sexta-feira, 1 de julho de 2011

Entrevista: Alastor

Nascidos em 1988 os Alastor são um dos nomes com mais mística no panorama metálico nacional, eventualmente até porque nunca tenham existido como banda normal, nas palavras dos seus membros e aqui comprovadas na pessoa de JA. A edição de um novo disco, Demon Attack que até trás como bónus o primeiro álbum da banda, nunca antes editado, foi o mote para a conversa com o guitarrista do coletivo.

Os Alastor têm estado em silêncio há alguns anos. Isso implica que tenham estado mesmo parados ou não?
Por partes para ser mais fácil de compreender. Os Alastor não existem como banda, aliás, nunca houve uma banda. Essa foi a razão porque encerrei esse capítulo em 1988, uns 3 meses depois de estar a ensaiar só com o baterista da altura. Depois disso, de tempos a tempos, componho uns temas e depois falo com alguns músicos para se juntarem ao projeto.

E já agora, algum motivo porque este silêncio se prolongou por tanto tempo?
Andei ocupado com DKD e com outros projetos que tenho com outros músicos. Quando encontrei pessoas interessadas em gravar um novo álbum, comecei a trabalhar para isso, mas foi um projeto que demorou o seu tempo até se concretizar a 100%. Já agora, aproveito a oportunidade para agradecer à War Productions por terem lançado o álbum.

Com muita expectativa, apresentam Demon Attack, o vosso novo álbum. Como o descreveriam?
Creio que dos 5 álbuns que já gravamos, este é capaz de ser o mais thrash e menos black. Essa parece ser a maior diferença entre este álbum e os anteriores. O som desta vez está mais “limpo” (menos graves) o que talvez ajude no tornar um álbum mais Thrash. Para quem gosta do thrash metal dos anos 80’s, este é um bom álbum. Pelo menos as críticas que tenho ouvido, assim o dizem.

Este trabalho tem edição da War Productions e chega ao mercado em 2011, apesar de a própria capa do CD referir o ano de 2010. Isso significa que a gravação esteve guardada até aparecer uma boa editora para o lançar?
Significa isso e também o facto de se ter demorado algum tempo a gravar para se tentar captar um certo “sentimento” mais relaxado. Depois de tudo estar pronto, foi o eterno procurar editora. Mas apareceu a War e o álbum está aí.

E de que forma é que sendo uma gravação mais antiga ainda representa os atuais Alastor?
Os atuais Alastor já estão a trabalhar em 4 músicas... Certas partes foram logo gravadas na altura do álbum, faltam outras. Ainda não sabemos muito bem o que se vai fazer com aquilo, talvez um split... algo assim.

Como bónus vem o vosso primeiro trabalho de 1996. Qual o objetivo que norteou a banda para esta inclusão?
Esse deveria ter sido o nosso primeiro álbum, mas nunca chegou a ser lançado. Por isso costumo dizer que o que as pessoas conhecem como primeiro álbum é na verdade o segundo. No entanto, continuo a adorar esse álbum e desta vez lembrei-me de incluir como músicas extra. Falei com a War, gostaram da ideia, por isso, agora todos podem ouvir o que os Alastor estavam a fazer em 1996.

Ao contrário dos álbuns anteriores, pelo menos a atender pelos títulos dos temas, agora utilizam primordialmente a língua portuguesa. Qual as razões dessa escolha
usei a língua inglesa nos dois primeiros álbuns. A partir do terceiro, usei sempre e só, a língua portuguesa. A razão já não me lembro, mas lembro-me de que falei com o vocalista da altura quando comecei a trabalhar no terceiro álbum e expliquei-lhe a razão e ele concordou. Desde então, não encontrei razão para voltar a usar o inglês.

Em termos de temas, acaba por ser um pouco estranho a inclusão de uma versão de um tema dos Mötley Crüe. Algum motivo em especial para a escolha de Red Hot, de uma banda que estilisticamente pouco ou nada mesmo se relaciona com os Alastor?
Pois... A escolha do tema deveu-se ao facto de ser uma das minhas musicas favoritas deles. A escolha da banda foi sugerida por mim porque o NS queria fazer uma do Alice Cooper que ambos gostamos, mas não me estava a apetecer gravar essa na altura. Como a banda (três pelo menos) gosta bastante de MC, escolha feita. Talvez aos olhos do ano 2011, uma banda como MC pouco tenha a ver com Alastor, para quem cresceu nos anos 80... tem bastante. Em particular esta música. E como fizemos covers de outras bandas speed/thrash nos albums anteriores...

Uma pequena pesquisa na net apresenta-nos imensas bandas com o nome Alastor. Isso não vos afeta?
LOL. Nada. Quando formei a banda em 1988, não conhecia nenhuns Alastor, e como não tínhamos net, andei a perguntar aos amigos e ninguém conhecia outros Alastor. Quando voltei com a banda em 1996, já conhecia outros Alastor, falou-se em mudar de nome, mas chegou-se á conclusão de que não valia a pena e, se não me engano, não havia nenhuma banda ativa com esse nome na altura. Todos adorávamos o logotipo. Essa foi outra razão.

Pelo que pude ler em alguns fóruns não vamos ter concertos de Alastor. Corresponde isso á verdade? Se sim, porque razão?
Como te disse, esta entidade, não existe como uma banda normal. Já tocamos ao vivo duas vezes, e não se põe de parte, outros concertos no futuro, no entanto, terá de haver condições para se poder dar um bom concerto. O baterista está na Suíça, logo, estas coisas têm de ser bem faladas e combinadas com antecedência.

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