face ao comprimento dos temas!). Mas deixem acrescentar que este progressivo é ligeiramente diferente do que normalmente se ouve. Diferente pelo sentido teatral que os arranjos vocais muitas vezes transmitem; diferente pela agressividade instrumental e vocal em alguns momentos conseguida. Mas, claro, com muitas semelhanças: técnica irrepreensível, estruturas complexas (algumas até demasiado complexas o que implica várias audições de desconstrução), dinâmica rítmica e estrutural o que faz com que, quer instrumental quer vocalmente dois nomes apareçam como referência na sonoridade destes Third Eye: Communic e Nevermore. Ao nível vocal, Recipe For Disaster mostra-nos um Per Johansson verdadeiramente genial, assumindo as rédeas dos temas sem receios, competentíssimo em todos os registos, verdadeiramente eloquente e com uma superior capacidade dramática, ou seja, a tal teatralidade que falávamos antes. Não menos geniais são os solos: extremamente técnicos e precisos, mas simultaneamente emotivos e cheios de sensualidade. E depois, há as canções, muitas delas de grande classe , sendo que algumas delas chegam a atingir picos de genialidade e brilhantismo raros! O maior exemplo serão os ritmos abrasileirados de Darkness Into Dawn, onde se nota, eventualmente, uma aproximação a Angra. Mas temas como Solitary Confinement, Six Feet Under, Eye Of Envy ou The Psychiatrist, formam, também, um excelente conjunto e que ajuda a que esta estreia assuma contornos de uma genialidade que merece ser divulgada.

Track List:
1. Solitary Confinement
2. Recipe For Disaster

3. Dark Angel

4. Six Feet Under

5. Eye Of Envy

6. Psychological Breakthrough

7. Darkness Into Dawn

8. Snake In The Grass

9. The Sacred And The Profane

10.The Psychiatrist

Line up: Per Johansson (vocais), Michael Bodin (guitarra), Martin Damgaard (bateria), Thomas Kuhlmann (guitarra), Andreas Schumann (baixo), Simon Long Krogh (teclados)

Internet:
http://www.myspace.com/thirdeyeband
http://www.facebook.com/pages/Third-Eye/6863203298
http://www.thirdeye.dk/

Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)


Entrevista com Myrath

Praticamente desconhecidos do mundo ocidental, os Myrath conseguiram surpreender muito boa gente com o soberbo Desert Call, um álbum que mistura metal ocidental com a sensualidade da música árabe e que se assume como um dos melhores lançamentos deste inicio de ano. Oriundos da Tunísia, um país mais conhecido pelo turismo que, propriamente pelo metal, os Myrath dedicaram algum tempo a esclarecer a Via Nocturna como se vive o metal no seu país natal e como se preparam para conquistar o mundo. Seguramente, argumentos não lhe faltam e, como nos explicam, capacidade de discernimento e confiança, também não.

A Tunísia não é o país mais provável para se esperar uma banda de metal, por isso a questão impõem-se: como vive uma banda de metal no vosso país?
Antes de mais, convém lembrar a todos que não conhecem muito do nosso país que a Tunísia foi uma colónia francesa até 1956 e, actualmente, é um destino turístico tranquilo, situado na costa mediterrânica, a menos de uma hora de voo de Roma e muito aberto a diferentes culturas. Há muitas bandas de metal por aqui que tocam regularmente, temos um programa semanal de metal na rádio nacional que também tem uma rádio Web em
www.zanzana.net/. Temos um festival mediterrânico de guitarra desde 2004 que tem permitido que muitas bandas de renome como Robert Plant, Adagio, Bertignac, Epica, Fire Wind ou After Forever tenham tocado na Tunísia nos últimos anos. Também temos algumas webzines muito activas como www.zanzana.net/ , http://www.metal-waves.com/ e www.sombrearcane.com/ que tem suportado a cena local e internacional. Obviamente, como nos países ocidentais, algumas pessoas não gostam de metal e tem uma opinião negativa a respeito dos metalheads, mas isso é outro assunto. As bandas de metal no nosso país, enfrentam uma série de desafios principalmente devido à falta de editoras e produtores e ao pouco apoio dado pela entidades e media locais.

