terça-feira, 25 de maio de 2010

Review: The First Slaughtering (Canchroid)

The First Slaughtering (Canchroid)
(2010, Edição de Autor)

Oriundos do Alentejo, os Canchroid apresentam The First Slaughtering, um álbum de puro brutal death metal. Puro? Bem, talvez não. Ao contrário da grande maioria das bandas deste género que se limitam a destilar violência sónica, os Canchroid, conseguem ser um pouco mais que isso. Talvez por isso eles se apelidem de tecnhical brutal death metal. Apesar de aqui haver dois termos aparentemente incompatíveis (techical e brutal) o que é certo é que eles coexistem mesmo. A faixa de abertura prova isso com os blastbeats e guturais a entrecruzarem-se com uma guitarra tecnicamente muito evoluída. E se Blessed Bodies Rotten é uma furiosa descarga de brutal death metal, com tudo no seu sítio, a faixa seguinte, Decapitated Soldiers From The Apocalypse mostra, de novo, uma capacidade técnica superior. O lead inicial poderia estar em qualquer trabalho de metal neo-clássico inspirado por Malmsteen e afins. E, curioso, esse soberbo trabalho de guitarra vai avançando com a música, à medida que também avança a parte mais brutal. Até que, cerca dos dois minutos, a banda resolve inverter tudo e criar uns segundos de puro devaneio progressivo e atmosférico que irá desembocar em novo caos sonoro. E é de toda esta variabilidade brutalidade/técnica que se desenrola The First Slaughtering. Para já estes quatro temas servem de apresentação ao colectivo que, assim, deixa muito boa impressão. Que continuem o bom trabalho.

Track List:
1. Slaughterhouse Orgy
2. Blessed Bodies Rotting
3. Decapitated Soldiers From The Apocalypse
4. Demência

Line up: Deadmeatgrinder (vocais), Haemarthrosis (guitarras), Dr.Morgue (guitarras), Peter Pain (baixo), Oblivion (bateria)

Internet:
www.myspace.com/canchroid

Review: Clockwork (Angelus Apatrida)

Clockwork (Angelus Apatrida)
(2010, Century Media)


Os Angelus Apatrida são uma jovem banda de Albacete, Espanha que com Clockwork se lançam ao mais alto nível mundial, com uma edição para a Century Media de um trabalho gravado nos nossos Ultrasound Studios em Braga e com produção de Daniel Cardoso. Para nós, portugueses, este será, sem margem para dúvidas, um momento de orgulho poder verificar que (se dúvidas ainda existissem!!!) conseguimos estar ao nível do que melhor se faz no mundo. Bom, mas quanto ao quarteto espanhol, que é o que nos traz aqui, pode afirmar-se que se trata de um colectivo influenciado pelos primórdios do thrash metal da Bay Area com referência a nomes como Overkill, Pantera, Testament ou Megadeth. Os Angelus Apatrida já contam no seu registo com a edição de dois álbuns publicados de forma autónoma, Evil Unleashed (de 2006) e Give’em War (de 2007) e em Clockwork apresentam uma obra fundamental de thrash metal moderno com onze faixas (mais uma intro) dinâmicas e brilhantemente executadas e uma interessante versão de Be Quick Or Be Dead, dos Iron Maiden, apenas presente na edição limitada do álbum. E ao longo do trabalho somos confrontados com uma perfeita combinação entre agressividade e aquela áurea melódica das raízes do thrash metal dos anos 80, tudo actualizado para os dias de hoje o que permite criar uma postura de raiva e atitude. Tudo isto acondicionado num elevado nível de competência técnica, raramente visto em bandas tão jovens dentro do género.

Track List:
1. The Manhattan Project
2. Blast Off
3. Of Men And Tyrants
4. Clockwork
5. Devil Take The Hindmost
6. The Misanthropist
7. Legally Brainwashed
8. Get Out Of My Way
9. My Insanity
10. One Side One War
11. Into The Storm
12. National Disgrace
13. Be Quick Or Be Dead

Line up: Guillermo Izquierdo (vocais e guitarras), David G. Álvarez (guitarras), José J. Izquierdo (baixo), Víctor Valera (bateria)

Internet:
http://www.angelusapatrida.com/
www.myspace.com/angelusapatrida

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Review: Promise Land (Giant)

Promise Land (Giant)
(2010, Frontiers)

