sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Playlist 23 de Setembro de 2010


Review: Solitaire (Edenbridge)

Solitaire (Edenbridge)
(2010, Napalm)


Os Edenbridge podem ser acusados de muita coisa (nomeadamente de falta de capacidade de inovação e repetitividade) mas a realidade é que o colectivo austríaco consegue, como ninguém, criar fantásticas melodias. Solitaire sucede a MyEarthDream (de 2008) e volta a soar como sempre soaram: melódicos, sinfónicos, bombásticos, orquestrais. Nada de novo a não ser a inexistência, desta vez, do habitual tema longo e épico. A competência instrumental (a capacidade da Lanvall em sacar solos melódicos é, de facto, espantosa!) está lá; a excelência vocal de Sabine Edelsbacher mantém-se intacta, o que faz dela uma vocalista única no actual panorama metálico. Faltará, dirão alguns, mais empolgamento. Concordamos. Solitaire é um bom disco, competente, a espaços excelente, mas falta aquele safanão que nos derruba e nos faz pedir por mais. E falta, também, mais homogeneidade na linha qualitativa do disco. Talvez porque tudo que aqui está, embora bem feito, sublinhamos, já tenha sido apresentado em obras anteriores do colectivo. Ainda assim, podem-se destacar alguns momentos como Higher, Skyline’s End, Out Of This World ou Further Afield. Momentos em que os coros e as partes orquestrais são sublimes; onde as linhas melódicas são deliciosas; onde Sabine e Lanvall brilham a grande altura. Momentos que ajudam a que Solitaire, embora longe da fantástica estreia Sunrise In Eden (quanto a nós, ainda o melhor trabalho do grupo), não envergonhe o legado Edenbridge e, inclusive, suba alguns patamares quando comparado com o seu antecessor.

Tracklist:
1. Entrée Unique
2. Solitaire
3. Higher
4. Skyline’s End
5. Bon Voyage Vagabond
6. Come Undone
7. Out Of This World
8. Further Afield
9. A Virtual Dream?
10. Brothers On Diamir
11. Exit Unique

Line-up:
Sabine Edelsbacher – vocais
Lanvall – guitarras e teclados
Dominik Sebastian – guitarras
Max Pointner – bateria

Internet:
http://www.edenbridge.org/
http://www.myspace.com/edenbridge
http://www.facebook.com/pages/Edenbridge/65841432999
http://www.youtube.com/user/edenbridgeofficial

Edição:
Napalm

Review: Static Impulse (James LaBrie)

Static Impulse (James LaBrie)
(2010, InsideOut)

Os primeiros segundos de Static Impulse levam-nos logo para Systematic Chaos. Mas não por muito tempo. Logo a seguir ficamos convencidos que nos enganamos no CD. Toda aquela velocidade, agressão sónica e violência vocal não pode ser James LaBrie. O vocalista dos Dream Theater habituou-nos a trabalhos mais calmos e progressivos não só na sua banda de origem como nos diversos projectos onde tem trabalhado, nomeadamente neste seu próprio projecto que agora publica o segundo trabalho depois de Elements Of Persuasion (de 2005). Mas, certamente inspirado por alguns momentos mais agressivos que os DT tem explorado ultimamente e com vontade de abraçar novas sonoridades, o vocalista canadiano não se coibiu de arriscar na composição e abraçar novas sonoridades. Bom, mas passada a surpresa inicial damos conta que, a partir de Mislead, progressivamente Static Impulse vai perdendo aquela brutalidade inicial para se ir aproximando de um metal mais progressivo, com apontamentos ocasionais de vocais agressivos. Isto até This Is War, um tema verdadeiramente death metal técnico onde Marco Sfogli apresenta o mais brilhante trabalho rítmico da sua guitarra em todo o álbum. No fundo trata-se de uma obra bipolar que cruza metal moderno, poderoso, obscuro, denso com o progressivo que estamos habituados a ouvir em LaBrie. Para isso terá contribuído a prestação do baterista Peter Wildoer, conhecido pelos seus trabalhos em bandas como Arch Enemy, Old Man’s Child, Pestilence e actualmente nos Darkane e que aqui assume a parte vocal mais agressiva. Ele que acaba, também, por ter um soberbo desempenho em todo álbum, com destaque para Euphoric, curiosamente a primeira faixa exclusivamente com vocais limpos, mas com um assombroso trabalho de bateria. Uma coisa resulta clara: este álbum torna-se surpreendente a todos os níveis. Primeiro porque ninguém esperaria um trabalho tão forte; depois porque LaBrie e Guillory (companheiros de composição há onze anos) conseguiram escrever um conjunto de temas mais curtos e mais directos mas, ainda assim, extremamente complexos, intrincados e não facilmente desmontáveis. E se o álbum começa a surpreender fecha a surpreender: Coming Home mostra-nos um LaBrie calmo e intimista, recorrendo a piano e guitarra acústica para criar um momento completamente inesperado face ao que se vinha ouvindo. O que não surpreende é a superior destreza técnica de todos os elementos, com Matt Guillory e o italiano Sfogli a cruzarem, sistematicamente o limite do humanamente possível com os seus solos, ajudando também a situar Static Impulse como o melhor álbum em nome individual do vocalista.

Tracklist:
1. One More Time
2. Jekyll Or Hyde
3. Mislead
4. Euphoric
5. Over The Edge
6. I Need You
7. Who You Think I Am
8. I Tried
9. Just Watch Me
10. This Is War
11. Superstar
12. Coming Home

Lineup:
James LaBrie – vocais
Matt Guillory – teclados
Marco Sfogli – guitarras
Ray Riendeau – Baixo
Peter Wildoer – bateria

Internet:
www.myspace.com/officialjameslabrie
www.facebook.com/officialjameslabrie
http://www.jameslabrie.com/

Edição:
InsideOut

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Review: Melodic Thrashing Mayhem (Biolence)

Melodic Thrashing Mayhem (Biolence)
(2009, Edição de Autor)

Os Biolence são uma banda de Vila Nova de Gaia que já anda nisto há 12 anos e Melodic Thrashing Mayhem é o sucessor da estreia homónima de 2004. Para este trabalho a banda apostou em gravar nos UltraSound Studios, em Braga, forno dos melhores lançamentos do metal nacional ultimamente. E fez bem porque à sua experiência acumulada juntou-se o poder sónico de uma produção de excelência que caracteriza os trabalhos fabricados em Braga. Como resultado o colectivo apresenta um trabalho de inegável qualidade, que tanto bebe na escola germânica do Thrash como na sueca do Death Metal. Os quatro temas (excluindo a Intro e a Outro) primam pela diversidade estrutural e rítmica, pelas agradáveis harmonias, pela superior técnica e pela qualidade em termos de solos, muitos deles extraordinariamente melódicos. Acrescentem uma adequada dose de groove e riffs poderosos e ficarão com uma ideia real do que os Biolence têm para oferecer. Os temas são longos o que permite aos gaienses explorar diversas ambiências de âmbito rítmico enriquecendo ainda mais a sua prestação. Vocalmente a banda aposta também na diversidade com César a pisar diversos terrenos neste campo, desde o mais gutural ao mais gritado/berrado, conseguindo um bom desempenho quer ao nível dos graves quer dos agudos. Este é então mais um bom trabalho neste segmento do metal nacional e mais uma banda a ter em conta. O seu historial adicionado desta obra certamente lhes proporcionará a partir daqui outro reconhecimento.