Vocês são a banda mais conhecida internacionalmente mas deverá haver outros nomes a seguir os vossos passos e a tentar a internacionalização.
Aqui na Tunísia existem muitas bandas de qualidade que terão todas as hipóteses de seguir as nossas pisadas. Esperamos que alguns deles consigam mas para isso devem ser pacientes e esperar pela altura certa, não esquecendo que é cada vez mais difícil conseguir um contrato com uma editora devid
o à quantidade de bandas que há no mundo e também devido às alterações pelas quais a industria musical está a passar, como por exemplo os downloads ilegais. Mas para terem uma ideia e conhecerem outras bandas tunisinas de metal podem visitar os seguintes webzines/fóruns: www.zanzana.net/ , http://www.metal-waves.com/ ou www.sombrearcane.com/

Acreditam que o sucesso de bandas como os Orphaned Land, por exemplo, ajudou a que os ocidentais olhassem de outra forma para as bandas de outros continentes?
Sim, pensamos que sim. Os ocidentais deveriam estar mais abertos a outras culturas e prestar mais atenção a bandas de outros continentes que imprimem um novo apport ao prog-power metal pela adição de elementos orientais. Actualmente há um conjunto de bandas que têm uma sonoridade própria e os Orphaned Land ajudaram a desbravar o caminho para que bandas como os Myrath tivessem algum reconhecimento tocando um género de metal que não é muito familiar para a maioria dos ouvidos ocidentais mas que traz algo de excitante e fresco à cena progressiva. Sabemos que alguns dos nossos fãs quando ouviram o Desert Call pela primeira vez ficaram um pouco desiludidos porque estavam à espera de outro Hope, um trabalho mais próximo dos Symphony X, mas após algumas audições mais acabaram por adorar o álbum.

Naquela noite, quando os Myrath actuaram com Adagio e Robert Plant, sentiram que algo tinha mudado para o futuro?
Claro que muita coisa mudou desde Março de 2006, quando os Myrath eram uma banda desconhecida formada apenas por estudantes adolescentes, tendo ocorrido um assinalável progresso. Antes de mais assinámos com a editor francesa Brennus Music que permitiu editar a nossa estreia, Hope, em 2007. Nós fomos a primeira banda tunisina de metal a assinar um contracto e ainda somos a única! O sucesso de Hope deu-nos algum reconhecimento que atraiu o interesse de algumas organizações de festivais, tendo tocado pela primeira vez na Europa em Maio de 2008. Em Outubro de 2009, assinámos dois contractos com a francesa XIII Bis Records, exclusivamente para a Europa e com a prestigiada norte-americana Nightmare Records, para o resto do mundo. Essas duas editoras editaram o Desert Call em todo o mundo no dia 25 de Janeiro de 2010 o que ajudou a incrementar o nome dos Myrath e a expandir a nossa base de fãs.

Desert Call é já o vosso terceiro registo. Que diferenças existem para os seus antecessores?
Bem, o primeiro álbum Double Face foi mais uma demo. Foi auto-produzida e foi a nossa primeira experiência ao nível da composição e gravação. Éramos muito jovens na altura e a presença da influência dos Symphony X estava muito presente (agora, fazendo uma análise critica à distância, provavelmente até demasiado presente!). Hope foi a nossa verdadeira estreia, foi aclamado pela crítica e com ele ganhámos muitos fãs. No que concerne a Desert Call, poderemos afirmar que segue a mesma linha de Hope mas apresenta algumas diferenças. Logo à partida, temos um novo vocalist (Zaher Zorgati) que tem uma voz muito mais suave e melódica que Elyes o que nos ajudou a afastar um pouco da referência Symphony X, pelo menos ao nível vocal. Em muitos temas ele canta em inglês mas usando variações árabes. O álbum é, também, mais melódico com muitos arranjos árabes e orquestrações e uma excelente produção de Kevin Codfert (teclista dos Adagio), mas ainda assim, prog-power metal na linha de Myrath. Pensamos que em Desert Call introduzimos algo de novo no prog-power metal: poderá ser um novo género que mistura metal com música tradicional tunisina de uma forma que nenhuma banda o fez antes (daquilo que conhecemos!). Como exemplo fica o que uma das criticas referiu: toda a música deste álbum é bela e uma das coisas mais interessantes em Myrath é a sonoridade árabe perfeitamente distinta. Mas todo o álbum é suficientemente forte. E, mais importante que tudo, é que não é forçado. Muitas bandas que tentam replicar essas belas sonoridades arábicas falham porque se limitam a repetir o mesmo tipo de riff. Mas isto não é problema para os Myrath que criaram o seu som como a coisa mais natural. O que, vindo da Tunísia, certamente será.

