Entrevista - Myland

Oriundos de Milão, os Myland são uma banda de AOR que acaba de assinar Light Of A New Day, o seu terceiro registo de originais. No entanto, como nos explica Orazio Martin este é o primeiro disco criado como uma verdadeira banda. Este foi um dos muitos motivos da conversa com o simpático guitarrista italiano.

A começar, podes apresentar-nos os Myland?
Olá Pedro, obrigado pela entrevista. É um prazer para mim responder às tuas perguntas! Também muito obrigado em nome dos meus colegas da banda para a oportunidade que vocês, em Via Nocturna, nos estão a dar. É muito gratificante! Quanto à tua primeira pergunta... concerteza, vai ser um prazer apresentar a banda! Na bateria temos o poderoso Paolo Morbini, líder dos Myland desde o primeiro dia, companheiro há muito tempo, músico muito experiente e um talento inacreditável para arranjos de guitarra e teclado. Ele é o homem! No baixo temos o Fabian Andrechen! Grande sentido de oportunidade e sempre a atcar o seu instrumento com um groove fabuloso! É um músico que está sempre à procura de caminhos alternativos, o que é sempre bom para compor! É uma pessoa maravilhosa... mas nunca tentes enganá-lo... e isso não é um conselho! Franco Campanella é o nosso vocalista. Muito talentoso, com grande estilo e versatilidade de tal forma que pode cantar até blues! Davide Faccio é o nosso teclista. Um músico incrível, um dos mais completos que eu já tive o prazer de trabalhar: ele pode tocar de forma clássica, pode tocar jazz e tudo mais! E se achas que ele é um bom teclista ... bem ... devias ouvi-lo tocar baixo! Incrível! Finalmente, existo eu na guitarra.

Como é que vocês se definiriam como banda?
Bem... a primeira definição que passa pela minha cabeça é que nós somos realmente uma banda, enfim! Pode parecer uma estranha espécie de resposta, mas esta é a verdade. Myland não é um projeto de estúdio como costumava ser até ao álbum No Man’s Land, onde Paolo e Guido controlavam o processo de escrita e contratavam um conjunto de músicos de sessão para levar essas músicas para a vida real, e isso faz toda a diferença! Gastámos muito do nosso tempo para transformar os Myland numa banda de verdade, porque todos nós sabíamos que esta era a principal coisa que faltava para completar o quadro: uma banda que grava e toca em palco regularmente. O sentimento entre os cinco de nós é bom. Nós somos pessoas normais, com enorme paixão pela música e nós só queremos divertir-nos com o que fazemos. Temos famílias regulares, empregos regulares ... nada de rockstars da treta aqui. Dito isto, se eu tivesse que definir o nosso estilo... bem, pode ser loucura, mas eu acho que funciona assim: tenta juntar Van Halen (da era Sammy Hagar), com Toto (da era Isolation e Seventh One) e ficas com uma ideia bastante clara do som Myland.

O que nos podes dizer sobre Light Of A New Day?
Eu descreveria Light Of A New Day como um album what-you-see-is-what-you-get. Sem truques. O que ouves no CD soa exatamente como a banda soa no palco. Trabalhámos muito para que isso aconteça, porque nós quisemos fornecer aos fãs um trabalho o mais honesto possível. É o que somos agora! Espero que vocês gostem!