Tracklist:
1. Intro
2. Biolence
3. Land And Freedom
4. Blood Of The Gods
5. Pure
6. Outro

Line-up:
César – vocais e guitarras
Dani – bateria
David – guitarras
Marco – baixo

Internet:
www.myspace.com/biolence

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Entrevista com Kandia

Tudo está bem quando o panorama metálico de um país apresenta um colectivo como Kandia e um disco como Inward Beauty, Outward Reflection. A beleza da voz de Nya Cruz cruza-se com o fantástico trabalho de guitarra de André para criar momentos de pura magia. Por isso, a propósito da edição do primeiro longa duração da banda nortenha, Via Nocturna não quis deixar passar a oportunidade de conhecer melhor este duo através da vocalista Nya.

Como surgiram os Kandia?
Os Kandia surgiram em Novembro de 2007. Eu e o André conheciamo-nos de um projecto anterior, ele enviou-me algumas gravações que tinha feito, eu gravei as vozes em casa e enviei-lhe e achamos que faziamos uma boa dupla em termo de composição. Como optamos por sermos os únicos compositores, rapidamente fizemos uma pré-produção daquele que viria a ser mais tarde o EP Light.

Como se sentem em relação a este trabalho?
Estamos muito contentes com os temas, com todo o artwork. É óbvio que na música ficas sempre com a sensação de que algo poderia ter sido melhor, contudo, sinto que ainda não exploramos toda a potencialidade que este disco tem. Mas temos tempo para isso!

O trabalho de composição foi feito, então, apenas a dois. Como correu?
Sim, foi feito a dois. É a forma mais prática e expedita de compor, as malhas surgem a qualquer momento e rapidamente se transformam em temas quase completos. Felizmente temos meios suficientes para gravar as ideias e explorar juntos.
Em estúdio, tiveram o auxilio do Daniel Cardoso na bateria e teclados mas ao vivo quem serão os elementos que vos acompanharão?
Temos connosco o Bernardo no baixo, que também já esteve connosco noutro projecto e o Daniel Silva na bateria
, que é um músico excelente.

Além disso contam com mais alguns convidados. Querem apresentá-los e que papel desempenham no vosso disco?
Quando compusemos o tema Reflections fizemo-lo propositadamente para ser um dueto, sabiamos o tipo de voz masculina que queríamos e entramos em contacto com o JP dos Charon que se revelou extremamente acessível e humilde e fez um trabalho soberbo. Chegamos ao final com o o ambiente que pretendiamos criar no tema.

Sendo um trabalho de elevada qualidade, na nossa opinião, estranho que ainda se trate de uma edição de autor. Foi opção vossa ou uma contingência? E já há novidades em contrário?
Foi uma opção nossa. Sabíamos que iamos tornar as coisas mais difíceis mas da mesma forma quisemos ter liberdade para explorar sem qualquer tipo de pressões. É óbvio que muitas portas se fecham quando dás a cara por ti próprio e não tens alguém do meio a fazê-lo por ti, contudo conseguimos distribuição aqui em Portugal e também vamos editar no Japão, aí sim, já com editora.

Neste disco recuperam um tema de Light de 2008. Porque a escolha deste tema em particular? E sofreu alguma operação de reformulação na sua estrutura?
Na fase de composição do album, colocamos (se é que se pode chamar ) um quiz pelo myspace destinado a saber por parte dos nossos ouvintes qual era o tema de Kandia que eles gostariam de ver regravado no disco. O tema Rise foi o mais votado pelos users do myspace, daí a presença dele no álbum. O tema sofreu algumas transformações mas continua reconhecível, foi mais uma oportunidade de colocar nuances electrónicas no álbum.

Em termos líricos, que assuntos são abordados em Inward Beauty, Outward Reflection?
O título do álbum é quase um resumo daquilo que falam as músicas. A temática do álbum gira em torno das emoções, da descoberta e da observação de comportamentos dos que nos rodeiam. Gosto de escrever mais sobre os outros do que sobre mim, o ser humano fascina-me e
surpreende-me cada vez mais

Como têm sido as reacções dos fãs e da imprensa?
Temos tido boas críticas na imprensa e o mesmo tem acontecido com quem adquire o CD e vai aos concertos, estamos muito contentes

E como está a ser preparada a apresentação em estrada deste trabalho?
Este ano estavamos mais ou menos concentrados em conseguir actuar em alguns festivais mais pequenos, mas não foi possível, por isso agora estamos a planear algo fora de Portugal, é esse o nosso caminho, vamos canalizar as nossas energias todas nesse sentido.

sábado, 18 de setembro de 2010

Review: Heart Of The Machine (Salute)

Heart Of The Machine (Salute)
(2010, Escape)


A editora sueca Escape Music continua a surpreender-nos com um conjunto de nomes desconhecidos no panorama internacional mas de uma classe inegável. Os Salute juntam-se assim aos aqui já dissecados Firecracker, Hard, Mass, N.O.W., Silent Call entre outros. Este colectivo é liderado por Mikael Erlandsson, reconhecido vocalista sueco que tem feito carreira como artista a solo e também como frontman e teclista dos Last Autumn Dreams e que em 2003 participou no Festival Eurovisão da Canção. Junto com outro nome importante da cena sueca, o guitarrista e produtor Martin Kronlund (que aqui também toca algumas linhas de baixo) e com o baterista Imre Daun (Don Patrol, Gypsy Rose) editam o segundo trabalho sob a denominação Heart Of The Machine depois do bem recebido Toy Soldier do ano passado. Henrik Thomsen (Hope) no baixo e David Reece (Bangalore Choir, ex-Accept) nas vozes de apoio surgem como convidados especiais. E este é mais um trabalho dirigido aos fãs do hard rock mais tradicional com um conjunto soberbo de belíssimas canções, superiormente vocalizadas e com um fantástico trabalho de guitarra quer ao nível das estruturas rítmicas, quer dos solos. Denotando uma brilhante musicalidade, as onze faixas de Heart Of The Machine revelam uma elevada intensidade melódica e feeling em que os momentos deliciosos se vão sucedendo. Mas, no entanto, este não é um álbum de assimilação imediata. São precisas algumas audições mas o que é certo é que acaba por se tornar viciante e quando damos conta já não queremos ouvir mais nada. E também é um disco de desenvolvimento em crescendo com a intensidade a aumentar à medida que vamos avançando na audição. Por isso, Train Of Rock’n’Roll, My Part In This Pain e Your Servant Tonight acabam por ser os momentos mais altos de um trabalho que conta com outros momentos deliciosos como a balada I Will Be There ou Tearing Me Down. À semelhança dos nomes citados no inicio desta crónica, este é, então, mais um disco que os fãs do género devem, obrigatoriamente, possuir.

Track List:
1-Higher
2- A Falling Star
3- Feed Your Hunger
4- I Will Be There
5-Tearing Me Down
6- Heart Of The Machine
7- The Long Haul
8- Shadows
9- Train Of Rock n Roll
10- My Part In This Pain
11- Your Servant Tonight

Line up:
Mikael Erlandsson – vocais e teclados
Martin Kronlund – Guitarra e baixo
Imre Daun – bateria
Henrik Thomsen – Baixo (convidado especial)
David Reece: Vozes de apoio

Edição:
Escape Music

Review: Justice (Molly Hatchet)

Justice (Molly Hatchet)
(2010, Steamhammer/SPV)