Dann Huff mítico vocalista e guitarrista dos norte-americanos Giant já não está neste quarto registo, tendo sido substituído por Terry Brock (Seventh Key e ex-Strangeways) mas o seu dedo ainda se nota, quanto mais não seja porque ainda teve tempo para compor algumas faixas e para realizar solos noutras. O seu irmão, David Huff (bateria) é que resolveu continuar com o projecto, chamando o guitarrista dos Winger, John Roth para completar a formação. E ainda bem que o maninho das baquetas levou por diante o barco porque Promise Land é um fantástico atestado de como fazer bom hard rock à boa maneira americana. Muito orientado para o hard FM e para o AOR, este é um álbum muito longo e cheio de belíssimas canções plenas de sentimento. Em momentos a banda assume uma postura mais hardrockeira e, quando isso acontece, aproximam-se dos Whitesnake (dos bons velhos tempos, claro!). Na maioria das vezes, são nomes como Foreigner ou Survivor que são revisitados pelo quarteto. Mas seja em que campo for, os elementos dos actuais Giant explanam um elevado nível de competência, sendo que o novo vocalista, Terry Brock e o novo guitarrista, John Roth mostram-se completamente à altura para executarem este conjunto de treze temas a um patamar bem elevado. O som é perfeitamente claro e perceptível, o nível de peso está bem doseado e os temas fluem com uma simplicidade única o que contribui, então, para que Promise Land, mesmo sem ser o melhor trabalho do colectivo, se afirme como um dos melhores registos do ano no seu segmento.

Track List:
01. Believer (Redux)
02. Promise Land
03. Never Surrender
04. Our Love
05. Prisoner Of Love
06. Two Worlds
07. Plenty Of Love
08. Through My Eyes
09. I’ll Wait For You
10. Dying To See You
11. Double Trouble
12. Complicated Man
13. Save Me

Line up: Terry Brock (vocais), David Huff (bateria), Mike Brignardello (baixo), John Roth (guitarras)


Edição: Frontiers (http://www.frontiers.it/)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Review: Witchkrieg (Witchery)

Witchkrieg (Witchery)
(2010, Century Media)


Os Witchery nasceram em 1997, depois de Jensen, Rimfält e Axe terem deixado os Satanic Slaughter. Um ano depois lançaram Restless And Dead, um título insinuando ícones do metal como Accept e seu clássico Restless and Wild. O segundo lançamento foi o EP Witchburner (1999) que mais uma vez que prestou homenagem aos seus ídolos com covers de WASP, Judas Priest, Accept, Black Sabbath e com três originais. No mesmo ano editariam Dead, Hot And Ready que lhes abriu, definitivamente, as portas do reconhecimento. A combinação de força e melodia conheceu novos contornos em 2001 com Symphony For The Devil e a conexão de thrash e heavy metal melódico culminou no álbum Fear The Reaper que prestava uma homenagem ao hard rock norte-americano. Agora, em 2010, editam aquele que é o quinto álbum de originais e o primeiro com o novo vocalista Legion (ex-Marduk, Devian) e que consegue conjugar o esforço do quinteto com uma lista enorme de nomes sonantes: Hank Sherman (Mercyful Fate, Force Of Evil), Gary Holt e Lee Altus (Exodus), Andy LaRocque (King Diamond) e Jim Durkin (Dark Angel) para além de Kerry King (dos Slayer que contribui com o solo da faixa inicial). Quanto ao estilo de música que está em causa, os Witchery seguem as bandas clássicas (como o prova a lista de convidados) com o quinteto a misturar elementos de Death, Black e Heavy Metal. Liricamente baseia-se em histórias de criaturas conhecidas dos filmes de terror dos anos 80.

Track List:
1. Witchkrieg
2. Wearer Of Wolf's Skin
3. The God Who Fell From Earth
4. Conqueror's Return
5. The Reaver
6. From Dead To Worse
7. Devil Rides Out
8. One Foot In The Grave
9. Hellhound 02:46
10. Witch Hunter 03:28
11. Hung, Drawn And Quartered (bonus track – limited
edition digipak)

Line up: Legion (vocais), Jensen (guitarras), Rickard Rimfält (guitarras), Sharlee D'Angelo (baixo), Martin Axe (bateria)

Internet:
www.myspace.com/witcherytheband

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

Review: Invictus (Heaven Shall Burn)

Invictus (Heaven Shall Burn)
(2010, Century Media)