Sendo este o vosso terceiro álbum, que diferenças apontas entre este e os antecessores?
A direção musical não mudou muito em comparação com os álbuns anteriores. Para Light Of A New Day queríamos um som poderoso, dinâmico, hard rock, assim como muito melódico, com arranjos sofisticados. Por isso, diria que soa muito parecido com os anteriores, mas com algo mais. Um toque que vem das novas personalidades envolvidas. A primeira diferença que vem imediatamente à vista é o novo vocalista, é claro. A voz de Franco soa muito diferente da do Guido Priori. Não estou a dizer que o Franco é melhor, é apenas diferente, e considero que o seu estilo quente, apaixonado e poderoso, com algumas notáveis influências do blues, realmente combina muito bem com o nosso estilo musical. Mas, se comparares com atenção vais descobrir que o novo álbum tem muito mais variedade em termos de estilos musicais explorados e soa um pouco mais agressivo também. Além disso, agora temos duas baladas. O anterior tem apenas um soft rock mid tempo. Sim, o novo definitivamente mostra um pouco mais de variedade e ousa um pouco mais em termos de composições e arranjos. Acho que também se fez um pequeno passo em frente para o rock moderno, aqui e ali, mas é ainda muito eighties. Queríamos que as nossas músicas fossem mais atraentes das que tínhamos em No Man's Land. Temos tido e-mails de fãs pedindo explicação para esta ou aquela canção que ficou fora de No Man's Land, porque sentem que havia uma espécie de elo que faltava para a mensagem chegar. Portanto, nós queríamos que os novos temas fossem mais focados e tivessem um significado mais claro: e de facto, este disco é definitivamente mais fácil de entender. Finalmente, como eu disse antes, a principal diferença é que agora somos uma verdadeira banda de tocar e a compor.

Pelo que descreves, dá a sensação que a mudança de line-up dos Myland afetou o processo criativo para este novo álbum?
Definitivamente sim. Até o No Man's Land, apenas o Paolo e o Guido costumavam contar com membros de sessão para fazer as coisas acontecerem. Agora somos uma banda de cinco pessoas que ficam igualmente envolvidas na criação e organização de todo o material. Tivemos ensaios regulares para criar Light Of A New Day. 4 horas sem interrupção, uma vez por semana. Pode parecer muito, mas não foi e a sensação foi muito boa e conseguimos acabar uma canção nova na maioria das vezes como o tempo dos ensaios! Em cerca de 20 semanas tinhamos as nossas canções concluídas. Depois trabalhámos na parte vocal durante um par de meses e, finalmente, dedicamos cerca de um mês para os acertos finais e para a letra definitiva.

E como tem sido as reações a este novo álbum?
Até agora, Light Of A New Day tem recebido muita atenção da comunicação social e críticas muito boas de web-zines por todo o mundo. Tem tido alguns bons comentários e boas classificações na maioria deles. É claro que nesta fase é muito cedo para dizer qualquer coisa, mas eu acho que o primeiro objetivo que estabelecemos para nós, que sempre foi o de ser capaz de atingir o sucesso que conseguimos com o CD anterior, pelo menos, tem sido realizado em termos de entusiasmo e e de burburinho causado! Agora vamos olhar para as vendas também, que se tornou a parte mais dolorosa do jogo, devido ao mau hábito crescente dos downloads ilegais, mas com certeza que o que foi alcançado até agora é uma boa maneira para começar, e sentimo-nos muito satisfeitos.

Vocês já são considerados heróis locais. Achas que vai ser agora que os Myland terão maior exposição internacional?
Oh isso seria definitivamente muito bom! Mas nós sabemos que é um processo muito longo e que começa estando-se pronto para agarrar a grande oportunidade quando ela surgir. Desde que tenhas essas oportunidades e tomes as decisões certas, outras oportunidades, eventualmente melhores, virão. Isto até ao ponto em que se percebe que realmente a banda está a ter alguma exposição internacional. Nós estamos a trabalhar neste passo a passo, porque estamos bem conscientes de que todos dependemos de estar no lugar certo na hora certa!

Há já alguma coisa preparada para levar Light Of A New Day para a estrada?
Nós já temos vários espetáculos locais previstos aqui no Norte de Itália para manter o ritmo em alta. Além disso, o pessoal da Point Music está a fazer o seu melhor para realizarmos alguns showcases na Alemanha. Nada está confirmado ainda, mas sabemos que vamos ter um forte apoio do seu lado, com certeza! Depois, em junho, já estamos confirmados para um festival open-air em Banja Luka (Bósnia Herzegovina). E temos alguns contatos para fazer alguns espetáculos na Roménia. Vamos ver o que acontece! Confiram tudo em www.mylandmusic.com e www.myspace.com/mylandrock a qualquer momento para se manterem atualizados!
Obrigado a ti, Pedro. Eu realmente passei um bom bocado a responder a esta entrevista e estou grato a ti e a todo o pessoal de Via Nocturna!

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