Com uma carreira extraordinariamente longa (a banda formou-se em Jacksonville no longínquo ano de 1975), os Molly Hatchet são uma das principais referências do southern rock, sendo que Justice é já o seu décimo terceiro álbum de estúdio e sucede a Southern Rock Masters editado há dois anos. Sem surpresas, o colectivo assina um trabalho sulista perfeitamente fiel às suas raízes quer nas vozes, quer nos longos solos, quer nas melodias, quer nos duelos guitarras/órgão hammond/piano. A abertura faz-se com dois temas com excelente performance, naquilo que o southern tem de melhor. Daí para a frente a banda tenta, momentaneamente, modernizar o seu som com a inclusão de elementos sintetizados, mas estes pormenores acabam por não acrescentar nada de novo a uma obra que vale quando o som está empoeirado. Isto equivale por dizer que é no seu campo que os Molly Hatchet marcam pontos em Justice e que os devaneios mais modernistas deviam ter sido abandonados. Depois há o pormenor da repetitividade: este um trabalho demasiado longo para seu próprio bem o que origina alguma monotonia na sua audição à medida que vamos avançando para o fim. A existência de três temas acima dos 8 minutos também ajuda a essa saturação e ainda por cima, a banda usa e abusa de algumas longas introduções completamente desnecessárias, nitidamente a fazer render o peixe. No final fica a sensação que não sendo um mau disco, Justice poderia ser muito superior se tivesse havido algum rigor na selecção dos temas, eliminando alguns que, claramente, estão alguns furos abaixo do exigível. Isto porque há aqui algum material de grande categoria mas que acaba por ser abafado por outro mais medíocre. Por outro lado, parece-nos que o ideal de fazer um disco grande em termos de tempo se perdeu quando uma das armas utilizadas para esse fim foi a inclusão de longas e insossas introduções. Como de inexperiência não se trata, só pode ser mesmo falta de criatividade. Ou uma estratégia errada.

Track List:
1. Been to Heaven Been to Hell
2. Safe in My Skin
3. Deep Water
4. American Pride
5. I'm Gonna Live 'Til I Die
6. Fly on Wings of Angers (Somers Song)
7. As Heaven Is Forever
8. Tomorrows and Forevers
9. Vengeance
10. In the Darkness of the Night
11. Justice

Line up:
Bobby Ingram (guitarras, vocais)
Phil McCormak (vocais, harmonica)
Dave Hlubek (guitarras, vocais)
John Galvin (teclados, vocais)
Tim Lindsey (baixo, vocais)
Shawn Beamer (bateria)

Internet:
http://www.mollyhatchet.com/
http://www.myspace.com/molly_hatchet

Edição:
SPV/Steamhammer

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Entrevista com Steel Horse

Praticantes de um puro heavy metal, como mandam as regras estabelecidas pelos grandes nomes do passado, nomeadamente Iron Maiden, Riot ou Judas Priest, os Steel Horse estrearam-se em 2009 com Wild Power um disco que surpreendeu meia Europa e pôs a comunicação social do velho continente a falar do colectivo espanhol. Via Nocturna também ficou surpreendido como potencial do colectivo e foi ouvir o guitarrista Willy Gascon ainda antes da banda vir ao nosso país para uma actuação em Cacilhas no Revolver Bar.

Em primeiro lugar, fala-nos um pouco da história dos Steel Horse
Bem ... Formei o grupo em Junho de 2007. O primeiro contacto que fiz foi com Jorge Cortes, que já conhecia de outra banda. Logo depois encontramos o nosso primeiro baterista Ricardo Lazaro e alguns meses um baixista. Gravámos a nossa demo em Fevereiro de 2008 e começámos a dar concertos. Depois de muitos shows e um festival, vimos que era hora de gravar o nosso primeiro álbum. Wild Power foi gravado em Março de 2009 e publicado em Novembro. A última mudança foi a incorporação de Ruben Salvador na b
ateria.

Wild Power, a vossa estreia, foi falada em diversas revistas da especialidade. Estavam à espera dessas reacções?
É óptimo! A resposta está a ser muito boa pela crítica. Recebemos boas críticas e há cada vez mais gente a conhecer-nos

E como está a ser a aceitação do vosso trabalho aí em Espanha?
Aqui está a ser muito bem recebido, tanto em concertos e festivais. Estamos muito satisfeitos com o resultado do álbum e estamos concentrados em fazer bons espectáculos.

É curioso que muitas das bandas vossas conterrâneas utilizam o castelhano para se expressar. Vocês usam o inglês. Agora, passado algum tempo após a edição do álbum, consideram ter sido a aposta correcta?
Sempre deixámos claro que iríamos cantar em inglês. Além de serem as nossas influên
cias, também temos o intuito de querer ter projecção fora das nossas fronteiras

Como decorreu o processo de composição e gravação de Wild Power?
Normalmente eu componho os riffs, as estruturas e harmonias etc... Depois o George e eu dividiamos os temas. Nós gostamos de fazê-lo porque acreditamos que desta forma enriquece a nossa música. A gravação foi muito agradável. Estamos satisfeitos com o resultado do disco. Foi acima de tudo, um processo de aprendizagem para todos, como era nossa primeira experiência num estúdio profissional.

Notam-se, na vossa música, influências de Iron Maiden e Judas Priest ou mesmo Riot. Acreditas que o actual momento de revivalismo vos venha a beneficiar?
Talvez ... não sei. Quando começamos a tocar não havia nenhuma onda de revivalismo por assim dizer (risos). Agora estamos a passar por um bom momento na cena Heavy Metal. Quanto durará, eu não sei, mas vamos aproveitar e lutar para que o grupo continue por muitos anos.

Em termos líricos, quais são as temáticas abordadas pelos Steel Horse?
Todas as temáticas têm cabimento. Tanto podem ser épicas como em Night Terrors, mais transcendentais c
omo em Winds Of Time. Há outras puramente heavy como Burning Soul ou Raise Your Fist. Nós não queremos limitar-nos apenas a uma temática única. Podíamos ser chatos.

Como correram os concertos de apresentação do álbum, nomeadamente o que deram na Grécia?
Os concertos de apresentação correram muito bem. O concerto na Grécia com os Battleroar foi uma experiência maravilhosa. Foi a segunda vez que tocámos fora do país e foi inesquecível. Temos um bom relacionamento com Battleroar. Conhecemo-nos num festival em Barcelona e quando nos perguntaram se queríamos tocar com eles em Atenas, não hesitámos um instante.

E Portugal, está previsto para alguma acção promocional?
Sim, de facto. Faremos algumas datas em Portugal em Setembro deste ano. Estamos ansiosos para ir aí!

Review: We Want Blood (Peter Pan Speedrock)

We Want Blood (Peter Pan Speedrock)
(2010, People Like You)

O trio holandês com o estranho nome de Peter Pan Speedrock (PPSR) está de regresso, três anos após Pursuit Until Capture para um álbum curto, duro, directo, incisivo, enérgico e sem cerimónias. Pode dizer-se, antes de mais, que em We Want Blood, os PPSR cumpriram os objectivos de serem mais barulhentos, rápidos e sujos que antes. O seu rock’n’roll desenvolve-se a uma velocidade estonteante e em micro descargas de adrenalina, atitude e poder, encontrando-se na confluência do rock de uns Motorhead com o punk de uns Sex Pistols, sendo que pelo meio ainda se pisca o olho ao crossover de nomes como Suicidal Tendencies. Os temas são, maioritariamente, curtos o que não permite a introdução de grandes nuances em termos técnico-estruturais. Ainda assim é de salientar a veia solista do colectivo que consegue meter solos minimamente interessantes em temas com cerca (e menos) de 2 minutos. Algumas faixas mais longas fazem o contrabalanço e, nestas, o trio imprime uma carga de groove bem doseada e riffs pesadões, conseguindo até criar estruturas algo atraentes. É o que acontece, por exemplo, em Just Another Day, Gotta Do The Catchin’ (While The Catchin’ Is Good) ou Bad Energy. São no total 13 temas (onde se inclui uma cover do tema It’s About You dos Seatsniffers) com um baixo muito presente, ritmos frenéticos e vocalizações rasgadas e abrasivas que fazem do trio um nome a fixar nesta categoria.

