sábado, 12 de março de 2011

Entrevista - Urban Tales

Loneliness Still Is The Friend é a nova proposta dos Urban Tales e volta a demonstrar as capacidades e qualidades que tinham feito de Diary Of A No um álbum genial. Com mais trabalho coletivo, a banda criou um disco mais forte e direto sem no entanto abandonarem a sua capacidade melódica e melancólica como o vocalista Marcos César nos explicou.

Depois das excelentes reações a Diary Of A No, tinhas uma difícil tarefa que era superar essa bitola. De que modo te preparaste para esse trabalho que se antevia árduo?
Não houve grande preparação. Foi uma questão da banda toda se fechar numa sala de ensaios e começar a criar novas músicas. O que se gostava continuava-se; o que se achava duvidoso deitávamos para o lixo. Foi algo natural, não houve qualquer tipo de pressão.

Então, na altura da composição deste novo álbum, precisamente devido aos patamares que havias alcançado com Diary Of A No, não sentiram nenhuma pressão?
Sentia mais quando ainda tínhamos uma editora e já se falava em orçamentos e datas de entrega do novo álbum. Depois disso não, simplesmente fomos criando e ver o que saia instintivamente.

No entanto, um hiato de mais de três anos, dá a ideia que tiveste muito tempo para amadureceres bem as ideias?
Sim, pelo menos com o Diary of a No, percebi em que caminho/estado estava a música em geral. Nesse ponto se calhar pus os pés no chão e deixei-me de sonhos e conquistas e começámos a criar música pelo simples facto de fazer música e não com o objetivo de ter que ter uma editora, ter que andar a tocar montes de vezes, ir para fora de Portugal, quando sabemos que nada disso é sinal de saúde musical para muitas bandas.

A mim, parece-me que este Loneliness Still Is The Friend é um pouco mais cru e direto que o seu antecessor. Concordas? Foi propositado ou simplesmente aconteceu?
Concordo, mas não foi algo intencional. Talvez pelo facto de sermos uma banda a coisa saiu assim…Naturalmente.

E para este trabalho houve uma série de mudanças: desde logo de editora. O que aconteceu?
Pois, esse se calhar foi o grande revês, visto que eu já sabia que a editora ia fechar, mas que iria abrir como uma subsidiária de outra label. Infelizmente a coisa não correu assim tão bem, estivemos muito tempo até receber uma resposta definitiva acerca deste assunto. Assim, decidimos fazer tudo por nós, com a ideia de que o que gastássemos poderíamos reaver e mais: se conseguíssemos contratos de distribuição ou licensing a coisa poderia correr bem para nós. Estamos, neste momento, a discutir com umas editoras estrangeiras para esse facto, enquanto que com a Compact Records foi uma coisa rápida, pois já tínhamos trabalhado com eles, e sabíamos que são honestos e trabalhadores.

Em Despair (Pt. 1), utilizam um poema de Carlos Queiros, Canção Grata declamado por Vitor de Sousa. Como surgiu a ideia de utilizar esse poema e de escolher o Vitor de Sousa para a sua interpretação?
Foi algo que surgiu…Depois do instrumental feito pelo Jon, veio-me à cabeça ter alguém a declamar algo na música. Levei algum tempo a decidir quem seria, até que surgiu o Vitor de Sousa. Depois foi tudo muito rápido, fizémos o convite, ele aceitou logo (o problema foi mais com a SPA e os direitos do poema), e quando chegou-se ao estúdio para gravar, ele tinha um novo poema para nos mostrar (o que ficou na gravação), assim que o ouvimos, ficámos perplexos e aceitámos de imediato. Foi unânime.

No que diz respeito à composição, como decorreram as coisas desta vez?
Foram várias as formas de criação deste álbum. Primeiro e a mais importante foi sem duvida a criação na sala de ensaios; depois foi a criação em casa e levar as ideias para o estúdio e ver se resultava, e depois foi em casa criando e gravando para ver como funcionava já algo mais coeso. Mas no geral todos contribuíram da mesma forma. Ninguém trabalhou mais que o outro.

Acho curioso a forma como os Urban Tales preenchem os espaços nas canções por vezes com excertos de filmes e documentários. O que te leva a incluir esses excertos nas músicas?
Geralmente quando em certas partes da música que eu acho que são “partes mortas”, ou monótonas, tento sempre encaixar algo mais. Assim, e visto que estes trechos de diálogos ou discursos foram coisas que eu vi e me marcaram, tento inclui-las nas músicas, nem sempre é possível, mas nestes casos até resultaram bem. Desta forma acho que as músicas ganham uma nova dinâmica.

E em termos de gravação? Foram cerca de dois anos para captar tudo. Foi um trabalho minucioso, suponho…
Visto não termos prazos de entrega, fomos simplesmente gravando e acrescentando coisas à medida que nos saia uma nova ideia. As gravações foram muito rápidas. Demorou mais a edição e terminar as músicas, visto que para cada música tínhamos “milhares” de ideias e o difícil era pô-las de parte.

Já agora, acho que não podíamos estar aqui a conversar sem falar da FEDRA e do seu hino composto pelos Urban Tales. Sei que o single foi um sucesso. O que te pergunto é se continuam a trabalhar em conjunto ou se há ideias de se associarem a outras entidades do género.
Sempre que a FEDRA nos pede algo, estaremos disponíveis para eles. É impossível nós mantermo-nos afastados deles. Mesmo em fevereiro falou-se num possível concerto na Aula Magna do qual prontamente aceitámos, mas que infelizmente acabou por não acontecer. Pelo facto da nossa ligação à FEDRA, duvido que haja mais algum convite de outra instituição, contudo, se houver teremos de ver a causa, se nos identificamos e se estamos disponíveis. Não dizemos que não a nada até algo ser mais concreto.

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