Entrevista The Dead Of Night


Os The Dead Of Night são um projeto formado por Shadow e Morgana Duvessa que se estreiam sob a forma de Inert, um disco de intenso mas tranquilo dark ambient/neoclássico. Os dois elementos juntaram-se e explicaram a Via Noturna a génese e objetivos deste tão peculiar projeto.

Falem-me um pouco deste projeto: como e quando nasceu?
Shadow (S): O projeto deu os primeiros passos em 2007. Há bastante tempo que queria fazer algo dentro do género, mas só nesse ano foram reunidas as condições, sobretudo a nível de disponibilidade, para o iniciar. Comecei por compor 3 músicas e só depois surgiu o nome, o conceito visual, etc. Bastante mais tarde, quando já tinha tudo tratado com a Invisible Eye Productions para lançar o trabalho de estreia, a Morgana contactou-me e TDON deixou de ser um projeto a solo e instrumental. Era uma possibilidade na qual já tinha pensado, mas acabou por acontecer tudo na altura certa.

Quais são as vossas principais influências?
S: A nível mais direto, citaria bandas como Arcana, Dargaard, Letum e Nox Arcana. Os compositores Clint Mansell, Jeremy Soule e Mark Snow também são uma grande fonte de inspiração. Indiretamente, citaria o metal, sobretudo o chamado post-BM, a música clássica e o psicadelismo.
Morgana (M): As minhas principais influências são Epica, Tristania (Vibeke Stene), Nightwish (Taja Turunen) e Draconian.

Como descreveriam Inert?
S: Se calhar, a melhor maneira de o descrever é uma frase que temos no MySpace há já algum tempo: a very quiet yet extremely lenghty storm. Quando acabámos todo o trabalho de composição, gravação e mistura, achei que o álbum transmitia, acima de tudo, uma sensação de imobilismo, como se o mundo desacelerasse de repente e fosse possível respirar fundo, calmamente. Não é muito diferente do que sentimos quando saímos da cidade e a nossa perceção do tempo muda logo. Só que é mais acentuado, pelo menos para mim.

Todo este trabalho foi feito apenas em duo ou tiveram a participação de outros elementos?
S: Foi tudo feito entre os dois. Eu tratei da composição, programação e mistura e a Morgana assegurou a voz em quatro músicas, bem como quase todas as letras.
M: Foi uma novidade escrever a partir de uma música já criada e adaptar as letras a uma linha de voz, mas adorei fazê-lo.

Como é feito todo o trabalho de manipulação dos sons?
S: Começo por compor tudo em midi, através do Guitar Pro. Visto que sou guitarrista, é a melhor opção para mim. Depois passo para o FL Studio e começo a explorar os sons. A nível de arranjos, tenho nesta altura de fazer uns ajustes, com base na amplitude de notas de cada instrumento. E quando quero manipular o tempo de alguma música de uma forma menos "formal", é muito mais simples ir arrastando e sobrepondo os compassos do que estar a inserir pausas numa pauta do Guitar Pro! Quando estou satisfeito com os sons, envio tudo à Morgana, que escreve quase todas as letras. Ela grava a voz e envia-me de volta, para eu misturar com os outros instrumentos. É claro que este processo todo não é assim tão linear, há muita interação e por vezes acabo por acrescentar/retirar alguma pista já na fase de mistura final. Mas o que importa é que tudo fique a soar bem, pelo menos para nós os dois.

De que forma está a ser feita a apresentação do projeto e a distribuição de Inert, cá dentro e lá fora?
S: Tenho conjugado esforços com a editora para promover o mais possível. Demos algumas entrevistas e temos várias reviews na net e numa revista impressa, a Ascension Mag. A editora é italiana e trabalha com algumas distribuidoras. Ando a ver se consigo distribuição em Portugal, para nós seria muito vantajoso.

O elemento água aparece algumas vezes nos vossos sons, à semelhança do que acontece com a capa. Algum conceito relacionado com esse elemento em Inert?
S: Sou fascinado pelo mar! Lá está, temos aqui mais uma vez a ideia de imobilidade, perenidade e de um elemento que é, por natureza, cíclico. Desde criança que a ideia de viajar sem destino pelo mar fora me cativa. Sou capaz de passar horas a olhar para o mar.

Há perspetivas de levarem Inert para palco? Em caso afirmativo, irão em duo ou haverá o recrutamento de outros elementos?
M: Sim, caso surjam convites.
S: Seria muito, muito bom tocarmos este material ao vivo. Mas as dificuldades são consideráveis. Em duo não me parece muito viável; não gostava de ir para o palco com um portátil e alguma maquinaria, para estar, no fundo, a passar som. Penso que isso não faria justiça à presença da Morgana em palco. O ideal era trabalhar com músicos de sessão, mas isso exigiria tempo de que não dispomos de momento. Mas seria fabuloso, uma excelente experiencia, sem dúvida. A ver vamos.

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