quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Playlist 30 de Dezembro de 2010

Review - Metamorphic Reaction (Morbid Death)

Metamorphic Reaction (Morbid Death)
(2010, Edição de Autor)

Antes de mais, deixem-nos confessar que já não tínhamos contacto musical com os Morbid Death desde a edição de Secrets, em 2002. Por isso, à entrada para este Metamorphic Reaction fomos surpreendidos pela violência sónica de Abomination que, literalmente, nos deitou por terra. Para trás ficou o dark metal romântico, melódico e melancólico ocorrendo uma reacção metamórfica que transformou o colectivo (agora em formato quarteto) numa máquina demolidora de thrash/death metal. Ultrapassada a reacção inicial, Damaged e Absence Of Light vêm confirmar que esta veia mais agressiva ficou definitivamente implantada no seio dos açorianos. Metamorfose, o curto interlúdio estrategicamente colocado no centro do trabalho tem a função da mudança de cenário para um segundo acto que acaba por se revelar mais dinâmico, mais atractivo, mais criativo, embora menos violento. Madness é uma fantástica faixa de metal moderno onde agressividade e melodia se cruzam de forma muito inteligente sobre uma devastadora linha de bateria verdadeiramente assombrosa. Paranoid Eyes representa as reminiscências de um passado glorioso, desenvolvendo linhas dark metal bem estruturadas naquela que é a faixa mais easy-listening do álbum. A fechar, One Of A Kind, remete-nos para outras ambiências, o thrash metal de nomes como Slayer ou Kreator, num tema que apresenta um excelente trabalho ao nível das bases e ritmos e uma batida, embora menos forte, mas extremamente versátil e dinâmica. O quarteto conta, ainda, com as colaborações de Nó e Steven Medeiros, nos vocais de Abomination e One Of A Kind, respectivamente e de António Couto em Metamorfose que ajudam o colectivo, o mais importante nome da cena açoriana, a voltar a escrever o seu nome no mapa nacional do metal, seis anos após Unlocked. Sob a forma de Metamorphic Reaction, os Morbid Death demonstram principalmente, a sua capacidade de evolução, de se transfigurarem e de serem capazes de se adaptarem a novas realidades, conseguindo reinventar-se sem se auto-copiarem.

Tracklisting:
1. Abomination
2. Damaged
3. Absence Of Light
4. Metamorfose
5. Madness
6. Paranoid Eyes
7. One Of A Kind

Lineup:
Paulo Bettencourt (guitarras)
Ricardo Santos (baixo e vocais)
Gualter Couto (bateria)
Rui Frias (guitarras)

Internet:

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Review - Lift Me Out (Bright Morning Star Orchestra)

Lift Me Out (Bright Morning Star Orchestra)
(2011, Liljegren)

Lift Me Out é o segundo trabalho do colectivo sueco com o estranho nome de Bright Morning Star Orchestra (BMSO), depois da estreia sob a denominação A Change, em 2008. Mas, mais estranho que o nome é a sonoridade do colectivo, principalmente quando o enquadramos na editora em que se encontra. Claramente voltada para o power metal de inspiração melódica nunca esperaríamos que a edita sueca publicasse um trabalho tão diferente, tão arrojado e tão pouco metálico. Mas lá está, a qualidade, quando existe, deve ser promovida. E Lift Me Out é um bom disco de música pop, onde as referências se cruzam entre uns Muse e uns Agua de Annique. Ou seja, esperem pouco metal, se bem que, em alguns momentos, as guitarras se adensem e possam, de alguma forma, interceptar de uma forma leve algumas características do som eterno. Em muitos dos momentos, no entanto, os BMSO pincelam o seu pop de algo próximo de um pós-rock ou de algo mais alternativo, podendo até ser associado um nome como Jane’s Addiction. Show Me Your Wings e Cause I Matter To You são, quanto a nós, as mais fortes faixas, onde a inclusão de uma secção de metais se mostra fundamental para elevar o patamar de qualidade. Stone e White As Pearls são outros momentos agradáveis, fruto das melodias emocionais muito bem criadas e melhor geridas pelo colectivo. O fecho faz-se de uma forma mais tranquila, com outro belo momento, See What We Have Done, em que os coros assumem um papel destacado. Em conclusão, Lift Me Out não é, nem pretende ser um disco de metal. Antes é um importante manifesto de arte pop/rock alternativo, diferente, e acima de tudo muito emocional.

Tracklisting:
1. Lift Me Out
2. Show Me Your Wings
3. Stone
4. Nelson
5. White As pearls
6. 52 Days
7. Would It Be Easier
8. Cause I Matter To You
9. Close To Close It All
10. Nowhereland
11. See What We Have Done

Lineup:
Anton Ericsson – vocais, guitarras
Andreas Ericsson – guitarras
Thomas Engvall – baixo
Ida Svensson – piano, órgão
Thorbjörn Bergkwist – bateria

Internet:

Playlist 23 de Dezembro de 2010

Entrevista - Signum Regis


Uma banda de metal oriunda da Eslováquia não é muito vulgar. E quando essa banda edita um disco de qualidade internacional, mais motivos existem para ir conhecer o colectivo. É o que sucede com os Signum Regis e com The Eyes Of Power. Por isso contactamos o líder e fundador Ronnie Köning para nos esclarecer melhor sobre esta nova entidade emergente.

