sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Entrevista: Under The Pipe

Valério Paula tem um eclético passado na música e achou que estava na altura de criar algo mais pessoal. Assim, nasceram os Under The Pipe, projeto onde o músico assume todos os papeis desde a composição à interpretação. Past And Future, é um dos exemplos do que Valério Paula tem andado a fazer e é, essencialmente, sobre este EP que conversamos com o guitarrista.

Podes explicar-nos a génese dos Under The Pipe? Que objetivos te nortearam para ergueres este projeto?
Primeiro, obrigado pela oportunidade. O simples desejo de fazer algo sozinho e expressar o gosto pelas melodias. Afinal gosto bastante de ouvir este estilo musical e tinha grande interesse em saber se conseguia reproduzi-lo também nas minhas ideas. Acho que acabei por conseguir fazer algo que fico feliz de tocar e ouvir repetidas vezes em minha casa.

Musicalmente, de que forma descreverias Under The Pipe/Past And Future?
Música para agradável meditação, em que seja possível viajar no tempo e no espaço daquelas melodias.

Este é um trabalho muito pessoal: escreveste todos os temas, tocaste todos os instrumentos e gravaste em casa. Não te sentiste muito isolado em todo o processo?
A ideia era mesmo essa, ficar só trancado e deixar o momento falar. Under The Pipe foi gravado apenas para que eu pudesse apreciar algumas coisas que não encontrava nas bandas do mesmo género. E acabei por dedicar algum tempo a compor e gravar aquilo que gostava de ouvir.

De qualquer das formas, há três temas que foram masterizados pelo americano Nicholas Deringa. De que forma se propiciou esse contacto e como avalias essa experiência?
Nicholas é um amigo de longa no data no Myspace que possui um estúdio nos EUA. Perguntei se ele podia fazer algo num tema, ele gostou e quis fazer nos 3 temas que era suposto serem os únicos deste trabalho. Porém a Mimi Records também curtiu, perguntou-me se estava interessado em distribuir. Eu aceitei e então concordamos em adicionar mais 2 temas ao trabalho Past and Future V2. Afinal a ideia inicial era apenas gravar para eu ouvir em casa, no carro, no mp3, mas os elogios foram surgindo e não ficou só por isso... mas não estava a procura como foi com os Skewer.

À semelhança de muitos outros nomes dentro deste género, as vozes são eliminadas. Existe algum motivo para isso acontecer?
Queria apenas melodia, sentimento, livre interpretação sem legendas, sem dar uma mensagem direta aos temas... cada um terá a sua conceção, aí que fica bacana!

E neste campo, de que forma é que o título das canções se relaciona com a sua estrutura ou desenvolvimento? Ou seja, de que forma fazes a leitura da história instrumental para conseguires batizar os temas?
Momentos da minha vida. Passei por experiências ruis e boas que nunca serão esquecidas.

Entretanto, tu assumes a totalidade da interpretação. Foi uma opção ou uma necessidade?
Opção... afinal Under The Pipe é uma cena sem ideia de concertos, pelo menos até o momento... Se começarem a surgir propostas e que sejam válidas até se pode cogitar. Fora isso, é para quem quiser ouvir em casa, no carro, no mp3 como eu faço.

Esta é a segunda edição do EP, depois de inicialmente teres apresentado apenas três temas. Porque tomaste esta opção?
Foi uma questão de dar uma requintada ao trabalho para a Mimi Records e ajudar na distribuição... tanto que é gratuito!

Não ponderas a hipótese de alargar a base de instrumentistas para uma próxima gravação?
Já tenho um CD gravado que está sendo distribuído pela Believe Digital, para várias plataformas de música digital. Por ser mais fácil encontrar, não dá para por o álbum gratuito por ser a Believe Digital que trabalha com BMG, SONY, VIRGIN etc... mas se alguém tiver vontade e coragem de ouvir está em Believedigital.com/underthepipe. Também já tenho um EP pronto para sair em 2012 se alguém mais se interessar. O video já esta online e tem o mesmo nome Fix You.

A edição deste EP acaba por ser de uma editora Luso-japonesa, o que não é muito vulgar! Como aconteceu essa ligação?
Como expliquei anteriormente , o Fernando ouviu, gostou e fez o convite, achei bacana da parte dele, aceitei logo.

Sendo uma editora estrangeira acreditas que o processo de internacionalização seja mais fácil? Como está a decorrer a promoção deste EP lá fora?
Não faço ideia (risos)! Gravei isso apenas pela vontade de ouvir estes temas. A cada interesse eu fico feliz, mas não estou preocupado se corre bem ou mal, é apenas música para apreciar, quem gostar vai atrás e ouve é grátis e fico feliz por não ser o único a saborear as melodias de Under The Pipe.

Referiste que tens um álbum gravado. Pode falar dele?
O nome do longa duração é Start Over Again, tem 9 temas e cerca de 50 minutos de música e foi editado em março de 2011. É isto que estou a fazer com minha vida e rumo musical “dando aquela reciclada”... sempre a aprender e degustar coisas novas, música para alimentar a alma!

Para terminar, como vão as coisas no seio dos Skewer?
Os Skewer deram um último concerto em março de 2010. Depois disso cada um seguiu em outros projetos, sejam ele musical, particular ou profissional. Também estamos sem muita vontade de voltar ao activo. Por enquanto esta em stand by... quem sabe no futuro se a música tomar um rumo que valha apena. De resto estou feliz em gravar e tocar cenas para Under The Pipe que mesmo sem pretensão nenhuma e nem grande divulgação em massa como foi com Skewer, tem sido agradável o que ouço dos pessoas. Obrigado.

Sem comentários: