sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Entrevista: Hunted

Do País de Gales surgem os Hunted, banda de heavy metal que se estreia em formato longo com Welcome The Dead. Originalmente o disco foi editado de forma independente em 2010, mas a Massacre Records viu o potencial que havia no jovem coletivo e assinou com a banda, para uma distribuição mundial. Sobre este e muitos outros assuntos, Steve Barberini (guitarrista) e Jonathan Letson (baixista) conversaram com Via Nocturna.

Podem apresentar os Hunted? Vocês começaram como um quarteto mas evoluíram para quinteto. Foi decisiva esta mudança na vossa sonoridade?
Steve Barberini (SB): Nós somos os Hunted, banda de heavy metal sediada no País de Gales. Lançámos anteriormente uma demo chamada Alone e recentemente editámos a nossa estreia Welcome The Dead. Este trabalho foi oficialmente editado pela Massacre Records e está disponível em todo o mundo nos habituais sites de venda música. Nós tocamos heavy metal com influências do prog, power e thrash, e somos inspirados por nomes como Judas Priest, Dream Theater, Helloween, Metallica, Queen, Iced Earth entre outros. Os Hunted tem variado entre um quarteto e um quinteto. Gravámos Welcome The Dead como um quarteto mas depois de termos assinado com a Massacre recrutámos o Dan Owen como segundo guitarrista. De facto, ser um quarteto ou quinteto não nos afeta muito, apesar de com um segundo guitarrista podermos orientar as nossas prestações ao vivo para formas mais energéticas, uma vez que a nossa música possui diversas camadas que exigem, ao vivo, mais que um guitarrista. Claro que como quinteto somos mais criativos e temos mais inputs técnicos nas gravações e estamos até bastante ansiosos pelo inicio do novo processo. Isto porque, na realidade, já começámos a preparar novas canções e estamos muito contentes com o rumo que elas estão a tomar.

Apesar de já teres referido algumas, quais as principais influências coletiva e individualmente nos Hunted?
SB: Cada membro da banda tem diferentes influências, mas todos nós ouvimos os clássicos como Iron Maiden, Priest, Helloween, Manowar, Dream Theater, Metallica, Queensryche, Blind Guardian, Queen, Rainbow, etc.... Acreditamos que estas influências acabam por estar presentes na nossa música, isto sem prejuízo de tentarmos soar o mais original possível. Gostamos de misturar as nossas influências no nosso processo de composição mas estamos sempre atentos ao rumo que a canção toma para que possa fazer sentido. Alguns elementos são influenciados por bandas mais extremas como Dissection, Burzum, Immortal, Emperor, Opeth, Behemoth, My Dying Bride, etc... no entanto, como as nossas bases são o heavy metal melódico, apenas incorporamos esses elementos em doses muito pequenas e limitadas.

Jonathan Letson (JL): Para mim, as maiores influências são Maiden and Megadeth, juntamente com outros nomes mais técnicos e progressivos como Dream Theater, Nevermore e Communic e outros mais doomy como My Dying Bride/November’s Doom e até um pouco de bandas mais recentes como Shadows Fall e Killswitch Engage. Enfim, um pouco de tudo!

A vossa demo de estreia foi muito aclamado. De alguma forma isso afetou o vosso processo de escrita para Welcome The Dead? Sentiram algum tipo de pressão?
SB: No que diz respeito a demos, sim, Alone, recebeu uma resposta muito satisfatória, mesmo levando em linha de conta as limitações naturais devido à nossa inexperiência em termos de promoção. Definitivamente, serviu como ponto de partida para nós, mas sabíamos que teríamos que melhorar o nosso som, as estruturas musicais e harmonias para permitir que as músicas ganhassem mais vida. Eu penso que a gravação de Alone foi crucial para o nosso crescimento e desenvolvimento e para ser honesto, também acho que Welcome The Dead foi um importante passo na evolução da banda. Nós adoramos Welcome The Dead e estamos muito orgulhosos do que conseguimos, mas temos a noção que teremos que continuar a trabalhar para criar cada vez melhor música. Quanto à pressão… eu não lhe chamaria pressão. Adoramos escrever e adoramos pegar na estrutura mais simples e torná-la na melhor que pudermos. Surpreendentemente, nos Hunted, a escrita surge de uma forma muito natural, provavelmente porque todos na banda têm algo a acrescentar e o trabalho em conjunto ajuda-nos a melhorar a nossa música. Portanto, por agora, a minha resposta será “sem pressão”. Temos tantas ideias para novas músicas e riffs que ficaria muito surpreendido se isso afetasse a nossa composição.

JL: Eu penso que a gravação da demo foi realmente uma experiência muito útil para nós – ajudou-nos a perceber melhor o processo de composição, produção e o que realmente funciona nos Hunted, enquanto banda. Como o Steve disse, estamos felizes com a forma como fomos capazes de aprender e evoluir para Welcome The Dead, que tem tido ótimas respostas até agora.

Mas serem considerados como os próximos Dream Theater deve ser um pouco assustador, não? Como reagem a essas comparações feitas pelos media?
SB: Estás absolutamente certo! Pessoalmente fiquei muito surpreendido quando as referências aos Dream Theater surgiram, uma vez que somos fãs da banda e gostamos de incorporar ideias da sua música na nossa. Nós nem soamos como eles e nem sequer somos uma banda progressiva. Sem dúvida é uma honra sermos comparados a eles mas nós nunca nos propusemos a fazer música complexa, se bem que a complexidade é algo subjetivo. Eu diria que os fãs incondicionais de Dream Theater não ouvirão muito DT na nossa música, embora os fãs mais casuais possam aperceber-se de algo. Não penso que fiquemos assustados com essas comparações, uma vez que teremos que continuar a escrever boa música como fizemos até aqui e, honestamente, posso dizer que não temos guiões, gostamos de introduzir mudanças técnicas, mas estamos também a tentar a tentar escrever canções mais simples, mais catchy, portanto acho que vai surgir uma mistura de ambas as coisas.