Viva, podes apresentar-nos os Signum Regis?
Cinco de nós somos músicos de metal da Eslováquia, apenas Göran Edman, o vocalista é da Suécia. A banda foi fundada em 2007 e até agora, fizemos dois álbuns. A música é descrita como metal melódico, mas não estou tão certo sobre este rótulo. Eu prefiro chamá-la simplesmente heavy metal, uma vez que se podem, ouvir algumas influências de NWOBHM, thrash, prog.

Podes explicar-nos como uma banda de metal vive na Eslováquia? Existem outros bons nomes no teu país?
Na verdade, não posso. Quero dizer, há muitas bandas de metal aqui, mas de estilos diferentes, comparando com a música de Signum Regis. Pelo menos eu não conheço qualquer outra banda como nós. Na República Checa, em Brno, que é a cerca de 150 km da nossa casa, há uma grande banda chamada Symphonity, mais ou menos no mesmo género que nós.

A vossa estreia ocorreu com a Locomotive. Agora passaram para a Inner Wound Recordings. O que se passou?
Bom, a Locomotive Records faliu e isso foi muito desagradável para uma banda em inicio de carreira. Perdemos a oportunidade de obter algum dinheiro de retorno do investimento que tínhamos feito. Nem sequer tivemos a hipótese de comprar alguns CDs para nós! A situação do mercado já é tão difícil, que ninguém precisa deste tipo de coisas. Enfim, conseguimos produzir um segundo álbum e tivemos a sorte de conseguir um novo contrato de gravação. A Inner Wound Recordings é uma editora sueca que gosta da nossa música e de metal melódico em geral. Isso era exactamente o que precisávamos. Uma família que acredita no que fazemos. Estou muito feliz por ter a oportunidade de trabalhar com eles.

No início não era suposto Signum Regis ser uma banda para tocar ao vivo certo? Entretanto mudaram de ideias. Porquê?
Há dois factores que desempenharam um papel nesta decisão. Primeiro de tudo, porque quando tocas ao vivo, tens mais oportunidades para obter o feedback dos fãs. Uma vez que uma música é gravada e nunca tocada ao vivo, é como um produto acabado. Os músicos não vão ouvir muito os seus próprios CDs e nunca sabes se alguém chega a ouvir a tua música. Então, essas canções vão ser esquecidas, mais cedo ou mais tarde. Deste ponto de vista, tocando as músicas ao vivo, é como mantê-las vivas por muito tempo depois de gravadas. A segunda coisa tem a ver com os Vindex, a nossa outra banda. O vocalista dos Vindex, Ludek, tem uma situação de vida bastante complicada, por isso tivemos que fazer uma pausa e fazer outra coisa. Na realidade, agora chamamos de hiato, mas, inicialmente, pensávamos que era o fim dos Vindex.

E isso esteve, de alguma forma, relacionado com a mudança de baterista de Adrian Ciel para Jaro Jancula?
Sim. Adrian não vive na mesma cidade que os outros elementos. E ele não quer viajar para ensaiar. Além disso, ele tem sua própria banda e outras coisas, de modo que ele decidiu deixar a banda. Ele indicou-nos o Jaro e estamos gratos por isso.

The Eyes Of Power é um álbum conceptual. Podes descrever-nos o conceito?
Há mais do que apenas uma história incluída neste conceito. Nós colocamos juntos alguns dos elementos mais emocionantes de eventos que duraram quatro séculos! A rivalidade e os contactos Romanos – Persas tiveram um enorme impacto nestes dois impérios da antiguidade. Nós, porém, definitivamente não tentámos reescrever a história. Ao invés de usar as nossas próprias ideias tendenciosas, estudámos atentamente as fontes escritas originais e deixámos que elas falassem por si próprias. Foi uma viagem maravilhosa através de uma parte importante da história e nós aprendemos muito com isso. Estou convencido de que a maioria das pessoas não está familiarizada com o facto, que não era uma regra, de serem sempre os romanos a oprimir ou conquistar. Muitos certamente não sabem que Mitra, uma antiga divindade iraniana, era frequentemente adorada mesmo no império romano. Há sempre um monte de coisas que se podem aprender a partir do estudo da história.

Quando decidiram que este novo álbum seria conceptual? Desde o início?
Sim, desde o início. Eu tinha cerca de 15-20 canções, mas havia poucas que se destacassem com a sua vibração oriental, por isso, decidimos concentrar-nos nessas e fazer um conceito que se encaixasse nelas.