Invictus (o título completo é Invictus (Iconoclast III)) é a terceira parte da história de Iconoclast que se havia iniciado em 2008. E mais uma vez os Heaven Shall Burn (HSB) não quiseram deixar de levar todo o tempo que acharam necessário: é que para os germânicos, as músicas só devem ser gravadas quando eles próprios sentem que estão prontas. Isso não implica, todavia, que o quinteto não tenha vindo a editar trabalhos de uma forma regular, sendo que este é já o sexto álbum de originais, aos quais devam ser acrescidos três splits (dois com Caliban e outro com Fall Of Serenity) e um MCD, precisamente a sua estreia em 1998, In Battle…. Para registar este Invictus os HSB voltaram a deslocar-se aos Antfarm Studio, em Aarhus, na Dinamarca e, novamente, com produção dos dois guitarristas Maik Weichert e Alexander Dietz . Mas, agora nota-se a tentativa de pisar alguns caminhos novos. Como exemplo, referem-se os elementos atmosféricos na Intro e Outro (com o auxilio de Olafur Arnalds) ou os pormenores electrónicos em The Lie You Bleed For e, principalmente, Combat. Já em Given In Death, um dueto altamente emocional entre Marcus Bischoff e Sabine Weniger (dos Deadlock) criam uma ambiência completamente inesperada nos HSB. Os fãs do peso e riffs escandinavos também têm o se quinhão e não deverão ficar desiludidos com faixas como Buried In Forgotten Grounds ou Return To Sanity. Finalmente, as referências a um black metal gélido também por aqui se escutam, nomeadamente em Combat.

Track List:
1. Intro
2. The Omen
3. Combat
4. I Was I Am I Shall Be
5. Buried In Forgotten Grounds
6. Sevastopol
7. The Lie You Bleed For
8. Return To Sanity
9. Against Bridge Burners
10. Of Forsaken Poets
11. Given In Death (
12. Outro

Line up: Marcus Bischoff (vocais), Maik Weichert (guitarras), Alexander Dietz (guitarras), Eric Bischoff (baixo), Matthias Voigt (bacteria)

Internet:
www.myspace.com/officialheavenshallburn
http://www.heavenshallburn.com/

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

Review: Decline (Détente)

Decline (Détente)
(2010, Cognitive)


25 anos depois de lançar o inovador Recognize No Authority os Détente estão de regresso com Decline, uma mistura explosiva de thrash carregado de líricas politicas com toques punk. Juntando os membros originais Steve Hochheiser, Dennis Butler e Caleb Quinn com a extraordinária nova vocalista, Tiina Teal, Decline promete tornar-se num clássico do metal extremo. As letras continua a registar gritos de vingança e apesar da intensidade e do peso dos Détente, a musicalidade da banda é excepcional, o que os transforma numa entidade única. Após o regresso em 2007 com a reedição do mítico Recognize No Authority, os norte-americanos mostram que continuam com um som refinado e a questionar a autoridade neste seu novo trabalho. Aliás, essa é precisamente uma das áreas onde os Détente se têm mostrado, desde sempre, inovadores: ao trocarem o conteúdo habitual das letras de metal, do ódio e luxúria para algo mais política e socialmente orientado, abordando questões polémicas e impopulares. Em Decline, o poder sónico das guitarras, a devastação imposta pela secção rítmica e os berros, inimagináveis para uma senhora, de Tiina Teal prometem causar muitos estragos. Afinal, trata-se de um trabalho sem tréguas nem concessões.

Track List:
1. In God We Trust
2. Predator
3. Kill Rush
4. Degradation Machine
5. Decline
6. Genocide
7. This is Not Freedom
8. Ashes

Line up: Tiina Teal (vocais), Dennis Butler (bateria), Caleb Quinn (guitarras), Steve Hochheiser (baixo)

Review: In The Blood (Frenzie)

In The Blood (Frenzy)
(2010, People Like You)

Formados em 1983 os Frenzy são uma banda britânica de punk/rockabilly que com In The Blood atinge a marca de 13 álbuns de originais. Trata-se de um número invejável e que vem demonstrar a longevidade da banda. E claro que esta longevidade tem que estar associada a um outro termo: qualidade. De facto, desde sempre que os Frenzy têm sido associados ao movimento rockabilly/psychobilly e tem sabido construir uma carreira cheia de pontos altos e de sucessos, muito por força do conjunto de álbuns de superior qualidade e pelos energéticos concertos. Então, os três últimos álbuns, Nine O Nine, Dirty Little Devils e Nitro Boy são fundamentais no relançamento da carreira do trio e no estabelecimento do nome Frenzy como um dos nomes mais importantes da cena. Agora, em 2010, a People Like You Records edita In The Blood, um trabalho que compila tudo o que o género tem de bom. Os fãs fundamentalistas do metal, por esta altura já deixaram de ler esta review, porque, de facto, Frenzy não é metal. Mas acreditem que os menos puritanos poderão encontrar em In The Blood muitos pontos de interesse. Desde logo a atitude e a energia com que o trio ataca cada tema de In The Blood. E depois porque ainda restam alguns resquícios de um hard rock muito soft em algumas bases de guitarra e em muitos dos solos, de excelente nível, que abundam no álbum. De resto, a banda assume uma postura claramente baseada no rockabilly, não sendo demasiado agressiva na abordagem musical, criando um conjunto de faixas de uma simplicidade desarmante e onde o (contra)-baixo assume um papel primordial na condução das mesmas, mas com interessantes abordagens rítmico-melódicas e alguma capacidade de injectar pormenores criativos que fazem a diferença em relação à concorrência. Por exemplo, a deliciosa harmonia em Twice The Struggle (Half The Gain) ou os momentos quase doom em Stop The World (I Wanna Get Off). Por sua vez, Adrenaline mostra-se o tema mais rápido e, como deixa antever, cheio de adrenalina, antecipando o fecho do trabalho numa toada de quase puro hard rock em Dark Winter. Este acaba por ser o álbum ideal para quem quer ouvir algo novo, longe dos extremismos vigentes e tendo como único objectivo a descontracção.