Track List:
1. We Want Blood
2. Going Downtown
3. Sofullashit
4. One Woman Man
5. Just Another Day
6. Crank Up The Everything
7. It’s About You
8. Breaking Down
9. Bakkerburg
10. Gotta Do The Catchin’ (While The Catchin’ Is Good)
11. Bad Energy
12. Too Far Gone
13. Hell Is Where It’s At

Line up:
Peter – vozes e guitarras
Bart – bateria
Bartmann - baixo

Internet:
http://www.peterpanspeedrock.com/
www.myspace.com/peterpanspeedrock

Edição:
Peolple Like You

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Entrevista com The Creepshow

A fazer a fusão entre o rock dos anos 60, o punk e o psychobilly ninguém consegue superar os canadianos The Creepshow. Com They All Fall Down, o seu terceiro registo em cinco anos de existência, o quarteto consegue conciliar todos os melhores pormenores dos sub-géneros citados em curtas descargas plenas de adrenalina. Considerados como a melhor banda ao vivo por uma rádio canadiana e aclamados como uma das bandas que urge conhecer pela Alternative Press, os The Creepshow prometem dar espectáculo onde quer que actuem. Motivos mais que suficientes para que Via Nocturna fosse ao encontro da banda na pessoa da vocalista e guitarrista Sarah Blackwood.

Em primeiro lugar, apresentem-nos os The Creepshow.
Viva! Somos um quarteto de punk-rock de Toronto (e região), no Canadá. Eu sou a Sarah e sou a vocalista e guitarrista. Matt Pomade toca bateria, Sean McNab executa Stand up Ginty Bass e toca teclado. Temos andado em tournee e nos últimos três anos visitámos mais de 25 países. O nosso álbum novo (Thay All Fall Down) sai em Outubro e estamos ansiosos. Este será o terceiro álbum que lançamos.

Vocês foram considerados pela Alternative Press como uma das bandas de topo que é necessário conhecer. Como se sente quando ouvem um elogio destes?
Sinceramente, foi uma grande honra! Foi muito bom! Nós nunca esperamos que as coisas vão tão longe como uma banda, mas essa nomeação foi a coisa mais espectacular de sempre para nós!

Também venceram o prémio FU para Melhor Banda ao Vivo na Edge 102. Como são as vossas actuações ao vivo?
Bem, eu acho que elas são muito boas. (risos). Tocamos com sentimento e procuramos ter tanta diversão quanto possível. Eu acho que fazemos bons espectáculos ao vivo. E eu adoro esse prémio! Eu sou a mais orgulhosa nesse prémio! Porque é como dançar na frente de um espelho quando se é uma criança que quer impressionar. Então fazê-lo na frente das pessoas e eles gostarem é demais! E isso é muito bom.

Este reconhecimento do vosso trabalho dá-vos mais responsabilidade e pressão?
Cada dia que passa é mais responsabilidade e mais trabalho. Mas isso é a vida. Quem não se conseguir adaptar a isso é melhor ir trabalhar para um trabalho vulgar que odiamos! Quando se quer fazer algo no qual estamos apaixonados, isso toma conta de nós. Mas não importa, contanto que cada um dê o seu melhor, nunca pode falhar.

Sobre este novo disco, existem algumas diferenças ou alterações em comparação com os anteriores?
Cada registo é um pouco diferente. Eu acho que este soa melhor do que qualquer disco até agora. Nós gastamos muito mais tempo nas estruturas destas novas canções. Este álbum é o melhor porque com o passar do tempo fazemos melhor as coisas! Se isso não acontecer , então não estamos a fazer bem as coisas. Nós gostamos de pensar que estamos a fazer um bom trabalho, continuamos a evoluir e a fazer um registo um pouco melhor e diferente de cada vez.

Parece-me que têm algumas influências dos anos 60. Isso acontece naturalmente ou procuram soar assim?
Isso é espontâneo. Quando uma ideia como essa surge, então, vamos em frente. Por vezes fazemos alguma pesquisa, mas a maior parte, surge naturalmente.

Vocês têm alguns convidados no álbum? Quem são e qual o contributo que eles têm na criação dos temas?
Temos o Nick Smythe dos The Dreadnoughts, uma banda aqui do Canadá que canta connosco numa música, juntamente com todos os elementos da banda. Esses são os únicos convidados que tivemos no álbum. Tudo o resto foi feito apenas por nós.

Fala-nos de que se trata o diálogo que surge como faixa escondida?
É uma brincadeira! Trata-se de uma chamada para a nossa editora canadiana Stomp Records. Estávamos chateados e resolvemos fazer uma brincadeira sobre Matt e Mike na editora. O nosso baterista Matt colocou a voz e começou a agir como se fosse alguém de uma banda que lhes queria enviar uma demo. Há cerca de metade do telefonema em falta, o início da peça inteira, mas para nós ainda é muito engraçado. Fizemos isso principalmente para que possamos escutá-lo sempre sempre que quisermos quando vamos em tournee. (risos)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Estreia de O Rapaz Estranho

O Rapaz Estranho, projecto de Coimbra que conta com Buga Lopes na guitarra e na voz, Inês Ochoa no baixo e Renato Costa na Bateria apresenta o seu primeiro registo em formato LP. Gravado, misturado e masterizado por Duarte Feliciano nos iSoundStudios em Coimbra e produzido por Buga Lopes e Duarte Feliciano, é composto por 8 temas. Encontra-se já disponível o primeiro tema do EP, Quando escondes a cor, tanto em ficheiro mp3 para download gratuito, como em formato videoclip que pode ser visualizado online . A Cogwheel Records planeia disponibilizar os restantes temas de o O Rapaz Estranho de uma forma faseada através da sua estrutura social, bem como videoclips para os mesmos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Via Nocturna: Blog da Semana no Cotonete

É um dos momentos mais importantes na curta carreira de Via Nocturna: a eleição como Blog da Semana por parte do Cotonete. A reportagem efectuada por António Silva pode ser consultada aqui. A nós resta-nos agradecer ao Cotonete e ao António Silva a oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho.

domingo, 12 de setembro de 2010

Review: Vine (The Man-Eating Tree)

Vine (The Man-Eating Tree)
(2010, Century Media)

Depois da separação dos influentes Sentenced, Vesa Ranta teve necessidade de continuar a produzir e gravar música. Por isso ele e o seu ex-companheiro Mikka Tenkula deram os primeiros passos, fatalmente interrompidos pelo falecimento do segundo. Entretanto, Vesa juntou alguns amigos, entre os quais Janne Markus (guitarrista dos Poisonblack) e imediatamente começaram a compor. A procura de um vocalista, inicialmente difícil, foi contornada com a descoberta de Tuomas Tuominen (Fall Of The Leafe) que detinha um timbre muito semelhante ao de Mikka Tenkula. E ainda bem que descobriram esse senhor Tuomas porque ele é, de facto, a alma dos The Man-Eating Tree. O seu desempenho vocal sentido e melancólico ajuda a elevar a patamares de excelência o sentimento que o colectivo sente e transmite em cada nota. Aliás, melancolia e melodia tipicamente finlandesa é o que se pode ouvir em Vine, em que os dedilhados acústicos (muito próximos, por vezes de Anathema ou Antimatter), acompanhados por outros momentos em que um piano subtil se eleva em asas de sofrimento, criam dos momentos mais belos desta rodela. Acontece porém que esses momentos de pura introspecção e meditação são cortados por bases rítmicas muito densas mas lentas e, por vezes arrastadas. Ainda assim, não se trata de doom metal mas antes de um metal sentimental e extraordinariamente melódico mesmo quando o nevoeiro sonoro se adensa e se torna irrespirável à volta do desempenho de Tuominen. E muito romântico. De um romantismo sofrido, dilacerado pela dor. E a versão do tema dos Moody Blues, Nights In White Satin, é um dos momentos em que esse romantismo mais se eleva e, simultaneamente, mais sai do seu lado obscuro. Não estando ao mesmo nível da banda-mãe (leia-se Sentenced) este Vine acaba, todavia, por não descaracterizar nem descredibilizar a importante cena finlandesa de melodia e melancolia.