Actualmente Goran Edman é um membro real dos Signum Regis ou apenas um músico de sessão?
Houve uma altura em que eu pensei que os Signum Regis se poderiam tornar uma banda de verdade com Göran, mas agora já não. Ele não quer ser uma parte de uma banda ao vivo. Ele tem suas razões e a distância entre a Eslováquia e a Suécia também não ajuda. Actualmente, estamos à procura de um vocalista, que possa ir para palco connosco. Seria óptimo se pudéssemos encontrar alguém da nossa zona. Devo dizer que, na Eslováquia é muito difícil encontrar alguém que se encaixe nossa música. É como encontrar um grande jogador de hóquei no gelo na África. Se ninguém joga hóquei no gelo não se consegue encontrar um bom jogador. A mesma coisa se passa com os vocalistas aqui. Quando ninguém tenta soar como os grandes vocalistas de metal da década de oitenta, não é possível encontrá-los. Eu acho que há muitos que soam como o vocalista dos Soilwork ou algo parecido, mas de heavy metal não há na Eslováquia.

Ele gravou na Suécia enquanto o resto da banda gravou na Eslováquia, certo?
Sim, ele fez todos os vocais no seu estúdio caseiro. Ele tem alguns equipamentos para captação dos vocais muito vintage o que faz com que ele soe incrível.

The Eyes Of Power é realmente um álbum muito bom. Vocês devem estar satisfeitos e orgulhosos disso. Como tem sido o feedback dos fãs e da imprensa?
Sim, totalmente. O feedback tem sido muito melhor em comparação com o álbum de estreia. É óptimo que estejamos a progredir.

Recentemente fizeram a vossa primeira apresentação ao vivo. Como foi a experiência? Já há datas programadas, nomeadamente na Europa Ocidental?
O primeiro que fizemos foi um concurso de bandas. Nós tocamos com o nosso amigo Josef Vlaschinsky nos vocais. Foi muito bom - nós simplesmente ganhámos! Eram cerca de 15 bandas e o júri disse que não tínhamos adversário à altura. Graças a isso tivemos a oportunidade de tocar num palco maior com artistas do Top40. A resposta dos fãs foi grande, o som estava óptimo. Que posso dizer mais…

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entrevista - P. Paul Fenech

P. Paul Fenech é um nome mítico do punk/psychobilly que quer com a sua banda principal, The Meterors, que em nome individual deixará uma marca indelével no seu género. Numa altura em que a sua banda prepara mais um trabalho, assina mais uma obra emblemática em nome próprio, a sua oitava sob a designação de International Super Bastard. Parco em palavras o próprio músico falou com Via Nocturna.

International Super Bastard é já o teu oitavo álbum a solo. O que me podes dizer sobre este novo trabalho?
Como sempre há muita variedade, mas na minha mente está sempre o mandato para tocar rock n 'roll.

Em termos líricos, quais são os principais temas neste novo álbum?
Todos os principais: amores, morte, sexo, drogas etc.

Afinal quem são os International Super Bastards?
Não pode ser só um, afirmo isso e sinto-me orgulhoso.

Como decorreram os processos de escrita e gravação?
Como sempre, escrevo quase todos os dias por isso há sempre músicas ou ideias na minha cabeça. Como de costume, gravei no meu próprio estúdio Mad Dog, na Alemanha. Foi um trabalho a tempo inteiro, porque o meu espaço de trabalho está sempre disponível quando eu preciso dele.

Como tem sido, até agora, o feedback da imprensa e os fãs?
Para ser honesto não presto muita atenção a isso, mas toda a imprensa que li fez referências muito positivas.

Considerando que tens uma grande experiência como vês a actual cena punk/psychobilly no teu país e no mundo?
Não olho a cena no modo de saber como os outros estão. No meu caso, quer a solo quer com a banda vamos muito bem e de acordo com nossos planos

E sobre os The Meteors, como está a situação actual?
Melhor do que nunca! Estamos a trabalhar no nosso novo álbum Doing The Lords Working, está para breve um novo DVD, Pure Evil Live e mantemo-nos em tournée há bastante tempo.

A terminar, o que estás a preparar para levar este álbum para a estrada?
No momento estamos a ensaiar e faremos alguns espectáculos no final do ano.

Playlist 16 de Dezembro de 2010

Entrevista - Forgotten Suns

Falar de progressivo em português é sinónimo de Forgotten Suns. Depois de Innergy e antes de um quarto álbum bem escondido, Revelations é um EP para ir satisfazendo os fãs. Mais uma vez Ricardo Falcão, guitarrista, acedeu a contar a Via Nocturna alguns pormenores da vida própria da mais emblemática banda progressiva nacional.

Viva, qual o objectivo subjacente ao lançamento do EP Revelations?
A razão do seu lançamento deveu-se sobretudo à estratégia promocional de fazer a ponte entre o lançamento de Innergy e promover a banda enquanto trabalhamos na produção do quarto álbum e porque tínhamos uma série de bons temas em stand-by que necessitavam de um lançamento digno que achámos por bem ser agora.