Track List:
1. Time Machine
2. Hero
3. Twice The Struggle (Half The Gain)
4. Johnny Rocket
5. In The Blood
6. Go Away
7. Forever Ticking Clock
8. Stop The World (I Wanna Get Off)
9. Adrenaline
10. Dark Winter

Line up: Steve Whitehouse (baixo e vocais), Steve Eaton (guitarras), Ad Seviour (bateria)

Internet:
www.myspace.com/frenzyrock
http://www.frenzyworld.co.uk/

Edição: People Like You (
http://www.peoplelikeyourecords.com/)

Entrevista com Firecracker


Ainda antes dos Vindictiv, Stefan Lindholm, um guitar-hero sueco, compõs uma série de temas que a sua banda principal nunca lançou. Agora, sob o nome de Firecracker, Born Of Fire vem provar que, realmente, era uma pena esse conjunto de canções ficar esquecida. Juntando um conjunto de virtuosos, Stefan Lindholm criou um verdadeiro portento de metal neo-clássico. E depois, disponibilizou-se a explicar a Via Nocturna tudo o que está na base dos Firecracker.

Os Firecracker nasceram ainda antes dos Vindictiv, certo? Mas, o teu primeiro álbum como Firecracker só vê a luz do dia agora. Alguma razão especial?
O nome Firecracker é apenas um nome para este lançamento. O CD contém músicas que foram originalmente planeadas para o primeiro lançamento dos Vindictiv.Mas quando o Tommy deixou a banda em 2004, as canções ficaram como que abandonadas. No entanto, eu percebi que as músicas são demasiado boas para não fazer nada com eles, especialmente porque eu coloquei um grande esforço no sentido de tornar essas músicas boas. Então eu decidi publicá-las agora com um nome diferente, o nome Firecracker.

Como é que os Firecracker se constituíram como uma banda? Foi fácil encontrar os músicos certos?
Foi muito fácil! O teclista Pontus Larsson já era um amigo meu e o baterista Hasse Wazzel também é uma pessoa que eu conheço desde criança. A primeira vez que ouvi Tommy Karevik estava na casa de um amigo que também gravou algumas músicas com Tommy. Depois de o ouvir cantar perguntei-lhe se ele queria entrar na banda. E ele disse que gostava das músicas e realmente queria participar. Então, tudo correu bem.


Quais as diferenças que podemos encontrar em Born Of Fire comparando com os álbuns de Vindictiv?
Musicalmente as canções estão no mesmo estilo que nos álbuns de Vindictiv, mas um pouco mais suaves. A principal diferença é que eu estou a usar diferentes membros da banda.

Os músicos dos Firecracker também tocam noutras bandas. Consideras que poderá criar alguma incompatibilidade no que concerne aos espectáculos ao vivo?
Na verdade eu não sei, mas pode ser possível! Se tivermos muitas solicitações nunca se sabe. Falando por mim, gostaria de tocar ao vivo com esta banda.

O press-release refere que Born Of Fire é um olhar para os primeiros dias de Stefan Lindholm. Assim, a questão impõe-se: é este o som realmente contemporâneo ou os Firecracker e Stefan Lindhom de hoje são diferentes?Considerando que os Firecracker se transformaram em Vindictiv, então já nem há realmente Firecracker. Mas se tocássemos ao vivo soaríamos como a banda original.

Yngwie Malmsteen desempenha um papel importante na música dos Firecracker não só na área de composição, mas na técnica da guitarra. Ele é uma das tuas principais influências, certo?
Sou inspirado por um monte de guitarristas diferentes, mas realmente gosto do tom de Yngwie, ele toca de uma forma muito fluida. Eu não diria que tenha copiado o estilo de Yngwie, mas, sim, tenho a mesma forma de tocar. Mas há outros guitarristas que me influenciam como Richie Kotzen e Greg Howe.

E sobre o futuro, o que os Firecracker têm para oferecer?
Espero que possamos fazer alguns shows ao vivo ou talvez um novo disco, quem sabe? E obrigado por me deixarem fazer esta entrevista.