Track List:
1. Lathing A New Man
2. The White Plateau
3. This Longitude Of Sleep
4. King Of July
5. Of Birth For Passing
6. Out Of The Wind
7. Nights In White Satin
8. Tide Shift
9. Instead Of Sand And Stone
10. Amended

Line up:
Tuomas Tuominen (vocais)
Janne Markus (guitarras)
Mikko Uusimaa (baixo)
Heidi Määttä (teclados)
Vesa Ranta (bateria)

Internet:
http://www.themaneatingtree.com/
www.myspace.com/officialthemaneatingtree
www.facebook.com/themaneatingtree

Edição:
Century Media

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Playlist 09 de Setembro de 2010


Review: Kismet (PhaZer)

Kismet (PhaZer)
(2010, Raging Planet/Raising Legends)


As boas indicações deixadas pelo EP Revelations foram totalmente confirmadas e superadas por esta estreia em estreia em formato longo dos PhaZer. Kismet mostra-nos um colectivo tecnicamente evoluído, adulto, com uma forte personalidade própria. O quarteto denota uma evolução a todos os níveis notável o que lhe permitiu escrever um álbum verdadeiramente fantástico quer na envolvência ambiental, quer no poder sónico, quer na sensibilidade melódica. Captando diferentes épocas, influências e sensibilidades, os PhaZer foram capazes de encaixar todos esses elementos como um puzzle, criando momentos intensos, diversificados e únicos. A sua maturidade permite que a banda se posicione de uma forma totalmente descomprometida, movendo-se dentro de diversos sub-géneros do rock com a mesma postura dinâmica e a mesma naturalidade e espontaneidade. Não tem medo de arriscar e não se preocupa com barreiras estilísticas e por isso, só assim, se consegue fazer uma obra com a excelência de Kismet. Estilisticamente pode afirmar-se que a banda se coloca num ponto de confluência entre uns The Cult e uns White Zombie. Só que a partir daqui a imaginação e criatividade dos amadorenses leva-os para todos os destinos possíveis e imaginários desde Orphaned Land ao classicismo sempre de uma forma extremamente inteligente e transparente. A utilização de uma forma superior de uma complexidade de recursos (vocais limpos, vocais agressivos, vocais femininos, guitarras acústicas, harmónica, samples, discursos, narrações) é mais uma prova cabal da enorme capacidade que os PhaZer conseguem colocar nas suas criações. E por tudo o que foi dito se conclui que Kismet é um trabalho soberbo, do que melhor já foi feito no rock nacional e o mais sério candidato ao epíteto de melhor disco do ano. Simplesmente obrigatório!

Track List:

1. Wake Me
2. War Of Shouts
3. Serious Killer
4. #
5. Kismet
6. Rebel
7. The Unknown
8. Black Suit Zombie
9. Stay For Them
10. Fear Itself
11. And Then It All Began

Line up:
Paulo Miranda (vocais)
Gil Neto (guitarras)
Henrique Martins (baixo)
Nelsun Caetano (bateria)

Internet:
http://www.gophazer.com/
www.myspace.com/gophazer

Edição:
Raging Planet/Raising Legends

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entrevista com Chaos In Paradise

Com apenas dois anos de existência os Chaos In Paradise surgem agora com a sua apresentação ao público com a edição de uma demo-EP homónima de 4 temas. E apesar da curta existência da banda, nota-se que as ideias abundam e que os Chaos In Paradise têm um enorme potencial a explorar e desenvolver. Por isso, o quinteto reuniu-se, contou a Via Nocturna o seu passado, as vivências do presente e projectou o seu futuro.

Falem-nos um pouco da história dos Chaos in Paradise.
Os Chaos In Paradise tiveram o seu inicio em Outubro de 2008, começando apenas com o Quik e com o Alexander. Conheceram-se através de um amigo em comum e após uma pequena jam-session, decidiram construir uma banda de raiz, começando a delinear as características do projecto. Mais tarde, o Pedro juntou-se a CIP, terminando com a entrada do 19 que por sua vez trouxe a Sara, a voz que faltava à banda. Estivemos sempre em estúdio a compor músicas e quando nos sentimos preparados para sair e tocar ao vivo, demos o passo que nos faltava: gravar a demo! A demo foi gravada e produzida por nós no nosso estúdio e a partir daí saltamos da sala para os palcos, em Fevereiro de 2010.

A qualidade demonstrada neste trabalho tem por base alguma da vossa experiência anterior ou nem por isso?
Mesmo sendo uma banda nova, com pouco tempo de existência e com elementos que não se conheciam, é óbvio que a experiencia individual de cada um contribuiu e muito para que as músicas apresentadas na demo já tivessem alguma qualidade. Cada um à sua maneira deu um pouco de si, conseguindo assim construir uma manta de retalhos bastante satisfatória.

Porque a edição de uma demo-EP e não apostaram logo num formato mais profissional?
Para além de termos um estúdio que é nosso, pensamos que uma banda tem que dar passos seguros, ou seja, um
passo de cada vez. Optamos pela demo porque na nossa óptica, começarmos por um EP ou um LP seria começar pelo telhado da casa, o que não faria sentido. Gastamos todo o tempo necessário, gravamos o que quisemos e como quisemos e também aprendemos muito, tanto a nível de trabalho de estúdio, bem como a nível de gestão de tempo e esforço.

Estão completamente satisfeitos com o resultado final obtido?
Sim claro, até superou as nossas expectativas! O trabalho de produção ficou a cargo do Quik e até ele ficou admirado com o que se conseguiu fazer com tão poucos recursos! Aliás, já tivemos bons feedbacks sobre a qualidade da produção, sabendo nós que é uma edição caseira não poderíamos ficar mais satisfeitos!

Como tem sido o feedback a estes temas por parte dos fãs, imprensa e editoras?
Bem, por parte dos fãs (e como o nome indica) são muito suspeitos! O pessoal tem gostado bastante e como nós também fazemos questão de dizer que o nosso trabalho é apenas uma demo, a expectativa ainda é maior e nós temos essa noção, pois daqui para a frente a fasquia tem que subir e muito, tanto a nível de qualidade de gravação, bem como a qualidade das músicas em si! A imprensa tem dado um feedback muito positivo sobre o nosso trabalho e de uma maneira geral, também ficam na expe
ctativa do que aí vem no futuro. As críticas têm sido muito boas e globalmente as opiniões foram unânimes. Contudo, vemos que ainda há alguma tendência para comparar bandas e normalmente essas comparações nada têm a ver com o nosso som, o que poderá induzir em erro um possível interessado em nós. No que toca a editoras, tem havido algumas abordagens de editoras estrangeiras mas curiosamente até hoje, nenhuma editora nacional se mostrou interessada. Também sabemos que é mesmo muito cedo para se falar num contrato discográfico, pelo menos para já… Nós ainda temos um bom pedaço de caminho a percorrer por nós próprios e achamos que quando for apropriado, então aí sim iremos pensar nisso… Não gostamos de dar passos errados e tudo tem um timing para acontecer! Aliás, esta explicação foi sempre a resposta que as editoras estrangeiras que nos abordaram tiveram, sempre que nos contactavam.

Em termos líricos, que tópicos são abordados nos Chaos in Paradise?
A nível de escrita, não temos nenhuma mensagem específica para transmitir, apenas abordamos temas quotidianos e familiares a qualquer um de nós e por vezes histórias pessoais e outras bastante fictícias. O que gostamos muito de ter é sempre uma mensagem positiva e nunca o contrário!