Este trabalho acaba por recuperar um tema do vosso primeiro trabalho. Como foi feita a sua reconstrução?
Betrayed é uma música que faz parte dos primórdios da banda e que pertence a um passado de produção low-cost com muita ingenuidade da época à mistura. Sabíamos que com o lançamento de Revelations teríamos a oportunidade de adicionar esta música que figurava como uma faixa extra em Fiction Edge e acrescentar a parte II (Grey Zone) que nunca tinha sido gravada em estúdio – desta vez sabíamos que a produção iria soar muito mais aberta, encorpada e obviamente, vocalmente mais madura. Uma vez identificados os pontos fortes e fracos da versão original foi relativamente fácil transportarmo-nos para o espírito da música uma vez que eu e o Mike compusemos grande parte da estrutura original em 95. Gostava de salientar o excelente trabalho da secção rítmica da banda nesta música que a elevou a outro patamar nunca antes atingido.

Depois há Doppelganger, com uma nova mistura, certo? Algum motivo em especial para a escolha recair nesse tema?
Correcto, sabíamos que Doppelgänger era uma de duas músicas com maior potencial e estrutura easy-listening adequadas ao mercado musical, daí a escolha.

Desta vez, a edição já não é da ProgRock Records, mas da Pathfinder, a vossa própria editora. O que se passou entretanto?
A Pathfinder Records é o espelho da forma independente como as bandas do século XXI se organizam, se promovem e evoluem. Nada de extraordinário se passou, temos muito respeito pela Progrock Records e em especial por Shawn Gordon, o seu presidente. Achámos, em Revelations, o pretexto ideal para definirmos melhor o nosso caminho.

No ano passado referias numa entrevista a Via Nocturna, que tinham todas as condições para serem independentes. A criação da vossa própria editora é mais um passo nessa afirmação?
Nessa altura referia-me à parte de produção em estúdio (MediaForce Productions), mas creio que o facto de podermos controlar as vendas correctamente e planear estratégias com os nossos parceiros atempadamente é sem dúvida uma mais-valia.

Este acaba por ser o vosso primeiro trabalho promovido internacionalmente pela Metal Revelation, suponho. O que mudou neste campo? O nome Forgotten Suns chega mais facilmente a outros sítios? Já sentiram esse feedback?
Sem dúvida, a Metal Revelation é uma Promotora profissional com larga experiência e também (através da Marjo Verdooren) o Management de Forgotten Suns. Estamos em plena sintonia e a orgulharmo-nos de trabalharmos juntos, temos o mesmo espírito empreendedor e quando assim é só pode haver resultados positivos.

Desta feita criaram um vídeo para Doppelganger. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Doppelgänger é o novo vídeo promocional da banda. Desde o inicio sabíamos o que queríamos para o conceito e penso que a partir do momento que conhecemos o Horta do Rosário (Director do vídeo, efeitos especiais & Doppelgänger) tudo se tornou mais realizável. O conceito geral gira à volta do dark side de cada um de nós. Todos temos um lado negro escondido, por mais profundo que ele possa habitar. Em Doppelgänger exploramos o significado da letra ao pormenor e o vídeo faz sobressair o nosso lado de performers com especial relevo às mãos, instrumentos e expressão corporal. O vídeo é o resultado de um trabalho árduo do primeiro ao último minuto que demorámos para o realizar. A grande maioria das pessoas não faz ideia o tempo e dedicação que demora a produzir quatro minutos e meio de vídeo com a adição de efeitos especiais.

Sei que já estão a trabalhar num novo disco. O que podemos esperar em termos de datas e de sonoridade? E será conceptual como chegaste a adiantar numa outra entrevista a Via Nocturna?
Sim e mantenho o mesmo secretismo sobre o quarto álbum. Apenas confirmo que será conceptual, que será um trabalho muito especial e que estamos a trabalhar apaixonadamente naquilo que mais gostamos de fazer!

Review - Undivided (Moritz)

Undivided (Moritz)
(2010, Harmony Factory)

Formados em 1986 em Londres, os Moritz separar-se-iam apenas dois anos após, para um hiato de 10 anos terminado em 2008 com a edição de City Streets que mais não era que o EP Shadows Of A Dream adicionado de um conjunto de outros temas nunca antes editados. Agora, em 2010, com o line-up original, o colectivo voltou às gravações para registar este Undivided, um álbum de puro AOR como se fazia nos idos anos 80. Aliás, não é de estranhar até porque alguns dos temas incluídos nesta rodela têm 24 anos de existência. Survivor, Journey ou Foreigner são as principais referências, por isso esperem que Undivided seja um disco soft, agradável de ouvir, mas sem grandes compromissos e sem grandes ambições. Tudo que se reporta ao bom AOR dos anos 80 está aqui presente, mas faltam os pormenores de excelência num disco demasiado linear mas que também não aborrece. Substância, melodia e algum poder estão assim distribuídos por um conjunto simpático de temas com destaque para Power Of The Music ou Never Together numa proposta que inclui nada mais, nada menos que três baladas. Afinal, típico do AOR.