Esse sentimento árabe é, realmente, muito vincado. Essa influência surge espontaneamente na vossa música?
Sim, a inspiração vem naturalmente das nossas influências ocidentais e do nosso background árabe. Tentamos criar um estilo próprio deixando que a inspiração do momento nos guie no processo de composição. Cada canção vem directamente do coração, nunca é fabricada e esta é, seguramente, a principal razão porque os temas do álbum são tão diversos. Mas agora, com a inclusão do Zaher, usámos mais a combinação entre metal música árabe de uma forma mais melódica e emocional.

Em termos de convidados quem aparece em Desert Call?
Para as orquestrações usamos instrumentos tradicionais tunisinos tocados por músicos de sessão, nomeadamente flautas e darbouka, uma percussão tunisina. O guitarrista dos Adagio, Stephan Forte, também tem uma aparição com um solo (o segundo da faixa) em Ironic Destiny. Aproveitava esta oportunidade para agradecer ao Stephan o seu apoio incondicional.

Desde a saída do álbum, em Janeiro, que feedback têm tido?
Desert Call foi muito bem aceite pelos media e altamente apreciado pelos fãs. Temos tido inúmeros pedidos de entrevistas graças a uma fantástica acção promocional levada a efeito pelas editoras Nightmare Records e XIII Bis Records; aproveitamos a oportunidade para agradecer a Lance King e Mehdi El Jai pelo seu apoio e belíssimo trabalho. Entretanto os promotores de alguns espectáculos também reparam no nosso nome e, por exemplo, já estamos confirmados para o alinhamento de 2010 do Progpower Europe que decorrerá em Outubro na Holanda e acreditamos que outros convites nos cheguem em breve.

Pareceu-me que as principais actividades promocionais se centraram mais no mercado norte Americano. Alguma razão em especial?
Como já mencionámos, temos contracto com duas editoras, uma americana e outra francesa, que gerem directamente as questões promocionais. No que nos diz respeito, nós não fazemos distinção entre tipos de mercado. O nosso estilo, pensamos nós, é muito próprio na sua mistura entre o metal e as tradições musicais tunisinas. Acredito que para os fãs ocidentais demore algum tempo até se habituarem a algumas estruturas árabes. No entanto, estamos confiantes que, à semelhança dos Orphaned Land, acabaremos por conquistar os corações de muitos fãs em todo o mundo. Mas isto é uma coisa que não acontece de imediato, requer paciência e auto confiança. E nós temos as duas!

Tem sido, frequentemente comparados a Symphony X e aliás, vocês têm referido isso nesta entrevista. Como reagem a essas comparações?
Bem, certamente, para nós é uma honra sermos comparados a a uma banda com o estatuto dos Symphony X, mas convém salientar que nós nunca tentamos ser um clone dos Symphony X, como alguém já sugeriu. Não é segredo para ninguém que entre 2002 e 2004 só tocavámos covers de Symphony X. Éramos muito jovens e o facto de tocarmos esses temas permitiu-nos aprender imenso no campo da improvisação e da composição. Por tudo isso é legitimo encontrar essas influências na nossa música, se bem que tenham vindo a diminuir ao longo dos anos. Na nossa auto-produzida estreia essas influências eram muito notórias, talvez ate demais! No trabalho seguinte, em Hope, já estavam um pouco mais diluídas e agora com Desert Call pensamos que só estejam presentes em alguns temas fruto de algumas estruturas standards habituais no prog-power metal.

E quanto ao futuro o que se segue a Desert Call?
Nós faremos várias apresentações ao vivo na Europa e faremos alguns festivais. Aliás já começámos com a presença no passado dia 24 de Março aqui, em Tunes, na 7ª edição do Festival Mediterrânico da Guitarra. Estamos também confirmados para o ProgPower Europe 2010, que decorrerá, como já frisámos, em Baarlo na Holanda entre os dias 1 e 3 de Outubro e esperamos vir a ser incluídos nos alinhamentos de outros festivais como o ProgPower USA, provavelmente em 2011. Entretando já estamos a trabalhar num novo álbum que já se encontra numa fase bastante adiantada, havendo planos para fazer as gravações no final deste ano para que seja publicado no inicio de 2011.