segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Entrevista: Ilium

Genetic Memory é o quinto álbum para os australianos Ilium, o segundo com o excelente vocalista Mike DiMeo (ex-Riot, ex-Masterplan), e mostra-nos um coletivo cada vez mais evoluído em termos instrumentais e imaginativo em termos líricos. Jason Hodges, guitarrista, explana o seu ponto de vista sobre Genetic Memory, abrindo a porta do seu sentimento ambientalista.

Genetic Memory é já o vosso quinto álbum. Consideras que este é o vosso melhor trabalho até à data?
Certamente que estamos muito felizes com isso, mas ambos os álbuns com Mike DiMeo nos vocais têm sido muito forte, penso eu.

E que diferenças se podem apontar entre Genetic Memory e os suas antecessores?
Eu acho que Genetic Memory é talvez um álbum mais ao estilo de heavy metal clássico. Sempre nos focamos nas melodias, mas talvez nos tenhamos estendido um pouco mais com este álbum, ao mesmo tempo que evoluímos musicalmente. Acho que permanecemos fiéis ao que nós acreditamos – apenas estamos interessados em escrever o tipo de música que queremos ouvir. E estou sempre interessado em explorar novos ângulos com as minhas letras!

Para este trabalho mantiveram o mesmo vocalista e a mesma editora. Isso trouxe mais estabilidade…
Essa estabilidade já existe comigo e com o Adam. Trabalhamos juntos com muita facilidade. Foi ótimo trabalhar com o e também com o Tim Yatras. Posso dizer que me senti bastante confortável a trabalhar nos dois últimos álbuns.

Na tua opinião, como analisas Genetic Memory?
É sempre interessante ver as comparações que as outras pessoas fazem entre a nossa música e a de outras bandas. Já fomos comparados a tudo, desde a Annihilator a Whitesnake! Já tivemos diversas de comparações com coisas como Dio, Judas Priest, Iron Maiden, Silent Force, Jorn, etc, e todas elas são aplicáveis. Basicamente somos uma banda de heavy metal em que parte é power metal, parte é metal progressivo, e outra parte é metal tradicional.

Podes dizer-nos se há algum conceito subjacente a Genetic Memory?
Algumas pessoas têm chegado à conclusão de que há um conceito por trás do álbum. Mas fazem isso com todos os nossos álbuns! Mas não, cada música tem o seu próprio conceito. Por exemplo, a faixa título é sobre alguém que tem pesadelos recorrentes a respeito de alguém num baile de máscaras há alguns séculos atrás, que atrai uma mulher para fora e a mata. Depois, através de sucessivas gerações tenta fazer o mesmo aos seus descendentes como um "fantasma" dentro de seus genes - a memória genética. Geralmente o que acontece é que eles cometem suicídio ao invés de cometer esses atos, e é isso que acontece com essa pessoa.

E o significado de canções como Kinaesthesia, Littoria ou Irrinja?
Kinaesthesia e Littoria foram criadas para dar ao ouvinte a oportunidade de criar uma imagem em suas mentes. Muitas vezes, as minhas letras são baseadas em jogos de palavras e o verdadeiro significado das letras encontra-se com a perceção dos ouvintes. Kinaesthesia é uma espécie de Shangri-La/Xanadu, situação do tipo em que alguém está preso numa bolsa de tempo e vê, em seu redor, a mudança do passado e futuro, enquanto o seu mundo permanece estático. Poderia ser sinónimo de impotência e incapacidade de fazer as mudanças necessárias para seguir em frente na vida. Littoria é uma referência para o litoral. Trata-se de uma criatura na qual falta um elo na sua ligação evolutiva e por isso não pode mais viver no oceano, mas não está suficientemente desenvolvida para lidar com a vida na terra. Portanto, vagueia irremediavelmente ao longo da costa. No contexto, é sobre não ser capaz de encontrar o seu nicho na vida – não se enquadrar. Irrinja é baseado numa lenda aborígene australiana a respeito de um lobisobem. Nessa música incluímos um verdadeiro tocador de didgeridoo aborígene, o que foi fantástico. Neste história, Irrinja volta depois de muitos anos, deixando apenas o mais velho, que também estava vivo da última vez que visitou, como testemunha.

Desta vez, a escolha para a mistura mudou…
Era para ser o Tommy Hansen a fazê-lo novamente, mas houve alguns problemas de programação o que significava significava que estávamos a correr contra o tempo. Assim escolhemos o Martin Kronlund.

Alguns membros dos Ilium estão envolvidos em outros projetos?
O Adam e eu também estamos a trabalhar num chamado Enviro-Metal onde esperamos conseguir um elenco de músicos de metal em conjunto para que possamos conseguir algum dinheiro para projetos de vida selvagem. Eu próprio sou um salvador da vida selvagem e reabilitador. Também já gravámos uma música para o Greenpeace, que vai ser usada para promovê-los.

Agora é hora de ir para a estrada. Existe alguma hipótese de uma tournée na Europa?
Uma tournée parece-me muito improvável devido a vários fatores. Nesta fase, a única via que temos de fazer chegar a nossa música lá fora, é através das nossas gravações.

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