Entrevista: Leather Nun America

Numa edição da PsycheDOOMelic Records, os Leather Nun America estão de regresso com mais um álbum de originais, três anos após Absence Of Light e depois do split com os britânicos Iron Hearse. Para ficarmos a conhecer melhor esta banda com fortes raízes no doom, principalmente a respeito do seu mais recente trabalho, Kult Occult, fomos falar com John Sarnie guitarrista e vocalista do trio.

Olá John, podes apresentar-nos os Leather Nun America?
Olá Pedro, obrigado pela review e entrevista. Para nós é importante obter essa informação do underground. Permite-me, então, apresentar a banda! Somos os Leather Nun America, dos Estados Unidos. Somos do sul da Califórnia e tocamos uma mistura de metal, estilo Maryland, com doom metal. Estamos orgulhosos de estarmos aqui a falar contigo e esperamos lançar alguma interesse a respeito de Kult Occult, o nosso novo álbum editado pela PsycheDOOMelic.

Qual o significado do vosso nome?
Bem, o significado de Leather Nun surgiu em 2003, quando li algo sobre a primeira banda de Wino, Leather Nunz, mas depois descobrimos que esta era uma denominação incorreta. Antes dos Obssessed nascerem eles chamavam-se Warhorse. De qualquer forma, precisávamos de um nome porque estavam uma série de espetáculos agendados. Então, o nosso baixista pesquisou e encontrou uma denominação clara de usar. Descobrimos que uma banda punk de 1979 se chamava de Leather Nun mas que já não estava ativa. Houve também um livro de banda desenhada dos anos sessenta que tinha esse nome mas que já estava fora de impressão. Por isso, mais tarde em 2006, começámos a usá-lo, tendo-lhe adicionado a palavra América, ficando claro que seríamos os únicos no doom metal. E ainda hoje andamos por cá a fazer gravações.

Kult Occult é o vosso novo trabalho. De que forma se diferencia dos vossos trabalhos anteriores?
Sim! De facto, este é o nosso novo disco, como um novo capítulo! É ousado, é pesado, abre novas vibrações através do tempo e do espaço, documentado e empacotado, produzido e refinado para todos os ouvidos poderem apreciar. O undergroud precisa de uma forte dose de puro coração, de sons emocionais, para contemplar o esforço de três pessoas normais com uma humilde atitude do it yourself. Oh meu deus! Como é que é diferente? Bem, é único. É um passo em frente em relação ao nosso anterior trabalho, Absence Of Light. Penso que as músicas são mais criativas. Temos sido considerados como um clone dos Spirit Caravan no passado mas penso que com este disco, quebramos algumas barreiras e soa mais como LNA. Eu até sou um grande fã de Wino, por isso essas comparações acabam por ser um grande elogio.

O vosso último álbum foi lançado há três anos, mas nesse espaço de tempo editaram um split. Podem falar-nos dele?
Sim, o último álbum foi há três anos. E o split que fizemos foi com uma banda britânica de doom metal chamada Iron Hearse. Num vinil de 7 polegadas, cada banda tinha um tema. Foram feitos apenas 500 exemplares, de forma que se tiveres um gira-discos… A nossa música era Anointed que também aparece no Kult Occult com o nome completo Anointed With The Blood Of The Snake. É a faixa mais rápida e cheia de poder. A canção dos Iron Hearse chama-se Rocket Builder e é uma faixa muito boa com excelentes vocais e a guitarra bem pesada. Nós fizemos este split juntos para dividir os esforços da tour que fizemos na Europa no ano passado. Foram 9 espetáculos na Europa continental e terminou no Reino Unido para tocar em Londres com os Iron Void. Foram, seguramente, grandes momentos para todos nós.

Então foi essa a razão para demorarem tanto tempo para lançarem um novo trabalho?
Sim, essa é parte da razão para ocorrer um intervalo de 3 anos entre os álbuns: a gravação do split e a tournée. Foi muito bom para nós, porque gostámos de tocar para os verdadeiros fãs europeus de doom. Quanto aos processos de gravação, estes podem tornar-se difíceis e levar muito tempo sem razões aparentes. Por vezes é fácil, outras vezes não. Fizemos um esforço extra para fazer o som e a qualidade das canções da melhor maneira possível. E também, surgiram, no nosso último lançamento, algumas críticas de que algumas músicas eram muito longas. Por isso, este álbum desenvolve-se de forma mais rápida e cortamos, propositadamente, a gordura desnecessária.

De que forma esperam atingir os vossos objetivos com este lançamento?
Eu espero que algumas metas sejam alcançadas. Desenvolvemos um grande esforço para colocar cá fora Kult Occult. Talvez alguns comentários sejam favoráveis e as pessoas irão comprá-lo para que possamos fazer mais uma tournee. Esse seria o o maior objetivo. Mas os tempos estão difíceis e as pessoas não tem muito dinheiro de reposição para gastar. Mas temos uma pequena quantidade de verdadeiros fãs, que certamente irão considerar este o melhor lançamento. Olhando para trás, pensei que All Your Kin iria agitar a cena underground, mas cinco anos depois quase não tem importância. Por isso, vamos ver, mas sim, penso que atingiremos os nossos objetivos com este álbum.

Considerando o título do álbum, parece que o cultismo estará muito presente. É verdade? E existe algum conceito abordado?
Sim o título sugere ocultismo e adoração ao diabo, mas não estamos muito virados para isso. Eu gosto de estudar o ocultismo e acho que é fascinante, e penso que é um tema que soa bem e é cativante. Todos nós gostamos de filmes de terror e de metal, mas eu acho que os temas das letras resultam, basicamente, de um ponto de vista agnóstico. Alguns de nós até compartilham um ponto de vista mais budista. Nós não somos cristãos, nem adoradores do diabo. Mas isto é arte e imagens de mentalidade aberta e forte e temas líricos fazem parte do doom e do metal. E ao que julgo saber, nunca magoamos ninguém diretamente. Isto são coisas dos sub-géneros mais underground que quando se tornam mais populares já ninguém gosta. Olha o trajeto dos Monster Magnet. Enquanto era underground tinham letras altamente. Agora os vídeos deles são parecidos com o Vegas Strip, quase como um vídeo de rap. Claro que queremos ser mais bem-sucedido, mas estaremos sempre no underground e com um orçamento relativamente baixo.

E suponho que devam estar prontos para ir para palco. Há já alguma coisa definida a esse respeito?
Sim, sim, estamos prontos para ir para palco! Aliás, estamos sempre prontos para isso. Essa é a parte mais divertida, vivemos a tocar heavy metal com o coração. Nem blastbeats nem guturais, mas pesados como o inferno ao vivo. E chega a parecer incrível como apenas três elementos podem soar como um assalto poderoso, maciço e lowtuned. Por cá, nem sempre somos bem compreendidos, mas há sempre algumas pessoas que realmente amam o doom e conseguem obter exatamente o que estamos a falar. Agora na Europa é diferente, as pessoas enlouquecem!. Estamos ansiosos para tocar aí novamente. Mas sim, temos temos alguns espetáculos planeados aqui nas redondezas, principalmente San Diego, área de Los Angeles .... Obrigado a ti, Pedro, e ao Via Nocturna por esta grande entrevista! Esperamos que todos escutem Kult Occult e apoiem o metal underground.

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