Musicalmente, de que forma surge a confluência de sonoridades que pode ser ouvida na demo-EP?
Para além da já referida experiência individual, o nosso rumo sempre foi experimentar várias maneiras de abordar um tema. Não quisemos seguir um caminho super restrito a nível de composição. Primeiro de tudo tem a ver com o nosso gosto pessoal e colectivo, apenas isso. Não há nenhuma regra, nem pode haver (pelo menos para nós não há). Há que experimentar inúmeras maneiras de se chegar a um produto final satisfatório para todos e acima de tudo conseguir que todas as cabeças funcionem como uma só. A partir daí, tudo é bem-vindo…

Em termos de apresentações ao vivo, como está a vossa agenda?
Tivemos alguns meses a tocar ao vivo e neste momento estamos apenas concentrados na composição de novos temas que irão fazer parte do nosso primeiro EP, que será gravado no inicio de 2011. Irá haver uma mini tournée com mais 3 bandas que começará em Outubro e se prolongará até ao final do ano mas ainda está em fase de preparação! A única data firmada neste momento é a nossa participação no Gaia em Peso, no dia 29 de Outubro. Quem estiver interessado sugerimos que estejam atentos ao nosso myspace bem como ao nosso twitter. Os Chaos in Paradise querem agradecer ao Pedro Carvalho do Via Nocturna por nos proporcionar esta oportunidade e mandar um grande abraço a todo o pessoal que nos tem apoiado nesta nossa caminhada, porque sem eles não conseguiríamos ser nem metade do que somos… Abraço para todos eles!

Entrevista com Face Oculta

Oriundos de Corroios, os Face Oculta apresentam Presságios o seu primeiro EP que sucede à demo Olhos da Escuridão. Voltando a apostar na língua de Camões, o colectivo surpreende pelo seu heavy rock cheio de ritmos e melodias. Alexandre Kthulhu (guitarra solo e voz) acedeu a contar para Via Nocturna a evolução que a banda sofreu desde Olhos de Escuridão.

Presságios sucede a Olhos da Escuridão. Que diferenças podem ser apontadas entre os dois trabalhos?
As diferenças são notórias. Este trabalho é mais abrangente, pois os Olhos da Escuridão foi uma demo que não teve divulgação nem qualquer lançamento. Presságios foi composto e gravado com objectivo de ser projectado a nível da península ibérica. Em termos de composição, apresentamos temas mais ambiciosos, quer do ponto vista lírico quer do musical. O EP revela o heavy rock que fazemos actualmente, e não aquele som que tínhamos quando começámos. Se escutares o EP com atenção, vais descobrir muitas coisas novas que nunca se ouviu em parte nenhuma, como por exemplo a inclusão de um instrumento experimental que inventámos e lhe demos o nome de Kongomato.

Como decorreu o processo de gravação em Presságios?
Correu bem. Empenhámo-nos nos ensaios para que o processo de gravação fluísse com naturalidade. Durante a gravação, obviamente foram surgindo algumas ideias, que, sendo boas, as aproveitámos, claro. Procurámos um produtor com experiência (Paulo Vieira) e escolhemos os estúdios Mad Dog em Corroios. Houve um grande empenho por parte de todos os elementos para que tudo decorresse dentro dos prazos estipulados. Fomos exigentes connosco, mas ouve alturas em que foi difícil, pois gravámos em alguns dias da semana, e deslocávamo-nos para o estúdio após um dia stressante de trabalho, mas só saíamos de lá quando tudo estava concluído e de acordo com os nossos objectivos - é assim a vida de um musico em Portugal (risos).

Como têm sido a reacção dos fãs e dos media a este vosso novo trabalho?
A reacção tem sido bastante positiva. O público cada vez mais adere aos nossos concertos e no final vêm-nos felicitar pela actuação, falam connosco e compram o EP, (do qual doamos 1 euro à associação SOS Bicharada do Barreiro). Exaltam sempre o facto de cantarmos em Português, pois assim captam as mensagens que as músicas emitem e até cantam os refrães, o que é sempre estimulante. Em relação aos media, têm-nos abordado no sentido de nos conhecerem e de nos darem a conhecer. Tem havido bastante divulgação dos nossos concertos (blogs, fanzines, páginas da net, Jornal do Seixal, Jornal de Noticias - nos concertos do norte, etc). Tivemos inclusive uma crítica muito positiva ao EP no Jornal do Seixal, que até propôs ser nosso patrocinador, o que tem sido bom para promover a banda. 

A edição é da vossa própria autoria, certo? Há expectativas quanto a trabalharem com uma editora num futuro próximo?
Certo. Podemos revelar que a nossa manager já foi contactada por uma editora que demonstrou interesse em trabalhar connosco. Contudo apenas não vamos formar essa parceria para já, mas sim num próximo trabalho de estúdio, que desejamos que seja um álbum.

Como está a decorrer a apresentação de Presságios ao vivo?
Estamos em tournée pelo país fora, e de facto tem superado as nossas expectativas. Pois estávamos habituados a tocar para os amigos e família, e agora estamos a viajar para outras regiões e a dar concertos para um público que não conhecemos. Mas isso tem sido gratificante porque as pessoas (referimo-nos a toda a gente: público, organização, gentes das terras, etc) têm-nos recebido e tratado muito bem. Temos tido oportunidade de contactar com muitas bandas e já partilhámos o palco com bandas estrangeiras (Bucéfalo, Kathaarsys, Cubo Di Mierda, etc). Em termos de actuação ao vivo, tentamos ser do mais profissional possível. Preparamo-nos sempre para cada concerto, e gostamos de dar ao público um bom espectáculo. Em alguns concertos apresentamos uma performance de fogo que não deixa ninguém indiferente.
Uma questão que certamente não vos passará ao lado, diz respeito ao processo judicial a decorrer que tem o vosso nome: Face Oculta. Têm tido histórias engraçadas/curiosas pelo facto de compartilharem o mesmo nome?
Sim, temos tido algumas. No primeiro dia que a noticia do escândalo Face Oculta veio a público, a nossa manager recebeu alguns telefonemas dos media (TVI, TSF, etc) no sentido de descortinarem alguma coincidência entre os nomes. Uma das entrevistas foi para o ar e até tiveram a gentileza de passar um tema nosso. Os nossos amigos também brincam com o assunto, por exemplo, epá, vocês já são famosos! O vosso nome saiu na 1ª pagina do jornal, etc - (Risos).

E quanto ao futuro, que nos podem adiantar? Que projectos têm em mente para ser concretizados?
Por agora, estamos ainda em digressão, pois este ano ainda nos falta ir a Espanha e ao Algarve. Mas já há contactos para 2011, onde incluímos concertos no estrangeiro. Vamos investir no nosso merchandising e estamos também a preparar adereços de palco para tornar os nossos concertos mais atraentes. Temos como objectivo regressar a estúdio em 2012 e estamos a empregar esforços na composição de novos temas, onde já incluímos um novo instrumento - o teclado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entrevista com Spiritual Beggars

Após cinco anos de silêncio no que toca a edições de originais, o supergrupo Spiritual Beggars que inclui na sua formação elementos dos Arch Enemy, Carcass, Firebird, Shining, Witchery, Opeth e Firewind, está de regresso com uma verdadeira homenagem aos precursores do som eterno. Claramente retro na sua inspiração mas perfeitamente actual na sua concepção, Return To Zero assinala mais um momento supremo da inspiração sueca. O teclista Per Wilberg acedeu a explicar a Via Nocturna um pouco mais deste super colectivo e das suas motivações.