Playlist 20 de Maio de 2010


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Entrevista com Phonomik

Praticantes de uma forma de metal muito particular que mistura elementos do passado com outros actuais e com uma forma peculiar de abordar o conceito melódico, os dinamarqueses Phonomik estreiam-se com Soul Creeper, um álbum onde exploram o lado mais obscuro da alma humana. Para nos esclarecer tudo, Via Nocturna contactou o baixista Michael Hansen que, de uma forma, muito esclarecedora nos contou o que são os Phonomik e qual o significado deste Soul Creeper.

Que diferenças vocês apontam entre Soul Creeper e Phon?
Bem… Phon foi o nosso EP/demo de estreia. Incluia os dois primeiros temas que nós produzimos em formato caseiro e de forma muito económica. À medida que nos envolvemos na gravação de Soul Creeper, acabou por se demonstrar que as canções de Phon contribuiriam para o álbum. Optamos por fazer umas novas misturas e gravá-las como bónus.

Entretanto trocaram de baterista. Quem toca, afinal, no álbum?
No álbum, é o “Krueger” que toca. Ele foi o nosso baterista desde Janeiro de 2007 até Fevereiro de 2010. Devido a diferenças ele saiu. Imediatamente a seguir Rune foi recrutado e é ele o nosso baterista actualmente e é uma nova veia condutora para a banda.


O novo baterista não teve, então, nenhuma influência no crescimento dos temas de Soul Creeper?
Sim, Rune chegou depois da produção, por isso não teve qualquer influência. No entanto, o seu estilo tem sido um grande contributo para os concertos de promoção de Soul Creeper.

Como decorreu o processo de escrita e gravação?
Desde sempre que o nosso processo de escrita é um trabalho conjunto em que todos os membros tiveram
imensas ideias para o álbum. Na gravação e a produção foi diferente. O processo de gravação foi interrompido diversas vezes devido a dificuldades em obter tempo de estudio e em coordenar a produção com as partes envolvidas. O álbum foi inteiramente financiado por nós e é muito agradável te-lo nas ruas. Daqui vai uma grande obrigado para o Jacob Hansen dos Hansen Studios e para o Kim Olesen dos Anubis Gate pelo seu contributo nos teclados.

Qual o significado de Soul Creeper?
Soul Creeper começa quando Jesus é enforcado na cruz, mas esta história é a respeito dos ladrões que foram enforcados com ele e que gritaram: se tu és o filho de Deus deves tirar-nos daqui!. Então Jesus morreu e foi para o céu. Mas as almas dos nossos amigos ladrões foram presas no vazio. Agora elas são um Soul Creeper que vivem através das almas dos outros e estão condenadas à eternidade. Soul Creeper refere-se às antigas bestas que habitam as profundezas da alma humana ou os murmúrios que nos transportam para lugares escuros.


Soul Creeper foi editado pela influente Nightmare Rec. Como chegaram até eles?
Quando o álbum estava em fase de criação o nosso ex-manager fez um terrível trabalho de promoção. Despedimo-lo e assumimos nós o controlo da situação. Através do Claus da Intromental Management estabelecemos contacto cmo o Lance King da Nightmare Rec. Que nos propôs um contrato de distribuição.


E a respeito de apresentações ao vivo, o que nos podem contar?
Estamos a planear shows na Dinamarca, Alemanha, Paises Bálticos e EUA para promover o álbum. Também tocaremos em alguns festivais para provar que a Soul Creeper anda por aí para vos apanhar!!!

Review: Speed Devil (Wild Side)

Speed Devil (Wild Side)
(2010, Escape Music)

Com apenas cinco anos de existência (banda formou-se em 2005 pela mão do baterista Ronni Arntzen e do ex-Pagan’s Mind Thornstein Aaby, que viria a falecer dois anos depois de cancro), este é já o segundo longa duração dos noruegueses, depois de Indication editado em 2008. Hard rock como manda a boa tradição dos anos 80 do século XX é o que podemos encontrar em Speed Devil, ora pendendo mais para uns Judas Priest, ora pendendo mais para uma atitude glam, onde nomes como Motley Crue ou Ratt surgem como referência. Com uma sonoridade ritmada, balanceada e, por vezes, um pouco fragmentada, Speed Devil é um verdadeiro conjunto de hinos para os amantes do género que com temas como Live Forever (aquela velocidade e aqueles gritinhos não destoariam nada nos Judas Priest), Mine Tonight , Always Be Me ou Devil In Disguise se deverão deliciar. O contrapeso é feito com a bela balada acústica Love For You. No fundo os Wild Side não apresentam nada de novo e, apesar da qualidade dos solos, nem arriscam muito na forma como abordam os seus temas. Como resultado apresentam um álbum de certa forma repetitivo e pouco diversificado. No entanto, acreditamos que este conjunto de doze canções seja feito a pensar nos palcos, onde, de facto, elas deverão resultar muito bem. Atitude e competência são duas qualidades que não se podem negar aos noruegueses e que, normalmente se mostram essenciais ao vivo.

