Entrevista - The Allstar Project

Com Into The Ivory Tower, os The Allstar Project assinam uma obra fundamental do post-rock nacional. Trata-se de uma viagem de sensações e tipologias incomuns, propicia, simultaneamente, ao arrepio e ao deslumbre. O guitarrista Nunez, acompanhou-nos nessa viagem.

Depois de Your Reward… A Bullet, já se passaram 4 anos. O que passou entretanto no seio dos TAP?
No seio da banda nada de mais se passou, continuamos a fazer o mesmo que fazíamos. O que mudou foi a vida de cada um de nós de, com novos projetos profissionais e familiares!

Naturalmente, o vosso processo de crescimento e amadurecimento, deve estar bem patente em Into The Ivory Tower. De que forma isso se reflete?
Não te consigo dar exemplos concretos acerca disso, mas acredito que sim, que este álbum é mais maduro que o anterior. Acho que o que temos agora é mais a certeza do que queremos fazer e não aceitamos com tanta facilidade fazer cedências no que quer que seja. Temos 10 anos de banda, o que não é muito comum hoje em dia e acreditamos que continuaremos a fazer isto até ao dia em que deixe de fazer sentido fazer o que fazemos.

E que expectativas têm para este vosso lançamento?
As mesmas que tínhamos para todos os outros. Sabemos que neste momento somos alvo de maior atenção que no passado, mas em nada isso nos afeta ou condiciona. Tentamos fazer sempre o melhor que sabemos para que a nossa música chegue às pessoas. Gostávamos obviamente que as pessoas adquirissem o objeto físico, que é o disco, pois isso dá as bandas mais força para continuarem a trabalhar e a fazer melhor. Por isso neste disco incluímos um código de acesso a conteúdos exclusivos no nosso website, que serão disponibilizados ao longo do tempo. Esta é também uma forma de manter o contacto com quem nos segue, além dos discos.

De que forma este novo álbum se assemelha ou se distancia da vossa estreia?
A nossa estreia foi em 2003 com um EP chamado The Berlengas Connection e desde aí muito tempo passou, a base musical continua a ser mais ou menos a mesma, mas a forma como se tudo se constrói é radicalmente diferente. A banda nessa altura vivia muito mais do imaginário cinematográfico para compor, enquanto hoje vive mais das realidades do dia a dia (ainda que estas pareçam tiradas de um filme!)

Para a capa escolheram uma pintura de Thomas Cole. Qual a razão de tal escolha e de que forma essa pintura se ajusta à sonoridade TAP?
Antes de mais convém referir que no que a pintura diz respeito, sou um leigo. Mas como em todas as formas de arte, julgo que o que interessa é o impacto que esta tem nas pessoas e não os empirismos à volta dela. Desde o álbum anterior que eu andava impressionado com um grupo de pintores, a que deram o nome de Hudson River School. Há alguma coisa nas suas obras que de certo modo me diz alguma coisa. Esta pintura faz parte de uma série de 5 pinturas que contam uma história e foi isso, aliado à força que a imagem tem, que nos levaram a escolhe-la para capa deste álbum.

E para únicas partes não exclusivamente instrumentais, escolheram o poema Darkness de Lord Byron. A mesma questão se coloca: porque este poema em especial?
Volto a referir que, à semelhança da pintura e até ler este poema, a poesia era uma coisa que muito pouco me dizia. Gosto que de vez em quando e quando menos se espera que estas coisas aconteçam. Andamos na net a ver uma coisa e surpreendemo-nos com outra. Foi o que aconteceu! Quando li este poema senti que ele expressava de certa forma aquilo que procurávamos exprimir com a música. Aproveitámos para incluir um excerto desse poema e, à semelhança da pintura, chamar as pessoas interessadas a conhecer a totalidade da obra.

Em Into The Ivory Tower contam com dois convidados nas cordas. Como surgiu a ideia de integrar violino e violoncelo em alguns dos temas?
Essa é uma ideia que nos acompanhou desde sempre, incluir alguns arranjos de cordas nas nossas músicas. Durante a composição dos temas em questão o nosso baixista ia dizendo, “tenho umas ideias para cordas nestas músicas…” até que um dia, já quase quando estávamos para entrar em estúdio apareceu com as ideias gravadas e mostrou ao resto da banda. Tudo fez mais sentido e avançamos com a ideia de que tínhamos de arranjar quem as tocasse. Só temos de agradecer a quem o fez.

Participaram com um tema para a compilação do projeto ECO. Podes explicar que tipo de projeto é esse e como surgiu o convite?
A Eco é uma associação local que leva a cabo várias atividades culturais na zona de Leiria. Propuseram a várias bandas que escolhessem um filme e compusessem um tema para o mesmo. Não podíamos recusar… foi um projeto que nos aliciou, logo à partida.

Depois disso tiveram a oportunidade de ir ao Canal Q da Meo. Como decorreu essa apresentação?
Correu muito bem! Tivemos de adaptar o tema às condições do canal e ainda bem. Ficamos agradavelmente surpreendidos com o resultado final.

Pelo que pude ver no vosso site, o álbum foi gravado em … cinco dias e com algumas peripécias pelo meio…
Sim, a maior parte do álbum foi gravado em cinco dias nos Loudstudios em Coimbra com o Toni Lourenço, depois o resto do trabalho foi feito no TAP Headquarters, que é o nosso estúdio. Em relação às peripécias, estas são o normal de qualquer grupo de amigos que passa 5 dias juntos (nesses dias jogava-se o Mundial de Futebol, os ovos verdes eram um belo veneno, o Sawyer via UFO’s, os horários não eram cumpridos, pela calada já se fazia a folha ao Carlos Queiroz e parecia que ainda não se tinha inventado o FMI). Enfim… o mundo no seu melhor!

Agora, Into The Ivory Tower vai ser levado para palco? Onde e quando?
Para já só temos confirmado as datas de lançamento! Sendo que a última foi a 21 de abril no Teatro Miguel Franco em Leiria. Mas não se preocupem, mais se seguirão.

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