Os Spiritual Beggars estão de regresso após cinco anos sem gravações originais. Porque um intervalo tão grande de tempo?
Todos nós temos estado muito ocupados com as nossas outras bandas, Arch Enemy, Carcass, Firebird, Shining, Witchery e Opeth. Essa é a razão principal, mas também tivemos de encontrar um novo vocalista, bem como descobrir quando seria um bom momento para nos reunirmos novamente.

Como disseste, em Return To Zero estreiam um novo vocalista. Essa mudança influenciou a sonoridade original da banda? E quais os motivos porque o antigo vocalista decidiu deixar a banda?
Não afectou o processo de escrita nem de gravação ou qualquer outra coisa uma vez que a maioria do material já estava escrito quando Apollo entrou na banda. No entanto, é uma cara nova que trouxe uma energia nova e fresca para os ensaios e gravações que fizemos para este álbum. JB nosso vocalista anterior quis fazer da sua banda Grand Magus a sua prioridade. Foi uma decisão que todos nós entendemos a partir do momento em que os Grande Magus assinaram um contrato com a Roadrunner Records para seu novo álbum o que implica que eles vão fazer uma tour muito mais longa com este álbum em comparação com o que eles fizeram no passado.

O facto de todos vocês tocarem noutras bandas torna-se fácil ao nível da gestão de agendas?Não, às vezes é muito difícil encontrar um espaço de tempo para nos juntarmos, mas onde há uma vontade há um caminho! Acho que somos muito bons a fazer planificações a longo prazo e com antecedência de modo que este ano tudo correu bem.

Quais são as principais diferenças entre este novo álbum e os anteriores?
Eu gostaria de pensar que todos os nossos álbuns têm alguns sabores diferentes. Eu acho que este novo álbum apresenta um som muito coeso, talvez devido ao fato de estarmos a trabalhar só com uma pessoa, ao invés de usar diferentes estúdios e pessoas, misturando músicas diferentes que era o que se passou nos últimos dois álbuns.

Return To Zero leva-nos às origens do hard rock. É este o verdadeiro significado do título do álbum?
É mais sobre nós sentirmos que este é um reinício muito refrescante para a banda no que se refere às nossas raízes musicais. Já passou algum desde o nosso último trabalho e temos um novo vocalista, etc.

Em termos de produção, voltaram a trabalhar com Rickard Bengtsson. Ele é a pessoa certa para o som Spiritual Beggars?
Acho que o Rickard fez um trabalho muito bom sobre a produção por isso eu diria sim! Ele é um amigo e esteve envolvido quer em Demons quer em On Fire, assim, tanto como engenheiro como na mistura. Nós só queríamos um grande som natural limpo; Rickard entendeu o que estávamos à procura e portanto foi fácil chegar lá já que estávamos todos na mesma sintonia.

O vosso som é muito retro e lembra nomes como Rainbow, Deep Purple, Black Sabbath ou mesmo Lynyrd Skynyrd. Sentem necessidade de tocar as raízes do metal em si?
Isto é apenas para nos divertirmos a tocar a música com que todos crescemos. Vem de uma forma muito natural para todos nós e não existe um plano director nem nada. É mais como uma celebração de todas as coisas que nós amamos sobre rock pesado. Todos nós tocamos música mais extrema por isso haverá sempre alguma dessa influência na música dos Spiritual Beggars. Pelo menos é o que eu penso.

Vocês irão tocar no Japão, em Outubro. Estão a preparar algo especial para essa ocasião?
Nada de especial. Temos estado um pouco afastados como banda por isso qualquer actuação será especial. Mas vai ser divertido voltar ao Japão, sempre tivemos um grande apoio e bons shows lá.

Para além desta presença no Japão, o que está a ser feito para promover Return To Zero?
Neste momento, ainda não temos uma tournée alinhada portanto vamos levar as coisas um pouco como eles vêm. Haverá certamente alguns shows e festivais da Europa no próximo Verão, mas nada está confirmado ainda. Iremos começar com alguns concertos na Grécia antes de irmos para o Japão.

sábado, 4 de setembro de 2010

Review: They All Fall Down (The Creepshow)

They All Fall Down (The Creepshow)
(2010, People Like You)

Os The Creepshow são um colectivo formado em Toronto (Canadá) no ano de 2005 e praticantes de um rock’n’roll com influências dos anos 60 cruzado com o punk ou o psychobilly. Estrearam-se em 2006 com Sell Your Soul e They All Fall Down é já o seu terceiro registo, depois de Run For Your Life de 2008, o que faz uma média de um álbum a cada dois anos. Agregados a uma etiqueta colocada pela Alternative Press que os considerou uma das bandas que é urgente conhecer e com um prémio atribuído pela Edge 102 (a maior rádio de rock do Canadá) nos FU Award, como melhor banda ao vivo, partimos para a audição deste trabalho com as expectativas em alta. E o melhor elogio que se pode fazer é que foram até superadas! O quarteto destila energia e ritmos desenfreados por tudo quanto é poro. E ainda por cima consegue adicionar fantásticas melodias, por vezes simples mas que funcionam na perfeição colando-se na nossa memória de uma forma que se torna viciante, obrigando-nos a voltar a por o disco a tocar vezes sem conta. Sem surpresas, o seu campo de actuação é o punk rock a atirar para o psychobilly, com nítidas influências do rock’n’roll dos anos 60. Vocalmente está num patamar superior de qualidade com os habituais coros oh-oh a mostrarem-se perfeitamente eficazes mas, acima de tudo, porque quer isoladamente quer em dueto, as vozes estão perfeitamente adaptadas à sonoridade em causa. Com um conjunto de temas muito curtos, em que as descargas se fazem de forma extremamente emotiva, os The Creepshow ainda têm tempo para introduzirem uma série de surpresas agradáveis que permitem manter os ouvintes em permanente sentido. Referimo-nos à inclusão de um órgão hammond (em Get What’s Comming ou Dusk Till Dawn) e de um saxofone e piano (em Hellbound), o início ligeiramente sinfónico a atirar para uns Within Temptation em Going Down, a fantástica balada tipicamente sixty (Sleep Tight) ou a faixa escondida no final do disco. São estes pormenores que acabam por fazer deste pequeno disco (cerca de meia hora de música) um enorme trabalho em termos de qualidade. Explosivo, vibrante, electrizante.

Track List:
1. The Sermon III
2. Get What’s Coming
3. Someday
4. They All Fall Down
5. Last Chance
6. Sleep Tight
7. Dusk Til Dawn
8. Keep Dreaming
9. Hellbound
10. Going Down
11. Road To Nowhere

Line up:
Sarah Blackwood (guitarras, vocais), Sean MacNab (baixo), Reverend McGinty (teclados), Matt Gee (bateria)

Internet:
http://www.myspace.com/thecreepshow
http://www.thecreepshow.org/

Edição:
People Like You

Review: Cold Awakening (Kallaikoi)

Cold Awakening (Kallaikoi)
(2010, Covil)

Dividindo a sua actividade entre a capital e o Fundão, os Kallaikoi são mais uma jovem banda (cerca de dois anos de existência) que se estreia nas edições discográficas. Kallaikoi é o nome de uma tribo celta contemporânea dos Lusitanos e representa a luta e a liberdade de um povo. E é precisamente essa a mensagem que estes bárbaros beirões transmitem em Cold Awakening, um EP de 8 temas produzido por Hugo Pereira (Unbridled, The Last Of Them e Triba). Praticantes de um black/pagan metal étnico a lembrarem, em momentos, os míticos Bathory do saudoso Quothorn, os Kallaikoi elevam à potência máxima a sua mensagem barbárica mercê de uma postura descomprometida mas, simultaneamente, poderosa o que origina a criação de momentos de verdadeira devastação e de caos sonoro. A produção fria, suja e crua ajuda ainda mais a criar aquela sensação de estarmos por dentro de uma qualquer batalha. Os solos são frios, gélidos e cortantes como a lâmina das espadas dos guerreiros celtas. E é deste conjunto de características que os Kallaikoi criam verdadeiros momentos bélicos sem permitirem qualquer tipo de tréguas, com excepção de In Media Res, um instrumental sentido e que representa na perfeição o justo descanso do guerreiro. Todavia, independentemente destes bons aspectos, importa referir que o quinteto ainda denota alguma inexperiência que se reflecte nas estruturas algo confusas e em algumas deficiências ao nível vocal. São elementos perfeitamente aceitáveis, face à jovem idade da banda e facilmente ultrapassáveis para um segundo trabalho.

Track List:
1. Eater Of Souls
2. We March
3. In Media Res
4. Lusitanian March
5. Beira, Queen Of Winter
6. Thoughts Of A Dying Pagan
7. Left Hand Of Darkness
8. Blood Of The Land

Line up:
João Seco (vocais), João Ferraz (guitarras), Luís Nabais (guitarras), Manuel Alves (baixo), André Tavares (bateria)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Entrevista com Adamantine

Cruzar o thrash metal old school com uma veia mais moderna do género e com lições de história do nosso povo e da nossa cultura parece à primeira vista algo difícil de concretizar. Mas os Adamantine, provaram que não é impossível graças ao EP de seis temas onde os gloriosos momentos do thrash de Metallica ou Testament são glorificados e onde alguns momentos importantes da nossa história são elevados. André Bettencourt, vocalista e guitarrista, explica-nos tudo.
Para iniciarmos, podiam apresentar os Adamantine?
Saudações! Antes de mais obrigado à Via Nocturna pela entrevista. Adamantine é uma banda de Thrash Metal de Lisboa, formada em 2007. Penso que o nosso som se enquadra um pouco na nova vaga de Thrash Metal, embora tenhamos um som bastante próprio e tenhamos uma vertente épica, que está ligada com as letras de teor lusitano. Apesar dos três anos de vida, apenas em Março de 2010, lançámos o primeiro registo intitulado Downfall of Adamastor.

Quais são os vossos objectivos com este trabalho?
O objectivo principal deste trabalho foi essencialmente de promoção à banda. Nós fizemos uma edição independente, que saiu do bolso de cada um, com o objectivo de poder dar a ouvir as nossas músicas com alguma qualidade sonora e produção, para os seguidores que nos vêem ao vivo e para fans no geral. Vendemos um número considerável de cópias e penso que a exposição que pretendíamos, pelo país, tem sido positiva, no entanto, ainda há muita gente por conquistar. Nunca pusemos a hipótese de mandar este trabalho para editoras ou tentar um contrato, pois desde o inicio não tínhamos esse objectivo. Isso será algo a fazer agora com o próximo trabalho.

Como decorreu o processo de gravação?
Correu tudo muito naturalmente. Estávamos certos do que queríamos e bastante bem preparados p
ara gravar. Uma vez que dispúnhamos de tempo para gravar sem pressões, foi possível fazer melhoramentos e alterações, em algumas partes dos vocais, bateria e até solos. Foi um processo bastante criativo e penso que todos estavam a caminhar para o mesmo sentido. À medida que íamos gravando, discutíamos hipóteses e adicionávamos pormenores que enriquecessem as faixas em si. No final fiquei bastante satisfeito com a produção old school que lhe conseguimos dar. Para um primeiro registo, representa bem o que Adamantine é ao vivo, baterias rápidas, riffs pesados e vocais furiosos rasgados.

Em termos musicais os Adamantine baseiam-se muito no thrash old school. Como vêm este ressurgimento do género?
Para mim pessoalmente é óptimo. Eu gosto de todos os subgéneros dentro do metal, mas para mim o thrash é o principal. Mesmo antes do ressurgimento, já tinha em mente fazer uma banda de thrash que invocasse o bom thrash old school, ao estilo das bandas que ouvia em miúdo e que adoro ainda hoje. No entanto, a nova vaga de thrash começou um ou dois anos antes de eu começar a minha banda também. Por um lado é óptimo porque o estilo está outra vez a ser mais ouvido e falado mas por outro lado é mau, porque podemos ser confundidos, como mais uma banda apenas, que segue a moda do que se faz no momento. Não se trata nada disso. Fazemos thrash por gosto e se existirem mais bandas a fazer thrash assim, então óptimo. Gosto de muitas das novas bandas que por ai andam e penso que algumas são bastante promissoras como Warbringer, Evile, Bonded by Blood, etc.

As comparações com Metallica dos primórdios começam a fazer-se ouvir. Incomoda-vos essa comparação?
Depende. Por um lado é grandioso e bastante positivo ser comparado a Metallica dos primórdios, sendo eu um grande fan de Metallica, assim como os restantes membros. Hoje em dia, penso que Adamantine, evoluiu bastante e já não estamos tão colados nesse tipo de sonoridade. Trabalhamos imenso para conseguir um estilo próprio e para ter um leque variado de influencias, que nos distancie dos Metallica, ou dos Testament ou de outra qualquer banda de Thrash mais comum para os ouvintes.

Em termos líricos parece haver uma preponderância para a história da nossa nação (Downfall Of Adamastor ou Viriat’s Betrayal). Que outras temáticas trazem os Adamantine?
Bom, este Ep acabou por ser bastante épico, por causa dos temas que fazem referencia à história portuguesa e lusitana, como são exemplo os temas em cima referidos. Também abordamos temáticas politicas, sociais, ou temas obscuros como está presente no tema Voodoo. Exi
stem vários temas que queremos explorar e que serão abordados no próximo registo, como vingança, traição, solidão e um dos mais controversos, a religião.

Como decorre o processo de escrita nos Adamantine?
Bom normalmente eu componho a maior parte dos riffs de guitarra, depois começo a montar a estrutura com o Emídio na bateria e juntos delineamos os pormenores e a composição geral das faixas. A voz e os solos são sempre as últimas coisas a fazer. Penso que no geral o processo é bastante comum, levamos as nossas ideias e é no estúdio que as trabalhamos em conjunto, sempre com o objectivo de enriquecer a faixa ao máximo.

Entretanto ficaram sem baterista. Já há novidades a esse respeito?
É realmente complicado manter um line up consistente hoje em dia. O Fred teve de deixar a banda por razões pessoais, mas já encontramos um substituto. Emidio Ramos (Shadowsphere) é o novo baterista de Adamantine. Ele é excelente como músico e como pessoa. Trouxe muita energia positiva de novo à banda e estamos bastante entusiasmados a tocar ao vivo e a compor novo material.

O que está a ser preparado para apresentar Downfall Of Adamastor ao vivo?
Nós temos tocado o Ep na íntegra ao vivo e continuaremos a tocar com o máximo entusiasmo, sempre a dar o máximo de nós a quem nos vê, isso será sempre garantido. No entanto estamos neste momento já a compor material novo que deveremos começar a tocar em breve ao vivo. Por isso, existem muitas surpresas para breve.

E outros projectos para o futuro, há algo que nos possam adiantar?
Estaremos a trabalhar em novo material para o próximo álbum, enquanto continuamos com os gigs agendados até ao final de 2010. Entrámos este mês em estúdio para começar a ensaiar e compor essas faixas novas. Iremos gravar um novo single, em Outubro, para mostrar a nova formação da banda e o que se poderá esperar do sucessor de Downfall Of Adamastor. Portanto é só ficarem atentos ao Myspace da banda, pois as novidades estão para breve. Convido todos os leitores a aparecerem num concerto de Adamantine e a viver o thrash connosco! Thrash and Devastate!!