Track List:
1.Paranoia Circus
2.Live Forever

3. Mine Tonight

4. Play With Me

5. Need To Deliver

6. Wild One

7. Eagle

8. Won’t Let U Go

9. Devil In Disguise

10. Always Be Me

11. Love For You

12. Speed Devil

Line up: Joachim Berntsen (vocais), Tom Grana (guitarra), Jon Aarseth (guitarra), Stian Stensrud (baixo), Ronni Arntzen (bateria)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Review: No Turning Back (Innerwish)

No Turning Back (Innerwish)
(2010, Ulterium)


Os gregos Innerwish são uma das mais bem sucedidas e experientes bandas do seu país. Com 15 anos de carreira, destaca-se o tempo em que passaram na influente editora germânica Limb Music, casa de nomes sonantes do power metal europeu, sendo que os Rhapsody (Of Fire) serão o nome mais sonante. Com este selo editaram dois álbuns (Silent Faces, de 2004 e Inner Strength, de 2006). Mas já antes havia publicado Waiting For The Dawn (1998) e o split com os Reflection, Realms Of The Night, de 2000. Agora, na sueca Ulterium apresentam o seu quarto longa duração de originais e que se poderá considerar, sem grandes exageros, como o melhor trabalho da sua carreira. Precisamente numa altura em que o power metal melódico está, claramente, em baixa, os Innerwish mostram como fazer um trabalho de grande nível, fugindo a todos os clichés que deitaram abaixo o estilo, mas, ainda assim, perfeitamente preenchido com todos os detalhes que permitiram que o género fosse tão popular há uns anos atrás. Os temas são, acima de tudo, boas composições, bem construídas, excelentemente produzidos, onde a técnica e a melodia andam sempre de mão dada. E repare-se que não falamos de velocidade. Isto porque No Turning Back nem é um trabalho supersónico: antes apresenta uma interessante dinâmica em que momentos mais rápidos alteram com outro mais a meio tempo, onde algumas cavalgadas mais intensas se mostram perfeitamente controladas e onde o balanceamento é o ponto chave. As referências são HammerFall da sua melhor fase (leia-se Legacy Of Kings) e, sinceramente, muitas vezes nos vêm à memória passagens desse mítico álbum da banda sueca. E isso só pode ser bom sinal. Claro que os Innerwish não inventam nada. No entanto, conseguem crivar o essencial do acessório e o que produzem é de uma extrema beleza. O conjunto inicial de temas (até ao tema título) é do melhor que já se ouviu este ano e no historial deste género. A partir daí a bitola mantêm-se elevada mas com a vantagem de os gregos irem adicionando elementos novos como arrojados arranjos vocais (em Sirens), apontamentos sinfónicos (em Save Us) ou alguns apontamentos aparentemente estranhos como o inicio da longa e épica Kingdom Of Our Prime a lembrar uns Edenbridge e com os coros na linha de uns Within Temptation. Em Last Breath conseguem recuperar o bom espírito Helloween, naquele que é um dos temas, juntamente com Save Us com os refrães mais apelativos e cantaroláveis. A surpresa chega no final com Live For My Own onde Babis Alexandropoulos expressa todo o seu sentimento e classe numa faixa onde é acompanhado apenas ao piano. Simplesmente sensacional!

Track List:
1. THE SIGNS OF OUR LIVES
2. CHOSEN ONE
3. BURNING DESIRES
4. NO TURNING BACK
5. SIRENS
6. SAVE US
7. LAST BREATH
8. LAWMAKER
9. WELCOME TO MY WORLD
10. KINGDOM OF OUR PRIME
11. FULL OF LUST
12. LIVE FOR MY OWN

Line up: Babis Alexandropoulos (vocais), Thimios Krikos (guitarra), Manolis Tsigos (guitarra), Antonis Mazarakis (baixo), Terry Moros (bateria), George Geogiou (teclados)

Internet:
http://www.innerwish.gr/
www.myspace.com/innerwish

Edição: Ulterium Records (
http://www.ulterium-records.com/)

Playlist 13 de Maio de 2010


domingo, 9 de maio de 2010

Review: Cold Comfornt (Painted Black)

Cold Comfort (Painted Black)
(2010, Ethereal Sound Works)

Depois de três anos consecutivos (2007, 2008 e 2009) a serem considerados pelos leitores da Loud! como a melhor banda sem contrato, eis que finalmente editam o seu primeiro trabalho de longa duração por a independente Ethereal Sound Works. Para trás ficaram dois demo EP’s, The Neverlight (de 2005), Verbo (de 2007) e o promo CD The Forthcoming Cold (de 2008) que lhe granjearam o estatuto já referido. Para trás ficou, também, a cidade de Covilhã onde nasceram há 9 anos, tendo agora residência oficial em Lisboa. A mudança para um lugar climatologicamente mais quente, de forma alguma aqueceu a sonoridade deste sexteto que continua a fazer o seu gothic/doom metal de uma maneira fria e completamente desoladora. Cold Comfort é, de facto, um registo a preto e branco, triste e melancólico. As belas e desoladoras paisagens são, por momentos, cortadas por controlados ataques de fúria marcados por um sofrimento atroz. Em temas como The End Of Tides, os Painted Black recuperam algum do sentimento de negro romantismo que caracterizou os Moonspell; mas noutros momentos, como em Shadowbound, criam um lead inicial na linha de My Dying Bride, sendo que estes dois nomes acabam por ser a principal referência da sonoridade do colectivo. A inclusão da dualidade vocal ajuda a criar esse sentimento de negritude e sofrimento que ainda mais se acentua com os pormenores atmosféricos com que vão pintando o seu cenário musical. Via Dolorosa, a faixa de abertura deixa logo bem claro que estamos face a um trabalho de uma qualidade acima da média e essas primeiras impressões acabam por ser confirmadas ao longo da audição. Nos momentos mais calmos, um sereno dedilhado associado à voz calma e tranquila de Daniel Lucas ajuda à descoberta de uma paz negra interior que, repentinamente, explode na forma de violentos guturais. Os solos, pejados de técnica e sentimento assumem-se como outros dos principais elementos positivos. Ou seja, e em resumo, este é mais um trabalho que acaba por se impor como mais uma pérola negra e triste do nosso metal.

Track List:
1. Via Dolorosa
2. Shadowbound
3. The End Of Tides
4. Absent Heart
5. Cold Comfort (Release)
6. Winter (Storm)
7. The Rain In June (Out Of Season)
8. Inevitability

Line up: Bruno Aleixo (piano e sintetizadores), António Durães (baixo), Miguel Matos (guitarra ritmo), Daniel Lucas (vocais), Luís Fazendeiro (guitarra solo), Rui Matos (bateria)

Internet:
http://www.myspace.com/blacktapestry
http://www.painted-black.org/
http://www.facebook.com/pages/Painted-Black/61726397557

Edição: Ethereal Sound Works (
http://www.etherealsoundworks.com/)

sábado, 8 de maio de 2010

Review: The Obsidian Conspiracy (Nevermore)

The Obsidian Conspiracy (Nevermore)
(2010, Century Media)


Para estes senhores as apresentações são completamente desnecessárias. Desde os tempos dos Sanctuary que Warrel Dane e seus pares se têm imposto pela sua superior qualidade e por conseguirem criar uma sonoridade tão própria que ninguém se conseguiu aproximar. Como Nevermore, atingem já o oitavo trabalho de originais cinco anos após a edição de This Godless Endeavor. E voltamos a ser surpreendidos por uma fantástica capacidade de fazer thrash metal em formato progressivo, em que as guitarras, bem fortes e muito densas, criam riffs endiabrados, saltitantes, pouco lineares e com imensa dinâmica. Os solos são, como sempre, soberbos e intensamente impregnados de uma técnica precisa. Da voz de Dane não adianta falar: é única, irrepetível e inimitável. No fundo o que The Obsidian Conspiracy nos propõe é uma sonoridade típica de Nevermore extremamente actualizada fruto de uma produção poderosa e moderna. Em termos de faixas, o álbum abre de uma forme poderosa, claramente thrash e vai evoluindo em diversos sentidos: ora introduzindo ritmos avassaladores (And The Maiden Spoke), ora injectando aquela magia tão única que só os norte americanos parecem ser capazes de fazer (Emptiness Unobstructed ou The Blue Marble And The New Soul). A fechar, mais uma letal dose de poder com o tema-título não sem que antes The Day You Built The Wall, se assuma como outras das mais-valias deste álbum. No fundo, um álbum com a assinatura clara e inequívoca de Nevermore, ou seja, com a chancela de qualidade.