Tracklisting:
1. Power Of The Music
2. Undivided
3. Should’ve Been Gone
4. Who Do You Run Too
5. Can’t Stop The Angels
6. Some But Different
7. Any Time At All
8. Without Love
9. Never Together
10. Lonely Without You
11. Can’t Get Away
12. World Keep Turning

Lineup:
Greg Hart – guitarras, teclados, vozes
Nike Nolan – guitarras e vozes
Ian Edwards – baixo e vozes
Pete Scallan – vozes
Andy Stewart – teclados e piano
Mick Neaves – bateria

Internet:

Edição: Harmony Factory

Review - Blackheart Revolution (Genitorturers)

Blackheart Revolution (Genitorturers)
(2010, Season Of Mist)

Liderados pela sensual e provocadora Gen, os Genitorturers são um caso único no panorama metálico internacional pela sua postura claramente sexista e onde o deboche e a corrupção andam de mão dada. Em silêncio desde 2002, altura da edição de Flesh Is Law, o trio está de regresso para mais um ataque de pulsações rítmicas cruzadas com surpresas electrónicas. Como um bizarro cruzamento entre Marylin Manson e White Zombie, com pitadas das L7 pelo meio, este Blackheart Revolution acaba por ser o mais forte álbum até à data, com uma metade inicial muito forte ritmicamente e muito vibrante, com especial destaque para Kabangin’ All Night, Devil In A Bottle ou a hardrockeira Louder, a lembrar as grandes bandas de estádio dos anos 80. A partir de Confessions Of A Blackheart os norte-americanos inflectem ligeiramente o sentido de marcha, começando a introduzir, de forma subtil numa fase inicial e, posteriormente, de forma mais exposta, elementos electrónicos. Aliás, esta faixa, revela-se completamente atípica, estranha, sinistra e pouco convencional, mas não deixando de se tornar atraente por esse facto, até porque se torna num dos momentos mais criativos e imaginativos do álbum. Em Cum Junkie acentuam-se as tendências electrónicas, para em Vampire Lover os Genitorturers visitarem campos próximos dos Depeche Mode ou mesmo Joy Division. No final, em Tell Me a banda regressa ao campo onde se sente mais à vontade, ou seja o hard rock enérgico, alegre, vibrante. Como temas bónus, o álbum apresenta uma outra faixa fortemente electrónica que não acrescenta nada a um álbum que apesar de incluir alguns bons momentos acaba por não ser suficientemente coeso nem consistente para se impor.

Tracklisting:
1. Revolution
2. Kabangin’ All Night
3. Devil In A Bottle
4. Louder
5. Falling Stars
6. Take It
7. Confessions Of A Blackheart
8. Cum Junkie
9. Vampire Lover
10. Tell Me

Lineup:
Gen – vocais
Evil David Vincent – baixo
Bizz - guitarras

Internet:

Edição: Season Of Mist

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entrevista - Beto Vazquez Infinity

Se Darkmind tinha deixado um ligeiro sabor amargo, Beto Vazquez preparou para a comemoração do décimo aniversário do projecto um trabalho de superior qualidade. Contando, como sempre, com um número impressionante de convidados desde os mais conhecidos até aos menos, Existence é uma obra que caracteriza na perfeição os dez anos de carreira. Em nome próprio, o músico argentino falou-nos do álbum, da sua banda e de muitas outras coisas.

Dois anos após Darkmind, estás de regresso com um álbum novo. Existence parece ser menos obscuro que o anterior. Concordas? Foi mesmo esse o teu objectivo?
Sim, o álbum anterior tinha um clima mais sombrio e incidiu sobre o gótico, e na altura eu quis capturar um registo dessas características. No entanto, todos os meus discos são diferentes uns dos outros. Não gosto de copiar as minhas próprias fórmulas. Portanto, este álbum duplo, traz muita energia e ar fresco.

Existence é um álbum conceptual. Em que se baseia?
Existence é, de facto, um álbum conceptual. O conteúdo lírico, em parte está ligado com experiências pessoais, mas tem elementos temáticos sobre a criação da existência e vivências que podem acontecer a qualquer um. Inclusive, se reparem na capa, tem os elementos de onde nasce a vida: ar, terra e útero.

Este é também o trabalha que marca os teus 10 anos de carreira. Suponha que pretendias algo grandioso. Como foi o trabalho de preparação desta obra?
Sim, fui compondo, e vendo que tinha muitas músicas para gravar decidi fazer algo diferente, fazendo um álbum duplo que cobre a existência de 10 anos do grupo. Foi um prazer trabalhar neste projecto e, além disso eu realmente gosto muito destas canções.
Sendo ainda cedo para uma análise ao feedback do álbum, quais são as tuas expectativas?
Honestamente, eu acho que tive uma grande evolução neste álbum, acrescentando nuances e diferentes vozes das que vinha gravando. Espero que as pessoas que fazem os comentários entendam isso. Pelo menos as pessoas que compraram o álbum ficaram muito satisfeitas, embora seja difícil agradar a toda a gente.