JL: Essas coisas são fantásticas de ouvir mas acho que não deves dar demasiada importância a isso, sob pena de te começares a concentrar em outras coisas que não a nossa música. Quero dizer, como fã de Dream Theater (mal posso esperar para ouvir o novo álbum!) é bom terem escrito isso sobre a minha banda, mas, para ser honesto, não penso que sejamos uma banda verdadeiramente progressiva no mesmo sentido dos DT. Por isso acho que não a pena focarmo-nos muito nessas comparações.

Welcome The End é a vossa estreia e já foi editada, em formato independente, em 2010. Agora ocorre a distribuição mundial pela Massacre Records. É exatamente a mesma versão da edição independente ou acrescenta alguns extras?
SB: É exatamente a mesma versão o que testemunha o grande trabalho de produção feito nos estúdios Sonic-One com o engenheiro Tim Hamil. A música e o artwork da edição da Massacre é exatamente a mesma da nossa edição independente em novembro de 2010, incluindo o booklet com todas as letras o que é muito importante para nós.

JL: Yep yep – a mesma música, o mesmo artwork… Eles nem sequer substituíram os meus loucos colegas por 4 mulheres bonitas! Acho que as editoras já não são o que eram… (risos).

Mas, ainda representa os atuais Hunted no que se refere ao line up e sonoridade?
SB: Yup! Welcome The Dead é 100% Hunted! Bem, quase… infelizmente, Dan Owen não fazia parte dos Hunted na altura das gravações mas desde que ele entrou na nossa família, que temos olhado em frente de forma a incluir os seus fantásticos solos no próximo álbum.

JL: Com a exceção do nosso novo e talentoso segundo guitarrista, Dan Owen, é definitivamente, uma boa apresentação do que os Hunted são.

Existe algum conceito subjacente a Welcome The Dead?
SB: Welcome The Dead não é um álbum conceptual, mesmo que algumas pessoas pensem que é. Não há uma história condutora nem um assunto ou tema central. Nós gostamos de cantar sobre problemas e emoções reais de forma a nos conseguirmos conectar com os nossos ouvintes e todas as nossas canções têm, de facto, algo em comum: escrevemos sobre morte, destino, religião etc. Tentamos não ser muito filosóficos nas nossas líricas mas gostamos de sentir que a música seja algo mais que um conjunto de riffs adornados com palavras vazias e sem sentido.

JL: (risos) Não! Definitivamente não é um álbum conceptual (apesar de eu gostar de álbuns progressivos, épicos e conceptuais). Penso que, como o Steve já disse, se trata de colocar algum cuidado e atenção na criação das letras, da mesmo forma que o fazemos com a música. E são temas como morte, destino, perda que nos permitem fazer isso.

As reações têm sido, mais uma vez, muito boas. Naturalmente sentem-se satisfeitos, mas não consideram que vos aumenta a responsabilidade?
SB: Bem, sentimos que temos que manter os nossos níveis agora. A última coisa que queremos é perder os elementos que as pessoas esperam ouvir nos próximos discos e ao vivo. Mas posso garantir que vamos manter os standards obtidos em Welcome The Dead e acreditamos que somos capazes de os melhorar. Honestamente, a maioria dos reviewers (não todos naturalmente) presentearam-nos com bons e construtivos feedbacks e iremos levar em linha de conta essas apreciações. Ultimamente temos escrito música não só para nós próprios mas também para os nossos fãs para que realmente se unam a nós.

JL: Estamos realmente muito felizes com as reações a Welcome The Dead – diria que 90% das reviews foram realmente positivas e mesmo as poucas que não foram tão boas, conseguem ver em nós muito potencial para o futuro. Eu sempre disse que devemos retirar algo útil de todas as reviews (todas as bem escritas e com fundamento!), quer sejam positivas ou negativas. Portanto, o nosso objetivo agora é mantermo-nos honestos com a nossa música mas tentar incrementá-la o mais que pudermos. Estamos realmente entusiasmados com o novo material que já temos pronto para o próximo álbum, portanto, penso que estamos, felizmente, na direção certa.

Por fim, o que está a ser preparado para levar Welcome The Dead para os palcos?
SB: Estamos a trabalhar arduamente para termos alguma exposição quer aqui no Reino Unido, quer na Europa. Estamos a delinear algumas mini-tours de forma a levar a nossa música até perto dos nossos fãs num futuro próximo. Tendo dito isto, também daremos a boas vindas a promotores e/ou fãs que entrem em contacto connosco para que toquemos próximo deles e nós prometemos dar o nosso melhor.

JL: Espetáculos e mais espetáculos, esperamos nós! Atualmente estamos no meio de um processo de estudo com o nosso agente e adoraríamos ir ao continente fazer alguns shows. Portanto, se tocarmos perto de vocês venham ver-nos que nós prometemos uma fantástica noite de metal.

Obrigado!
SB: Obrigado a Via Noturna e aos teus leitores pela entrevista. Caso o desejem podem contactar-nos para o email huntedrock@hotmail.co.uk, ou visitar-nos em www.myspace.com/huntedrock. Adquiram uma cópia de Welcome the Dead em www.metalmerchant.com ou em outros locais de compra de música online. Muito obrigado pelo vosso apoio. Saudações metálicas.

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