Track List:
1. The Termination Proclamation
2. Your Poison Throne
3. Moonrise (Through Mirrors Of Death)
4. And The Maiden Spoke
5. Emptiness Unobstructed
6. The Blue Marble And The New Soul
7. Without Morals
8. The Day You Built The Wall
9. She Comes In Colors
10.The Obsidian Conspiracy

Line up:
Warrel Dane (vocais), Jeff Loomis (guitarras), Jim Sheppard (baixo), Van Williams (bateria)

Internet:



domingo, 2 de maio de 2010

Review: Born Of Fire (Firecracker)

Born Of Fire (Firecracker)
(2010, Escape Music)

Ainda antes dos Vindictiv se terem formado já Stefan Lindholm (guitarrista dos citados) tinha contactado Pontus Larsson para erguerem uma banda. Claro que o guitarrista acabou por ter mais reconhecimento com os Vindictiv, mas a aposta da Escape neste quinteto para apresentarem este material que permite uma visão dos primeiros anos da carreira de Lindholm. E ainda bem, dizemos nós. O que aqui se apresenta é metal neoclássico claramente influenciado por Yngwie Malmsteen num cruzamento com o progressivo onde as pontuais referências a Seventh Wonder (ou não fosse o vocalista destes Firecracker também vocalista daqueles) ou a Dream Theater (da época Images And Words/Awake) ou mesmo a Queensryche (por exemplo na faixa The Refrain) são mais ou menos notórias. Ainda assim, o mago da guitarra Malmsteen acaba por ser o principal ponto de comparação não só ao nível da composição dos Firecracker, como também na técnica de execução de Stefan Lindholm. Mas em Born Of Fire, há vastos motivos de interesse: interessantes trabalhos ao nível harmónico e fantásticas vocalizações (o homem, canta mesmo!) são as outras mais-valias para além, claro, do excelente trabalho ao nível dos solos, quer de guitarra, quer de teclados, com Pontus Larsson a mostrar-se, também ele, um virtuoso no seu instrumento. O álbum apresenta dois instrumentais (Instru (metal) e Speed Devil) que servem, se ainda fosse necessário, para demonstrar as capacidades técnicas de Lindholm e Larsson. No entanto, a sensação que fica, é que os Firecracker conseguem criar muitos e bons solos tecnicamente perfeitos, rápidos, precisos mas que pecam um pouco na emotividade e na musicalidade. No entanto, os temas são agradáveis e momentos como Blind Date, Second Self ou The Refrain são do que melhor se tem feito ultimamente neste segmento do metal.

Track List:
1-Blind Date
2-Second Self
3-Gamekeepers song
4-Instru (metal)
5-Back Broken
6-The Refrain
7-A place called behind
8-Speed Devil

Line up: Stefan Lindholm (guitarras), Pontus Larsson (teclados), Tommy Kerevik (vocais), Hasse Wazzel (bateria), Fredrik Folkare (baixo)

Internet:
http://www.myspace.com/stefanlindholm

Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)

Review: Cranial Feedback (Steve Cichon)

Cranial Feedback (Steve Cichon)
(2010, Nightmare)

Para quem não reconhece o nome, poderemos adiantar que Steve Cichon ficou mais conhecido pelo seu trabalho com os Vicious Circle. Agora lançado numa carreira a solo, Steve alcança a marca do terceiro álbum de originais. Assumindo a execução de todos os instrumentos, o multi-instrumentista norte-americano deixou, de vez, as vocalizações e apresenta-nos um trabalho completamente instrumental, onde, naturalmente, a guitarra assume um papel primordial. Guitarras eléctricas, acústicas, sintetizadas, flamencas… ou seja, guitarra para todos os gostos. Ao nível técnico, Cichon aproxima-se de Steve Vai ou Joe Satriani, mas infelizmente ao nível de composição não apresenta o mesmo grau de genialidade. Bem, certamente ninguém estaria à espera disso, mas o que é certo é que Cranial Feedback é um trabalho monótono e desinteressante. Isto porque a música é criada e interpretada por uma série de instrumentos e aqui a guitarra sobrepõe-se a tudo o resto, sendo o trabalho dos restantes instrumentos básico e com uma deficiente captação. Incompreensível é também a insistência em incluir o barulho de um público inexistente, uma vez que o álbum não é ao vivo. Por momentos Steve Cichon ainda tenta introduzir alguma variabilidade na sua música: os apontamentos flamencos e jazzisticos em Crystal Clear tornam este um dos melhores momentos do disco, mas soa a muito pouco. Em Great Escape, o músico arrisca um pouco na composição com mudanças rítmicas e estilísticas mas que se revelam muito forçadas e até descontextualizadas. A já citada Crystal Clear, Siren e Sedated acabam por ser os momentos menos maus num álbum que sabe, completamente, a plástico.

Track List:
1. Ricochet
2. Crystal Clear
3. Siren
4. Panacea
5. Headrush
6. Great Escape
7. Sedated
8. Northern Lights
9. Kung Pao
10. Backlash

Line up: Steve Cichon (todos os instrumentos)

Internet:
www.myspace.com/stevecichonmusic

Edição: Nightmare Records (
http://www.nightmarerecords.com/)