A distribuição dos temas pelos dois álbuns seguiu alguma linha orientadora? Parece-me que os temas mais rápidos foram colocados no primeiro CD. Algum motivo especial?
Não, à medida que ia escutando os temas, decidia para que disco iam, portanto cada tema foi designado para cada lugar. Não é propriamente fácil, com tantos temas, dar uma localização precisa para que todos se encaixam perfeitamente.

Como foi feita a selecção dos músicos desta vez?
Alguns músicos perguntavam-me se já tinha todos os postos preenchidos. Outros elegi-os pessoalmente e em contacto directo com eles. Tive sorte que todos os convidados que participaram, concordaram em trabalhar neste álbum, e fizeram um óptimo trabalho.

Existe alguém com quem não tenhas trabalhado e que gostaria de o fazer numa próxima oportunidade?
Os músicos são muitos, mas às vezes é muito difícil chegar a eles e poucos têm a humildade de trabalhar com bandas que são de menor importância. Por isso, aprecio muito mais o músico conhecido ou não, que, abnegadamente, trabalha com paixão e talento em cada um dos meus álbuns. É que, como sabes, há músicos muito conhecidos e outros menos. Isso para mim vale exactamente o mesmo na altura de participar.

Existence chegará ao mercado Norte-americano e Canadiano via Oz Productions e ao mercado russo via Fono LTD. Alguma expectativa em particular para estes tipos de mercado?
Estou realmente muito afortunado que, em tão pouco tempo após o seu lançamento, este trabalho seja editado e/ou distribuído no Canadá, EUA, Rússia, México e Argentina. Isto abrirá novas portas e fortalecerá ainda mais o projecto para os próximos trabalhos.

Com essa abertura a diversos mercados, ponderas a hipótese de fazer apresentações ao vivo fora da Argentina?
Não excluo essa hipótese, porque para além de gravar os instrumentos, também tenho uma banda estável. Só que para deslocar a banda, é muito caro. E um pouco complicado, também. O tempo dirá...

Finalmente, queres deixar alguma mensagem para os fãs portugueses?
Sim, obrigado por lerem esta entrevista. Sei que em Portugal, há músicos maravilhosos e pessoas maravilhosas que ouvem esse tipo de música. E, em definitivo, a música une o mundo. Um grande abraço para todos.

Review - Revelations (Forgotten Suns)

Revelations (Forgotten Suns)
(2010, Pathfinder)

Depois do sensacional Innergy (de 2009) e antes do próximo álbum, aparentemente previsto para o próximo ano, os nacionais Forgotten Suns editam Revelations um EP de cinco temas que terá como propósito ir atenuando a ansiedade dos fãs por novo material. Este EP é composto por um tema retirado de Innergy (Doppelgänger) agora apresentado com uma nova mistura e outro retirado da sua estreia em 2000, Fiction Edge I (Ascent), Betrayed onde aparecia como faixa-bónus. Este foi totalmente regravado mas ainda assim dá para se perceber a evolução que a banda teve nos últimos dez anos, passando de um rock progressiva na linha de Rush/Marillion para um metal progressivo de inspiração dreamtheateriana. A respeito de Betrayed, refira-se, no entanto, que o brilhantismo do tema não fica de maneira nenhuma beliscado por apresentar uma linha orientadora algo diferente. Se bem que nesta nova roupagem apareça mais forte, o que salta mais à vista, é mesmo a versatilidade de Nio Nunes que canta de forma absolutamente perfeita um tema que, originalmente, não tinha sido feito para ele. Mais, ele consegue incorporar e transportar todo o sentimento para um tema diferente do que têm feito os Forgotten Suns actualmente. Os restantes três temas resultam das sessões de gravação de Innergy e que tinham ficado fora do alinhamento inicial do álbum. Phenotype e Pinpoints são dois temas que navegam em ondas de metal progressivo tranquilo e que se desenvolvem e crescem até atingir elevadas doses de tensão emocional. Já The Hill se mostra como um dos temas mais experimentalistas da banda, cruzando diferentes ambiências e nuances desde mais sinfónico a mais obscuro. Para já fica mais uma clara demonstração do ecletismo dos Forgotten Suns e da sua maturidade em termos de composição. E, claro, continuamos ansiosamente à espera do próximo longa duração.

Tracklisting:
1. Doppelgänger
2. Phenotype
3. Pinpoints
4. The Hill
5. Betrayed

Lineup:
Ricardo Falcão – guitarras
Miguel Valadares – teclados e programações
J. C. Samora – bateria
Nuno Correia – baixo
Nio Nunes - vocais

Internet:

Edição: Pathfinder Records

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Review - Under A Blackened Sky (Dark Oath)

Under A Blackened Sky (Dark Oath)
(2010, Edição de Autor)

