Entrevista: Solitude Aeturnus

Formados em 1987, os Solitude Aeturnus são um dos mais importantes nomes do doom metal do lado de lá do Atlântico e o conhecimento dos seus primórdios é fundamental para o perfeito conhecimento da banda. Por isso, com o prestimoso contributo do fundador e principal mentor, John Perez, a Massacre apresenta In Times Of Solitude que mais não é que o lançamento oficial do primeiro registo da banda, ainda em formato cassete e sob a denominação Justice For All. Com alguma nostalgia, o próprio John Perez explicou a Via Nocturna a importância desta edição.

In Times Of Solitude trouxe para a ribalta os teus primeiros tempos. Quando decidiste que era a altura certa para remasterizar este velho EP?
Na verdade, eu nunca masterizei nem editei comercialmente esta cassete de cinco canções de 1988 e senti que já tinha passado demasiado tempo e era a altura para dar algum crédito a essa fase da minha carreira. Especialmente para todos os outros elementos que me ajudaram a começar esta besta conhecida como Solitude Aeturnus. Esses tempos foram muito importantes para mim, com muito divertimento e aprendizagem. As notas que escrevi para este lançamento têm muitos detalhes desse período. O EP, como disse, nunca foi masterizado portanto esta é a primeira vez que tal acontece com este conjunto de canções. Eu não mudei grande coisa, apenas tentei certificar-me que o som geral estava bom.

E depois surgiu a ideia de o reeditar comercialmente?
Sim, eu já queria fazer isto há alguns anos, para ser honesto. Penso que o EP soa muito bem mesmo nos nossos dias e estou muito orgulhoso deste nosso primeiro trabalho. Alguns dos fãs mais novos ou mesmo alguns dos mais velhos, nunca ouviram isto e não estão familiarizados. Por isso, acho que este é um trabalho para os die hard fãs dos Solitude Aeturnus que querem conhecer um pouco mais da nossa história.

De que forma vês esta gravação 20 anos depois? Sentes que ainda está atual?
Eu ainda adoro as gravações antigas! Tenho consciência que não são perfeitas e os álbuns que se lhe sucederam foram muito mais pesados e melhores, mas esta cassete de cinco temas é mágica e o som, para a altura e condições técnicas, está realmente acima da média. E reforço: este não é um lançamento para os vulgares fãs de Solitude Aeturnus, mas para os verdadeiros aficionados que querem saber tudo sobre a banda e as suas origens.

E também consideras que é um documento importante para que os novos fãs entendam o inicio da banda?
Sem dúvida! Os Solitude Aeturnus não estariam onde estão hoje se não tivessem existido esses momentos. Eu considero que é muito importante que os fãs entendam esses tempos iniciais e, por favor, percam algum tempo a ler as notas incluídas neste lançamento.

Olhando para trás, podes comparar os Solitude Aeturnus de hoje com os representados neste EP?
Desde o inicio que temos trabalhado, basicamente, sobre a mesma fórmula. Criamos metal melódico e pesado pleno de influências de Black Sabbath e com atmosferas doom. O nosso objetivo é criar metal intemporal que não seja apenas a cópia de alguma outra banda ou a reedição de material antigo. Tentamos fazer o melhor metal possível.

De regresso ao presente, em que estão a trabalhar os Solitude Aeturnus atualmente? Para quando um novo álbum de originais?
Calmamente, estamos a trabalhar num novo álbum. Não tenho a certeza de quando estará terminado, uma vez que acabamos de ficar sem sala de ensaios porque não temos dinheiro para a pagar. Mas tudo bem, encontraremos um novo lugar e terminaremos o processo de escrita. Para já tenho cinco músicas completas e espero ter as restantes prontas até ao final do ano. Peço desculpa, mas eu/nós somos muito lentos! Eu prefiro colocar 100% de qualidade e ter intervalos de alguns anos entre lançamentos que editar um álbum cada ano de qualidade medíocre.

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