Originários de Soure e formados em 2009 pelas mãos de Zé e Joel (os dois guitarristas), os Dark Oath não perderam tempo a criar as suas primeiras composições. E o resultado está à vista: um primeiro EP gravado, produzido e masterizado nos UltraSoud Studios da Moita, publicado sob a designação de Under A Blackened Sky. Trata-se de um forte conjunto de cinco temas que tem por base a veia melódica do death metal que se encontra bem ponteada de outras influências como viking, pagan e, até em determinados momentos de black metal. A junção destas influências ajudou a criar uma obra muito interessantes, cheia de agradáveis harmonias que se cruzam com vocais ora brutais, ora limpos. A banda intitula ao seu estilo Saurium Metal. Embora fique para a posterior entrevista a definição deste novo género, o que importa aqui e agora aferir é da qualidade de mais um trabalho nacional proveniente de uma banda extremamente jovem e com uma grande margem de progressão. Independentemente disso, nota-se já uma assinalável maturidade na construção dos temas fortes, bem construídos, com atraentes solos e dinâmicas muito apelativas. Hail Thor, God Of Thunder, a abertura, é feita em alta, mas é nas seguintes The Warrior e Mensageiro (vocalizada em português pelos menos nas partes perceptíveis) que a banda consegue criar verdadeiros hinos death metal com cavalgadas rítmicas sensacionais e onde a lead guitar assume um papel de importância extrema. Por outro lado, as guitarras acústicas (em Mensageiro) ajudam também a criar uma áurea de misticismo relevante. Já em Valande’s Tale, tema que conta com a participação de Hugo Andrade, a banda revela uma outra faceta mais crua e agressiva. O EP fecha de novo em ritmos mais vibrantes e com melodias mais cativantes, deixando no ar a ideia que este colectivo pode evoluir ainda muito e que promete  criar momentos ainda mais densos e palpitantes que os já apresentados.

Tracklisting:
1. Hail Thor, God Of Thunder
2. The Warrior
3. Mensageiro
4. Valande’s Tale
5. Glory To Olaf Tryggvason

Lineup:
Carlos – vocais
Joel – guitarra solo
Zé – guitarra ritmo
Emerson – baixo
Pedro - bateria

Internet:

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Entrevista - Drype

Oriundos de Ermesinde, os Drype são um trio de rock alternativo que apresenta como cartão-de-visita um EP de 4 temas onde a qualidade e o bom gosto marcam pontos. Marcos Levy, um dos elementos fundadores apresenta-nos o colectivo, o seu trabalho e os objectivos futuros.

Podes explicar-nos como nasceram os Drype?
Os Drype nasceram após o fim de um projecto Grunge, surgindo com o nome provisório de Infectious Greed. Eu tocava baixo na banda juntamente com o Pedro Eloi na bateria e quando a banda acabou decidimos então formar um projecto de Rock Alternativo, tendo eu passado de baixista para guitarrista, vocalista e pianista. Para preencher o lugar vago Aires Meneses ingressou na banda como baixista e a banda tinha ainda um 4º elemento que tocava connosco desde o nosso primeiro projecto, mas que mais tarde viria a abandonar a banda.

Portanto, antes de Drype existiram os Infectious Greed. Houve algum motivo especial para a mudança de nome? Essa mudança esteve associada a alguma alteração na linha musical seguida?
A mudança de nome deveu-se ao sentimento geral da banda de que o nome não se enquadrava com o que nós pretendiamos, sentimos que era demasiado negativo e grande, portanto decidimos optar por uma maratona de escolha de um novo nome que durou bastante tempo, e no final ficamos com um nome pequeno, sem significado e que representa bem o estilo da banda, que era exactamente o pretendido. A linha musical permaneceu a mesma, com a simples mudança de que estamos muito mais maduros musicalmente desde os tempos dos Infectious Greed.

Quais os objectivos que se propõem atingir com a edição deste EP?
Este EP é a rampa de lançamento dos Drype, o objectivo é o de conseguir trazer novos ouvintes e fans à banda e de fazer com que o nome Drype se familiarize. O objectivo principal é tentar chegar ao máximo de pessoas possível.

Quais são as vossas principais influências?
Cada membro da banda tem as suas próprias influências e no fim é esse Melting Pot que resulta no som próprio dos Drype, mas para mim, como compositor tenho bastantes influências de bandas como Muse, Rage Against The Machine e Nirvana por exemplo.

Quando o Ricardo Gomes saiu e se transformaram num trio, qual era o ponto de situação em relação à gravação do vosso EP? De alguma forma, essa saída influenciou o resultado final?
Quando o Ricardo Gomes abandonou a banda nós já tinhamos a gravação do EP concluida, portanto não influenciou o resultado final do mesmo. A transição de quarteto para trio não teve um efeito negativo na banda, pelo contrário, penso que numa banda com o formato trio os membros têm de dar ainda mais de sí, o que tornou este processo entusiasmante principalmente para mim que assumo agora a função de guitarrista sozinho.

Entretanto o Imagem do Som escolheu-vos para abrir a sua rubrica Novas Bandas. Como receberam a notícia e que efeitos teve essa escolha ao nível de abertura de novas oportunidades?
Foi uma surpresa bastante agradavél de sermos os primeiros escolhidos para uma iniciativa deste género! As bandas que se estão a tentar cimentar neste meio precisam de todos os apoios possiveis. Tivemos uma sessão fotografica no HardClub e vamos ter ainda brevemente uma sessão em estúdio e concertos em colaboração com a Imagem do Som.

E mais recentemente estiveram em destaque no Dark Compass PodCast com o tema Juggernaut. Que impacto teve essa experiência na vida dos Drype?
Outra surpresa também bastante agradável! Ouvir o nome da banda nunca soou tão bem como quando dita pelo locutor britânico do Dark Compass. As suas criticas positivas tecidas foram um bom aumento de confiança para nós para continuarmos a acreditar que o nosso objectivo se pode concretizar.

Como decorreu o processo de escrita e gravação deste EP?
Foi um processo bastante longo para quatro músicas. Como gravamos o EP no estúdio do meu pai não tinhamos toda a disponiblidade para a gravação e portanto isso acabou por atrasar muito o trabalho de estúdio, o que por um lado se tornou num ponto positivo porque tivemos bastante tempo para melhorar as músicas em todos os aspectos. Estes quatro temas foram escritos ao longo dos ensaios e devaneios. Por exemplo… o riff da Discardable People nasceu no meio da rua, comigo a caminho da escola a cantar para o telemóvel de uma forma discreta para que ninguém me achasse maluco; já o riff da Awakening foi criado quando era baixista dos N’cript.
Como está a ser o feedback dos fãs e imprensa ao vosso lançamento?
O feedback dos fãs e imprensa é óptimo, temos sempre boas críticas, como por exemplo no myspace, e espero que assim continue! É sempre óptimo ter o trabalho duro a ser reconhecido.

Para quando a apresentação de um trabalho em longa duração?
O primeiro trabalho em longa duração dos Drype irá ser concretizado quando se reunirem todas as condições necessárias para que seja um grande állbum de estreia, e infelizmente ainda não estão reunidas.

E outros projectos que vocês tenham em mente para um futuro mais ou menos próximo, que nos podem adiantar?
Vamos extender os Drype para uma versão acústica, iremos gravar muito brevemente alguns dos nossos temas nesse formato e postar os videos no nosso myspace e youtube. Entretanto continuaremos a dar concertos!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Playlist 9 de Dezembro de 2010

Review - The Eyes Of Power (Signum Regis)

The Eyes Of Power (Signum Regis)
(2010, Inner Wound Recordings)

Nascidos na Eslováquia em 2007 pela mão do baixista Ronnie Koning, os Signum Regis assinam com este The Eyes Of Power o seu segundo registo de originais, primeiro para a Inner Wound Recordings, depois de uma estreia para a Locomotive, em 2008 em formato auto-intitulado. Desde logo o que mais salta à vista neste colectivo é o nome do vocalista. Nada mais nada menos que o requisitadíssimo sueco Goran Edman. O que, desde logo à partida, alguma qualidade está garantida. Todavia, avise-se desde já, que com The Eyes Of Power não se trata de um trabalho com alguma, mas de suprema qualidade. A forma como o colectivo mistura NWOBHM, power metal, metal melódico, hard rock e metal neoclássico é pura e simplesmente fantástica, criando um conjunto de nove temas arrebatadores, pujantes, explosivos, brilhantes. E a voz de Edman é apenas mais um elemento a adicionar a um sensacional trabalho de baixo, a um fantástico desempenho da dupla de guitarras quer ao nível dos solos, quer nas bases e harmonias, a uma bateria precisa e dinâmica e a uns teclados muito importantes na definição da base estrutural dos temas, ajudando a criar os ambientes adequados a cada situação. As estruturas são muito bem delineadas e extraordinariamente bem trabalhadas apresentando um conjunto rico de pormenores ao nível da criação e da execução. Entre as nove faixas, contam-se três instrumentais, onde a classe se distribui por todos os instrumentistas. O instrumental de abertura chega a assustar pelo nível de qualidade atingido e faz temer que a banda não aguente o resto do álbum naquele patamar. Nada disso acontece e em determinados momentos, como em Purpleborn ou One Fatal Enterprise os Signum Regis chegam mesmo a superar essa bitola. O mesmo acontece no último instrumental, Roma Aeterna, com uma abordagem ligeiramente diferente, mais emotiva e com mais sensualidade o que resulta numa peça extraordinária que chega a arrepiar tal a beleza e sentimento transmitido. The Eyes Of Power é um trabalho conceptual sobre as relações entre os Romanos e os Persas entre os anos de 224 e 630 a.C. masterizado por Greg Reely (Fear Factory, Coldplay, Machine Head) e, acima de tudo, é uma obra-prima de metal indispensável em qualquer discografia.

Tracklisting:
1. Renewal In The East
2. Dura Europos
3. Purpleborn
4. Mystical Majesty
5. One Fatal Enterprise
6. The Underground Temple
7. Oathbreaker
8. Roma Aeterna
9. Destroyers Of The World

Lineup:
Goran Edman – vocais
Ronnie Koning – baixo
Filip Kolus – guitarras
Ado Kalaber – guitarras
Jan Tupy – teclados
Jaro Jancula – bateria

Internet: